Foi você que lhes deu direitos adquiridos?

“Acredito que vamos ter de mexer nas pensões, não só nos salários da função pública”, disse Pedro Passos Coelho na conferência do Diário Económico, referindo-se à proposta apresentada em Junho para a colocação de um tecto às pensões máximas.

Ainda não passou um ano. Passos dizia “acreditar” que teria de mexer nas pensões, definindo tectos. Sobre a irracionalidade dos seus limites já aqui escrevi.
Entretanto continua a prevalecer uma estranha noção de direitos adquiridos para um restrito grupo de cidadãos – os pensionistas dourados. Este clube dos fantásticos, sempre retoricamente preocupado com as gorduras do Estado, conta nas suas fileiras com estas belas espécimes popularizadas pelo caso Face Oculta e segue fortemente escudado pela Presidência da República.
Os espanhóis devem ser idiotas por terem estabelecido uma pensão máxima de 2.290,59€! Deviam ter feito como Portugal, país que podia ser rico se os trabalhadores recebessem muito menos e trabalhassem muito mais, e onde o Presidente da República pode fazer passar que uma pensão de 10.042€/mês é um direito seu – e até há bem pouco a acumulação de três pensões e vencimento, ou que um governante que sempre serviu os privados possa “combinar” a sua pensão milionária.
A conta de quantos nos custa este roubo até já está feita. Segundo o Diário Económico os 5.059 beneficiários do clube de pensionistas dourados acima dos 4.000€/mês custa ao Estado 350 milhões de euros. Aproximadamente o que o Estado prevê arrecadar com o corte do subsídio de natal.

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12 respostas a Foi você que lhes deu direitos adquiridos?

  1. AMCD diz:

    Pois então não é uma “política de verdade”?

  2. José diz:

    A maior parte desses reformados com uma pensão superior a € 4.000 são notários, conservadores dos registos, juízes, procuradores, médicos, investigadores, professores universitários, entre outros profissionais da administração pública menos conhecidos.
    A maior parte deles, para atingirem essas verbas, tiveram que trabalhar em exclusivo – no caso de juízes e procuradores do MP desde o início da sua carreira.
    Receberam o que lhes pagaram, com os descontos que lhes fizeram, sem alguma vez terem tido oportunidade de fazer “planeamento fiscal agressivo”, como os seus colegas podem fazer no sector privado.
    Quer, agora, retirar-lhes a sua pensão, ou, pelo menos , diminuí-la?
    Não será demagogia a mais?

  3. José diz:

    Se tenho fontes, Tiago?
    Tenho, sim, como qualquer um que se interesse também pode ter:
    http://www.cga.pt/cgaInicio.asp
    http://dre.pt/pdf2sdip/2011/08/151000000/3262332641.pdf

    O último link refere-se ao presente mês de Setembro e é exemplificativo das pensões recebidas e dos grupos profissionais que as recebem.

    Se tenho fontes para sustentar o que escrevi, Tiago? Tenho. E você?
    Foi professor universitário, Tiago? Em regime de exclusividade? E chegou ao topo da carreira ou perto, para poder ter o salário máximo, como a generalidade dos professores universitários que se reformam?

    Tenha paciência, mas você vale bem mais do que este tipo de post generalista e demagógico.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      José, como esperava, as fontes que invoca não apoiam o seu comentário. Se se der ao trabalho de ver melhor a listagem que aqui coloca são raros os casos de pensões acima dos 4.000,00€. Diria, sem os contar e sendo muito generoso, que nem 1% dos 5.059 pensionistas dourados. O que, como perceberá, não é uma fonte que lhe permita confirmar que “a maior parte deles, para atingirem essas verbas, tiveram que trabalhar em exclusivo – no caso de juízes e procuradores do MP desde o início da sua carreira”, como refere.

      • José diz:

        Homem, está a brincar?!
        É evidente que são raros os casos de pensões acima de € 4.000. Como são raros os “notários, conservadores dos registos, juízes, procuradores, médicos, investigadores, professores universitários, entre outros profissionais da administração pública menos conhecidos.” que se reformam, no meio do resto dos funcionários públicos!
        Como são raros, provavelmente menos de 1%, os profissionais que recebem pensões superiores a € 4.ooo, de entre todos os outros! E aos 5059 pensionistas dourados tem que acrescentar mais este 1%. Todos os meses.
        E então?!
        Como é que isso não apoia o comentário?
        Já viu quem são os outros?
        Quais são as suas fontes do seu post que contrariem as minhas?
        Quais são as fontes para dizer que os professores universitários reformados não “navegam por essa escala de valores”, ao contrário do que diz o Diário da República?
        Veja na Caixa Geral de Aposentações o número de pensões “douradas” – como você lhe chama – desconte-lhe os médicos, magistrados, diplomatas, militares professores universitários, investigadores, enfim, funcionários públicos de carreira, e depois diga-me quantos ficam…
        Que fontes tem você, afinal?

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          José, você faz um comentário cheio de certezas. Eu peço-lhe fontes. Você manda-me uma lista que não prova o que diz. Agora aguente-se à bronca.
          As minhas fontes, para o que escrevi, estão no texto sob a forma de links.

        • José diz:

          Eu aguento-me à bronca.
          Pensei que estava a falar com alguém que admitisse os seus próprio erros, exageros, deslizes.
          Não é o caso. Pena.
          Não vou perder tempo a explicar-lhe o que você não quer ver nos dois links que lhe enviei, a título de exemplo, nem nas pesquisas que você poderia ter feito antes de escrever este seu post tão demagógico, bem mais perto dos títulos do Correio da Manhã do que tenho lido seu aqui.

      • Antónimo diz:

        Até determinada altura, houve equiparação salarial dos generais a juízes e professores universitários. Isso implica salários da ordem dos cinco mil euros e sim com descontos de perto de 40 anos – que não vejo, sinceramente, pq não poderão continuar a ser feitos após a reforma.

        Não estamos a falar de Miras Amarais, nem de Cavacos, nem de acumulações de pensões. Quem está reformado e regressa ao trabalho devia ser forçado a suspender a recepção da reforma, pelo menos em parte muito substancial evitando acumulações, e voltando a fazer descontos.

  4. Os heterónimos de Passos: O Indignado, O Papão, O Sabujo, O Profeta e O Mendaz.
    http://planetaspolitik.blogspot.com/2011/09/os-heteronimos-de-passos.html

  5. Portela Menos 1 diz:

    contas por alto, um tipo com 4000€ de reforma receberá líquido, grosso modo, cerca de 2500€.
    pergunta: é este o limite para se poder chamar rico a um tipo que descontou 40 e tal anos e chegou ao topo (ou quase) da carreira pública?

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