O Antisemitismo em todo o lado, e hoje em Portugal.

O inocente leitor que se deparar com este texto da Sassmine aqui no 5dias corre o risco de, como eu, pensar que se trata de um post em que, recorrendo à ironia, a autora denuncia o caráter de classe dos sistemas judiciais das nossas sociedades. Ou, se se preferir, das diferenças nos pesos e nas medidas com que a balança da justiça ajuíza, por um lado, os ricos e poderosos e, por outro, todos os outros. Pura ingenuidade, a nossa. Felizmente, o Miguel Serras Pereira, desvenda aqui o verdadeiro caráter desta pérfida posta, para quem se der ao trabalho de ler as resposta que o autor dá às objeções de Joana Lopes que, como nós, insiste em ler o que os textos dizem e não o que está escrito com a tinta invisível, a tal que só o MSP e uns tantos iluminados conseguem ler. E a verdade, segundo MSP, é que se trata de um texto antissemita.

Aqui chegado, o leitor perguntar-se-á onde é que está a referência ao facto de Stauss-Kahn ser judeu ou mesmo qualquer referência que seja aos judeus e ao judaísmo. E como não encontra nenhuma, fica a interrogação, mas antissemita porquê? Muitos simples. Porque, como nos explica o Miguel, isto lhe parece evidente. A evidência, segundo o Jaques Rivette, era a marca do génio em Howard Hawks. Acrescentaria eu que é a marca de um certo pensamento policial no que toca à presunção da culpa dos outros. Falamos aqui de culpa ideológica e não de culpa jurídica. Veja-se o raciocínio de MSP: DSK estava ligado à finança, logo criticar DSK é participar da figura antissemita, mesmo que esta ligação seja invocada não no post da Sassmine, mas sim no post do Miguel, na qual até refere a figura do “judeu lascivo”, que ninguém mencionou, a não ser, é claro, o Miguel, para acusar os outros.

 

Acusar de quê? Não de terem referido tais figuras, pois elas não estão no post da Sassmine, nem em qualquer lugar do 5dias (a referência óbvia da esquerda estalinista que o Miguel convoca nos comentários e que, segundo ele, seria portadora do antissemitismo numa aliança com as forças da direita reacionária). Mas então de quê? Obviamente, de as quererem referir, de as terem na sua intenção sem nunca as revelarem.

O raciocínio é simples: embora nada se possa apontar ao texto da Sassmine de antissemita, ele é-o na sua intenção. O facto do texto nada afirmar de explicitamente antissemita, não prova que ele não é, prova que ele o esconde. E se o esconde é porque é. Ou seja, utiliza-se, para denunciar o antissemitismo onde ele não existe, os argumentos utilizados pelo antissemitismo bem real: a culpa é tão mais evidente quanto menos traços ela deixa, pois a ausência de provas é apenas a prova da eficácia do culpado em apagá-las. Não deixa de ser curioso que o Miguel, que anda sempre com anti-estalinismo na ponta da pena, recorra assim às técnicas acusatórias que associamos ao estalinismo. Imagine-se que alguém, ao ler os insultos e enxovalhos que o Miguel, nos comentários em causa, dirige à Sassmine, o acusava de misoginia. E que o facto do Miguel nunca ligar os adjetivos com que qualifica os posts da Sassmine ao fato de ele ser mulher não provam nada, antes pelo contrário. Seria exatamente o mesmo tipo de raciocínio. Mas esse é um caminho que temos de recusar.

É o caminho que seguem os que estão sempre prontos a justificar tudo o que faça o Estado de Israel. Israel impõe um regime racializante de apartheid aos palestinianos, mas como Israel se identifica como Estado judaico, então criticar Israel á antissemita, mesmo que a crítica nada tenha de explicitamente antissemita. Porque o antissemitismo, lembremo-lo, é uma forma de racismo, um modo de pensar racialmente que, como todos os racismos, parte sempre de um pressuposto inigualitário e hierarquizante, e serve sempre formas de dominação e de inferiorização grupal. Acusar alguém de racismo é bastante grave e deve portanto ser acompanho de argumentos que sustentem essa acusação, e não da mera suspeita, que é o modo pelo qual se atua quando se imputa a alguém uma intenção escondida, que nada de manifesto permite suportar.

Tenho pelo MSP respeito e admiração, especialmente pelo seu racionalismo argumentativo, pelo modo como insiste na clareza argumentativa quando faz da sua razão uso público. É por isso que ataques deste calibre me parecem tanto mais graves: usar o anti-semitismo como arma de arremesso no acerto de contas blogosféricas só serve para confundir e para esconder o pensamento racial onde ele verdadeiramente se esconde.

O título do post foi roubado a  estes.

 

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93 respostas a O Antisemitismo em todo o lado, e hoje em Portugal.

  1. Renato Teixeira diz:

    “racionalismo argumentativo” e “clareza argumentativa quando faz da sua razão uso público” associados a MSP é um momento de humor de raro recorte.

    De resto nada, boa posta e cumprimentos semitas.

  2. A.Silva diz:

    Então quer dizer que o DSK foi preso plos amaricanos por ser judeu???
    Quer dizer… o antisemitismo já tá tão espalhado plos amaricanos ca policia até se dá ao luxo de prender o presidente do FMI inventando uma pretensa violação???

    Porra como as coisas tão mudadas e agente nem dá por nada… Ainda bem cá pessoas como MSP que com a sua argucia e o seu “racionalismo argumentativo” nos ensinam o caminho das pedras.

    Bem hajas MSP e que deus te guarde.

    • Bruno Peixe diz:

      A. Silva,

      É sempre bom que haja quem nos ensine o caminho das pedras, a nós ignorantes.
      Um bem-haja para si.

  3. De diz:

    Gostei do texto.
    E da desmontagem do outro texto,o de MSP.

    Cristalino

  4. Justiniano diz:

    Caríssimo Bruno, acho que está a devolver um exagero ao exagero do MSP!! Exageros apenas!!
    Agora, como bem sabem ambos, o exagero é dos expedientes lógicos mais perniciosos e subversivos à verdade e ao bom juízo!! Os exageros apenas desvaloram!!

    • Bruno Peixe diz:

      Caro Justiniano,

      Aponte-me lá então o meu exagero, que eu terei todo o gosto em discuti-lo consigo. Não me parece exagerado apontar o uso do antissemitismo como expediente para ganhar superioridade moral sob o adversário. Como sabe, e como faço questão de lembrar, é uma das armas de arremesso preferidas dos defensores das políticas do Estado de Israel.
      Cumprimentos,
      Bruno.

      • Justiniano diz:

        Caríssimo Bruno Peixe,
        Vamos lá ver!!
        Há aqui como pressuposto um exercício de hermeneutica, a que o meu caro recorre, sobre diferentes textos sistemáticos e sobre diferentes leituras sobre cada um deles (sobre o seu contexto e metatexto e aqui há metatexto a mais)!! A sua leitura finalistica, tal como a do MSP, parece-me constituir um exagero!! O caro MSP identificou, exageradamente, uma identidade argumentativa e conspirativa entre a condição de judeu do DSK e algum argumentário (que o houve) que o levava demasiado em conta – exagerou a partir daí!! O caro Bruno Peixe identificou a utilização deste argumentário por parte do MSP como sendo uma criação artificiosa no sentido de restringir ou determinar um “disclaimer” prévio sobre qualquer discussão em torno de DSK, ou mesmo qualquer outra de identica condição em identicas circunstancias – e exagerou a partir daí!!
        Sinceramente entendo ambas as leituras como um exagero interpretativo, no mínimo!! Não leio os ditos textos como cada um parece lê-los, é a minha leitura!!
        Quanto ao caso “Israel-Palestina” que aqui entrecruza é um excelente exemplo de como o exagero factual e lógico (logo conspirativo) é tremendamente pernicioso!!
        Como sempre, os meus mais cordiais cumprimentos,
        Justiniano

        • miguel serras pereira diz:

          Caro Justiniano,
          já tive ocasião de explicar na caixa de comentários do meu post e, aqui mesmo, na minha resposta ao BPD, que não vejo anti-semitismo apenas na infâmia dos métodos da campanha que tomou por alvo DSK: digo que a campanha foi infame porque, entre outros aspectos, levou a que, a pretexto de radicalismo anti-FMI, tenha havido quem não hesitasse em alinhar ao lado do anti-semitismo.
          Mas, quanto aos exageros hermenêuticos, se um conhecido romancista português do século XX citava o exemplo dos que, ouvindo alguém dizer que o leão era o rei dos animais, deduziam que o autor da frase era monárquico, o meu post deu azo a que o BPD, que já vi mais inspirado, deduza, de uma referência minha à inaceitabilidade de recorrer a métodos próprios da “polícia de costumes” visando incriminar adversários políticos, que eu entendo que a violação não é um crime, se é que não incito à pedofilia.
          Aliás, exagero hermenêutico por exagero hermenêutico, digamos que será difícil encontrá-lo maior do que aquele que serviu de base a todo o episódio do atentado que visou DSK. Não lhe parece?

          Bem-haja pela atenção que continua a dedicar às minhas intervenções blogosféricas

          msp

      • Niet diz:

        Que naipe de bloggers mais sofisticado e livre- Bruno Peixe- Justiniano, Ezequiel e MSP- encontramos hoje pela matina. Ainda não encontrei o meu Agamben para reler… e dizer alguma coisa. O António Guerreiro podia intervir sobre isso. E depois há os milhares de posts sobre a Shoah, meus deuses…. Vou dar-vos este fragmento de um belo livro de A. Glucksmann, ” Cynisme et passion ” : ” A Alemanha não sofria em 1945 da falta de nazis convencidos. Deixou-se ocupar sem tentar a resistência clandestina, multitude libertas e reprovadas de 1918 brilharam pela sua ausência. E. von Solomon, em especialista, compara as duas épocas, e descreve a incontornável revelação das fossas plenas de cadáveres de Auschwitz. As fotos não transmitem uma informação bruta, os factos eram conhecidos por muitos; o crucial não é a morte através da foto( la mort sur la photo), mas a foto em-si mesma. Isso vê-se, diz-se, comunica-se. A informação decisiva é: a partir de agora a informação circula; permanecer hitleriano obriga, implica, não mais implicitamente mas abertamente, publicamente, face ao seu vizinho e o Mundo, pertencer ao clube dos milionários do crime “. Niet

  5. Bruno Peixe diz:

    Caro Justiniano,

    Se me apontar o exagero, terei todo o gosto em discuti-lo. Faço-lhe notar que o tema do meu post é a acusação de antissemitismo como forma de ganhar superioridade moral em relação ao outro numa discussão. É uma desautorização dos argumentos do outro, neste caso feita apenas de suspeição e processo de intenções, espelhando de certa forma as táticas argumentativas do antissemitismo. Que são, de resto, a arma de arremesso preferida dos que estão sempre na linha da frente na defesa das políticas do Estado israelita. Exagero? Não me parece.

    • Justiniano diz:

      Caro Bruno, eu não creio que essa tentativa exista ali onde disse te-la lido!! O exagero advém dessa leitura!! Se utilizarmos esse seu mesmo argumento em relação à Sassmine poderiamos, em exagero, dizer que a mesma tentou condicionar os argumentos sob a bandeira femininista, impondo a misogenia “em odiosa” como pendulo em cima da discussão!! Acho que seria igualmente exagerado!! Em última instancia leriamos as coisas como a Helena Matos, encontrando fenomenologias próprias e contradições em tudo e mais umas botas!!
      Quanto a Israel, hoje, o mais interessante (e a questão étnica é muitíssimo relevante) é que o racismo (racismo propriamente dito) coloca-se mais, até, entre Israelitas, entre judeus se quizerem!!

  6. ezequiel diz:

    Olá Bruno,

    Escreveste isto.
    “Que são, de resto, a arma de arremesso preferida dos que estão sempre na linha da frente na defesa das políticas do Estado israelita.”

    ponto:

    se é a arma preferida dos que estão sempre na linha da frente..etc..então deverá ser muito fácil para si obter na net exemplos desta técnica de argumentação. correcto??

    ok, por favor apresente aqui exemplos desta técnica.
    é uma solicitação muito simples.
    estou-lhe a pedir que corrobore o que aqui afirmou. nada mais.

    aqueles que estão sempre na linha da frente bla bla…são quem?? os EUA? A UE? Bob the Builder? a Tia Maria de Celourico de Bastos??

    cumprimentos
    ezequiel

    • Bruno Peixe diz:

      Caro Ezequiel,

      Deve ser fácil, mas olhe, não me vou dar a esse trabalho. Não o vou deixar, no entanto, sem resposta. Neste livro encontrará argumentos que associam o antissemitismo à crítica do Estado de Israel: http://www.amazon.fr/Pr%C3%AAcheurs-haine-Travers%C3%A9e-jud%C3%A9ophobie-plan%C3%A9taire/dp/2842057201/ref=sr_1_17?s=books&ie=UTF8&qid=1314300547&sr=1-17 e neste também: http://www.amazon.fr/querelle-avec-Alain-Badiou-philosophe/dp/207078505X/ref=sr_1_6?s=books&ie=UTF8&qid=1314300631&sr=1-6
      Na net, teria de estar à procura. Sem o ter lido profundamente, parece-me que encontrará argumentos dessa espécie neste site: http://www.alandershowitz.com/
      Aconselho também a leitura das crónicas de Esther Muncznick no Público.
      Em todos estes casos, lembro, do que se trata não é da acusação de que o anti-semitismo existe que, de resto, é uma constatação de facto, mas sim da acusação, bem mais específica de que, por detrás das críticas a Israel, nomeadamente, das críticas que vêm da esquerda, se esconde um antissemitismo não declarado. Este é o primeiro passo para se afirmar que, hoje, o lugar do antissemitismo é a esquerda radical. Portanto, que a esquerda radical é racista e pensa racialmente. Porque é isso o antisemitismo.
      Cumprimentos,
      Bruno Peixe.

    • Bruno Peixe diz:

      Já agora, Ezequiel, recomendo-lhe também este excelente artigo da Judith Butler sobre uma ocasião particular em que o tal argumento foi usado por Lawrence Summers, que mais tarde viria a fazer parte da administração Obama.

      Cumprimentos,
      Bruno.

    • Vasco diz:

      Em muitos países e em muita imprensa, atacar o expansionismo e o carácter terrorista do Estado de Israel é apelidado de anti-semitismo. Mas esquecem-se que anti-semita é, sobretudo, o próprio Estado de Israel e a camarilha que o dirige, essencialmente proveniente da Europa (Ocidental e de Leste) e dos EUA. Segundo a Wikipedia (eu sei que não é grande fonte, mas para o que é serve), o termo semita «tem como principal designação o conjunto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais». Ou seja, a elite israelita ocidental oprime e esmaga os árabes, esses sim, semitas. Portanto, neste caso, quem diz é quem é…

      O caso de Israel, como outros, nada tem de racial – mas de económico e geoestratégico. Esse país devia chamar-se hoje, pela sua prática, USS Israel, pois pouco mais é do que um porta-aviões norte-americano naquela explosiva região…

  7. pappy diz:

    O que é o anti-seemitismo e a cultura/religião judaica,outrora prosélita.
    O q são os palestinos,libaneses,sírios,iraquianos?
    A NATO está a ser antissemita-a avó do Khadafi era judia!E o o tipo do Irão?

  8. ezequiel diz:

    Caro Bruno,

    Agora não posso responder-lhe pq n tenho muito tempo.

    Responder-lhe-ei amanhã, com calma.

    Todavia, à laia de appetiser, convido-lhe a considerar o seguinte: uma boa parte da esquerda radical aliou-se abertamente e inequivocamente a movimentos de “resistência islâmica” que são resolutamente e abertamente anti-semitas.

    Esta esquerda radical a que me refiro jamais criticou o anti-semitismo dos seus aliados.

    Porquê?

    Amanhã entrego-lhe aqui todas as infos pertinentes, que são muitas e diversas.

    Boa noite
    Cumprimentos
    ezequiel

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Olá Ezequiel, é difícil os palestinianos serem anti-semitas, visto serem também semitas. Não achas?

      Abraço

      • Sassmine diz:

        Essa é a pergunta que eu faço sempre. Mas vocês sabem o que são os povos semitas, ou antes, quais são? Porque é que nunca ninguém responde?… É um dos maiores paradigmas de audição selectiva pandémica que eu conheço.

        Bruno, obrigada. Se não fosses tu não teria dado por ela e é sempre bom dar por ela. Não tenho muito mais a acrescentar. Deixo aqui o coment que deixei, pela alegria da partilha, simplesmente. Abraço.

        aqui fica, então, a única resposta que tenho a dar a isto:
        uau. vómito infecto. eu sou anti-semita (só agora é que reparou? qualquer pessoa que me conheça minimamente percebe imediatamente isso, é a minha noção fundadora, o anti-semitismo). e a violação é um assunto menor, de polícia de costumes. bravo.

        eu devo ter muitos nomes para classificar isto, Miguel Serras Pereira, mas sinceramente nem me vou dar ao trabalho. vómito infecto serve bem, mas pior que vómito só mesmo vómito usado, portanto olhe, não lhe chamo nada. divirta-se na vida, é o que tenho para lhe dizer.

        • Bruno Peixe diz:

          De nada, Sassmine. Uma das coisas que mais estranhei nos considerandos do MSP foi a violência com que se dirige a ti, ou melhor, à tua produção escrita aqui no blogue. Isso, é claro, e a estranha referência, para a qual a pessoa que assina cuco da floresta chamou a atenção, à tal polícia de costumes como forma de ataque político. Como se um caso de violação fosse o equivalente de ter uma amante ou de consumir drogas.

          Um abraço.

          • miguel serras pereira diz:

            Dar como provada, por dedução a partir de outros factos da vida ou qualidades do acusado, a violação que se lhe imputa, é um método de luta revolucionário ou uma prática de tipo fascista – seja ou não judeu o acusado, seja ou não do terceiro mundo a queixosa?

            msp

      • José diz:

        Essa é velha, Nuno, demasiado velha…
        Independentemente de os povos semitas incluírem mais povos do que os judeus, quando se fala em anti-semitismo refere-se a aversão aos judeus. Há muitos anos.
        Como o Nuno bem sabe.

        • Bruno Peixe diz:

          Asntissemitismo, Judeofobia, não é pela palavra que o gato vai às filhoses, mas sim pelo raciocínio enviesado que diz que é na esquerda que encontramos hoje o pensamento e a prática racistas que tomam os judeus como alvo. O objetivo desse raciocínio mais não é do que, através dessa identificação, retirar dividendos morais para desqualificar qualquer crítica a Israel. Assim, o Estado que se identifica como “Judaico” e que portanto leva a cabo uma política orientada por noções raciais ou étnicas, por uma estranha inversão, faz-se ele vítima do racismo que efetivamente pratica.
          A questão, como sempre, é de politizar os conflitos, e não de os racializar ou culturalizar. Não é por árabes contra judeus, ou seguidores do islão contra sionistas, mas compreender as dinâmicas de subjugação e de dominação em jogo no terreno. Em Israel, em Portugal, ou em Londres.

          • José diz:

            Não direi que ser anti-semita seja ser de Esquerda, ou que ser de Esquerda seja, necessariamente, anti-semita.
            Curiosamente, alguns dos comentadores que por aqui costumam passar são notórios anti-semitas, para além de confessos homens de esquerda.
            No resto concordo consigo: as generalizações são perversas e têm um objectivo argumentativo.
            Provavelmente algum objectivo argumentativo terá quando compara uma religião – Seguidores do islão – com uma corrente política – sionistas – que, durante muitos anos, foi essencialmente laica.
            Também curiosamente se repara que a generalidade dos países vizinhos de Israel sempre se considerou árabe e muçulmana, não vendo qualquer censura que lhes tenha sido destinada.

          • De diz:

            Aí está:”Compreender as dinâmicas de subjugação e de dominação em jogo no terreno.”….
            A tentativa de genocídio de um povo…segundo as palavras do historiador (judeu e israelita) Ilan Pappe,
            http://video.google.com/videoplay?docid=7393572071611328722&hl=pt-BR

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          E isso obriga-me a aceitar que existe no problema uma questão de raça. É pq aceitar colocar a questão nesses termos, é onde conduz. E o sionismo será um anti quê? As vezes as questões, mesmo quando são antigas não foram respondidas.

          • José diz:

            O sionismo – ou qualquer outro “ismo” – terá de ser anti qualquer coisa?
            E não vejo o problema, utilizando a sua expressão, como rácica, até porque não reconheço nos judeus uma raça, antes uma cultura, se se quiser.
            O anti-semitismo é um fenómeno de origem europeia, as suas raízes mantém-se no underground da cultura ocidental, enquanto reacção a um Outro cultural e religiosamente diverso.

      • Revolucionário diz:

        O que diz é verdade num sentido , digamos, literal.
        Mas as palavras são polissémicas e ganham significados diferentes e, por vezes, até opostos dos originais ( bestial, por exemplo).
        É o caso da palavra “anti-semitismo” que, há muito se tornou sinónimo de ódio ao judeu.
        É nessa acepção que o Ezequiel o usa, é essa a acepção comum com que a palavra é correntemente usada.
        Por outro lado, é verdade que a crítica ao estado de Israel não é, ipsis verbis, sintoma de anti-semitismo. Mas aqueles que usam esse argumento para deflectirem o criticismo, deveriam questionar-se a si mesmos, porque razão, entre quase 200 países, a esmagadora maioria dos quais tem políticas bastante mais criticáveis, o seu radar se foca tanto em Israel. Que há de mau em Israel que não haja no Sudão, na China, na Bielorússia, no Irão, em Cuba, na Coreia do Norte, na Turquia, etc, etc, etc.
        Esta fixação em Israel não será sintoma?

        • De diz:

          Essa fixação em Cuba, Bielorrússia,China,Coreia do Norte ou Turquia não será sintoma?E um sintoma bem maior já que se suspeita que o que se pretende é branquear a tentativa de genocídio de um povo?
          De qualquer forma poucos países há que tenham políticas mais criticáveis que as do estado-pária de Israel.

        • Vasco diz:

          Se Israel deixar de ter uma política expansionista, se acabar com a ocupação da Palestina, do Líbano e da Síria acaba uma percentagem imensa das críticas, acredite…

  9. ezequiel diz:

    Não colocou o artigo Summers/Butler.

    Ficar-lhe-ia agradecido se o colocasse aqui.

    Assim podemos debater todas as questões relevantes.

    cumprimentos
    ezequiel

  10. ezequiel diz:

    Caro Nuno,

    A ti só te peço que te dirigas a Gaza e perguntes a um dos senhores ou senhoras que votou no Hamas se são semitas, palestinianos ou árabes?? Não te esqueças de mencionar que são irmãos genéticos (não gosto do termo, mas acho que percebes) dos judeus. Perceberás, certamente, que a categoria politicamente relevante é judeu-palestiniano e não o muito mais abrangente semita. Para Israelitas há, grosso modo, palestinianos e terroristas. Para palestinianos-árabes, há israel e judeus. O conceito de semitismo comungado, tal como tu o apresentas aqui, é simplesmente inexistente em termos políticos. Pode o ser em termos de investigação académica, etc mas não o é no domínio da acção política consequente. (refiro-me ao conceito de semitismo compartilhado, o conceito de semitismo é politicamente relevante para os judeus, evdt)

    But, to make a long story short, não me parece que cultivarias muitas amizades no Hamas e na Fatah se insistisses na pertença comum de judeus e palestinianos.

    Concordo com o José: quando aqui falamos em anti-semitismo estávamos a falar em ódio aos judeus e não em semitismo qua herança genética ou até histórica. É por estas e por outras que o mal-entendido nos arrasta para a confusão.

    Caro Bruno,

    Explicaste muito bem a tua tese. Os que acusam a esquerda radical de anti-semitismo estão a tentar obter dividendos morais (capital moral, se é que isto faz algum sentido) para impedir ou desqualificar qualquer crítica às políticas de Israel.

    Interessante a forma como colocaste o problema: em termos de estratégia discursiva pura e dura. X acusa para tentar impedir que Y acuse. Muito simples.
    Desde quando é que uma acusação tão vil como esta (acusar a esquerda radical ou parte dela de anti-semitismo ou de racismo) angariou dividendos morais? É bizarro: eu acuso x, ofendo-o, chamo-lhe racista e anti-semita injustamente para depois…pasme-se…obter dividendos morais.!?!?!? Esta é a principal razão de teres encontrado poucos exemplos desta estratégia argumentativa na net etc.(mas vou ver os sites que mencionaste) Não é frequentemente usada. Além de absurda, é contraproducente. (só falo nestes termos porque tu colocaste as coisas em termos de estratégia discursiva)

    Só mais uma pequena nota: a Butler ignora uma distinção crucial do Summers. In effect but not in intent. Não é coisa trivial, esta distinção. Amanhã venho cá e continuamos o nosso debatezinho, se te apetecer.

    Boa noite
    Cumprimentos
    ezequiel

    • Vasco diz:

      Caro Ezequiel, essa de culpar o Hamas pelo terrorismo de Estado de Israel não pega. Israel ocupa ILEGALMENTE (violando resoluções da ONU) o território da Palestina. O Hamas só nasceu no final dos anos 80. E a própria OLP nos anos 60. Por tanto, meu caro, isso tem que ser tudo invertido – Israel começou o conflito ao ocupar território da Palestina. Já nem ponho em causa a criação do Estado de Israel (e olhe que não é um assunto tão simples como possa parecer), mas a ocupação pós-67. E não me venha com a história do Holocausto, pois se os europeus queriam compensar os judeus pela matança de que foram vítimas, dessem-lhes a Baviera ou o Havre ou Gales, whatever… E direitos bíblicos, é algo que a Carta das Nações Unidas não reconhece…

  11. ezequiel diz:

    Caro Bruno,

    Mas não respondeste à minha perguntinha:

    Porque raio anda uma boa fatia da esquerda radical de braços dados e não só com movimentos que são inequivocamente e abertamente anti-semitas, racistas, anti-judeus, anti-israelitas (como Vos apetecer)??? Porque é que há muitos esquerdistas radicais, Ilan Pappe incl., que simplesmente não falam do racismo flagrante da maioria dos senhores dirigentes do hamas e fatah??

    A esquerda radical que se aliou aos movimentos de “resistência” poderia criticar os seus aliados sem comprometer a sua causa (que pouco ou nada tem que ver com a causa palestiniana, tal como ela é definida pelo hamas ou pela fatah). Sinceramente, eu acho que isto é algo que vos escapa por completo: a vossa causa não é a causa da corrupta fatah, do implacável hamas ou dos loonie tunes do hezbollah.

    Podes ver tudo isto na televisão palestiniana, todos os dias. http://www.memri.org

  12. ezequiel diz:

    Perdão:

    Cumprimentos
    zeke

  13. De diz:

    ”Compreender as dinâmicas de subjugação e de dominação em jogo no terreno.”…
    Uma frase lapidar

    (Há quem não goste de Llan Pappe….compreende-se porquê)

    “A barbárie em Gaza foi impossível de esconder, mesmo nos cada vez mais controlados meios de propaganda do imperialismo: mais de 1.300 mortos (quase um em cada mil habitantes), na sua grande maioria civis aprisionados no gigantesco campo de concentramento em que Israel e a pseudo-«comunidade internacional» transformou Gaza; bombardeamentos com fósforo branco e outras armas não convencionais em áreas densamente habitadas; ataques a centros de refugiados da ONU e a pessoal médico em serviço; o bombardeamento dos centros de recolha de ajuda da ONU (com fósforo branco); o ataque a um edifício onde as próprias tropas israelitas tinham juntado 110 civis, provocando a morte a 30; o ataque a civis em fuga das zonas bombardeadas.

    Enquanto a União Europeia encobria as mentiras do governo israelita, outros não calaram a sua consciência. No Parlamento britânico, o ex-membro de governos trabalhistas Gerald Kaufman, judeu e de uma família sionista, afirmou: «Olmert, Livni e Barak são assassinos em massa, criminosos de guerra, e envergonham o povo judaico, cuja Estrela de David utilizam como bandeira em Gaza» (o discurso pode ser visto no Youtube). Há quem tenha usado a expressão «holocausto» para descrever a matança de Gaza. O primeiro a usá-la foi o vice-ministro israelita da “Defesa”, Matan Vilnai, que em Fevereiro passado ameaçou: «Quanto mais o fogo dos Qassam se intensificar, e o seu alcance se alongar, maior será a shoah que irão trazer sobre si» (Guardian, 29.2.08).

    Muito se falou em Hamas e em «rockets Qassam». Confundem-se as causas com os efeitos. As mesmas palavras e acusações lançadas hoje sobre o Hamas foram lançadas ontem sobre o Presidente Arafat e a OLP. O comunicado oficial do governo israelita de 11 de Setembro de 2003 afirma: «Os acontecimentos destes dias reiteraram e comprovaram que Yasser Arafat é um obstáculo total a qualquer processo de reconciliação entre Israel e os Palestinos. Israel irá trabalhar para remover este obstáculo, da forma e no momento da sua escolha». Para que não sobrassem dúvidas sobre o significado destas palavras, o então vice-chefe do governo, e actual primeiro ministro, Ehud Olmert afirmou que assassinar Arafat era «seguramente uma das opções» (The Independent, 15.9.03). Catorze meses mais tarde, Arafat estava morto. O hospital militar francês onde morreu nunca indicou as causas da sua morte.

    A chacina de Gaza condensou em três semanas muitas décadas de História. Uma história infindável de massacres e de guerras, que vai de Deir Yassin a Gaza, passando por Sabra, Shatila ou Qana, e que se traduz na gradual ocupação de cada vez mais território palestino e na permanente influência imperialista na região. A maioria dos habitantes de Gaza são refugiados de anteriores guerras de ocupação. «Na tarde fria de quarta-feira, dia 10 de Março de 1948, um grupo de onze homens, veteranos dirigentes sionistas e jovens oficiais militares judaicos, puseram os retoques finais no plano de limpeza étnica da Palestina. […] Uma vez tomada a decisão, foram precisos seis meses para completar a missão. No final, mais de metade da população nativa da Palestina, cerca de 800.000 pessoas, tinham sido desenraizadas, 531 aldeias tinham sido destruídas e onze bairros urbanos esvaziados dos seus habitantes». O autor destas palavras é o historiador (judeu e israelense) Ilan Pappe, no livro «A limpeza étnica da Palestina» (Oneworld Publications, 2006).

    O Estado sionista, «tentáculo nuclear dos EUA» no Médio Oriente, nas recentes palavras do Presidente da Assembleia Geral da ONU, sempre foi uma das principais ameaças à paz mundial. O povo palestino é a sua maior (mas não única) vítima. Sem justiça para o povo palestino haverá sempre resistência. E a resistência deste povo (heróica, dada a desproporção de meios) é seguramente um motivo de esperança e confiança. A violência militar imperialista não é capaz de vencer a determinação de um povo”.
    Jorge Cadima

  14. ezequiel diz:

    De

    o esquerdismo radical não é coisa estranha à cultura política israelita e judaica. seria sensato que se recordassem deste detalhe.
    Kaufman é um judeu livre que pode ter ou não ter razão. apresente os argumentos do parlamentar e deixe de se preocupar com o facto de ele ser ou não ser judeu. seria interessante se eu qualificasse o seu argumento como o de um “português.” o argumento de 1 português radical. seria necessário? não. porque o faz? talvez por presumir que o facto de ele ser judeu o levaria a defender as políticas do estado de israel?????? sentiu a necessidade de dizer que o historiador é “judeu e israelita.” so what? o que chamar a esta presunção??? (Jews stick together, será isto???) qual a proveniência ideológica desta presunção????

    quanto ao historiador pappe, poderemos considerar os seus argumentos, se eu tiver tempo. o que eu sinto ou não sinto pelo pappe é completamente irrelevante. bastaria isto para refutar pappe: tivesse israel implementado uma estratégia de limpeza étnica depois das vitórias militares não existiriam palestinianos em israel, em gaza e na cisjordânia. a realidade demonstra a falsidade dos argumentos de pappe. viu? não é complicado. senso comum.

    o que diz pappe acerca da ideologia do hamas, fatah e hizballah??

    o que diz pappe acerca daqueles que afirmam que ele descende de macacos e porcos??

    nada.

    quanto ao resto, leia os communiqués, declarações e constituições dos movimentos de “resistência.” imperialismo teocrático, no seu pior.

    o seu historiador preferido deu-se ao luxo de não os ler. você também. pena. a sua narrativa parece coisa de hollywood: o bom (V Exa), a vitima e o mau. as narrativas hollywoodwescas nunca me convenceram. plástico. 🙂

    • subcarvalho diz:

      “…tivesse israel implementado uma estratégia de limpeza étnica depois das vitórias militares não existiriam palestinianos em israel, em gaza e na cisjordânia…”
      Ezequiel, por essa maneira de pensar, podemos também dizer que não existiu por parte do regime nazi do III reich nenhuma estratégia de eliminação dos judeus…eles afinal ainda por ai andam!!

    • De diz:

      Vejam por favor este documentário do historiador “judeu e israelita”chamado Llan Pappe e vejam se este é um perigoso”radical de esquerda”, um termo ao que parece agora em voga nalguns meios :
      http://video.google.com/videoplay?docid=7393572071611328722&hl=pt-BR

      Embora compreenda os desabafos de Ezequiel e a sua incomodidade sobre Kaufman e Pappe,continuo,caso não se importe, a referi-los por aquilo que são.A clareza acima de tudo.”A questão, como sempre, é de politizar os conflitos, e não de os racializar ou culturalizar..Não é por árabes contra judeus, ou seguidores do islão contra sionistas, mas compreender as dinâmicas de subjugação e de dominação em jogo no terreno”.Não tenho nada contra judeus.Tenho sim e muito,contra um estado que age como o israelita.E abstenho-me,caso não compreenda o motivo, de andar a arranjar motivos menores para a discussão.

      As acusações de tentativa de genocídio por parte de Israel não são novas. Os factos parecem infelizmente dar razão aos acusadores.E são cada vez mais os que olham incomodados para o estado-pária de Israel

      Abstenho-me também de comentar o que dizem os ortodoxos judeus sobre os não eleitos pela entidade divina.”Os macacos e os porcos” será uma questão interessante para debater onde quiser,mas prefiro que escolha outros interlocutores.

      Também me abstenho de comentar o “seu senso comum”….Manda o senso comum que o não faça

      Quanto ao “meu historiador preferido” acho que o Ezequiel deve estar a brincar,não?
      Se não se importa veja se me transcreve o local onde cito o meu historiador preferido.Já agora não tenho listagens ordenadas por preferências.Do que quer que seja.Por isso deixe-se de habilidades mais próprias do género hollywoodesco que parece preferir,

      Quanto ao material que prefere essa é uma questão que não me pronuncio.Só lhe posso dizer mais duas coisas:
      que não gosto de plástico
      que estou ao lado das vítimas.Quaisquer que elas sejam.

  15. miguel serras pereira diz:

    Caro BRuno,
    é preciso ler os textos que se criticam.
    O meu post defende o ponto de vista de que, entre os motivos da campanha e as razões das dimensões, ecos e estranhas plataformas que estimulou, se conta o facto de DSK ser judeu. Não disse que o anti-semitismo era a razão que tornava infecto e emético o post de uma Não-Sei-Como-Se-Chama que o condena sem julgamento por violação em razão das suas cores políticas, origens de classe, etc., etc. Sugiro também que a popularidade de raciocínios deste tipo foi exacerbada, no caso em apreço, por DSK ser judeu. Assim, o post da Não-Quero-Saber-Como-Se-Chama-Porque-Não-Gosto-De-Dizer-Inconveniências-Em-Público é um post estalinista que se presta sem escrúpulos a queimar um inimigo político através da acusações criminais – porque deduz que, se DSK é um burguês e um político ao serviço da oligarquia, é culpado de violação de uma mulher do terceiro mundo. Exactamente, as mesmas deduções que foram usadas por cá contra Paulo Pedroso.
    Com efeito, se leres bem, o meu post não denuncia apenas o anti-semitismo, mas também outros motivos não mais nobres do atentado de que foi vítima DSK. Mas chama, sim, a atenção para o facto de a condição de judeu de DSK ter de ser levado em conta para explicar a irracionalidade e a demência de largo espectro que a campanha contra ele assumiu. Entendidos?

    As tuas outras insinuações são um tanto apressadas: quanto ao Estado de Israel, a minha posição não podia ser mais antagónica daquelas que denuncias – e não tenho paciência para te falar das outras. Atrevo-me, no entanto, a perguntar-te, para esclarecermos de vez a questão do “estalinismo”, se achas correctas as deduções da constitucionalista e universitária, em cuja defesa saíste tão temerariamente, “provando”, julga a pobre extraviada que à maneira dos geómetras, e proclamando aos quatro ventos a culpa de DSK, após a grotesca “análise de classe” a que procedeu.

    Finalmente, tudo o que escrevi sobre o caso mostra e explicita que não era apenas o anti-semitismo que estava em jogo – mas tão só que o anti-semitismo foi um poderoso elemento potenciador de outras pseudo-razões e delírios regressivos. Ou seja, como respondi à minha amiga Joana Lopes que me acusou também, embora com melhores modos e sem piscar o olho à “resistência islâmica”, de sobrevalorizar o aspecto anti-semita do caso:

    “parece-me evidente que nos exercícios celebratórios do que a certo momento julgaram ser a condenação garantida de DSK, a sanha anti-semita aflorou um pouco por toda a parte. Acontece que, sendo judeu, DSK foi também rosto de uma instituição odiosa, ligada à finança, e que a infâmia racista não podia deixar escapar a oportunidade. A cereja em cima do bolo: DSK, embora rosto do FMI, manifestara, pouco antes do macabro atentado que sofreu, uma atitude crítica e reformista – muito rocardiana – perante o regime financeiro global. O que o tornava um alvo ainda mais apetecível ao anti-semita que espreita nalguma muito ruidosa e desvairada ‘esquerda revolucionária’. (…) O que estranho é que tu não tenhas dado pelo anti-semitismo da campanha, que, paradigmaticamente, exibiu, como nos anos da peste, as capacidades de unidade na acção da esquerda estalinista e da direita mais reaccionária”.
    Se quiseres mais algum esclarecimento da minha parte, dispõe. Mas, por favor, lendo um pouco menos em diagonal os meus argumentos, cuja clareza não é, apesar de tudo, tão grande que dispense o exercício da atenção.
    Pode ser assim?

    msp

    • Justiniano diz:

      Caríssimo MSP, em relação ao caso DSK ouviu-se de tudo!! Condenações e absolvições com base em pressupostos preconceituosos, conspirações e adulações da direita è esquerda e tudo o mais!! Acho que, no fundo, o caso foi extrapolado (repare na excepcional e tremendamente aparatosa detenção do mesmo) por se tratar de uma figura pública de notoriedade mundial!! Muito identico a outros casos onde intervêm figuras notórias (e nestes casos a justiça – arrisco, de todos os estados- é, habitualmente, pouco decente, no mínimo). Acho isso, apenas!! A discussão aí seria outra, verdadeiramente, que não a habitual em torno do “judeu, negro, mulher, rico, pobre”….e outros estereótipos!! Retirar daqui algum outro fenómeno que não seja o mesmo de sempre é, manifestamente, exagerado, ainda que duas ou três almas por lá se tenham entretido!!

  16. Justiniano diz:

    Ezequiel, olha que o racismo existe e cresce em Israel, especialmente entre Israelitas!! Racismo propriamente dito. Um fenómeno substancialmente diferente daquele que antagonizava judeus, palestinos e árabes (cultural, histórico, religioso…) nos anos 40 do sec. passado!!
    O racismo é mútuo, evidentemente. Encontrarás sefarditas a viver sob a autoridade palestiniana e não encontrarás ali ashkenazi. Em Telavive, tanto sefarditas como judeus orientais, palestinos e árabes passam um bocado mal!! Em Jerusalem verás mais afinidades entre sefarditas e árabes ou palestinos!!! Nem vale a pena falar dos falashas!!
    No fundo a familiaridade étnica tem muita relevancia!!

    • Vasco diz:

      Não é de hoje. Os próprios judeus africanos e árabes (sim sim, também os há) são, na prática, cidadãos de segunda em Israel. Vide «partido dos Panteras Negras» – não confundir com os outros, dos EUA…

  17. Sassmine diz:

    Ler o meu post, não o perceber e assumir que dá como provado seja o que for (sim, eu sei que sou um bocado subtil, mas caramba, quer tudo mastigado?) e ainda por cima assumir, sem julgamento, que se o faço é porque sou antisemita, releva ou de uma grande dificuldade de leitura e interpretação ou de pura maldade. Como não me parece que seja a primeira e o msp continua a insistir… enfim, não sei. O que prefere, Miguel, que eu o olhe como básico e burro ou apenas como um sacana mal-intencionado? Se não quiser escolher posso guardá-lo numa gaveta mista. Começa a parecer-me que é mesmo lá que está bem. Podia tentar explicar-lhe o meu post, como o Bruno aliás fez, mas já percebi que o raciocínio é demasiado elaborado para si.

    • miguel serras pereira diz:

      A isso chama-se fugir à questão. Que é simples: os métodos usados na campanha contra DSK e o seu teor político foram repugnantes – e continuariam a sê-lo se tivessem sido usados, por exemplo, por sionistas insatisfeitos com a “moderação” de DSK. Mas, empiricamente, é indubitável que V. alinhou numa campanha que contou com um anti-semitismo entre os seus elementos potenciadores. E não teve escrúpulos em fazê-lo. Que o Bruno tenha entrado em liça a despropósito para insinuar que eu sou apologista da descriminalização da violação e sabe-se lá de que mais, é lamentável – embora já não seja responsabilidade sua.

      msp

      • Sassmine diz:

        Não, Miguel, aquilo que escreveu sobre a importância da violência sexual é da sua responsabilidade e não da do Bruno. Eu fiz um post em que apontava a distinção de classe na acção da Justiça, forçando um paralelo com a forma como estavam a ser castigados todos os directa ou indirectamente ligados aos motins de Londres. Alguém que interpretou como o Miguel teve a ombridade de me colocar a questão directamente nos comentários e foi prontamente esclarecido. Decidir a partir daí que eu julguei o DSK em praça pública e sobretudo que o fiz alinhando numa campanha anti-semita (nunca me lembro sequer se ele é judeu ou seja o que for, sinceramente), daí resultando o chorrilho de insultos que me faz nos seus comentários… Miguel, perdoe mas acho que não é preciso explicar mais nada. É gratuito e muito baixo nível.

        Se eu alinhar na sua lógica vou ter de o classificar como um misógino, que alinha nas pressões para condenar em praça pública uma alegada vítima de violação, afirmando como certo que DSK é inocente e vítima de uma cabala ou da simples extorsão de uma imigrante gananciosa. Sabe, é que eu discuto mais este assunto com os organizadores da Slutwalk do que com os hammerskins, é muito fácil colocá-lo a si, msp, no pelourinho, como me fez a mim. Eu prefiro é métodos mais construtivos para intervir.

        • De diz:

          Clap,clap,clap

        • miguel serras pereira diz:

          Escolher o caso DSK para ilustrar as distorções de classe da acção da justiça é uma ideia extravagante. Digamos que o modo como o até há pouco delfim de Rocard foi tratado enquanto suspeito terá sido tudo menos de favor.
          Por outro lado, não compreendo onde foi V. buscar a ideia de que eu achava que a violação e o charro eram a mesma coisa – ideia de que o Bruno se apoderou com entusiasmo e difunde ruidosamente.
          O que se passa é que V. – e, pelos vistos, o Bruno, na sua esteira – acham que no combate político vale tudo o que seja contra “eles” (seja lá qual for a definição que dêem ao “eles” do momento). Pelo meu lado, tenho uma concepção mais exigente perante o problema: não, a recusa dos grandes meios (o recurso à força, se necessário), mas, como disse um dia o Zé Neves, a recusa dos métodos que impliquem a suspensão da democracia (e/ou do juízo político democrático).
          Quanto ao resto, se o que V. escreveu e deixou de escrever no seu post e na respectiva caixa de comentários nada tem a ver com a culpa ou não culpa de DSK, então tem a ver com o quê?

          msp

          • Sassmine diz:

            Miguel, se não percebeu com o que tem a ver, releia. Não é assim tão rebuscado.

            Em relação à polícia de costumes, as conclusões que tirei foram das suas próprias palavras. Se não era o que queria dizer, explicou-se muito mal.

            Quanto a escolher o caso DSK, veja lá, extraordinário, eram duas coisas que estavam (estão) a acontecer simultaneamente. Realmente, que ideia peregrina a minha. Incompreensível.

            Por fim, falar em suspensão da democracia quando se utiliza um único post para classificar uma blogger de vómito infecto para baixo, fazer linques a acusar levianamente de antisemitismo e insistir na tese mesmo depois dela estar desmontada, enfim, que mais dizer, Miguel? Aplique os seus princípios à sua própria acção, e depois falamos.

          • De diz:

            “quando se utiliza um único post para classificar uma blogger de vómito infecto para baixo, fazer linques a acusar levianamente de antisemitismo e insistir na tese mesmo depois dela estar desmontada…”

            Isso mesmo
            A incapacidade de olharem para além do umbigo dá nisto Sassmine.

            E depois insistem.O umbigo tem destas coisas.
            (Embora não seja apenas e só o umbigo…)

  18. Mike diz:

    Não sendo anti-semita, sou sem dúvida alguma ANTI-SIONISTA!!!

    Será que acaba agora a discussão?

  19. ezequiel diz:

    Bom dia.

    Mike, por mim a discussão continua.

    Subcarvalho,

    Os Alemães tentaram eliminar todos os judeus, como é sabido. Não conseguiram porque foram derrotados pelos aliados. Israel nunca foi derrotado (invadido, ocupado). Poderia ter usado a sua supremacia militar para implementar uma “limpeza étnica.” Israel teve e tem a capacidade e a possibilidade de implementar uma limpeza étnica. A Alemanha foi impedida de o fazer. Hoje vivem em israel cerca de 2 milhões de israelitas palestinianos/árabes. Poderiam ter sido todos expulsos (não estou a defender tal coisa). Mais uma vez a realidade actual demonstra o absurdo de aplicar o argumento da limpeza étnica a israel.

    Caro Justiniano,

    Lamento, mas não concordo consigo. Existem tensões socio-economicas, culturais e políticas entre sefarditas e ashkanazi, entre judeus russos e judeus nascidos em israel e entre judeus etíopes (falashas) e outros judeus. Sem dúvida que as há. Mas não confunda racismo com conflictos de classe etc. Os ashkenazi não dizem que os sefarditas não são judeus. Nunca li tal coisa. Ehud Barak, sefardita, está num governo dominado por ashkenazis. Peres, sefardita. Peretz, sefardita, esquerdista. As guerras e os muitos inimigos de israel encarregaram-se de reforçar a identidade comum: ser judeu. Além disso, israel concede o direito de aliyah a todos os judeus, sem excepção. Racismo?

    Por favor apresente textos (curiosidade minha) onde ashkenazi ou outros judeus proclamam ideais racistas. Repare: não estou a negar que existem tensões socio-económicas profundas entre comunidades judaicas.
    —-

    Ainda não respondi ao Bruno. Volto daqui a pouco.

    Cumprimentos
    ezequiel

    —-

    • Justiniano diz:

      Ezequiel, francamente!! Podes também referir que não há racismo no Brasil ou nos EUA mas apenas tensões entre pessoas que dizem umas das outras serem Brasileiros e Norte-Americanos (quem diz ali diz no Kazaquistão, na China, na Rússia, na Roménia…)!!! Eu acho que isso é tentar iludir os factos, ou não querer ver o que é evidente!! Há um indisfarçável desconforto em Israel (há abundantes episódeos na imprensa israelita, Ezequiel- até nas forças de defesa de israel) (e sim tens dúvidas entre sefarditas acerca da origem tribal de muitos auto entendidos ashkenazi, para além dos falashas!! Ha ashkenazi que não permitem o relacionamento dos seus sequer com sefarditas. Há sefarditas que de igual modo o não permitem com quem seja dúbia a sua origem judaica) Acho que os factores de identidade religiosos já foram tecido mais resistente em israel!!

    • subcarvalho diz:

      Ezequiel,
      sabe tão bem como eu que o sionismo sempre defendeu o extermínio e/ou expulsão de todos os árabes residentes na Palestina como factor essencial para a manutenção e sobrevivência do estado de Israel.
      Se hoje em dia não vão por aí, certamente que a violência diária exercida sobre os palestinianos, essencialmente de Gaza, são bem o exemplo da acção ignóbil de uma nação fascista.

      • De diz:

        Assino também este post

      • José diz:

        “acção ignóbil de uma nação fascista.”

        Uma frase bem próxima da propaganda nazi sobre os judeus ou da extrema-direita sobre quem não é branco.
        As generalizações têm destas coisas e os sound-bytes, para além de ocos, também.

        • De diz:

          Pois é .Há também destas coisas.
          O exemplo típico de alguém que tenta fazer o choradinho da auto-vitimização, tentando levantar os espantalhos dos anzis e da extrema-direita?
          A tentativa de genocídio de um povo por parte do estado-pária de Israel está cada vez mais bem documentada.
          Como é possível que aqueles que sofreram tanto sob o regime nazi sejam eles o prototipo dos novos verdugos?
          Como é possível que tenham aprendido tanto com os métodos dos nazis?Como é possível que tenham tomado nas mãos o pesado fardo de fazerem aos palestinianos aquilo que lhes fizeram a eles?
          Como é possível que as outrora vítimas sejam hoje os verdugos da actualidade?
          Um caso interessante de estudo se não estivessem em causa tantas vidas humanas …

          Felizmente que nem todos os judeus,que nem todos os israelitas estão na mesma onda dos seus ignóbeis governantes.
          Parece até que marcham por outros objectivos,pondo em questão um país considerado hoje o paradigma da ultra-direita e do fundamentalismo religioso.

          Sabemos que Israel gasta fortunas na sua propaganda ao serviço do seu estado-pária.
          Daí os sound-bytes aqui falados.
          Também aqui se tentam exorcizar os fantasmas?
          Ou são apenas manobras propagandísticas ao serviço de tal estado-(pária)?

          • José diz:

            De, será que ainda não percebeu que, de si, apenas vale a pena apreciar as suas artes humorísticas circenses?
            Não lhe disse já que não desço ao seu nível?
            No resto, desprezo.

          • De diz:

            José, será que ainda não percebeu que, de si, nem vale a pena apreciar as suas artes humorísticas circenses,já que o seu humor deixa um pouco a desejar?
            Não vê que é triste ver um “jurista” enredado desta forma triste em que o que sobressai é alguma “jactância”um pouco ridícula?
            Quanto ao nível,o seu,o meu,o dos outros…José não vê que chegar a este ponto como tema de discussão é sinónimo de infantilização e de tonteria um pouco bacoca?
            No resto…no resto nem vale a pena,pois não José?

  20. ezequiel diz:

    O Bruno ainda não respondeu á minha pergunta:

    Porque é que a esquerda radical não critica os aspectos teocráticos e racistas da ideologia dos seus aliados islâmicos???

    Miguel Serras Pereira, tanto quanto sei, é o único esquerdista radical (na blogosfera) que tem criticado esta cumplicidade embaraçosa.

    • A.Silva diz:

      oh ezequiel, faça o favor de não ofender o msp chamando-lhe “esquerdista radical”, o homem é mesmo de direita, só que como andou a ler umas coisas de esquerda usa uma linguagem pretensamente de esquerda, para expôr pensamentos de direita.

    • miguel serras pereira diz:

      Grande Ezequiel,
      agradeço-te calorosamente – já tinha saudades tuas. Mas os sentimentos pessoais ficam para outra altura e melhor teatro.
      Agora, se me permites, duas coisas:
      1. Não sei se sou um “esquerdista radical”; sei que procuro ser um “democrata consequente” e que penso que isso exige de quem o procura ser modos de acção em conformidade com as propostas que apresenta. A democracia visa a generalização igualitária da participação no poder e na disposição dos meios colectivos da existência numa cidade animada pela ideia instituinte de que é ela própria a criadora e responsável pelas suas instituições – pela ideia instituinte de uma autonomia que é, por outro lado, o princípio segundo o qual forma esses seus elementos de parte inteira, essas suas partes inteiras, que são os indivíduos que a compõem. Pouco ou nada tem a ver com a busca de chefes esclarecidos, como nada tem a ver com a busca de meia-dúzia de “tábuas da lei” defintivas, ou doutrinas portadoras da verdade, definindo superiormente o que é justo ou injusto, verdadeiro ou falso, digno ou indigno – e por aí fora.
      2. Ainda que substituindo a tua fórmula – “esquerdista radical” – pela de “democrata [que se esforça por ser] consequente”, a tua afirmação peca, felizmente, por excesso de generosidade. Há por aí mais alguma gente na mesma situação.

      Abraço grande

      msp

  21. ezequiel diz:

    As semelhanças são decididamente embaraçosas

    “Auschwitz meant that six million Jews were killed, and thrown on the waste-heap of Europe, for what they were considered: money-Jews. Finance capital and the banks, the hard core of the system of imperialism and capitalism, had turned the hatred of men against money and exploitation, and against the Jews. . . . Antisemitism is really a hatred of capitalism.”

    Ulrike Meinhof, left-wing German terrorist of the 1970’s

  22. ezequiel diz:

    O MSP pode corrigir o meu erro, se for caso disso.
    Pedirei desculpa se ele considerar aquilo que eu escrevi ofensivo.

  23. ezequiel diz:

    Caro Bruno,

    ou o comentário do terrorista meinhof foi parar ao bin ou perdeu-se na net:

    “Auschwitz meant that six million Jews were killed, and thrown on the waste-heap of Europe, for what they were considered: money-Jews. Finance capital and the banks, the hard core of the system of imperialism and capitalism, had turned the hatred of men against money and exploitation, and against the Jews. . . . Antisemitism is really a hatred of capitalism.
    —Ulrike Meinhof, left-wing German terrorist of the 1970’s (1)

    (1) 1. Paul Lawrence Rose, Revolutionary Antisemitism in Germany: From Kant to Wagner (Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1990), p. 304.

    Espero que não penses que eu pretendo acusar toda a esquerda radical de anti-semitismo.

  24. ezequiel diz:

    Um grande abraço para si também, Miguel. 🙂
    Apercebi-me agora que estou a comentar em demasia. Sorry. Eu estou a trabalhar. Venho aqui, comento, depois lembro-me de x e y e regresso para comentar outra vez. Algo caótico. É assunto que sempre me interessou, como todos sabem por estas bandas . Hoje à noite vou ler a imprescindível Judy (Butler) lol, ler os sites recomendados pelo Bruno (NÃO me esqueci de ti, Bruno, mas mereces uma resposta devidamente ponderada) e depois tentarei explicar a tese de Taguieff (via crítica detalhada do paper da Judy)

    Abraços e bjs
    zeke

  25. ezequiel diz:

    Subcarvalho,

    Não, não sei tão bem como o Sr. Herzl nunca defendeu a expulsão ou o extermínio de palestinianos. NUNCA. Ele sempre defendeu que as terras poderiam ser compradas. E foi isto que aconteceu inicialmente. TODOS os historiadores respeitáveis (Brits, Frogs, Alemães, Israelitas e até alguns Árabes) reconhecem este facto elementar.

    Talvez não saiba mas o Sionismo foi, em grande parte, inspirado por ideais (comunitários) esquerdistas. Tony Judt, o célebre historiador, foi um Sionista Esquerdista (radical) na sua juventude. Mais tarde desencantou-se profundamente com o rumo das políticas Israelitas.

    Não se precipite. Leia e diga-me onde encontra o racismo, a ideia de extermínio ou expulsão:

    http://www.gutenberg.org/files/25282/25282-h/25282-h.htm

    • subcarvalho diz:

      Na prática quotidiana da ocupção israelita dos territórios palestinianos. Interessa-me muito pouco a teoria e muito a prática concreta das acções humanas.
      O ezequiel sabe que em Jerusalém, em determinados bairros, nunca uma família palestiniana deixa, nem por pequenos momentos, as suas casas sem ninguém?…se o fizerem, arriscam-se a chegar lá e ela estar ocupada por uma qualquer família judia. Fazem-no, içam a bandeira de Israel na varanda, e nunca mais a anterior família, árabe, a poderá reaver.
      Tem acompanhado a construção do muro de separação e seu traçado?
      Conhece o quotidiano dos trabalhadores palestinianos que têm o seu posto de trabalho em Israel?
      Tem ideia do que é viver na Faixa de Gaza?
      E já agora, porquê a não concretização do regresso dos palestinianos expulsos da sua terra há já mais de 60 anos?
      Tente conhecer, e depois venha-me dizer que não há intenções nenhumas de expulsar e exterminar toda uma população.

  26. ezequiel diz:

    Bruno,

    Uploaded há minutos no indispensável site memri.org

    http://www.memri.org/report/en/print5596.htm

    Cumprimentos
    zeke

  27. Justiniano diz:

    Ezequiel, sempre que o assunto é israel o meu caro perde muita objectividade!! Já por aqui discutimos israel milhentas vezes!!
    Para obedecermos ao princípio da coerencia seria, talvez, conveniente o Ezequiel definir racismo, isto também para evitar uma espécie de – enteder pior para crer melhor!!

  28. ezequiel diz:

    Caro Justiniano,

    N preciso de definir racismo. Os dicionários servem para alguma coisa. Concordo com esta definição, evdt.

    racism

    the belief that all members of each race possess characteristics, abilities, or qualities specific to that race , especially so as to distinguish it as inferior or superior to another race or races:
    theories of racism

    prejudice, discrimination, or antagonism directed against someone of a different race based on the belief that one’s own race is superior:
    a programme to combat racism

    http://oxforddictionaries.com/definition/racism

    objectividade?

    faço-lhe uma pergunta semelhante à que fiz ao Bruno. encontre textos ou artigos em jornais israelitas ou outros onde se abordam as tensões entre ashkenazi e sefarditas etc em em TERMOS RACIAIS.

    relembro-lhe a seguinte distinção: raça (termo hediondo) não é = etnia (características culturais dos habitantes de determinado território)

    ou seja, poderá dizer que há tensões étnicas entre comunidades judaicas. isto n equivale a dizer que = racismo.

    ok? espero que a minha falta de “objectividade” sirva para alguma coisa.

    cumprimentos
    ezequiel

    • Justiniano diz:

      Ezequiel, lá atrás recomendei um texto, quanto a mim, muito interessante da Ella Shohat. Se puderes lê e depois podemos discutir a guerra da argélia, a graça de S. Agostinho e a crítica ao utilitarismo pós Kant!! Não me obrigues é a percorrer notícias de jornais, sentenças de tribunais israelitas, actas do knesset e um sem número de testemunhos avulsos!!
      cordiais cumprimentos, Justiniano

    • Revolucionário diz:

      Bem Ezequiel, se essa é a definição de racismo, então eu sou racista. É que acredito que uma amostra significativa de negros faz melhores tempos nos 100 metros, do que uma amostra significativa de caucasianos.

      Não só acredito como SEI que é verdade.
      E não me parece que seja um fenómeno cultural….

  29. ezequiel diz:

    Eu tenho que corroborar uma tese (a sua) com a qual eu não concordo?

    Noop. That’s your job, my friend. 🙂

    Obrigado pela ref. do texto da Sra. Ella Shohat, Jg. 🙂

    Abraço amigo
    ezequiel

  30. ezequiel diz:

    Revolucionário,

    Segundo a definição, trata-se de um conjunto de atributos e não apenas o da superioridade física. Poderia, como racista, afirmar o seguinte: no que diz respeito ao atributo x, os blacks são superiores. Os Gurkhas são provavelmente melhores do que os blacks a escalar montanhas. Quem seria “superior” em termos físicos?

    Leia com mais atenção: a definição do oxf dic refere características (físicas, geográficas e claro, culturais *) no Plural.

    * Há culturas que fomentam a interpretação crítica. Há outras que promovem a conformidade intelectual. Qual seria a cultura que melhor promoveria a inteligência???
    (n acredito em determinismos culturais…apenas demonstrei que a sua interpretação é redutora e errada)

    Bom fim de semana.
    Bruno, até Segunda.
    Cumps
    ezequiel

  31. miguel serras pereira diz:

    À Joana Manuel só falta agora explicar que escreveu o que escreveu contra o modo como alguns tiraram conclusões apressadas, presumindio e festejando a culpabilidade de DSK, ao mesmo tempo que distorciam o que estava em jogo no caso.

    Mas há um mínimo de boa fé sem a qual a discussão não tem sentido. Por mim, conversa acabada.

    msp

  32. ezequiel diz:

    blacks não é um termo ofensivo para os blacks.
    nigger/negro é que é um termo ofensivo para os blacks.
    pelo menos no mundo anglof.

    os meus judeus? leia M Buber. as pessoas não são coisas que possam ser possuídas.

    • José diz:

      Dificilmente alguém me poderá acusar de não ser um defensor de Israel na questão Israel -Palestina.
      Isso não significa que não tente ter um olhar lúcido sobre a sociedade israelita e todas as suas contradições.
      Israel é uma construção dos judeus ashkenazi, emigrados para o Mandato Britânico antes, durante e após a IIWW. Pela natureza do sionismo e também em consequência do Shoa tão recente, a construção de Israel teve base constitucional o acolhimento de qualquer pessoa que fosse considerada judia.
      Logo nos primeiros anos, as reacções “amigáveis” dos países vizinhos à independência de Israel forçaram à fuga de centenas de milhares de judeus de comunidades que aí se encontravam há centenas de anos. Judeus sefarditas e mizrahi, de fisionomia, cultura e costumes bem mais próximos dos seus vizinhos árabes, berberes ou persas do que dos ashkenazi centro ou norte-europeus.
      Hoje em Israel há comunidades judaicas de diversas cores, proveniências, culturas e costumes, de europeus a africanos, de norte-americanos a indianos, sendo os ashkenazi ainda preponderantes na política e na economia.
      Esse mosaico de “etnias” é um evidente caldo propício a reacções “racistas”, de parte a parte, mas, sobretudo, da “etnia” preponderante, a ashkenazi.
      O Ezequiel não lhe quer chamar racismo? Tudo bem, mas eu não sei o que lhe hei-de chamar, senão isso mesmo.
      Evidentemente que esse racismo é o que se vive agora mesmo em Portugal, diante de tantos emigrantes, sobretudo os de cor mais escura e com habilitações literárias mais básicas.
      É um racismo polido, também com motivações culturais e económicas, dentro de uma sociedade que se encontra em construção, com contradições, vivendo as consequências da experiência única de se encontrar cercada por inimigos. Mas, nem por isso creio que deixe de ser racismo.

  33. ezequiel diz:

    Caro José,

    É muito simples, perdoe-me a petulância: trata-se de racismo quando os termos, conceitos e estratégias discursivas utilizados pelos ditos (ashk, sef, mizr, etc) referem a raça.

    Você parece estar a usar o termo racismo como metáfora para práticas discriminatórias. O racismo é uma forma muito singular de discriminação. Nem todas as formas de discriminação são racistas. Os ashkenazi não discriminam os sefardim porque os consideram membros de outra “raça.”

    Chama-lhe discriminação, conflicto de classes, pluralismo radical etc

    PS:

    Caro Justiniano,

    Li o artigo que mencionou.
    A autora n usou as palavras racismo, raça, uma (1) única vez no paper.
    Está a falar de discriminação.

    Ciao,
    Z

    • Justiniano diz:

      Ezequiel, francamente (entender pior para crer melhor!!!!?????)!!!
      Apenas a título de exemplo (e não é um exemplo qualquer, há ali uma posição institucional insofismável): As palavras de Ben Gurion (pags. 4, 5) (como qualificar!? Que nome dar à descriminação com base na origem étnica!? Que nome atribuir a um tal desmerecimento!?)

    • José diz:

      Caro Ezequiel,

      se lhe quiser chamar discriminação por causa da cor da pele, da cultura étnica diversa, em vez de lhe chamar racismo, por mim tudo bem.
      What’s in a name?

  34. ezequiel diz:

    Valerá a pena responder a quem não nos responde?
    Acho que não.

  35. ezequiel diz:

    Percebo porque é que o Sr considera estas frases racistas. Entendo perfeitamente. Fair point!

    Cumprimentos
    ezequiel

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