Apartidário é uma cena que não me assiste

Irritam-me manifestações que se vêem na obrigação de garantir que são “apartidárias”. Não consigo ver nenhuma qualidade superior no facto de uma pessoa não ter partido. Não sou militante de nenhuma força política, mas só vou a manifestações que tomem partido. Gostei bastante da manifestação de 12 de Março, mas achei que estava gente a mais. O facto daquela gente toda se ter encontrado para dizer que não gostava do estado do país, não teve muitas consequências. Provavelmente, devido ao singelo facto de não estarem contra as mesmas coisas e seguramente não serem a favor de nenhuma acção política concreta. Uma grande manifestação deve ser plural e diversa, mas tem de encerrar uma afirmação por mais lata que seja. Para mim, tudo o que seja menos que recusar as receitas da troika e dos seus apoiantes, não chega.

Nota: O facto de eu achar errado reivindicar como qualidade o apartidarismo, não significa que eu seja contra uma manifestação ou tenha menos respeito por quem a promove. Pelo contrário, participarei mas não deixarei de ter , como todos, o direito à opinião. Há malta que tende a confundir a diferença de opiniões com o fazer o “jogo do inimigo”. Estão errados.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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89 respostas a Apartidário é uma cena que não me assiste

  1. a anarca diz:

    Problema, seu, faça um upgrade ideo+lógico
    ainda vai a tempo
    o futuro é dos indignados anónimos 🙂

  2. Zegna diz:

    Estas manifestações democráticas após uma abstenção de 41% nas ultimas eleições têm bastante utilidade………..são mesmo fofinhas para não dizer inuteis! Isto mais vai parecer a RASCA PARADE ……

    • Luis Ferreira diz:

      Faz todo o sentido. E muito mais faria se às manifestações fosse muito mais gente. As pessoas estariam a dizer que as eleições não lhes servem e que é preciso outro modelo democrático. Uma democracia verdadeira.

  3. A tareia que eu levei aqui no 5dias por dizer isso mesmo. Com a diferença de que tenho orgulho de não ter ido a essa mixórdia de manifestação.

  4. Hakeem diz:

    O NRA podia evitar de andar a fazer o frete ao governo, que (esse sim!) tem razões para dispensar manifestações. Mesmo todos, ainda corremos o risco de parecer poucos…

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Eu não disse que não ia à manifestação. Apenas disse que não me revia no discurso “apartidário”, nem me revejo nas flores e plantas, sem chamar os bois pelos nomes. Em nenhuma linha se fala da troika e do seu memorando que nos governa. Parece que o problema do país é haver partidos e eleições. Sou favorável à democracia participativa, mas não creio que isso passe por um discurso anti-partidos.

      • Hakeem diz:

        O NRA tem razão ao apontar essa falha. O vácuo também me irrita a mim. Mas existem milhares de hipóteses de raiva e indignação que podem vir ao de cima numa manifestação destas. E há ainda a hipótese de aproveitamento político…

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Hakeem, eu espero que a manif tenha muito aproveitamente político pela parte daqueles que combatem este estado de coisas. Acho que tens razão no sentido de temeres que um grupo diverso possa ser instrumentalizado por uma organização qualquer. Agora parece-me pior a organização permitir discurso anti-partidos que me parece vagamente salazarento, mesmo sem os seus autores terem consciência disso. É que esse discurso é facilmente instrumentalizado por populismos de direita. Perigo muito maior que os pouco inteligentes, na maior parte dos casos, partidos de esquerda.

          • Hakeem diz:

            Temo a instrumentalização porque lembro-me bem do 12M. O Hakeem não pode ir à manif, mas soube da mobilização que houve entre a JSD e a JCentrista, que transformaram aquela manif de rejeição aos sucessivos PEC’s, de repulsa à carestia de vida e degradação do mercado de trabalho, numa manif anti-sócrates, anti-partidos e anti-governo. Acho que está na altura de lhes devolvermos o troco… E a dobrar, de preferência!

            E várias das pessoas que foram ao 12M disseram-me que estava lá mt gente a comentar que nada se alteraria com manifs pacíficas…

      • Manuel Monteiro diz:

        Nuno
        Tu não te revês no apartidarismo; eu não me revejo no pacifismo assim desta maneira anunciado… Porque o que isto está a precisar é de umas bordoadas valentes ( e não é da polícia sobre os manifestantes…Como em Espanha, como no Chile)
        Então seria mais democrático deixar que as pessoas dêem largas à sua indignação da forma que acharem mais adequada.
        Ainda hoje, na Régua, os pacíficos agricultores espatifaram os vidros da casa do Douro…Com a polícia em pânico perante a fúria das pessoas.
        É por aí que vamos…

        Manuel Monteiro

      • Paulo Raposo diz:

        Ninguém o fez no manifesto. Não há uma linha anti-partidos. E pelo contrário, para quem ler atentamente, há várias sobre o memorando e afins, ainda que aspectos conjunturais (como o acordo) embora podendo produzir consequências estruturais, não são necessariamente mais urgentes…mas ás vezes parece que para decidir apoiar um protesto legítimo – pensamos todos, creio – necessitamos de dizer à partida que existem n coisas com que discordamos. O essencial NRA, fá-lo ir à manif? Então ali terá lugar um debate onde poderá intervir, cada um pode levar os cartazes que decidir, e essa é por exemplo uma (grande) diferença em relação ás manifestações partidárias, não concorda?

  5. Era só o que faltava não poder fazer política fora dos partidos. A sua concepção de democracia mitigada, já era. Os partidos são essenciais à democracia, mas quando a desconfiança dos cidadãos nos partidos atingiu valores astronómicos, não deixa de ser rídicula a sua critica aos apartidários. Nada se passa, portanto…

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Você não sabe nada da minha concepção. O seu discurso de colocar todas as políticas e todos os partidos no mesmo saco, tem uma consequência: o estabelecimento de uma política anti-partidos. Historicamente isso tem um nome: fascismo. Não acredito na democracia sem participação, mas tb não acredito numa democracia contra a existência de partidos.

      • Luis Ferreira diz:

        Revejo-me na tradição anarquista, que sempre foi apartidária, anti-partidos, que sempre os meteu a todos no mesmo saco, se bem que por razões concretas que não serão as de todos os que se declaram apartidários ao participarem neste movimento. Sendo assim pergunto como justificas a afirmação “Historicamente isso tem um nome: fascismo.”

        Quanto a mim o significado de apartidário é simples e apenas quer dizer que a manifestação não é convocada nem controlada por nenhum partido.

      • Luis Ferreira diz:

        Acho que é importante sabermos de onde vem essa desconfiança nos partidos, sem com isso termos de ser acusados de sermos anti-partidos. Digo eu, que até nem me importo com essa acusação e saberei justificar o meu anti-partidarismo, mas o que é certo é que ela mina o debate ao acenar com um papão que anula qualquer contra-argumentação (vem aí o fascismo).

  6. Se você nao se apressasse a opinar do alto da sua importância sem ler com atenção o que escrevi teria lido “os partidos são essenciais á democracia”. E não vale a pena colocar palavras na minha boca que eu não disse pois o meu discurso não coloca todas as políticas e todos os partidos no mesmo saco. Como você confunde apolitíco com apartidário a sua cabeça vive numa tremenda confusão.

    • A política pode ser apartidária. Uma manifestação não pode. Defender uma medida política em detrimento de outras é tomar partido por alguma coisa, mesmo que junte na mesma manifestação pessoas de orientações políticas diferentes. O que é absurdo, na minha opinião, é fazer uma manifestação onde uns defendem alhos e outros defendem bugalhos. Isso anula por completo o objectivo da manifestação. Demonstra apenas descontentamento… e isso serve para quê, em termos práticos? Eu vejo alguns efeitos práticos. Mas nenhum deles bom.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      João Martins, não se amofine. Isso não contribui em nada para a discussão. Nem a minha suposta importância. Fiquemos pelos argumentos. Acho que uma manifestação pode ser diversa sem alimentar o discurso da “partidocracia”. Parece-me um discurso perigoso. Foi isso que eu escrevi e mais nada. Nem todos os argumentos escritos são feitos por sua causa ou se referem ou que escreveu. Não se irrite.

  7. NR diz:

    Concordo consigo, a democracia é feito com partidos. Não só, mas é feita também com partidos. Na minha opinião, muitos dos que se clamam apartidários são o maioritariamente por uma espécie de moda que hoje em dia parece estar muito em voga, mas que é do mais conveniente para os próprios partidos que dizem criticar manterem as mesmas políticas e os mesmo vícios, ou então são o como que por alheamento político, parecendo aceitar a ideia de que os partidos são todos os iguais mas sem nada fazer de concreto para os mudar, ou mesmo criar um novo. Exceptuando estas duas hipóteses, só vejo a não crença na democracia, o que é legítimo a quem queria defender outras sistemas. Acredito que a manifestação de 15 de Outubro seria ainda mais importante do que a primeira, pois será num pós-troika e com um novo governo – acredito que a última manifestação teve muita gente de direita, inclusive PNR como é sabido, essencialmente a manifestar-se contra o governo anterior e não contra as suas políticas, que o actual governo continua. Poderá contar com menos gente, mas acredito que a mensagem política acabará por ser mais forte, ainda que um pouco difusa.

    • De diz:

      Acho que tem alguma razão no que diz.

    • Luis Ferreira diz:

      Há política muito antes de haver partidos. Há movimentos políticos organizados e consistentos apartidários há muito tempo.
      E uma nota: já houve muita coisa desde o 12 de Março, incluindo manifestações deste movimento.

  8. ezequiel diz:

    Nuno, tu deves ser o único esquerdista no mundo que diz: gostei da manif mas acho q estava gente a mais!! LOL LOL LOL Um snob do partidarismo, A malta tem q ter partido, família, tem que pertencer a algo, a alguma coisa, à comunidade, ao LBGT, e à Associação do Clube Naval.lol

    Esta vai para o livrinho de curiosidades:

    “Gostei da manif mas acho que estava gente a mais.”

    Adorei. Muito divertido.

    Nuno Ramos de Almeida, el partidário! 🙂

    • De diz:

      Que dizer do que diz Ezequiel?
      Senão que já esperávamos que dissesse o que disse

      Talvez se ele tiver a paciência de ler o comentário do Nuno às 13 e 03,aqui,neste mesmo “Apartidário é uma cena que não me assiste” ele ,Ezequiel,consiga perceber um pouco mais

      Talvez

    • LAM diz:

      Ezequiel, o problema não foi “estar gente a mais”. O que se subentende da frase de NRA, é que houve um “unanimismo” que dava para desconfiar, como aliás se comprovou nas eleições quase logo a seguir, com muitos milhares dos “à rasca” a optarem pelo vira o disco e toca o mesmo. Ou seja, houve défice de politização nas manifs do 12 de Março.

  9. Que contradições são estas ?

    ” Não sou militante de nenhuma força política, mas só vou a manifestações que tomem partido “”
    Mais abaixo…
    “” Pelo contrário, participarei mas não deixarei de ter , como todos, o direito à opinião. ”

    Estamos numa fase de concentração de Poder…e muitas pessoas, não conseguem atingir o que se passa.

    Permita-me …
    http://espirra-verdades.blogspot.com/2011/08/exteriorizacao-da-hierarquia.html.

    É necessário haver uma maior consciencia que somos nós cidadãos que temos O PODER, só nós podemos alterar a situação.
    É justamente o que eles querem, é que as pessoas se afastem dos partidos ou percam a esperança na criação de novos e saiam á rua pedidndo.
    DEMOCRACIA JÀ….
    Mas no fundo, apenas se limitarão a pedir que “alguém “meta mão na situação,.
    …e eles meterão…oh oh se meterão.
    Jesosos disso estão eles.

  10. Rui F diz:

    Acho que o carácter “não apartidário” é mais um recado para os partidos organizados, do estilo: QUEM MANDA somos nós!

    Se assim for, acho MUITISSIMO BEM.

  11. Rui F diz:

    O carácter “não apartidário” julgo ser um reacado claro aos partidos BE e PCP:
    QUEM MANDA somos nós.

  12. Vasco diz:

    Dia 1 há manifestação de Outubro. «Apartidária», pois então, mas promovida pela CGTP-IN. E sexta-feira começa a Festa do Avante!. É de um partido mas isso só a torna melhor.

  13. Vasco diz:

    Sobre este assunto, estou com o Ary: “Tomar partido é irmos à raiz/ do campo aceso da fraternidade/ pois a razão dos pobres não se diz/ mas conquista-se a golpes de vontade.

    Cantaremos a força de um país/ que pode ser a pátria da verdade/ e a palavra mais alta que se diz/ é a linda palavra liberdade.

    Tomar partido é sermos como somos/ é tirarmos de tudo quanto fomos/ um exemplo um pássaro uma flor.

    Tomar partido é ter inteligência/ é sabermos em alma e consciência/ que o Partido que temos é melhor.

    Nada contra quem não tem. Mas eu tenho. E recomendo…

  14. Augusto diz:

    Apartidário não significa APOLITICO.

    Ou melhor ENQUADRADO partidariamente.

    È que temos muitas manifestações , sindicais e outras ditas UNITÁRIAS, e que são controladas com mão de ferro, por serviços de ordem ligados a organizações partidárias.

    Lembro por exemplo, a manifestação “UNITÀRIA” contra a Nato.

    • Vasco diz:

      Unitária sim. Completamente unitária. Mas os que ali estivemos tomámos partido: contra a NATO, contra as guerras, pela solidariedade entre os povos – contra o imperialismo. Não era uma paz vaga, mas uma paz anti-imperialista.

      • Augusto diz:

        POIS…..

      • subcarvalho diz:

        Unitária não foi de certeza…a PAGAN, plataforma anti-guerra anti-nato, bem como vários colectivos anarquistas, foram considerados perigosos pelos “responsáveis” da manif e esteve cercada pelas forças policiais durante todo o percurso…a pedido dos “responsáveis”.

  15. Pisca diz:

    Mais um bocadinho, e ainda a faixa de abertura da dita manif era:

    “A Nossa politica é o trabalho e não nos damos mal com isso” – “Basta ter um trabalhinho”

  16. RM diz:

    “Gostei bastante da manifestação de 12 de Março, mas achei que estava gente a mais.”

    QUanto a mim existe aqui alguma dose de arrogância típica daqueles que imaginam que as manifestações têm donos. Fico feliz que não seja o Nuno Ramos de Almeida a comandar o protesto neste país, porque seria apenas para alguns.

    Se é verdade que as manifestações, como outras coisas, não se medem pelo tamanho, também é verdade que não devemos estipular limites. A causa foi uma, a das dificuldades. Estava bastante claro. Se se juntaram vários sectores precários para além dos jovens, então a luta saiu favorecida.

    O jogo do inimigo não se prova na diferença de opiniões que condena aos outros no início do texto mas não a si no final. O jogo do inimigo revela-se assim, patente no seu entusiasmo.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Fantástico, na sua opinião há gente a comandar o protesto. Tem razão numa coisa, eu nunca comandei nenhum protesto. Participei em vários com a minha opinião e trabalho.E pretendo participar nos que quiser sem lhe pedir autorização. Eu dispensava estar na manif com skins e gente com cartazes a pedir o despedimento de funcionários públicos. Há quem se sinta entre irmãos com essa gente. É, pelos vistos o seu caso, mas não o meu. Daí eu não estar interessado em sublinhar o discurso anti-partidos comum com a extrema-direita. Retirava-o, mesmo que isso fosse pouco popular entre os seus amigos.

      • De diz:

        Subscrevo este comentário do Nuno Ramos de Almeida

      • subcarvalho diz:

        Mas porque carga de água é que estamos sempre a justificar de forma populista o ser-se contra os partidos, sejam eles quais forem?…sempre o papão da extrema-direita!!!
        E o anarquismo? Não conta para a história?…imagino que não!
        Percebo que haja um medo imenso do sistema anarquista para aqueles que defendem o poder popular mas só o conseguem imaginar com uma mão-de-ferro a controlar!
        Apartidário, neste contexto, quer dizer: venham sem o partido atrás. O poder é das pessoas e não de meia-dúzia de tecnocratas encartados em entendidos da política. Esta faz-se todos os dias, nas ruas, nos bairros e no local de trabalho, por nós próprios!.
        Porra, é assim tão difícil de perceber o sentido de apartidário neste contexto, ou é só vontade de chatear?

  17. RM diz:

    Deve reler o que lhe escrevem.
    Não me sinto entre irmãos com gente dessa. E não vou dar mais atenção a essa acusação que criou agora, como um cábula que precisa de respostas para os erros.

    Na minha opinião, e apenas respondendo ao que importa, há gente como o Nuno, que pensa que há pessoas a mais e que as lutas podem/devem ser minoritárias. É a sua opinião mas não conta para nada.
    Como dizia um colega meu há uns tempos, qualquer dia vamos fazer manifestações por turmas. Se isso acontecesse o Nuno ficaria de fora… porque há gente a mais.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Humm tanta raivinha tanta violência… deve-lhe fazer mal à cutis. Você veio aqui para insultar. Nada serve argumentar consigo. Mas por uma ultima vez vou fazer um esforço. Felizmente, já participei na organização de algumas manifestações, uma ou duas com muita gente. Ao contrário que lhe venderam a excelente manif de 12 de Março não foi a única que se fez no burgo. A título de exemplo, estive no grupo que coordenou as manifs globais de 18 de Fevereiro e a do primeiro Fórum Social Europeu em Florença. A primeira, teve segundo a polícia mais de 100 mil pessoas em Lisboa, e 18 milhões em todo o mundo. A segunda teve , segundo as autoridades italianas, 700 mil pessoas. Participei em várias dessas acções em que, felizmente, ninguém mandava. Sei o que é participar na organização de coisas com gente diversa e receosa de instrumentalizações. Apesar disso, nunca defendi o discurso “apartidário”. É uma facilidade que se paga cara. Não é você que decreta se a minha opinião conta ou não. Parece que tem mais pontos de contacto com os seus amiguinhos do que diz. Eles também não discutem opiniões tendem a decretá-las inferiores sem discussão.

  18. De diz:

    Acho que é preciso mais calma quando se debatem estes assuntos.A troca de opiniões só enriquece o debate,mas em alguns casos parte-se para comentários sobre outros comentários, como se antagónicos fossem.
    E bastas vezes não é o caso
    Saber ver sempre qual o objectivo principal parece-me, na minha modesta opinião,a questão central a cada momento

  19. Paula Gil diz:

    Oh gente “fofinha”

    Tenho-vos por pessoas inteligentes que sei que são e portanto dizer que algo que se chama “apartidário” é anti-partidário, tem um nome e chama-se contra-informação! Apartidário quer dizer que os assuntos em questão afectam “militantes e pessoas favoráveis tanto à esquerda e à direita” de forma idêntica e não faz a apologia da exclusão dos partidos – como aliás estou fartinha de andar a explicar, mas não pensei ter de vir explicar ao 5 Dias -blogue de grande enfoque politico onde tenho a certeza que sabem o que a palavra quer dizer!

    O manifesto é o trabalho de uma plataforma de movimentos – como o Renato vos poderá explicar, por exemplo – e portanto representa o mínimo denominador comum entre todos os movimentos envolvidos. A partir daqui cada um terá liberdade para explicitar melhor as suas ideias, mas o entendimento em tal “documento” permite-nos sair à rua todxs juntxs e mobilizar todxs juntxs para dia 15 de Outubro – algo que devia ser tido em conta dado que é um trabalho de união que está a ser feito pela primeira vez em Portugal e, por isso, terá as suas questões, mas não deve nunca ser menosprezado. E é isso, tal como a Assembleia no final, que torna este protesto diferente e importante na construção de uma “força” maior de movimentos, numa altura em que andamos diariamente numa “RASCA PARADE”…

    Para além de que, escrever um texto de critica a um manifesto, dizendo que não fala da TROIKA, sem o ter lido todo (ou tendo lido apenas as alineas iniciais…) demonstra a critica fácil que por vezes aqui se faz!

    Deixo o bocadinho que fala do Plano da TROIKA fazendo menção directa para vosso regozijo – poderão ir buscar mais informação aos sitios do costume – http://www.facebook.com/event.php?eid=139031266184168 – mas entretanto, não deixem de ler o restanto do manifesto e terão oportunidade de se aperceber que, embora não directamente, há vários tópicos referidos no texto (que não estão especificados nas alineas!) de modo implicito!

    O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

    E até dia 15 de Outubro, gente fofinha! 😉

    • Carlos Vidal diz:

      Até dia 15, nada. Tenho que estudar.

      Quanto ao resto, concordo:
      posições à esquerda, à direita, acima, abaixo, ao Norte, ao Sul, poente nascente, oriente ocidente. O mundo é belo!

      • Carlos Vidal diz:

        Comprometido com o Partido Comunista Português sempre, comunista (é grave??) não filiado, logo “apartidário”, posso ir à coisa do dia 15 ??

        • Carlos Vidal diz:

          Falando a sério:
          não vou lá no dia 15, e também me irrita o “apartidário”, gente fofinha.

          Porque isso revela (indirectamente) uma espécie de superioridade moral inaceitável.

          Bons sonhos.
          CV

          • Augusto diz:

            Já sabemos que o militante do PCP Carlos Vidal, só vai a manifestações controladas pelo PCP.

            Está no seu direito.

            Nada como a clarificação.

            Mas não falem em manifestações unitárias, nunca souberam o que isso era.

          • De diz:

            Acho que não está a ser correcto Augusto
            O que Carlos Vidal diz e defende não é aquilo que Augusto apresenta como tal
            É bem mais fundo.E apresenta argumentação que não pode ser enquadrada na tão “limitada” moldura descritiva do Augusto.

          • pappy diz:

            São os que votaram no passos cuelho,ie,no dias loureiro,angelo dos pregos,do americo amorim- 1600 mi.hões emprestadados pelo BPN que não pagou e ainda o compra com 40 milhões.HAJA VERGONHA,PALHAÇOS ARREBANHADORES DAS MIGALHAS DOS BANQUETES DOS BANKSTERS!!!!É DESTA FIBRA DE GENTE(?) QUE FOI A REPUBLICA DE WEIMAR

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Paula, tens razão. Há uma referência no fim à troika e às suas políticas. Acho que devia ser a central e a mais importante, mas existe. Mas como leste, o meu enfado é como uma coisa que é em letras garrafais antes do texto do manifesto. “O apartidário”. Sobre isso mantenho todas as críticas. Acresce que eu até pertenço a duas organizações subscritoras: a ATTAC e a Uncut. E no texto que nos foi distribuído para aprovar datado de 22/8 não vinham essas referências. Aprovei, portanto, um texto sem isso. Finalmente, uma questão fundamental, não me lembro de ter aderido a um modelo de organização militar em que as pessoas não podem discutir e opinar, sobre o perigo de estarem a ajudar o inimigo. Sobre partidarismo, já que falo com a Paula Gil, eu preferia que a manif não tivesse um discurso do anti-partidário e que tu , por exemplo, não desses entrevistas ao Esquerda.net órgão central do Bloco. Achava tacticamente mais avisado. Mas leio-as com interesse e respeito a tua decisão que provavelmente é mais sábia do que a minha.

      • no comprendo diz:

        ó nuno, tu achas que devia ser a referência central e mais importante porquê? porque os problemas e limitações deste modelo de democracia representativa advém da intervenção da troika, é?

  20. Camarro diz:

    Por ser necessário que os portugueses tomem partido, é que julgo ser fundamental a presença, nestas manifestações, de pessoas politizadas e partidárias de esquerda. Falar com as pessoas, sem medo. Mobilizar, esclarecer, semear a conciência de classe, defender até à exaustão que os partidos não são todos iguais. Que existem partidos que defendem os direitos de quem se manifesta. Se nós, os militantes conscientes de esquerda, nos alhearmos destes processos e dos contactos com as massas, haverá o perigo, aí sim, de aproveitamento político de organizações indesejáveis, como é o caso do PNR.

    • Paula Gil diz:

      Tivemos o cuidado de inserir o 25 de Abril no Manifesto exactamente para prevenir essas questões!
      Mas o PNR infiltra-se mesmo que seja partidário e de esquerda! A não ser que tivesses uma nota introdutória a dizer que não querias xenófobos, machistas, racistas e outros que tais, partidários, filiados e simpatizantes com o PNR – e mesmo assim não ponho a mão no fogo e não garanto que não aparecessem – eles estariam sempre infiltrados. Acreditar o contrário é ser inocente!

      • Camarro diz:

        Compreenderás que o meu comentário se destinava, essencialmente, a todos os militantes de esquerda que foram críticos da manifestação do 12 de Março. Há que sair da nossa zona de conforto e falar com essa multidão anónima e heterogénea que participou no 12 M. Quanto ao PNR, penso que às vezes damos-lhes a importância que eles, manifestamente, não têm. Mas, ainda assim, vale sempre a pena prevenir…

  21. Paula Gil diz:

    Nuno

    eu dei uma entrevista na vida ao esquerda.net e daria ao Avante, ao PS, ao PSD, ao CDS-PP, se eles assim o pedissem!
    Acho que a voz que te dão é para se fazer ouvir e se neste aspecto falas especificamente de uma entrevista que saiu à pouco tempo no esquerda.net relativa ao 15 de Outubro, então chamo a tua atenção novamente, a entrevista foi dada ao Público e publicitada, partilhada, reproduzida – como quiseres, é à escolha do freguês! – pelo esquerda.net.

    Sim Nuno, eu sei que fazes parte dos subscritores, e como tal, também deves saber que o “manifesto” foi aprovado este fim-de-semana – sendo que eu não fui a essa reunião e, pelo vistos, tu também não, pois poderias ter feito as tuas criticas lá!

    Não sou contra o debate, contra o opinanço geral e ou discussões úteis e construtivas, mas também gosto de debater, opinar e discutir, e portanto não quis deixar de vir até aqui deixar a minha palavrinha!

    Por fim, apartidário, não é uma questão de “superioridade moral”, tal como não é uma questão de anti-partidarismo, é antes – e na minha opinião – pegar em temas que são centrais às pessoas e demonstrar-lhes que há questões na nossa democracia que antes de serem de esquerda ou direita, nos afectam de forma idêntica! Podemos dizer que há pessoas que votaram no actual executivo e portanto são a favor deste memorando e das medidas de austeridade em questão? Podemos, mas isso seria toda uma nova discussão!

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Não, falo numa participação numa acção do Esquerda, com perguntas online e num debate sobre tema promovido pelo BE. Mas acho bem que tenhas essas perspectiva de ir a todos os sítios que te convidam. Gostaria muito de ter idos às reuniões, infelizmente o meu horário de trabalho não me permite. Não consigo mesmo ir às reuniões de organizações em que participo. Mas mesmo que não fosse por preguiça ou por estar a namorar, não deixava de ter a possibilidade, que tu reconheces aliás, de poder opinar. E sobre isso, volto a dizer não me reconheço numa manif que se diz explicitamente apartidária. Não percebo a importância de ser laica. E não depende de mim que não seja violenta, estando eu de acordo que não o deve ser.

      • no comprendo diz:

        ó nuno, não percebes a importância de ser laica?
        mas, se um dos cânones da igreja é “A Deus o que é de Deus, e a César o que é de César”…
        tu queres Césares, porventura?

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Não acho nada que seja a democracia representativa a maior limitação do país. Nem consigo ver nenhum modelo que democracia participativa que não tenha partidos e eleições. Acho que o que limita o país é o modelo da economia. E isso não se altera numa reunião permanente no Rossio. Se quiseres, para mim , o neoliberalismo do qual a troika e os amigos são profetas devia ser o fulcro do documento.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Não vejo nenhum perigo de estarmos perante uma manifestação religiosa. Logo a designação é meramente simbólica e potencialmente discriminatória. Para mim, lê-se como uma manif que pretende afastar organizações religiosas. Ora, eu não tenho nada contra ter na manif pessoas da Juventude Operária Católica, do Movimento Católico Estudantil e outros.

      • Elsa diz:

        “…volto a dizer não me reconheço numa manif que se diz explicitamente apartidária. Não percebo a importância de ser laica. E não depende de mim que não seja violenta, estando eu de acordo que não o deve ser.” – inteiramente de acordo em tudo, daí interrogar-me se deverei ou não ir. Só um pequeno senão – é verdade, deve ser pacífica, estou de acordo, mas até me apetecia que não fosse. Estão a bater-nos demais e apetece-me bater também. E aí está mais uma razão para se calhar não ir. Gosto de o ler, Nuno.

  22. Paula Gil diz:

    Essa participação foi relativa ao 12 de Março e tratava o tema da precariedade e teria ido falar a todo o lado se me tivessem convidado. Fui ao BE, mas teria ido a todos – vá, menos ao PNR e outras afinidades do género!!

    Não estou a querer tirar satisfações do porquê de não ires ou deixares de ir, todos temos a “nossa vidinha” e o nosso trabalho – às vezes! Serve apenas para dizer que na reunião a que ambos não fomos, o texto foi novamente alterado e, desta vez e finalmente, acordado!

    As alineas servem apenas uma questão de comunicação, como existe em qualquer texto de mobilização! O apartidário, não por sermos anti-partidários, mas por serem questões transversais na sociedade, o laico para também explicitar uma questão de não discriminação e nesse sentido procurar afastar alguma colagem de movimentos menos tolerantes, embora este seja um ponto em que eu cedesse facilmente a retirar, mas isso são posições e opiniões pessoais, o pacifico não depende de nós, mas o apelo à não-violência no texto para mim é importante, porque acredito que, tendo instrumentos democráticos à nossa disposição, há formas de aprofundamento da democracia e de mudança que legitimam as posições de cada um. Serei uma legalista, talvez, mas a mudança diária feita por cada um de nós e de forma pacifica, é “uma coisa que me assiste” 😉

  23. miguel serras pereira diz:

    Nuno,
    como já disse noutro lugar (http://viasfacto.blogspot.com/2011/08/partidos.html), subscrevo a tua afirmação: ” colocar todas as políticas e todos os partidos no mesmo saco, tem uma consequência: o estabelecimento de uma política anti-partidos. Historicamente isso tem um nome: fascismo. Não acredito na democracia sem participação, mas tb não acredito numa democracia contra a existência de partidos”.
    Mas uma coisa é defender a legitimidade e a necessidade democráticas de movimentos organizados de iniciativa e proposta, e outra, muito diferente, é conceber os partidos como vias e aparelhos que têm por vocação o exercício do poder político, submetendo os cidadãos à obrigatoriedade de neles delegarem a sua vontade e a sua competência de tomada de decisão. Os órgãos da participação democrática ou da acção geral em vista dela não excluem – bem pelo contrário – a presença de militantes de partidos na primeira acepção, mas terão de ser apartidários se quiserem ser expressão da igual participação directa de todos nas deliberações e decisões que lhes dizem respeito. O seu poder ou a sua acção serão, por isso, apartidários por serem exercidos em comum e não pelos representantes deste ou daquele partido.
    Do mesmo modo, a afirmação da laicidade é importante: a organização popular deve ser laica, não por excluir os crentes, mas por não discriminar positiva ou negativamente os que o sejam. O movimento sindical, no seu início, compreendeu-o bem.
    O problema da violência é outro. A meu ver, a sua exclusão só faz sentido como exigência interna ao funcionamento da democracia: o debate democrático, com efeito, substitui a apresentação de razões ao uso da força entre iguais. Mas, evidentemente, não pode por princípio excluir o recurso à força ou a meios menos verbais contra os que não aceitem os seus princípios e regime de funcionamento. Em última instância, será uma ou outra versão participativa do povo em armas a garantia da assembleia democrática. E, a meu ver, é isso que faz com que na luta pela participação democrática devamos estar prontos a recorrer à força, se necessário e, como diria o Zé Neves, “sem suspender a democracia”. Assim, quando se convoca uma manifestação “não-violenta”, não me parece que se esteja necessariamente a excluir a legitimidade (a oportunidade já é outra questão) de, no caso de essa manifestação deparar com o exercício da força visando impedi-la, recorrer à força para garantir e defender a liberdade e o exercício político dos manifestantes que a integram.

    msp

    • Paula Gil diz:

      Concordo com praticamente tudo, excepto a última parte. O facto de se falar de não-violência não impõe um regime rigido sobre ninguém e não implica o nosso controlo sobre esta questão, contudo acredito que é possivel e viável a resistência pacifica e continua, mesmo quando se de oposição directa e em uso da força!
      Acredito que a resistência pacifica e continua contra uma oposição muitas vezes violenta legitima a causa e demonstra que os argumentos da outra parte são fracos e pereciveis face a outros.

      Acredito que “somos a mudança que queremos ver” e a mudança que eu quero ver não é estabelecida pela violência, não é um futuro de violência, seja ela directa ou estrutural!

      • miguel serras pereira diz:

        Paula,
        eu não discuto que muitas vezes a não-violência seja até mais eficaz – pelas razões que dizes e outras. Mas entendo que há situações em que a violência não só é politicamente legítima como também mais racional. Eis como do meu ponto de vista se põe o problema da violência que não suspende a democracia e pode ser necessária para a defender:

        ‹Em certo sentido, a democracia propõe a prática de uma razão dialógica como alternativa à violência. À violência regular da dominação hierárquica, a democracia substitui a palavra e o debate nas assembleias e órgãos de poder igualitariamente participado de cidadãos que sejam os seus próprios governantes. Mas a garantia última do poder político da liberdade dos cidadãos e do seu governo exige destes que sejam, de uma maneira ou de outra, “povo em armas”.
        Eis um exemplo a que já achei útil recorrer em mais de um debate e que transponho livremente de Castoriadis: O filósofo discute com o sofista, e este diz-lhe que, se não pode vencê-lo pela argumentação, pode sempre matá-lo e calá-lo de vez. Que garantia pode pôr-nos a salvo de um sofista assim, que se esteja nas tintas para princípios, procedimentos, constituições e declarações universais? A única resposta é o exercício, em última análise violento e empreendido como luta de morte, da legítima defesa. Convém que certos paladinos da “liberdade interior”, do “direito à diferença” e do “multiculturalismo” não o esqueçam.
        Ora, na mesma ordem de ideias, as decisões da cidadania governante terão de ser protegidas pela sua força armada, pela acção de “serviços de ordem” ou “milícias” não-profissionais, rotativamente assegurados. Era o que Orwell, durante a Segunda Guerra Mundial, tinha em vista ao sustentar que, depois do fim da guerra, as armas deviam continuar nas mãos e em casa dos trabalhadores, que, enquanto cidadãos tinham sido chamados a defender o país da ameaça nazi. Orwell não defendia por certo que, uma vez de armas na mão ou em casa, cada trabalhador pudesse usar as armas ou recorrer à violência para fins privados e segundo o seu arbítrio. A existência de restrições – desejavelmente severas – ao uso da violência não significa que a sua legitimidade seja monopólio de um corpo separado e profissional. A afirmação da autonomia democrática, a acção instituinte de uma livre sociedade de iguais, não pode declarar incondicionalmente ilegítimo o recurso à violência. Mas, como já disse noutra ocasião, pode e deve opor-se ao seu culto. Pode e deve desmistificar o espírito sacerdotal nostálgico e hierático, antidemocrático e irracionalista, classista e contra-revolucionário, dos que se propõem medir pelo volume de sangue derramado o carácter revolucionário ou radical de uma luta política. Podemos e devemos saber e dizer também que o combate pela autonomia, a luta que visa a destruição do poder capitalista, não é um carnaval, que, depois de inverter durante uns dias a ordem estabelecida, dá lugar a uma sua versão revigorada ou a uma reciclagem da dominação hierárquica. Os que estão interessados numa “revolução” que pratique e se possível refine os métodos e recursos da dominação na construção da “ordem nova”, ou que advogam um “socialismo” que faça tábua rasa das liberdades e direitos democráticos, desprezando-os como superstições “humanistas”, podem odiar o capitalismo e as oligarquias liberais, mas são tanto (pelo menos) como o primeiro e as segundas inimigos mortais da liberdade enquanto condição necessária de uma sociedade de iguais›.
        (http://viasfacto.blogspot.com/2010/05/mais-cest-une-revolte-non-sire-cest-une.html)

        msp

  24. ezequiel diz:

    Meus caros senhores ou senhoras,

    Li com atenção o post do Nuno. Apenas achei piada (no bom sentido) à expressão dele (gente a mais) que é atípica num homem de esquerda. Congratulo o Nuno por ter a honestidade de dizer tal coisa.

    Todavia, seria sensato clarificar o seguinte.
    Consideremos então esta parte do texto do Nuno:

    “Não consigo ver nenhuma qualidade superior no facto de uma pessoa não ter partido(partido político). Não sou militante de nenhuma força política, mas só vou a manifestações que tomem partido(causa).”

    Ora, como podem ver, o Nuno fala aqui de duas noções distintas de partido (causa e partido político). Ou seja, ele reconhece que é possível alguém não pertencer a partido algum mas, não obstante, tirar partido por alguma coisa (causa). Isto é, ele, Nuno, não exclui as causas (apartidárias, no sentido formal) do domínio da acção política e da legitimidade democrática. Aquilo a que ele se opõe, se o entendo bem, é à perversão de uma agenda política clara e bem delineada pela necessidade imperativa de formar um consenso insípido (abrangente mas indeterminado ou indeterminado porque tem que ser abrangente). Eu concordo com ele. As manifs de Madrid caracterizam-se essencialmente pela negação. Além disso, oferecem muito pouco. É difícil discernir uma causa nestas manifs. São expressões de descontentamento e pouco mais do que isto. (n pretendo desvalorizar as assembleias etc) Talvez não possam oferecer mais, dado o seu pluralismo radical.

    Espero que seja possível dar umas risotas aqui no 5.

  25. pappy diz:

    Pq é q estes comentadores NUNCA comentam os estudos do Dr.Eugénio Rosa e,neste parlapiés é uma inundação diarreia de retórica?Contra números,não há argumentos,n’é criadagem da ignomínia?

    • Rui Campos diz:

      Bem observado, eu costumo ler os estudos no resistir.info

    • De diz:

      E os números são avassaladores

      Agora pergunto eu…quantas vezes já viram o Eugénio Rosa falar nas nossas televisões?
      E quantas vezes já viram os “economistas” de serviço debitarem o seu papaguear monótono nas horas de maior audiência?
      Como se não houvera alternativa à “voz do dono”

  26. Elypse diz:

    A 15 de Outubro é importante que os intervenientes não se fiquem pela mera presença que abraça a ausência.
    Para existir é necessário ser presente no presente. Afinal, para que serve o passado e o futuro se não tivermos um presente. É necessário dar real existência à presença e vice-versa.
    Partidos ou inteiros – aproxima-se a hora do anonimato-insatisfação-abstenção adquirir um rosto.
    Mais dicas para incrementar o “manifesto”?

  27. Beatriz Tavares diz:

    Nuno,
    É importante que mantenhas preocupações democráticas relativamente aos partidos políticos e ao direito dos seus militantes se indigarem enquanto tal.
    Quanto à convocatória desta manifestação e ao seu manifesto, é muito fraquinho, sim senhor, pretende ser tão abrangente que cabe lá tudo… Mas o problema da não participação partidária é o mais preocupante e sugere-me o seguinte comentário:
    Esta manifestação foi convocada por organizações políticas. Organizações que estão, regra geral, integradas em redes/plataformas internacionais constituídas por diversas outras organizações políticas, europeias e não só. Organizações que, por sinal, se vão reunir em Barcelona dias 15 a 18 de Setembro para prepararem este evento que se pretende de dimensão mundial. Falamos de organizações políticas, ou seja, de grupos de pessoas organizados em torno de objectivos políticos comuns. Ora, um partido é isso mesmo. Aliás, muitos membros destas organizações fazem também parte de partidos políticos e não se envergonham disso.
    Não reconheço a nenhuma organização política de eventos, o direito de convocar manifestações políticas exigindo que os seus participantes abram mão de suas convicções político-partidárias. Isto sim é manipulação política! Participo nas manifestações com o chepéu que muito bem entendo e se sirvo para a contagem de cabeças e para a proclamação da Democracia Real, Já Agora que sirva também para a afirmação das minhas convicções. Era o que faltava não poder ser comunista numa manifestação contra a actual ordem mundial! Se decidir participar na manifestação com uma bandeira do Partido Comunista, os organizadores fazem o quê? E se em vez de levar uma bandeira vermelha, optar pela clandestinidade e levar uma bandeirinha dos Acampados ou da ATTAC, os organizadores aplaudem? Francamente, pensar que as bandeiras partidárias devem ser escondidas para não assustar os “enrascados” deste país é meio caminho para sítio nenhum.

    Nota: em Espanha, a organização do evento diz claramente o seguinte:”Para garantir a neutralidade política deste movimento de cidadãos não se aceitará a adesão directa de nenhum partido político ou sindicato. Convidamos os seus membros a participarem nesta convocatória a título pessoal”. É este o espírito também em Portugal…A neutralidade política produziu o documento que produziu, sentindo ainda os organizadores a necessidade de se declararem apartidários e laicos. … Não sei se em Portugal a CGTP pode participar…Pode?
    Bjs.

    • Luis Ferreira diz:

      Se a Beatriz aparecer com uma bandeira do PC num comício do CDS o que fazem os organizadores? E se numa manifestação da CGTP aparecerem bandeiras e faixas do PNR os organizadores fazem o quê? Acho que este tipo de argumentação só serve para criar confusão.
      Sim, a manifestação é política. Sim, os militantes de partidos devem participar se se revirem no que é defendido. Sim, a presença de emblemas partidários é indesejável. Sim, pode-se fazer política fora dos partidos.

      No fundo sabemos a resposta às questões iniciais. Se bandeiras ou ideias não aprovadas pela CGTP aparecerem a uma sua manifestação, os seus seguranças tratam de as expulsar, se necessário for recorrendo à ajuda da polícia.

    • De diz:

      Bom post Beatriz

  28. m diz:

    e será que multipartidário já lhe assiste ? quiçás suprapartidário. é que só faltava que eu tivesse que aparecer numa manifestação agarrada ao calendário de um partido com que só concordo com metade do manifesto. ou um quarto.ou um terço. e que não pudesse apanhar aqui e acolá o que mais me interessa. a mim , que estou-me lixando pró colectivo. o colectivo está cheio de gente de quem não gosto. posso? ou cristianamente tenho de amar a todos?
    traduzido para fora da politica : eu não posso acreditar num “deus” nem cultivar a espiritualidade se não estiver inserida numa instituição mais velha que a minha vontade? está bem , abelha.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      E ler consegue? Está a discutir o quê? Estou-me a borrifar que não goste de ninguém. Não se preocupe em responder-me

  29. Jotas diz:

    Do diccionário dos espanhois:

    – partidario, ria. 1. adj. Que sigue un partido o bando, o entra en él. 2. adj. Adicto a una persona o a una idea. U. t. c. s. … //”Apartidario” não esta no diccionário dos espanhois, tais a ver?//

    – político, -ca. 1. adj. Perteneciente o relativo a la doctrina política. 2. adj. Perteneciente o relativo a la actividad política. … 7. f. Arte, doctrina u opinión referente al gobierno de los Estados. 8. f. Actividad de quienes rigen o aspiran a regir los asuntos públicos.9. f. Actividad del ciudadano cuando interviene en los asuntos públicos con su opinión, con su voto, o de cualquier otro modo.

    Do nosso diccionário:
    – apartidário (a- + partidário) adj. Que não segue um partido ou facção. ≠ PARTIDÁRIO // Apartidário sim esta no nosso diccionário //
    – político (grego politikós, -é, -ón, relativo aos cidadãos). adj. 1. Relativo à política ou aos negócios públicos. 2. Delicado, urbano, cortês. 3. [Figurado] Finório, astuto. 4. [Informal] Indisposto com alguém. s. m. 5. Aquele que se entrega à política. 6. Estadista.

  30. wolves diz:

    Qual a vantagem de vir debater estas questões com pessoas que nunca pensaram por si, caíram no caldeirão do trotskimo e só sabem interpretar o mundo e a luta política com esses óculos. é como a malta que nasce em famílias benfiquistas, não conseguem ver mais nada, têm uma razão de viver, e já têm as respostas todas.. sim palhaço, poucas ideias têm vossas, já compraram o kit lenine tão dispensados de raciocinar e podem papaguear as conclusões dos outros aos gritos que não são mais convincentes por isso.. (nem o arafat ajuda, esquece..)

    – esse palhaço que quer contactar com as massas já fez bastantes workshops de manipulação?? no rossio trabalhou bem esse aspecto.. se tu não és das massas és do quê, da elite??!!ainda não percebeste que nem é contra as ideias do teu partido, mas contra ti esta merda?! (que burro para quem acha que fala muito bem!)

    – não diria que é superioridade moral, mas sim tristeza moral de quem não pensa pela sua cabeça e tenta perceber que o mundo é mais do que aquilo que lhe impingiram (e que, pasme-se, pensando arriscamo-nos a encontrar soluções novas para problemas novos..mas não quero ir longe de mais..)

    sim, recado para o BE e PCP.. antes do rossio até simpatizava c estes partidos e votei neles várias vezes.. este ano foi o primeiro em que mudei o voto, pois vivi o rossio de forma honesta, e para mim, os fins não justificam os meios.. claro que há muitos comunistas íntegros, mas não esta nova geração que se quer armar em che guevara da baixa e protagonismos vários.. o que fazem é triste, muitíssimo pouco inteligente, contra-producente (no caso de algum destes palhaços que realmente queira chegar a um modelo de sociedade mais justo) e, pior, pode destruir uma luta que é muito mais nobre do que a vossa ânsia de ser os bons da fita, com as vossas ideias lunáticas..

    Muitos do bloco pcp e respectivos pets que estiveram no rossio são possíveis ditadores, e metem mesmo medo..

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