15 de Outubro – A Democracia sai à rua!

PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.

MANIFESTO:

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.

Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção. Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de
que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.

Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no Mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.


Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis

Link do evento no facebook: https://www.facebook.com/event.php?eid=139031266184168

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , . Bookmark the permalink.

11 respostas a 15 de Outubro – A Democracia sai à rua!

  1. a anarca diz:

    Muito bem !
    Anónimos unidos

    “Coged el relevo, ¡indignaos!, porque la peor actitud es la indiferencia”. S. Hessel

    http://www.lavanguardia.com/lacontra/20110401/54135299826/morian-antes-los-egoistas-que-los-altruistas.html

  2. Zegna diz:

    Esta” geração á rasca” vai agora se manifestar? para quê? Estas manifestações têm uma utilidade tão boa como cerveja quente ……..enfim…….. Nas ultimas eleições grande parte destes otários ficaram em casa ( a ressacar do sábado á noite ), outros votaram nulo , agora vão se manifestar ?! e querem democracia!? será que estes portugueses ainda não perceberam que têm de ir votar e de escolher quem querem para os governar? a teoria de que todos os partidos são iguais é mentalidade de otário! Deixem-se de tretas e organizem-se contra o sistema usando os votos , será assim tão dificil?

  3. Miguel Lopes diz:

    Odeio a linguagem do manifesto. Fala em ‘pessoas’ (sete vezes), para não falar em classes. Exemplo: “Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas”. Os Mello e afins obtêm daí benefícios, e não consta que sejam babuínos. A burguesia também é composta por pessoas.
    A linguagem, evita as contradições, nem fala no ovo da serpente (The C-word), e acaba apenas por passa a ideia de que isto da privatização é uma questão técnica que os burros dos liberais não estão a entender. Ou seja, que nós temos “razão” e eles são analfabrutos..

    “A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.”

    Novamente a merda das “pessoas”. Isto é mesmo ganga para enchimento. Não quer dizer peva.

    Com efeito, a democracia tem tratado muito bem um restrito número de babuínos. Pede-se às “pessoas” que no dia 15 de Outubro, venham à rua manifestar a sua indignação contra eles (os babuínos) !!!

    • pappy diz:

      Apoiado.E quantos dos q estiveram na manif(?) de 12 de Março,votaram nas ‘pessoas’ do passos coelho,miguel relvas,…..até os dedos se me cansarem,c’a lista é enormissima-todos filhos da puta encartados,para não falar no aborto da madeira?
      Não contem comigo para a acampada,uma manada a ruminar como em Atenas-os partidos são todos iguais-‘clarividência’ de idiotas!!!!

  4. Boas.

    Gostaria que se possível, me explicassem como é o processo decorrente de se marcar uma manifestação destas.
    Duvidas.

    Existe um mínimo de pessoas necessárias para criar um pedido de manifestação ao Governo Civil?
    Quanto tempo leva o processo até sair/ou não o resultado desse pedido?

    Mas sobretudo…isto é o que me interessa mais e onde a minha curiosidade reside.
    As perguntas acima até nem são muito importantes, embora, necessárias.

    Quem escolhe a data da realização?

    P.S – Gostaria muito que me explicassem o processo, pois não tenho mesmo nenhuma ideia em como o processo se realiza.

    Obrigado desde já, a quem me puder explicar.

    Nuno

  5. ruy diz:

    Em Portugal, a degradação e a corrupção a que chegou o sistema político desta III República, o seu bloqueamento e a manifesta incapacidade de se auto reformar, leva qualquer cidadão a admitir, a desejar, uma profunda mudança não necessariamente do regime constitucional em que vivemos mas do “sistema” político corrupto institucional erguido pela nossa classe politica ao longo dos últimos anos.
    Os partidos transformaram-se em máquinas eleitorais, em partidos de notáveis, de uma nova aristocracia sufragada pelas televisões e sondagens. Neles preside uma lógica aparelhistica, oligárquica de perpetuação política da elite que dirige o partido e o representa no Parlamento. Os partidos esvaziaram-se ideologicamente e assim deixaram de representar os interesses dos cidadãos para passarem a representar somente os interesses das suas clientelas partidárias. A profissionalização dos políticos, a mediocridade no seu recrutamento, a corrupção e o tráfico de influências são a realidade dos dias de hoje. Temos um Estado de partidos, redutor e totalitário quanto à representação dos interesses plurais da sociedade. Temos uma Democracia usurpada por estas elites, com responsabilidades de tomar decisões em nome do Povo, e que o atraiçoam logo que alcançam o poder ao romperem com todas as promessas eleitorais sem que daí advenha a revogação dos seus mandatos.
    A democracia não é apenas uma forma de governo, uma modalidade de Estado, um regime político, uma forma de vida. É um direito da Humanidade (dos povos e dos cidadãos). Democracia e participação se exigem. Não há democracia sem participação, sem povo. O regime será tanto mais democrático quanto tenha desobstruído canais, obstáculos, óbices, à livre e directa manifestação da vontade do cidadão.

    • De diz:

      O erro,o enorme erro está nessa mania de se meter tudo no mesmo saco.
      Generalizar é simplificar,perigosamente simplificar.
      E abrir a porta a todos os oportunismos e a todos os “salvadores da Pátria” em perigo.
      Sem colocar no fundo em causa o verdadeiro poder onde assenta o poder

      Lembram-se de um sujeito apartidário que tinha um discurso do género já muito citado e que dava pelo nome de Fernando Nobre?

      E para que não me interpretem mal devo dizer que se deve pugnar sempre pela ” livre e directa manifestação da vontade do cidadão”.

  6. silva diz:

    Exmºs Srs. (as) Deputados, eleitos penso eu que seja verdade, porque hoje em dia já ninguém sabe, quem é que defende os interesses de Portugal.
    Gostava que alguém me explicasse, que o cidadão ao deslocar – se ao tribunal de cascais para saber do caso do despedimento colectivo do Casino Estoril, assunto que já se arrasta à mais de um ano e meio, um dos funcionários do tribunal, respondendo à pergunta do cidadão.
    O informou que o caso está entregue ao juiz, mas que o melhor era o cidadão arranjar emprego.
    Isto ultrapassa a mais séria verdade da justiça em Portugal, será que o Casino Estoril que muita gente sabe desde a operação furacão à construção do Casino Lisboa, agora também manda no tribunal de cascais.
    É um absurdo um funcionário do tribunal, falar como falou para o cidadão, porque já não chega a injustiça dos organismos do estado que deram total cobertura a esta farsa do despedimento colectivo, ainda assim o tribunal sugere que o cidadão procure emprego.
    Afirmo que este assunto posso eu próprio garantir que até morrer, isto vai ser falado desde blogs, nos cafés, bem em tudo o que é lugar, porque a justiça devia ser o garante da liberdade do ser humano.
    Não é admissível, qualquer individuo porque exerce cargos cívicos ou de certa importância na economia do país, que tem o direito de despedir 112 trabalhadores em substituição de precários, e o estado dá apoio nesta decisão.
    Quem acredita que PORTUGAL sai da crise, com este tipo de gente no País.

Os comentários estão fechados.