O 11 de Setembro que querem esconder

Num 11 de Setembro, há 38 anos, os Estados Unidos patrocinaram um episódio trágico que lançou o terror sobre o Chile. Em 1973, o golpe de Estado fascista liderado por Augusto Pinochet esmagou o governo progressista de Salvador Allende. Desse 11 de Setembro cuja memória tantos tentam apagar ficam as imagens de Allende com a kalashnikov oferecida por Fidel Castro e as últimas palavras transmitidas pela Rádio Magallanes: “Continuem a saber que mais cedo que tarde abrir-se-ão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile, viva o povo, vivam os trabalhadores”.

Enquanto os donos da História forem outros, o que aconteceu à pátria de Violeta Parra continuará sepultado num cemitério de silêncio. Em contraste com a cobertura do aniversário dos ataques, em 2001, aos Estados Unidos, o Chile terá, no máximo, direito a uma nota-de-rodapé nos telejornais nacionais. Mas, cumprindo-se as palavras de Salvador Allende, chegará o dia em que os jovens saberão quem foi Victor Jara e Pablo Neruda. E porque é que foram assassinados. Talvez, então, se compreenda melhor o 11 de Setembro de 2001 e a tragédia que a primeira década do século XXI representou para milhões de pessoas em todo o mundo.

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