Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais

O Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais do Instituto de História Contemporânea tem um programa de actividades no campo da história do trabalho e do movimento operário que prima pela sua dinâmica, interdisciplinaridade, qualidade da investigação científica e pluralidade do debate académico. Fica aqui o programa de 2011 e 2012, com entrada livre a todos aqueles que queiram participar.
Investigadores e investigadores colaboradores: Ana Catarina Pinto, Ana Sofia Ferreira,  António Simões do Paço, Albérico Afonso, Bruno Monteiro, Carla Silva, Cátia Teixeira, Cláudia Figueiredo, Cleusa Santos, Constantino Piçarra, Dalila Cabrita Mateus, Florian Butollo, Gilberto Calil, Inês Brasão, Inês Fonseca, Joana Dias Pereira, João Madeira, João Marques Lopes, Jorge Fontes, José Neves, José Nuno Matos, Luís Farinha, Maria Augusta Tavares, Maria da Paz Lima, Maria João Raminhos Duarte, Miguel Pérez, Paula Borges Santos, Paula Godinho, Paulo Terra, Raquel Varela, Ricardo Noronha, Rui Jacinto, Sílvia Correia,  Sónia Sofia Ferreira,  Susana Martins, Teresa Medina, Victor Pereira Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais. IHC. FCSH-UNL. Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais Study Group on Labor and Social Conflicts e-mail: getcs.ihc@nullgmail.com Coordenação/Coordination: Raquel Varela Instituto de História Contemporânea Universidade Nova de Lisboa Av. de Berna, nº 26 -C 1069-061 Lisboa e-mail: ihc@nullfcsh.unl.pt

Todas as sessões são de entrada livre para estudantes de licenciatura, mestrandos, doutorandos e público em geral.

Seminário. História Social dos Trabalhadores do Transporte: Lisboa-Rio de Janeiro

Com Paulo Terra

Resumo: Tanto o Rio de Janeiro quanto Lisboa foram cenário de  profundas transformações nos transportes entre o final do século XIX e início do XX. O objetivo é fazer uma história social do transporte no Rio de Janeiro, o que significa abordá-lo através da perspectiva da luta de classes e inserir um elemento pouco estudado até então: o trabalhador. Através principalmente dos momentos de greve, busco entender quais eram as características do trabalho e como os trabalhadores envolvidos vivenciaram as mudanças do setor, que estavam conectadas ao desenvolvimento do capitalismo em ambos os países. Paulo Terra: Doutorando em História na UniversidadeFederal Fluminense, Brasil. Pesquisador do Grupo de Pesquisa Mundos do Trabalho-UFF. Organizador, juntamente com Marcelo Badaró e Marcela Goldmacher, do livro Faces do trabalho: escravizados e livres (2010). Autor de artigos e capítulos de livro sobre os trabalhadores no Rio de Janeiro, especialmente os ligados ao transporte, entre a metade do século XIX e início do XX. Coordenação: Raquel Varela 18 de Outubro, 18-20 horas Local: EdifícioI&D.FCSH/UNL

Colóquio. Áreas Industriais e comunidades operárias: Encontros de investigadores locais: divulgação de estudos monográficos. 2ª Sessão na Voz do Operário.

Coordenação: Joana Dias Pereira e Bruno Monteiro Comissão Científica:Ana Nunes de Almeida e Frédéric Vidal 20 e 21 de Outubro Local: FCSH. Av. De Berna. Lisboa 22 de Outubro de 2011 Local: FCSH, Voz do Operário e Cinemateca Portuguesa

Resumo: Os investigadores que se debruçam sobre a acção colectiva dos trabalhadores têm optado por dois tipos de análises que Charles Tilly designaria por clínicas e epidemiológicas. Os estudos clínicos seguem as origens e as histórias de participantes particulares, sublevações, greves ou outros movimentos sociais, geográfica ou sectorialmente limitados. Os estudos epidemiológicos procuram relacionar unidades – pessoas, estruturas, comunidades – envolvidas num determinado movimento. A articulação destas abordagens é rara e complexa mas indispensável para a reconstrução histórica da formação da classe operária. É fundamental relacionar a riqueza das monografias com as propriedades comuns de vários casos de estudo.

Curso. Estado e Classe Trabalhadora Sessão 1: A reflexão clássica em torno do Estado – liberalismo e marxismo (Novembro) Sessão 2: Estado Ampliado: Sociedade Civil, Sociedade Política e Hegemonia (Dezembro) Sessão 3: Americanismo e Fordismo: cultura e produção da vida (Janeiro) Sessão 4: Economia e política no capitalismo: Poulantzas e Ellen Wood (Fevereiro)

Com Gilberto Calil e Carla Silva

Giilberto Calil. Doutor em História Social (UFF, 2005); Professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná; autor de O Integralismo no pós-guerra (PUCRS, 2001) e Integralismo e Hegemonia Burguesa (Unioeste, 2010). Realiza estágio de pós-doutoramento na Universidade do Porto entre Setembro de 2011 e Agosto de 2012. Carla Luciana Silva Doutora em História Social (UFF, 2005); Professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná; autora de Onda vermelha: Imaginários anticomunistas brasileiros, 1931-1934 (PUCRS, 2001) e Veja: o indispensável partido neoliberal (Unioeste, 2010). Realiza estágio de pós-doutoramento no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa entre Setembro de 2011 e Agosto de 2012 Coordenação Gilberto Calil e Carla Silva Sessão 1: 3 de Novembro, 18-20 horas Sessão 2: 8 de Dezembro, 18-20 horas Sessão 3: 12 Janeiro de 2012, 17-19 horas Sessão 4: 2 de Fevereiro de 2012, 17-19 horas Local: Edifício I&D. FCSH/UNL

Seminário. Industria naval pesada Argentina. Astilleros públicos:los trabajadores frente a la privatización.

Com Cintia Nelly Russo

Cintia Russo: Profesora de Historia del Pensamiento Económico, Universidad Nacional de Quilmes, Universidad de Buenos Aires. Licenciada en Historia/Universidad de la Sorbonne , Paris IV/ Magíster en Economía/Universidad Nacional Autónoma de México/ Doctorado en la Universidad de Sorbonne Nouvelle, Paris III./ Publicaciones recientes: 2011 Russo El Estado y la industria: el caso del sector naval pesado. Revista H Industria. Buenos Aires, (en prensa). Resumo: El objetivo deste seminário es analizar la evolución reciente de la industria naval pesada en la Argentina y de los astilleros públicos (Astillero Río Santiago, ARS, Talleres Navales Dársena Norte y Tandanor) que explican, en gran medida, la historia del sector. Desde el punto de vista conceptual, nuestro interés es el de contribuir a un debate más amplio sobre la relación entre el Estado, la  industrialización y la participación de los trabajadore en ese proceso. Coordenação: Raquel Varela 17 de Novembro, 18-20 horas Local: Edifício I&D. FCSH/UNL

Seminário Classe, Valor e Conflito Social

Coordenação: Ricardo Noronha (IHC) e João Valente Aguiar (IS-FLUP)

Resumo: Múltiplos discursos políticos e ideológicos têm incidido sobre a classe trabalhadora ao longo dos últimos 150 anos. Das perspectivas de exaltação ou de atribuição de um pendor teleológico a essa classe social, às abordagens que buscam consensualizar o mundo assalariado na sociedade contemporânea, os enunciados políticos e simbólico-ideológicos em torno deste assunto têm sido variados. Nas Ciências Sociais, a discussão da classe trabalhadora e das classes sociais tem dado igualmente lugar a posições relativamente focalizadas numa dimensão, desde as perspectivas que vão da inserção sócio-profissional no tecido social à equiparação das classes sociais ao somatório de estilos de vida. Neste evento, procurar-se-á apresentar trabalhos que permitam ampliar a discussão em torno das classes sociais, e sobretudo da classe trabalhadora, enquanto entidades colectivas dinâmicas. Por conseguinte, a focalização da classe trabalhadora como o resultado de uma processualidade histórica permite-nos compreender a relação das posições objectivas na estrutura socioeconómica com a participação dessa classe social na cena social, política e cultural. O cruzamento interdisciplinar surge então como uma valência com potencialidades heurísticas relevantes para, por um lado, ultrapassar discursos de senso comum que tendem a polarizar a classe trabalhadora em termos de um maior ou menor revolucionarismo ou conservadorismo político. E, por outro lado, que procure superar concepções unilaterais e relativamente unidimensionais na aproximação ao objecto de estudo em equação, sejam elas portadoras de um viés economicista ou culturalista. 1) Classes, valor e mobilização social I: Ricardo Noronha e Guilherme Statter Fonseca 2) Classes, valor e mobilização social II: João Valente Aguiar e Bruno Peixe Dias 3) Composição social dos assalariados e movimentos sociais nas últimas décadas: Ursula Huws e Giovanni Alves. 24 de Novembro. 14-20 horas Local: FCSH/UNL

Áreas Industriais e comunidades operárias: Encontros de investigadores locais: divulgação de estudos monográficos. 2ª Sessão na Voz do Operário.

Coordenação: Joana Dias Pereira e Bruno Monteiro Comissão Científica: Ana Nunes de Almeida e Frédéric Vidal

Resumo: Os investigadores que se debruçam sobre a acção colectiva dos trabalhadores têm optado por dois tipos de análises que Charles Tilly designaria por clínicas e epidemiológicas. Os estudos clínicos seguem as origens e as histórias de participantes particulares, sublevações, greves ou outros movimentos sociais, geográfica ou sectorialmente limitados. Os estudos epidemiológicos procuram relacionar unidades – pessoas, estruturas, comunidades – envolvidas num determinado movimento. A articulação destas abordagens é rara e complexa mas indispensável para a reconstrução histórica da formação da classe operária. É fundamental relacionar a riqueza das monografias com as propriedades comuns de vários casos de estudo. 25-26 de Novembro de 2011 27 – Visita Guiada Área industrial Cova da Piedade (CAA) Local: Fórum Romeu Correia. Almada

Seminário Portugal Contemporâneo: Estudos Históricos Comentados No mesmo barco? Operários navais no mundo (1950-2010): um projecto de história global do trabalho  Com Raquel Varela e Paula Godinho (comentário)

Resumo: A partir de uma perspectiva de história global do trabalho, cujas linhas essenciais pretendemos apresentar neste seminário – partindo de uma síntese da obra Workers of the World de Marcel van der Linden -, vamos apresentar e discutir a metodologia e o núcleo de orientação científica de um projecto internacional de estudo dos operários navais no mundo, desde o fim da II Guerra Mundial até aos dias de hoje.

Raquel Varela é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora honorária do Instituto Internacional de História Social, onde co-coordena o projecto internacional In the Same Boat?Shipbuilding and ship repair workers around the World (1950-2010).  É doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa). É autora, entre outros, de História da Política do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand, 2011) e de vários artigos científicos sobre história do comunismo, fim das ditaduras ibéricas e história do trabalho. Paula Godinho é antropóloga, professora no Departamento de Antropologia e investigadora do IELT da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Lecciona disciplinas ligadas à antropologia sobre Portugal e a Europa, à antropologia política, aos usos da cultura e aos movimentos sociais e fronteiras. Publicou vários livros, seja como autora – Memórias da Resistência Rural no Sul (Couço, 1958-1962), Oeiras, Celta, 2001; O leito e as margens – Estratégias familiares de renovação e situações liminares no Alto Trás-os-Montes raiano, Lisboa, Colibri – seja como organizadora. Foi editora e consultora de várias revistas e outras publicações. Presentemente está envolvida em quatro projectos ibéricos. Coordenação: Paula Borges Santos 7 de Dezembro de 2011 Local: FCSH/UNL  

Áreas Industriais e comunidades operárias: Encontros de investigadores locais: divulgação de estudos monográficos. 3ª Sessão na Casa Sindical do Porto.

Coordenação: Joana Dias Pereira e Bruno Monteiro Comissão Científica: Manuel Loff e Silvestre Lacerda

Resumo: Os investigadores que se debruçam sobre a acção colectiva dos trabalhadores têm optado por dois tipos de análises que Charles Tilly designaria por clínicas e epidemiológicas. Os estudos clínicos seguem as origens e as histórias de participantes particulares, sublevações, greves ou outros movimentos sociais, geográfica ou sectorialmente limitados. Os estudos epidemiológicos procuram relacionar unidades – pessoas, estruturas, comunidades – envolvidas num determinado movimento. A articulação destas abordagens é rara e complexa mas indispensável para a reconstrução histórica da formação da classe operária. É fundamental relacionar a riqueza das monografias com as propriedades comuns de vários casos de estudo. 16-17 de Dezembro de 2011 Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Seminário O Trabalho Informal: história e sociologia A funcionalidade do trabalho informal na era da flexibilização.

Com Maria Augusta Tavares A modernidade tardia no serviço doméstico em Portugal. Com Inês Brasão

Resumo (Augusta Tavares): Objectiva-se apresentar as principais interpretações que setorializam a economia, no sentido de demonstrar sua insuficiência, sobretudo no que tange às relações de produção pós-anos 90, concluindo-se por uma informalidade que se expande, em sintonia com a flexibilidade toyotista, mediante trabalho produtivo e improdutivo, em termos marxistas, o que atesta a funcionalidade do trabalho informal na produção capitalista.

Resumo (Inês Brasão):  Com esta apresentação pretendo refletir sobre um conjunto de pressupostos subjacentes às regras dominantes do trabalho doméstico co-residencial entre os anos de 1940 e 1970. Estas 3 décadas são marcadas por um período de instabilidade e transição e é nelas que se degrada um certo consenso normativo relativamente ao conteúdo, espaço, tempo, volume e natureza da obediência ao trabalho. Será feita uma abordagem à economia de trocas que regula as relações entre criados e patrões e o seu enquadramento naquilo que poderemos designar por economia informal ou subterrânea. Esta abordagem centrar-se-á no significado que as protagonistas atribuem ao seu próprio trabalho a partir de vectores como a dominação, mercadorização, feminização, não especialização, gratificação ou deferência.

Maria Augusta Tavares: Doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal da Paraíba. Líder do Grupo de Pesquisas sobre o Trabalho. Bolsista de Produtividade do CNPq/Brasil. Autora de Os fios (in)visíveis da produção capitalista e de vário artigos científicos na área do trabalho, especificamente no que tange à precarização e à informalidade do trabalho. Inês Brasão é doutorada em Sociologia e Economia Históricas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa com a tese “A condição servil em Portugal: memórias de dominação e resistência a partir de narrativas de criadas”. É docente de sociologia no Instituto Politécnico de Leiria. Tem publicado nos domínios de pesquisa da sociologia da leitura e da história do corpo. É autora de Dons e Disciplinas do Corpo Feminino: Os Discursos sobre o corpo no período do Estado Novo, obra premiada pela Comissão para a Condição Feminina em 1998. Coordenação: Sílvia Correia e Ricardo Noronha 6 de Dezembro, 18-20 horas. Local: Edifício I&D. FCSH/UNL

Leitura comentada, colectiva e crítica da Obra A Formação da Classe Operária Inglesa de E.P. Thompson Coordenação: Ana Catarina Pinto e Cláudia Figueiredo. 10 de Janeiro, 18h-20horas 13 de Março 18h-20h horas 15 de Maio 18h-20h horas Local: Edifício I&D. FCSH/UNL

Seminário Internacional. Fordismo e Pós-fordismo Coordenação: Ricardo Noronha e José Nuno Matos Comité científico: Fernando Rosas, José Neves, José Nuno Matos, Raquel Varela, Ricardo Noronha, Ruy Braga 10 e 11 de Fevereiro de 2012 Local: FCSH-UNL Inscrições: 60 euros – Professores; 30 euros – Doutorandos e pós-doutorandos Entrada Livre

Seminário. Teorias dos Movimentos Sociais Com Florian Butollo Coordenação: Florian Butollo 14 Fevereiro de 2012, 15-19 Horas Local: Edifício I&D. FCSH/UNL

Seminário. A Classe Trabalhadora no Litoral Alentejano Com Rui Jacinto. Coordenação: Rui Jacinto 3 de Abril de 2012, 18-20 horas Local: Edifício I&D. FCSH/UNL  

Visita guiada à Rota do Vale do Ave. Coordenação: Bruno Monteiro, Cátia Teixeira.

Resumo: O regresso aos estudos sobre o movimento operário e a conflitualidade social leva-nos à Rota do Património Industrial do Vale do Ave. Nesta região industrial, as marcas da industrialização estão bem patentes no valioso património industrial existente e na memória colectiva local. Esta visita procurará conhecer a história social local, mormente visitando o Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave e o empreendimento paternalista em torno da Fábrica Têxtil Sampaio Ferreira. Maio de 2012 sítio da rota no Ave: http://www.rotanoave.com/Homepage.aspx

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Uma resposta a Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais

  1. Impecável. Obrigado pela divulgação. Vemo-nos por lá!

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