Um fósforo, sff


Quando no meio de uma crise a população é vítima de uma política injusta, que demonstra ser totalmente ineficaz, e apenas consegue afundar mais na recessão e no desastre o país; o primeiro-ministro bem pode discursar contra a contestação social. Mais tarde ou mais cedo, as pessoas vão achar intolerável aquilo que até aquele momento comeram calados.
Os portugueses já perceberam que estão a pagar a salvação dos banqueiros. A única coisa que os faz estar parados é a convicção que lhes incutiram que, no fim do calvário, as coisas vão regressar à normalidade. A maioria ainda acredita que este remédio é amargo mas funciona. Quando perceberem que esta política só agrava a crise e que a “normalidade” é não ter emprego, receber metade dos salários e ficar sem qualquer apoio social que não seja a sopa dos pobres, não vai haver discurso político que salve o governo. Vai haver uma explosão social. As coisas podem não melhorar, mas não ficarão certamente assim.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Um fósforo, sff

  1. JgMenos diz:

    ‘As coisas… não ficarão certamente assim’
    Eis uma boa razão para ir para a rua, JÁ!
    ‘Mas … podem não melhorar’
    Vou ficar em casa a ver no que isto dá!

  2. m diz:

    Vai , vai..uma explosão e peras. mas acho que se pode sentar à espera dela. porque está á espera que aconteça , né? começá-la ? não , não se anima? pois , a gente tb não. anda para aqui tudo à espera dos outros. e pronto , arranjem um sofá confortável. e atão , com o benfica a dar ? a sublevação pode ficar para dia de são nunca à tarde.

  3. Gentleman diz:

    Temos um país endividado por muitos anos de gestão irresponsável.
    Prioritário agora é o país pagar as suas dívidas.

    • De diz:

      Temos um país?
      Temos quem?

      Gestão irresponsável?
      A gestão do bloco central de interesses a que se junta episodicamente o partido dos submarinos?

      Prioritário pagar as dívidas?
      Mas as dívidas da responsabilidade de que “gestores”?
      Dos Cavacos?Dos Barrosos?Dos Sócrates?
      Da mesma canalhada que aí está a asfixiar o país ao serviço da banca e dos grandes interesses económicos?
      Sob a batuta dessa coisa chamada merkel?E doutras coisas do género tão do apego do mesmo género de coisas?

      Ah,essa coisa chamada”gestão”da coisa pública.
      Tanto que se lhe diga…e tanta calhandrice à volta dela

  4. xatoo diz:

    e eles ralados com “revoltas do povo”
    enquanto a maioria da classe média que está a ser demolida não perceber a natureza da dominação financeira global… não há banqueiro, por mais pelintra que seja, que não se sinta a salvo na sua actividade de ultrapassar a soberania dos Estados boiando nas redes transnacionais dos off-shores
    Nuno, toma lá quatro acções do BCP e vai beber uma bica ao Starbucks a ver se te acalmas, ou se explicas entropicamente melhor as coisas à malta

  5. Pingback: A frase quer-se lapidar (4) | cinco dias

  6. ezequiel diz:

    acertaste Nuno

    3 anos mt difíceis.
    depois, tudo regressará à normalidade.
    e vocês continuarão à espera do grande momento….ad eternum
    🙂

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