XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista

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Regressou o punho esquerdo e o vermelho. Só os mais incautos, gente jovem de gabinete, ameaçam a dissidência com o braço direito.
As pessoas, agora, estão primeiro. O PS, agora, gosta das pessoas. O PS, agora, não gosta de privatizações, dos bancos ou dos ricos. O PS, agora, fala sobre as gerações mais jovens, sobre a precariedade. O PS, agora, chora o desemprego e a emigração das gerações que diz ser as mais qualificadas. O PS não tem nada a ver com a Europa, com o Euro ou com o Tratado de Lisboa. O PS está contra os partidos de direita que não gostam das pessoas como o PASOK.
Há “novos dirigentes”, há “renovação”, no fundo, há Almeida Santos, há Soares, há Alegre, há Vitalino, há Lello. Na realidade, os dirigentes perpetuam-se, até com as suas inimizades.
Pedro Marques Lopes na TSF, diz esperar que o PS consiga absorver o protesto. E, na verdade, esta é a batalha fundamental para a esquerda. Deixar que o PS se confunda com a esquerda, fará com que a esquerda tenha de responder por políticas que não decidiu e não apoiou. Facilitar este caminho implica alinhar no discurso da inevitabilidade das decisões e abdicar de fazer política.
O PS pode ser um partido de poder e pode voltar a ganhar eleições. Mas não é um partido de confiança.

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18 Responses to XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista

  1. Pedro Penilo says:

    “Absorver o protesto” significa aniquilar o protesto.

  2. António José esperou muitos anos na fila do fundo do PS para que chegasse o seu momento.
    Para o exterior começou já a demagogia dos acenos, da mal pensada e pior executada visita aos “stands” das televisões.
    Pena terá sentido por não haver nenhuma criança à mão de semear e que pudesse com os lábios besuntar para câmara de tv filmar. (Sem conotações com Casa Pia.)
    A demagogia já anda no ar, mas a procissão ainda nem sequer saiu do adro.
    O “sumo” deste congresso do PS não chega para matar a sede.
    Cumprimentos.

  3. Compreendo, a concorrência é chata para quem se advoga dono dos ideais de esquerda.

  4. De says:

    “Deixar que o PS se confunda com a esquerda, fará com que a esquerda tenha de responder por políticas que não decidiu e não apoiou. Facilitar este caminho implica alinhar no discurso da inevitabilidade das decisões e abdicar de fazer política.”

    Isso mesmo.
    Na mouche

  5. João Vilela says:

    Se o post terminasse com «mas não é um partido de esquerda» aí sim eu batia palmas!

    • Tiago Mota Saraiva says:

      João Vilela, só quem não leu o texto todo pode pensar que alguma vez se confunde o PS com um partido de esquerda.

    • João Valente Aguiar says:

      «Deixar que o PS se confunda com a esquerda, fará com que a esquerda tenha de responder por políticas que não decidiu e não apoiou.»

      Esta frase é o quê meu caro Vilela? Deste um tiro ao lado neste caso. O texto é até bem explícito nesta questão.

  6. closer says:

    O PS parece-me um caso patológico de esquizofrenia aguda. Sempre que passa para a oposição regressa a velha retórica de esquerda: as pessoas primeiro, a defesa do estado social, etc.

    Ei-los no poder e mandam tudo às malvas. Mais: aplicam medida que nem a própria direita se atreve. Abrem-lhe o caminho.

    Estive a ver um bocado do congresso na televisão por simples curiosidade. Até ao momento em que apareceu (roliço e anafado, como sempre) o inenarrável Valter Lemos. O mesmo que disse que os professorecos iriam ser postos na ordem. Um homem inteligente e com profundas ideias de esquerda. Desliguei a televisão.

  7. Gentleman says:

    «Deixar que o PS se confunda com a esquerda, fará com que a esquerda tenha de responder por políticas que não decidiu e não apoiou.»

    Que despesa pública a Esquerda à esquerda do PS não apoiou?
    O PCP, por exemplo, mostrou-se alguma vez contra a proliferação de autoestradas?
    Mostrou-se alguma vez contra o TGV?
    Mostrou-se alguma vez contra a aquisição dos submarinos?
    Mostrou-se alguma vez contra o Euro 2004?

    • Tiago Mota Saraiva says:

      Gentleman… só mesmo quem pretende desinformar é que pode colocar as questões que coloca.

      • Augusto says:

        Eu acho que sendo o Tiago militante do PCP deveria, ou teria a obrigação, de responder ás perguntas do dito Gentleman.

        Afinal ser de esquerda é não ter medo de pegar o touro pelos cornos.

        • Tiago Mota Saraiva says:

          Eu acho que sendo o Augusto um militante do BE devia responder pelas tomadas de posição do Rui Tavares e do Gil Garcia. Aliás, o Augusto não devia fazer outra coisa que não debitar os documentos da Mesa Nacional do BE. Acho ainda que o Augusto, sendo militante do BE, devia aprender a tocar cavaquinho e a traulitar uma música do Emanuel. Eu acho que…

      • Gentleman says:

        “Desinformar” é novilíngua para perguntas incómodas?
        Parece-me que o Tiago quer escamotear o facto de o PCP ter estado ao lado dos governos PS e PSD em quase tudo o que implicou grande despesa pública. Esta é a verdade inconveniente.

  8. CARAMBAS! says:

    muito bem!
    depois deste congresso acho que o PS está a precisar de um outro de ideias. ( sem cinismo: o PS faz falta).

  9. Álvaro Paiva says:

    O PS sempre que passa para a oposição vem com as ideias de esquerda, mas quando vai para o Governos lá voltam os velhos tiques da responsabilidade e da política económica à direita.

    Veremos quando as coisas aquecerem onde estará o PS? Na alteração do mapa autárquico, nas privatizações agora anunciadas, no código de trabalho (onde chumbaram as próprias propostas de quando eram oposição) só as mais recentes. O PS de Esquerda tem de provar ao País que é de esquerda, não basta dizer!

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