Who are we? Troy Davis! What do we want? Justice!

Não é mulher. Não é branco. Não é iraniano. Provavelmente nem sequer é culpado do crime que o levou a passar vinte anos no corredor da vergonha. É acusado sem provas materiais e nunca confessou. Nem perante este quadro, agravado por ter havido coação policial sobre testemunhas e falsos depoimentos, obteve a última clemência. A impotência de todos, a hipocrisia de alguns e a cobardia do sistema judicial norte-americano estão na iminência de assinar mais um óbito, mais um assassinato. A pena capital é condenável em todos os países, naturalmente. Mas os que entendem que os EUA são o farol do mundo democrático deviam manter a coerência. Uma pena de morte às mãos da mais perfeita concretização do Direito em Estado, da Justiça em Mercado, o tal que pregam como modelo, é substancialmente mais grave do que feito debaixo de uma República Islâmica. Não porque os segundos mereçam compreensão. De todo. Mas porque os primeiros dizem ter outra responsabilidade. Se nas próximas horas ninguém chamar ninguém à razão, Troy Davis vai ser apedrejado até à morte nos EUA.

Era bom que hoje um qualquer Dylan pudesse fazer outra canção como esta.

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34 respostas a Who are we? Troy Davis! What do we want? Justice!

  1. Sérgio Pinto diz:

    Bem, pensava que este dia nunca mais chegaria, mas finalmente consigo concordar com um post seu, Renato.

  2. Manuel Monteiro diz:

    Aqui está, no seu máximo esplendor, o farol de todas as “democracias” da barbárie…

    Manuel Monteiro

  3. Observador diz:

    “A pena capital é condenável em todos os países, naturalmente. ”
    Concordo plenamente.

    “…os que entendem que os EUA são o farol do mundo democrático…”

    !?!?!
    Mas alguém pode “entender” isso?!
    Só por pura iliteracia política (embora os EUA gostem de fazer propaganda com isso).
    Em primeiro lugar esses não entendem a diferença substancial entre República (no sentido puro do termo) e Democracia. São duas coisas diferentes.
    A ver:
    http://www.1215.org/lawnotes/lawnotes/repvsdem.htm
    Ora, de facto, os próprios EUA se definem en termos parecidos com :”essencialmente uma República, embora com algumas tradições democráticas”.
    Os mais curiosos poderão, através de um breve pesquisa, saber a opnião de alguns dos “founding fathers” sobre a Democracia.

    Fico contente em ver que o Renato se “deixou” de Teocracias. Ainda bem, pois ficava-lhe muito mal. 🙂
    Era só o que faltava malta de esquerda andar a fazer o panegírico a regimes de fundamentação religiosa, certo?!

    E qual é o “seu farol” Sr.Monteiro?! Fiquei curioso.
    Espero que não sejam alguns faróis tipo “CCCP” (que nunca, jamais em tempo algum foi imperialista, nem invadiu ninguém, nem pensar), Roménia de Ceausescu (ah….o glorioso conducator e sua mulher Elena….ohhhh), Albânia de Enver Hoxha (vénia), Pol-Pot (esse grande vulto da democracia participativa do género “ou-participas-a-bem-ou-a-mal-mas-participas), ou a “Monarquia” de Pyongyang, ou a (por certo gloriosa) Revolução Kóltural do camarada Mao ou, ainda, “faróis” do tipo “Glavnoïe oupravlenie laguereï”.

    • Renato Teixeira diz:

      Nunca defendi Repúblicas Islâmicas mas sempre defendia a resistência, mesmo a Islâmica. Tenho o péssimo hábito de me importar pouco com o credo na hora de defender os oprimidos.

      • Observador diz:

        Acha que os iranianos (p.ex) são….”oprimidos”?

        Por quem, já agora?

        Já agora, não deixa de ser…..digamos…..”delicioso”, ver os “profissionais das causas fracturantes e das liberdades” passarem o tempo a zurzir nos países ocidentais (e algumas vezes até bem) e na Igreja Católica* em particular e no Cristianismo em geral e, ao mesmo tempo, ficarem num ensurdecedor silêncio perante o que se passa em certos países com pessoas que estão a ser…….”oprimidas”. Interessante.

        *nunca tive, não tenho e não pretendo vir a ter qualquer religião , note-se. (embora respeite perfeitamente quem tenha religião e não seja prosélito, óbviamente)

      • DrStrangelove diz:

        E os cartoons dinamarqueses sobre Maomé, Renato?
        Também os acha “ofensivos” e “xenófobos” como fizeram muitos dos seus correlegionários?

    • De diz:

      Um comentário típico de um,digamo-lo sem medo das palavras,demagogo à procura de espaço para fazer escorrer um pouco os seus mandamentos ideológicos.
      Aldrabando e manipulando,claro
      Arrebanhando nomes “sonantes”ao desbarato.Numa tentativa sórdida para por um lado juntar o que não pode nem deve ser junto.E por outro para desviar as atenções do óbvio.A saber:esconder o crime inenarrável que constitui um assassinato de estado.Em pleno século XXI.Um estado que se arroga o direito de tirar a vida a um homem,friamente,sem quaisquer escrúpulos,sem qualquer rebate ético ou humanitário
      A mais valia de uma vida humana reduzida ao zero.A sordidez de uma doutrina podre e hipócrita,feita em nome do direito do mais forte a impor esse mesmo direito.A pena capital como modo de evidenciar a supremacia de uma sociedade que mistura o fanatismo com a demagogia a que se adiciona a arrogância dos tidos como “senhores do mundo”.Por direito divino e pela força do Poder.
      A repugnância pelo caso aumenta quando se sabe que Troy Davis espera no corredor da morte há 20 anos.Quando se sabe que se levantam dúvidas mais que legítimas se ele é de facto culpado.Quando se identificaram testemunhas que falaram coagidas pelo poder policial.Quando se confirmaram testemunhos falsos.

      Tudo isto mete náuseas.Pela situação de alguém que é assassinado com a pompa e circunstância de rituais bárbaros e animalescos.Mas também pela situação miserável de se ler alguém que ainda tem o supremo mau gosto de pretender fazer humor com o horror e a miséria humana.
      Risos em forma de “solzinhos”numa situação destas são néscios!

      E confesso que cada vez tenho menos paciência para aturar civilizadamente tal género de coisas

      • Tiago Vasconcelos diz:

        «Tudo isto mete náuseas.Pela situação de alguém que é assassinado com a pompa e circunstância de rituais bárbaros e animalescos.»

        Só para contextualizar:

        Número de execuções nos EUA em 2010 = 46
        Número de execuções na Coreia do Norte em 2010 > 60
        Número de execuções na China em 2010 > 2000

        Só a “socialista” China leva a cabo mais execuções por ano do que todos os outros países do mundo somados.

        P.S. Só para clarificar: sou contra a pena de morte em geral, e ainda neste caso de Troy Davis.

        • Tiago Vasconcelos diz:

          Correcção:
          P.S. Só para clarificar: sou contra a pena de morte em geral, e ainda para mais neste caso de Troy Davis.

        • Renato Teixeira diz:

          Vejo que esqueceu a estatistica do Irão… Quer colocar em contraste?

          • JDC diz:

            E eu vejo que o Renato (ou qualquer outro aqui no 5dias) também se esquecem regularmente, desde sempre até, de postar sobre um qualquer condenado à morte na China ou na Coreia do Norte…

          • Tiago Vasconcelos diz:

            Poder-se-ia, com toda a propriedade, mencionar-se também o Irão:

            Número de execuções no Irão em 2010 > 252

            Não sei porque é que estas centenas de desgraçados não têm direito a uma linha sequer no 5Dias. Ah, já sei. O Irão não é um país imperialista!…

        • De diz:

          Só para contextualizar…
          Ou a forma como as marionetas preparam o chão perante o anúncio de uma execução bárbara do império
          Têm a suprema “lata” de continuarem nas estatísticas dos executados.
          E apenas “contextualizam” quando um homem está prestes a ser linchado

          • Tiago Vasconcelos diz:

            A Esquerda Radical tem um problema com os números. Convive mal com eles…
            E o “De” tem mais do que um problema com os números. Tem um problema com a lógica.

          • De diz:

            Vasconcelos tem um problema com vidas humanas.
            E refugia-se na sua aritmética macabra,enquanto vai agitando a bandeira americana ensopada
            ..adivinha-se de quê

    • Manuel Monteiro diz:

      Observador pidesco
      Vai para o caralho…
      Manuel Monteiro

  4. atento diz:

    os cartazes são ofensivos e demonstram intelorância.

    retratar um muçulmano como bombista é o mesmo que retratar um cigano como ladrão e traiçoeiro e um português ou um grego como preguiçoso.

    resultam do mesmo tipo de liberdade de expressão que você tem ao ir a Auschwitz e fazer a saudação nazi.

    • De diz:

      3 parágrafos excelentes !

    • Tiago Vasconcelos diz:

      Errado. Os cartoons eram sobre Maomé, não sobre um muçulmano genérico.
      Segundo, a ausência de barreiras à sátira e ao humor são características das sociedades livres. O humor pode, em alguns casos, ser ofensivo e de mau gosto. Mas as sociedades livres não costumam apelam à censura e, muito menos, à morte dos responsáveis por esse humor.
      Haver temas tabú, sobre os quais não se pode fazer humor sob o risco de ser assassinado por fanáticos religiosos diz muito mais sobre o patamar civilizacional em que esses fanáticos se encontram do que sobre a natureza do humor em causa.
      E é bastante sintomático do seu avançado estado de decadência, a Esquerda Radical solidarizar-se com uns fanáticos medievais que defendem valores diametralmente opostos aos valores tradicionais da Esquerda.

      • De diz:

        Errado?
        Risco de ser assassinado?
        Estado de decadência?
        Esqquerda tradicional?

        Mas esta “coisa” ainda não percebeu o que se passa?
        Que me recuso a entrar no seu jogo do toca e foge,quando os seus “amigos”se aprestam a “apedrejar” mais um?
        Que não pactuo com jogos obscenos de distracção colateral,para esconder o crime anunciado?

        Que adjectivação resta para “coisas” como esta?

        • Tiago Vasconcelos diz:

          Qual foi a parte da minha intervenção que essa “coisa” que assina como “De” não percebeu?

          • De diz:

            Não foi uma simples intervenção a ocasionada por Vasconcelos.
            Foi,é,uma provocação nítida
            Perante um crime de um estado que se comporta como terrorista(eu sei que estas palavras ferem os ouvidos sensíveis dos adoradores subservientes do império),perante o espaço de tempo mínimo em que Davis ainda estava vivo,este vasconcelos, esta “coisa”, espraiava-se numa manobra baixa,nojenta,tentando discutir o que não se apresentava em discussão e que era a todos os títulos supérfluo nos momentos que antecediam o crime
            Era importante para vasconcelos que a discussão passasse para outro campo,era importante que se discutisse o “humor” ou os turbantes e o fulcro do debate passasse a ser, não o quase inenarrável,mas os pedaços de conversa de café de que vasconcelos é mister.Voltando a velhos temas batidos, retomando os temas da “esquerda radical” e da “decadência” palavras aparentemente desconexas num discurso que é sobretudo mistificador e ocultador
            Vasconcelos pode ser o que quiser,com as limitações que a sociedade ou os outros impõem.Pode até ser aquilo que parece ser e andar a vagar entre a,usemos as suas palavras,um particular estado de decadência e um patibular conceito de direita.
            Mas sabendo tal,impressiona a ausência de compreensão,a estupidez boçal,com que nos brinda ao nem sequer conseguir perceber uma coisa dita e re-dita e afinal tão simples.Não eram toleráveis,no momento, as suas pegajosas,pornográficas, ilusionistas tentativas, de esconder a execução bárbara e medieval de um ser humano.

            Que vasconcelos queira discutir os temas que quiser,sejam eles os “pintelhos” de Sarah Palin ou os humores de Rumsfeld ou o Macdonald ingerido na última hora por Obama é uma coisa que ele,vasconcelos, pode fazer em devido tempo.
            Tentar que discutamos o que ele,vasconcelos quer, no momento em que ele acha “oportuno” para tal é que nem pensar.A cumplicidade com crimes também passa pelos devaneios com que nos querem entreter.

            Ter que explicar isto tintim-por-tintim custa.
            Demonstra não só uma incompreensão de vasconcelos pelo que lê,como também as (in)capacidades humanas do dito cujo.Replicadas pelo clone strangelove,também convocado quando é necessário “distrair” o pagode

            Mas infinitamente pior é saber que todos os esforços de muitos e muitos ,convocando crenças diferentes,posições doutrinárias várias,convicções pessoais múltiplas, foram inúteis para deter o braço de um criminoso e de um crime,mais um, de um aparelho judicial de classe, imoral, hipocrita, desumano, sobranceiro,sedento de sangue e de vítimas, selectivo,medievo e assassino

            E isso é que verdadeiramente dói

        • DrStrangelove diz:

          » Risco de ser assassinado?

          Não teve conhecimento das inúmeras ameaças de morte que caíram sobre os cartoonistas e editores das publicações?…

          » Mas esta “coisa” ainda não percebeu o que se passa?

          O que se passa é que a extrema-esquerda fica histérica quando algo se passa nos EUA (cuja gravidade ninguém discute), ignorando completamente coisas mais graves que ocorrem em nações que lhes são politicamente mais próximas.

          • Renato Teixeira diz:

            Está enganado. Uma parte significativa da esquerda não tem qualquer pudor em criticar outros regimes. A diferença é que sabe bem qual é o regime que a governa…

          • Provocador diz:

            O 5Dias representa essa “parte significativa da esquerda”?
            É que se representa, não parece…

  5. Pedro Lourenço diz:

    -Argumentar a favor da pena de morte não só é incorreto do ponto de vista moral, como é permicioso do ponto de vista prático – só os pobres e as minorias são condenados. e alguns sem qualquer prova. o princípio da “dúvida razoável” não se aplica a todos da mesma forma. e sendo a justiça dos homens uma justiça naturalmente falível, como é possível advogar um pena irreversível?

    -Obama tem hipótese de suspender a pena. se não o fizer, para mim, não será surpresa. será apenas mais um pouco de maquilhagem esborratada. e já lhe falta tão pouca… Obama, qual mulher ou homem todo produzido no início de uma festa que promete ser de arromba, vai perdendo a maquilhagem e vai ficando cada vez exposta a sua verdadeira face, os seus defeitos e contradições, ou seja tudo aquilo que viamos em Obama e que prometia ser diferente dos outros, vai-se revelando. não é que estivessemos à espera que fosse perfeito, apenas que não fosse como todos os outros que anteriormente criticava. só isso já bastava.

  6. Rascunho diz:

    Para o cinismo do “drstrangelove”

    Retribuição

    a cruz
    cerrou as asas

    é agora
    o falo-flecha
    onde Israel se senta

    (pelos 2000 anos de vassalagem)

    (pelos cartoons a Maomé, carregue na ligação acima)

  7. Rascunho diz:

    Não sei se a imagem do “cartoon” ficou – caso falhe em cima, soluciona-se por baixo

    http://fotos.sapo.pt/elypse/fotos/?uid=G6OiRt9AeJbuQ6GDzYIa

  8. De diz:

    Mais uma vez me esqueço do principal,”entretido” com a resposta ao que nem deveria ter resposta.
    Um muito bom post.
    Ou outra forma de fazer(em) a diferença

  9. Pingback: A paz deles tem que ser a nossa guerra! | cinco dias

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