De Ken Loach a Harold Pinter, parte do discurso do Nobel (traduzido por Jorge Silva Melo).
(…)
A tragédia da Nicarágua é particularmente significativa. Escolho-a aqui como exemplo claro da visão que a América tem do seu papel no mundo, nessa altura como agora.
No final dos anos oitenta, estive numa reunião na Embaixada Americana em Londres.
O Congresso dos Estados Unidos ia decidir nessa altura se iria dar mais dinheiro aos Contras na sua campanha contra o estado da Nicarágua. Eu integrava uma delegação que representava a Nicarágua, mas o membro mais importante dessa delegação era um Padre John Metcalf. O chefe do campo americano era Raymond Seitz (nessa altura, número dois da embaixada, mais tarde, embaixador ele próprio). O Padre Metcalf disse: “Tenho a meu cargo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivemos em paz. Há uns meses atrás, uma força dos Contras atacou a nossa paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram enfermeiras e professoras, massacraram os médicos da forma mais brutal. Actuaram como selvagens. Por favor, peça ao governo dos Estados Unidos que retire o apoio que dá a esta actividade terrorista.”
Raymond Seitz tinha fama de ser um homem particularmente inteligente, responsável e altamente sofisticado. Era muito respeitado nos círculos diplomáticos. Ouviu, calou-se e depois disse com alguma gravidade: “Padre,” disse ele, “deixe-me dizer-lhe uma coisa. Numa guerra, as pessoas inocentes sofrem sempre.” Houve um silêncio glacial. Olhámo-lo nos olhos. Ele nem pestanejou.
As pessoas inocentes, realmente, sofrem sempre.
Até que, por fim, alguém disse: “Mas neste caso as pessoas inocentes são vítimas de uma atrocidade sem nome financiada pelo seu governo, uma entre muitas. Se o Congresso conceder mais dinheiro aos Contras, haverá mais atrocidades deste género. Não é assim? Não ficará o seu governo com a culpa de apoiar crimes de morte e destruição de cidadãos de um estado soberano?”
Seitz estava imperturbável. “Não creio que os factos referidos demonstrem a vossa asserção,” disse.
Ao sairmos da Embaixada, um conselheiro americano disse-me que ele apreciava o meu teatro. Não respondi.
Devo lembrar-vos que nessa altura o Presidente Reagan afirmou o seguinte: “Os Contras são o equivalente moral dos nossos Pais Fundadores.”
Os Estados Unidos apoiaram a brutal ditadura de Somoza na Nicarágua por mais de 40 anos. O povo da Nicarágua, liderado pelos Sandinistas, fez cair este regime em 1979, uma arrebatadora revolução popular.
Os Sandinistas não eram perfeitos. Tinham a sua parte de arrogância e a sua filosofia política continha inúmeras contradições. Mas eram inteligentes, racionais e civilizados. Queriam instaurar uma sociedade decente, pluralista, estável. Aboliram a pena de morte. Centenas de milhares de camponeses marginalizados pela miséria viram renascer a esperança. Mais de 100.000 famílias tiveram direito a terra. Foram construídas 2.000 escolas. Uma brilhante campanha de alfabetização reduziu a iliteracia até menos de um sétimo. Foi estabelecida a educação gratuita e o serviço de saúde gratuito. A mortalidade infantil foi reduzida de um terço. A poliomielite foi erradicada.
Os Estados Unidos acusaram estes feitos de subversão marxista-leninista. De acordo com o governo dos Estados Unidos, a Nicarágua estava a dar um exemplo perigoso. Se continuasse a estabelecer normas elementares de justiça social e económica, se continuasse a elevar o grau dos cuidados de saúde e educação, se conseguisse atingir uma união social e um auto-respeito nacional, os países limítrofes haveriam de levantar as mesmas perguntas e fazer as mesmas coisas. Em El Salvador, havia, simultaneamente, uma bizarra resistência ao statu quo.
Falei já de uma “tapeçaria de mentiras” que nos envolve a todos. O Presidente Reagan qualificava a Nicarágua como “uma masmorra totalitária”. Isto acabou por ser aceite pelos média – e certamente pelo governo britânico – como um comentário adequado. Não havia, no entanto, traça de esquadrões da morte no governo Sandinista. Não havia traça de torturas. Não havia traça de brutalidade militar, sistemática e oficial. Nenhum padre foi assassinado na Nicarágua. Havia mesmo três padres no governo, dois Jesuítas e um missionário Maryknoll. As masmorras totalitárias estavam mesmo ao lado, em El Salvador e na Guatemala. Os Estados Unidos tinham feito cair o governo democraticamente eleito da Guatemala em 1954 e estima-se em mais de 200.000 o número de vítimas das sucessivas ditaduras militares.
Seis dos mais eminentes jesuítas do mundo foram traiçoeiramente assassinados na Universidade de San Salvador em 1989 por um batalhão do regimento Alcatl treinado em Fort Benning, Geórgia, Estados Unidos. Aquele homem particularmente corajoso, o Arcebispo Romero foi assassinado ao dizer missa. Estima-se em 75.000 o número de mortos. Porque é que foram mortos? Foram mortos porque acreditaram que era possível uma vida melhor e que se devia lutar por ela. Essa convicção fez com que fossem acusados de serem comunistas. Morreram porque ousaram questionar o statu quo, o interminável horizonte de pobreza, doença, decadência e opressão que foi o que tiveram como direitos ao nascer.
Os Estados Unidos acabaram por fazer cair o governo Sandinista. Demorou uns anos, encontrou uma resistência considerável, mas a perseguição económica sem tréguas e os 30.000 mortos acabaram por fazer quebrar a determinação do povo da Nicarágua. Estavam exaustos e a miséria regressara. Os casinos voltaram. A educação e a saúde gratuitas acabaram. As grandes empresas voltaram, vingativas. A Democracia venceu.
Mas esta política não diz apenas respeito ao que se passa na América Central. Foi levada a cabo em todo o mundo. Não tem fim. E é como se nunca tivesse acontecido.
Os Estados Unidos apoiaram e em muitos casos estiveram na origem de todas as ditaduras militares de direita no mundo desde o final da II Guerra Mundial. Estou a falar da Indonésia, da Grécia, do Uruguai, do Brasil, do Paraguai, do Haiti, da Turquia, das Filipinas, da Guatemala, de El Salvador, e, é claro, do Chile. O horror que os Estados Unidos fizeram abater sobre o Chile em 1973 não poderá nunca ser expiado nem esquecido.
Ocorreram centenas de milhares de mortes nestes países. Mas ocorreram? E podem ser atribuídas à política externa dos Estados Unidos? A resposta é sim e que elas são da responsabilidade da política externa dos Estados Unidos. Mas nunca o saberíamos.
Nunca nada aconteceu. Nada aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer, não acontecia. Não tinha importância. Não tinha interesse. Os crimes dos Estados Unidos são sistemáticos, regulares, viciosos, sem remorso, mas poucos são os que falam deles. E a responsabilidade é da América. Exerceu uma manipulação de poder mundial a um nível quase cirúrgico ao mesmo tempo que se disfarçava de força do bem universal. É uma hipnose brilhante, esperta, altamente conseguida.
(…)





«Os Estados Unidos apoiaram e em muitos casos estiveram na origem de todas as ditaduras militares de direita no mundo desde o final da II Guerra Mundial. [...] Ocorreram centenas de milhares de mortes nestes países.»
Pese embora a brutalidade inegável dessas ditaduras e do erro moral dos EUA em as apoiarem, a bem da verdade histórica convém referir que os comunistas foram (e continuam a ser) responsáveis pelo apoio material ou moral a regimes responsáveis por um número de mortos várias ordens de magnitude maior do que as ditaduras apoiadas pelos EUA. Não vale a pena escamotear.
Várias ordens 10^N com N=1..10000000?
Não vale a pena escamotear,o dias loureiro,o duarte lima,o oliveira costa,etc x N são do psd essa coisinha onde se aninham a fina flor do terrorismo,da ignominia.
Iraque 1.5 milhões de assassinados pelas forças da democracia que se atiraram aos poços de petróleo para as corporações nacionais.
Ditaduras, mortos, Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, 1.5 milhões de mortos no Iraque… enfim, a confusão mental em todo o esplendor.
Como dás mostras de ter andado na escola primária, deves saber fazer contas de somar:
– China: 65 milhões
– Cambodja: 2 milhões
– Coreia do Norte: 2 milhões
– … e muitos mais
A ligeireza com que este cavalheiro saltita de blogue em blogue, com a história da contabilidade, já enjoa! Você, que deverá ser, com toda a certeza, um dos apoiantes da troika, porque é que não vai trabalhar? O que faz por estas bandas? Ide trabalhar para o aumento da competitividade do país, seu preguiçoso.
Se a racionalidade faz-lhe espécie então faça as malas, parta para o Afeganistão e junte-se aos talibãs. Tal como o “Camarro”, eles também não gostam de números, factos, e lógica.
Factos?
Lógica?
Numeros?
Este Gentleman deve estar a brincar?
Racionalidade?
para um que apregoa erros morais?
Outro nome para cumplicidade com crimes contra a humanidade?
De,
Quem tem telhados de vidro deve ter algum cuidado com atiras pedras aos do vizinho.
Aonde o Gentleman me parece querer mostrar é que a legitimidade moral dos comunistas para falarem sobre liberdade, democracia e respeito pelos direitos humanos fica demasiado reduzida atendendo a que se furtam sistematicamente ao reconhecimento das atrocidades praticadas pelos regimes (actuais ou passados) seus amigos.
Telhados de vidro?
Deve estar a brincar
Não me revejo em criminosos
Mais uma dose de bom-senso?
Dessa não,obrigado
Atrocidades?
Como as praticadas pelos pulhas que nos governam?
Ou pelos pulhas que invadem,saqueiam,esventram,a soldo do petróleo e outros bens?
Não obrigado
Eu percebi o que quer
Que quer?
Não sigo por aí
E esta,hein?
Tiago, a ladainha da ilegitimidade moral? Bocejo.
“Erro moral” soa a pagar o pão com dez, receber troco de vinte e ficar contente. “Ingerência amoral” é uma expressão mais justa.
(Quanto aos horrores do comunismo, o Stéphane Courtois aprecia a lição bem estudada.)
Essa do “erro moral dos EUA” é algo que mete náuseas.
Não há nem nunca houve qualquer “erro moral” nesta história do império tido como benigno por algumas das nossas patibulares personagens
Um ano depois do golpe de Pinochet,o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile “foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses”.
Os tais interesses que afinal não passariam de “erros morais”?
A náusea que rodeia alguns dos comentários começa a ser percebida?
“Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno (de direita) anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001(para quem quer fazer contabilidades macabras,grosseiras do número de mortos). Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.”
“Quatro meses depois do golpe seu balanço já era atroz: quase 20 000 pessoas assassinadas, 30 000 prisioneiros políticos submetidos a torturas selvagens, 25 000 estudantes expulsos de escolas e 200 000 operários demitidos. A etapa mais dura, sem dúvida; ainda não havia terminado.”
E 8 meses depois de tão impressionante “massacre”, Ford afirmava”"foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses”.
Tudo isto meros “erros morais dos EUA”…
“Calcula-se que o número real de mortos e desaparecidos do governo de Pinochet esteja próximo das 50.000 pessoas..”isto pode ler-se na Wikipedia
Percebe-se porque qualifico alguns comentários como um “vómito”?
E falámos apenas do Chile
O “contabilista” macabro tem alguns números para apresentar?
Claro que tem
Sabemos porque o tem
Sabemos porque o faz
Palavras para quê?
Um gentleman também tem direito aos seus “erros morais”
Náuseas…
é essa a palavra
Do longo cardápio de crimes levados a cabo por ditaduras, a Helena pega no bisturi e selecciona apenas as que, de alguma forma, implicam os EUA. É sintomático.
De lado, a Helena esquece os milhões de mortos, de torturados, de condenados a trabalhos forçados, de pessoas impedidas de emigrarem para escapar a um modelo de sociedade que não gostavam, de pessoas impedidas de se expressarem. Esses milhões não merecem a consideração da Helena. São provavelmente vermes contra-revolucionários que mereceram o tratamento que tiveram…
Os números e a magnitude da repressão nos regimes socialistas é sempre posta em causa. Quando se dignam falar sobre essa inexcedível repressão, fazem-no com evasivas, com muitos “mas”, e utilizando sempre uma adjectivação suave e tacitamente desculpabilizadora. O Courtois é que é um aldrabão, ora pois…
A verdade é que nos dias de hoje já quase ninguém engole essa obscena cassete. As contradições, a dualidade de critérios, o revisionismo, e a escandalosa parcialidade são de tal forma evidentes que fazem com que tal discurso já só sirva para consumo interno.
E a Nicarágua, pá?
Está, de forma evidente, incluída na minha frase de abertura «[...] a brutalidade inegável dessas ditaduras [...]» que também se aplica a algumas guerrilhas e esquadrões paramilitares.
Ao contrário do que é prática corrente na Esquerda marxista, eu não escondo, não minimizo, não escamoteio. É, por isso, que me incomoda quem só enxerga um dos lados na História da repressão no séc. XX…
“Está de modo evidente na minha frase de abertura”
Está ,está
É que Gentleman tem vários discursos,consoante o locus em que se insere
Aqui ao lado,num outro blog, genleman escreve apologético:”E se não fossem os EUA estaríamos hoje ainda sob o jugo do social-fascismo soviético…
Não há nação nos últimos 200 anos à qual a humanidade deva mais do que aos EUA. Sem o saberem, no seu quotidiano os esquerdistas radicais beneficiam largamente dos contributos que os EUA deram ao mundo”
O “paleio” varia um pouco de acrdo com o público alvo
Esconde,escamoteia,minimiza
O objectivo é o mesmo
Detesto hipócritas
Pois, Gentleman, a meia dúzia de palavras.
Eu acho que escamoteias. Falou-se sobre o crime dos Estados Unidos na Nicarágua e falaste sobre os crimes comunistas “de magnitude maior”. Sacar do papão norte-coreano para relativizar a tragédia nicaraguana – Os Estados Unidos fizeram mal, mas os comunistas fizeram pior! – é escamotear. Porque é que a Nicarágua tem de responder pela Coreia do Norte?
Aqui, aborda-se a ingerência de um estado soberano, os Estados Unidos, nos rumos de estados soberanos, os que Pinter refere e mais ainda; os Estados Unidos como denominador comum.
(Se és fã de contabilidade, chuta um estado que tenha apoiado e continue a apoiar mais ditaduras do que os Estados Unidos. Chutar a URSS não vale, até porque deixou de existir há duas décadas.)
Helena,
Se a URSS não vale porque deixou de existir, então igualmente deixa de fazer sentido falar sobre a Nicarágua dos anos 80 porque o regime sandinista, os Contras e o apoio dos EUA a estes também já deixou de existir…
Ou a História só merece ser recordada quando lhe convém?
Vasconcelos:
Lastimo informá-lo
A Nicarágua ainda existe
Pesem as tentativas de a manterem como colónia dos Estados Unidos
Eu sei
Uma má notícia para si
Ah.eles ainda comemoram a Revolução Sandinista
http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=5148
Eu sei
outra má notícia para si
Tiago, “até porque”. A URSS deixou de existir há duas décadas, logo, não pode – presente do indicativo – apoiar o que quer que seja. É difícil de perceber?
este discurso foi absolutamente brilhante, todo ele. :*
Este bocado sobre a Nicarágua é em jeito de resposta à tua pergunta.
Gentleman volta à carga.Mas volta à carga como de costume.Com uma contabilidade grosseira de vítimas e de mortos.Algo de nojento deve pernoitar na cabeça deste Gentleman,para tais contabilidades macabras.Em que ainda por cima,no seu afã de mostrar números,mente e aldraba.Gentleman faz o trabalho que lhe compete fazer.Utiliza o nick gentleman como utiliza números.Para atirar poeira para os olhos e para mostrar aquilo que ou não é ou não coresponde à verdade.
Iremos retomar o assunto em causa.
A contabilidade não será a melhor via argumentativa, mas, na realidade, o que o gentelman faz é reconhecer os erros e crimes dos EUA e das ditaduras que apoiou, ao mesmo tempo que relembra que outras ditaduras de sinal ideológico diverso também cometeram muitos crimes.
Se foi mais milhão menos milhão, não me parece que seja verdadeiramente o mais importante.
O que não entendo é qual a dificuldade em reconhecer os erros e crimes, independentemente da base ideológica de cada um.
Também não percebo porque existe a tendência para se partir imediatamente para o insulto quando não se concorda com o outro comentário, afinal parece que se comenta a pessoa e não o texto, mas enfim, estilos…
O Gentleman não reconhece os erros e os crimes, pesa o “erro moral”. Um eufemismo tão desavergonhado deixa de ser eufemismo e passa a ser mentira. O “erro moral” é a “ingerência amoral”, é uma política externa que não erra.
Comenta-se o comentário…
Mas há aqui logo um problema: é que o comentário não nasce por geração espontânea
E pese a hipocrisia reinante,há que começar a chamar o nome aos bois (sem que chame de facto tal nome a quem quer que seja)
Não se trata sequer de reconhecer a “contabilidade ” dum lado ao do outro
Trata-se sim de denunciar as tentativas ínvias de manipulação que chegam a assumir laivos de cumplicidade
Ou os ventos mediáticos não permitem que se fale sem ser com a “voz do dono”?
Mas há mais
Crimes houve dum lado e do outro.”De sinal ideológico diverso” como soi dizer-se.
Eu vou repetir.Crimes houve dum lado e doutro
O pior é que se manipula,rasura,aldraba
Até se fala-se em “erros morais”
“erros morais” o tanas
Mas ainda há mais.
Nada disto é inocente.
Mesmo nada.
Hoje assistimos a uma luta tenaz…pela sobrevivência da dignidade das pessoas e do seu direito a serem livres,do ponto de vista político,mas também social, económico e cultural
E sabemos quem são os contentores..e sabemos que quando hoje se fala no ontem.o que se pretende é usar os argumentos de ontem como armas de arremesso para a luta de hoje
esquecendo-se que a História não está nem encerrada,nem deve sucumbir à lógica de quem ganhou.
Porque quando alguns falam e atiram o pó para a atmosfera
querem isso sim actuar no presente
e justificar o status quo presente…o ominoso e degradante e imoral e aterrador presente
Há-de haver mais justificações
Muitas mais
mas capitular perante as tentativas dos que tentam reescrever a História para se continuarem a banquetear na actualidade
é que nem pensar
Uma nova sociedade é precisa
esta está podre,não presta
Não venham meter-nos medo com papões
O que diziam da Revolução Francesa os manuais do século XIX ?Ou mesmo os livros dos bolorentos círculos conservadores?
…e no entanto …
E no entanto…
fica para depois
Por hoje basta
Assino.
(…por hoje basta…
é que a resposta à imensa diferença que há entre um e outro lado da barricada está neste texto luminoso de Harold Pinter…
leia-se o que diz sobre os sandinistas…e o que diz sobre os que os demonizaram e dizimaram.
É comovente!)
(…e saltar da Nicarágua para a Coreia do Norte é acrobacia. O que Pinter diz não interessa, não aconteceu. Nada aconteceu, nada acontece.)
Cometi um erro.
Antes de verberar o comentário de Gentleman,devia ter saudado o post de Helena Borges
E de registar com agrado o cumprimento de uma promessa que ela fizera em tempos.De voltar a Harold Pinter e ao seu discurso do Nobel.
Da minha pressa em comentar “gentleman”me penitencio.Acho que as boas coisas devem estar em primeiro lugar.A celebração da coragem,do desassombro e do que é justo devem estar sempre acima das intrigas mesquinhas dos mesquinhos intriguistas.
Aqui fica este registo.
Agradeço o incentivo, De.
“há que começar a chamar o nome aos bois ”
“Eu vou repetir. Crimes houve dum lado e doutro.”
—-
Depois de ler os comentários do De, fico com a impressão de que apenas houve crimes e “erros morais” dum lado. O De fala apenas de 1 boi não obstante ter mencionado bois (no plural) e de ter reconhecido que os “crimes” (a lista dos bois e dos seus crimes é extensa e conhecida de todos) são um facto inegável nas relações entre estados ideologicamente similares e distintos.
Porque raio não explicam os tais interesses (imperiais e outros) que “justificaram” os crimes??? (de todos os bois) Seria muito mais elucidativo. Porque é que a URSS reprimiu brutalmente os povos da Europa de Leste? Porque é que os EUA depôs o Allende? etc
Preferem a moralidade padreca e acusatória à interpretação histórica.
Ezequiel
A expressão”erros morais ” tem uma origem determinada
Um ponto de expansão concreto
Não venha agora com moralidades padrecas e acusatórias
OK?
E a impressão que fica é um problema seu.Exclusivamente seu
E mais uma vez sublinho a necessidade de ler o que se escreveu antes
E mais uma vez saliento que o que se pretende é tão só isto
Branquear crimes
Coisa em que abundam os que falam em “interpretações históricas”.Quais padrecas moralistas a refugiarem-se em “históricas interpretações”
Branquear crimes?
O único branqueamento de crimes que observo regularmente neste blogue é o branqueamento dos crimes dos regimes socialistas…
Observa?
Olha-se ao espelho?
E o que lá vê o que é?
Um tipo assim tipo detergente
Um agente branqueador dos crimes do império ianque e dos seus muchachos?
mas que precisa de se ocultar atrás de outros para fazer passar a sua mensagem?
Hmmm
Porque será que os “rapazes” entram em histeria quando se toca no sacrossanto império do capital?
(E “depor o Allende” é uma expressão mimosa.)
Ahahahahahahhaha
De,
A coragem e o desassombro da Helena!?!!?
Pois. Ela tem que ser corajosa. O regime reprime os críticos corajosos. lol
Suspeito que dentro de poucos dias ela será encarcerada por este hediondo regime (democrático?) que foi apoiado (manipulado) pelos EUA e por todo o ocidente. A Alemanha e o Japão, países que foram ocupados pelos EUA, tb são-tal como o Chile- exemplos paradigmáticos da repressão imperial. lol
Quer mesmo contabilizar os mortos e os reprimidos???
Ezequiel
Eu compreendo que alguns tenham necessidade de tentar tapar o sol com a peneira
Compreendo também que se tenha que proteger os amigos ideológicos sejam eles gentlemen ou outra coisa qualquer
Já o disse aqui várias vezes
Contabilizar mortos é com os abutres
…e ainda por cima nem sequer compreende o que se escreve..” A coragem e o desassombro” referem-se a Harold Pinter.Como qualquer o devia saber
À Helena cabe o mérito de trazer aqui as suas palavras(de Pinter)
O mérito imenso.
E o de ter cumprido uma promesssa
Vamos lá a tentar ao menos ser sérios
Contabilizar mortos é com os abutres
Deveria antes ter dito: contabilizar mortos só me interessa quando são provocados, directa ou indirectamente, pelos EUA.
Acha Vasconcelos?
Eu já lhe perguntei se tinha um espelho
sabe porquê não sabe?
Eu a si vou-lhe dizer
tem ar de abutre
Mortos?
Contabilidades?
Já o disse e repito
Contabilizar mortos é com os abutres
sabe qual é o seu problema?
Eu vou-lhe também dizer
Não é ser parecido com um abutre
É ser o que parece ser
(Há quem não perceba que uma mentira repetida ad nauseam não soa a verdade. É só uma mentira enfadonha.)
Pingback: Deve e haver | cinco dias
estamos aqui.
na net.
mas
eu
acho que o sr tem ar de abutre!! LOL LOL
muito bom. entrou pa vintage.
É uma questão de “ele” se ver ao espelho
Simples