Emprego, cargos e ideologia – ou de como a “análise” moral(ista) dos estilos de vida se sobrepõe à (posição) política

nem assim os revolucionários-travestis desarmam: eles vão continuar, depois da hora de expediente, a estar atentos aos nossos pecados. Percebemos agora porque gostam tanto de gente que tapa a cara quando atira a primeira pedra. (sublinhados meus)

Então Daniel o que é esse “nós”? Curioso lapso de quem se coloca do outro lado da barricada.

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Marx casou-se com uma filha de um barão. Era filho de um rico advogado de Trier. Engels era filho de um grande capitalista alemão e, mais tarde, herdou a unidade fabril da família em Manchester. Sem o seu apoio financeiro, Marx nunca teria escrito a obra que nos explica como o capitalismo funciona, quem beneficia, quem explora, como transfere a o excedente económico produzido por uma classe (maioritária) para as mãos de outra (minoritária). Nenhum lunático se lembraria de negar que ambos não viveram absolutamente comprometidos com uma causa revolucionária e com a luta internacional da classe à qual não pertenciam sociologicamente. A posição política não é a Classificação Nacional de Profissões.

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23 Responses to Emprego, cargos e ideologia – ou de como a “análise” moral(ista) dos estilos de vida se sobrepõe à (posição) política

  1. |Y| diz:

    Muito bem, João.
    Bem dito.

  2. pappy diz:

    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26134

    Em vez de estarem a discutir o daniel oliveira deviam estar a discutir a ,so called,liberdade democrática,de expressão,defesa da vida,estado de direito.

    Até parecem comentadores do expresso…

    • João Valente Aguiar diz:

      Para ver como sou um zeloso comentador do Expresso reproduzo o excerto do importante texto que linkou sobre o que realmente se passa na Líbia, onde o imperialismo made in NATO continua a sua saga de intervenções democráticas:
      “NATO has done all the heavy work. This is a NATO war. They heavily bombed cities west of [Tripoli], they’ve bombed all night, without even 10 seconds of stopping. They have bombed this entire city and NATO landed the insurgents on the coast of Tripoli.”.

    • De diz:

      “O Conselho Nacional de Transição anuncia que qualquer pessoa do círculo de Khadafi que o capturar ou matar terá uma amnistia e perdão por qualquer crime que tenha cometido”

      Imagine-se a histeria que neste momento grassava pelos media se esta medida fosse tomada face a um dos muitos servidores do império em exercício governamental

  3. Ibn Erriq diz:

    A e retórica não explica tudo, aliás, não explica nada!

    É vergonhosa que certas figurinhas deste país mudam de opinião de acordo com os interesses.

    Há coisas que se têm ou não se têm e pelos vistos há por aqui muita gente que não tem, nomeadamente, vergonha!

  4. Dédé diz:

    Sem o apoio financeiro de Engels e sem os artigos que escrevia para a imprensa, obviamente capitalista. Mas que me conste, nesses artigos Marx nunca se pôs ao lado dos capitalistas, ou dos poderes instituídos, contra os trabalhadores.
    Deixe lá o Marx descansado que não tem a ver com estas cenas. O António Figueira está no seu direito de ir trabalhar para o Relvas, não tem que dar explicações a ninguém, e não há que estar com condenações ou desculpabilizações.
    O que temos é que estar contra tudo o que for feito contra os trabalhadores pelo Governo de Passos, Relvas, e restantes comparsas (incluindo o António Figueira).

    BARRADO NO CINCO DIAS (A propósito da nomeação dum autor do Cinco Dias para o Gabinete do ministro Relvas)

    • João Valente Aguiar diz:

      O António Figueira não é o Marx. Nem o exemplo do Marx tem esse propósito mas mostrar que o que conta é a posição (e a acção) política e não se tem um BMW, fuma cigarros caros ou tem um cargo X. E que eu saiba o António Figueira não se pôs do lado dos capitalistas… Trabalha para eles… como a totalidade da classe trabalhadora.

      • Ibn Erriq diz:

        Não, não trabalha para eles, trabalha com eles, isso faz toda a diferença.
        Será que os Relvas está a “comprá-los” para amaciar tempos vindouros?

        Vá, continuem a tapar o sol com a peneira, é que resulta mesmo!

        Será que somos nós que somos parvos, ou será que são aqueles que julgam que nós somos?

      • Dédé diz:

        De acordo, o que “conta é a posição (e a acção) política”, neste caso especialmente a acção. E a acção politica do António Figueira vai ser fazer o spin do ministro Relvas.
        Embora isto não me pareça ter a ver com o caso, quando diz que trabalham todos para os capitalistas, não esquecer de distinguir entre trabalhadores e capatazes, ou não?

  5. António Figueira diz:

    João,
    És o meu cientista social preferido.
    Abraço, AF

    • Ibn Erriq diz:

      So Sgt. Pepper took you by surprise
      You better see right through that mother’s eyes
      Those freaks was right when they said you was dead
      The one mistake you made was in your head

      Ah how do you sleep?
      Ah how do you sleep at night?

      You live with straights who tell you you was king
      Jump when your mamma tell you anything
      The only thing you done was “Yesterday”
      And since you’ve gone it’s just another day

      Ah how do you sleep?
      Ah how do you sleep at night?

      Ah how do you sleep?
      Ah how do you sleep at night?

      A pretty face may last a year or two
      But pretty soon they’ll see what you can do
      The sound you make is muzak to my ears
      You must have learned something all those years

      Ah how do you sleep?
      Ah how do you sleep at night?

      JL

    • João Valente Aguiar diz:

      Abraço António!

  6. De diz:

    pappy:
    A suspeita confirmada do que quem anda a tentar reescrever a história à medida dos seus interesses mais não quer que deixar estes pulhas com as mãos livres.

    “Esta é uma guerra no século 21. É uma guerra que afirma não ser uma guerra.
    Todos os protocolos e convenções relativas à guerra não se aplicam.
    O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) não apareceu. Eles não têm mandato, porque oficialmente esta não é uma guerra.
    Esta é a guerra mais desprezível e imoral na história, na medida em que mesmo os activistas anti-guerra, deixaram os políticos de asa e os chamados progressistas aplaudir. “Kadhafi é o ditador, ele deve ir”.
    A sua Blitzkrieg um com os mais avançados sistemas de armas. 20.000 saídas desde 31 de março, de acordo com a NATO stats, perto de 8.000 surtidas de ataque.
    Cada bombardeamento envolve vários alvos, a maioria dos quais são alvos civis.

    Compare isso com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial ou o Vietnã …”

    A certeza confirmada de que alguns dos ditos “progressistas” mais não fizeram do que legitimar esta nojenta guerra de destruição metódica de um país,de ocupação,de pilhagem, levada a cabo pela NATO e pelos seus peões abastardados.
    Não sei se estarão arrependidos
    Não sei de terão vergonha.
    Não sei que raio de coisas andam a fazer e por que estrelas apodrecidas guiarão os seus princípios e as suas acções.
    Os que reescrevem a história à medida dos seus interesses sabem que podem contar com estes pseudo-moralistas como coro amplificador das suas jogadas planeadas e executadas com a frieza de quem sabe o que quer e por que o quer.
    Os ditos “progressistas” que tentaram legitimar em nome dos “bons princípios” toda esta vergonha, estranhamente remeteram-se ao silêncio nesta fase última desta guerra não declarada, como se tudo isto fosse uma “questão suja” a resolver entre “sujas” personagens.
    Uma posição que “esquece” tudo o que precisamente tais ditos “progressitas” andaram a apregoar e que serviu de auto-justificativo para o sim a esta cobarde intervenção da NATO
    Parece que não aprenderam nada com a história…
    Andam agora a “enrolar” e a olhar para o lado.

    Já vimos isto noutras ocasiões históricas

    (gostei do escrito João Valente Aguiar)

  7. Manuel diz:

    João Valente Aguiar:
    Você já foi contorcionista no circo Chen, não foi?

  8. Observador (des)atento diz:

    A essência da questão é simples. Não vale tapar o sol com a peneira ou vir com tretas de que se “trabalha” para o Governo. Um assessor é um assessor, um assalariado é um assalariado. A qualquer uma cabe o direito de fazer as suas escolhas, a todos os demais o direito de fazer os seus juízos. Os alinhamentos, as simpatias, as cumplicidades resultam disso mesmo. O resto são tretas, como são tretas as profissões de fé que subitamente parecem pueris e deslocadas. Não me comprem por parvo. Só isso.

    • João Valente Aguiar diz:

      Se não quer ser, segundo as suas palavras, “ser comprado por parvo” para quê dar tanta atenção a um assunto de somenos quando comparado com a política neoliberal e de ataque aos trabalhadores que este governo (como o(s) anterior(es)) tem levado a cabo?
      Desatenção certamente.

      • Observador (des)atento diz:

        Talvez porque se (ainda) se atribua valor à coerência e se acredite que afinal há dois lados na barricada. Assim como perceber que alguém, uns quantos, optem pelo “outro” lado, desvalorizando subitamente tudo o que se havia dito e afirmado num momento em que, como o(s) anterior(es)) este governo leva a cabo uma política neoliberal e de ataque aos trabalhadores ? Simples?

        • João Valente Aguiar diz:

          Claro que há dois lados da barricada. Absolutamente de acordo. Não sei onde leu ou passou a ideia que alguém saltou para o outro lado…

          • Sousa Mendes diz:

            Pois não! O tipo que carrega as armas que servem para matar os seus apaniguados, não muda de campo!
            É assim como um traidor disfarçado! Ou como o tipo que fica de guarda enquanto os outros fazem o assalto! Não é nada com ele! O Figueira quando dá munições ao Relvas para este disparar, não é um traidor e um simples assalariado! Digamos que,mais parecido com um mercenário,mas como é seu amigo não faz mal.
            Á gandas comunistas da treta escola Bernardino Soares!

          • De diz:

            Mendes:
            Ao que parece António Figueira não pertence a qualquer partido.
            Afirmado pelo próprio
            Daí que possamos dizer com propriedade:
            Ah ganda aldrabão da treta este Mendes, escola José Sócrates limitada,
            em alternativa:
            Ah ganda aldrabão da treta este Mendes,escola Passos Coelho limitada
            Há mais alternativas
            É só escolher

            Ah e não sou nada a Bernardino Soares

          • João Valente Aguiar diz:

            Sousa Mendes,

            Escola Bernardino Soares? A sério?
            Onde fica? Tem de me dizer…
            Isso era só para quando chegarmos ao socialismo, mas já que as massas proletárias de uma qualquer localidade deste país se adiantaram não tenho nada a obstar a tão sensata escolha.

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