O homem do punho de ferro

O homem do punho de ferro sou eu: o Câmara Corporativa, dirigido pelo blogger mais esfíngico do país – o busybody Miguel Abrantes, desempregado mas sempre activo – acusa-me de, em simultâneo “dirigir com mão de ferro o radical 5dias” e ter-me tornado um boy do PSD. A poucas semanas de cumprir 50 Primaveras, acho a coisa simpática, mas temo que não seja muito rigorosa: trabalho em comunicação institucional há mais de 25 anos, no público e no privado, em Portugal e no estrangeiro, entre muitas outras coisas já fui assessor de imprensa de um membro do governo PS, agora convidaram-me para trabalhar no gabinete de um membro do governo que é do PSD e eu aceitei: ninguém me exigiu que eu me filiasse em partido nenhum, eu também não prometi nada que não fosse profissionalismo. Ah, e pagam-me por trabalhar, é um facto, mas espero que o Abrantes não se zangue por eu não trabalhar à borla.

PS: À Nandita: o Tó pede-me para te dizer que há um estilo xunga da blogosfera (e não só) a que ele faz questão de não descer. So sorry.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

8 respostas a O homem do punho de ferro

  1. Daniel Ferreira diz:

    O profissionalismo, de facto, é muito bonito.

    • António Figueira diz:

      Não é nada, Daniel, tu estás enganado – bonito mesmo é o critério do cartão do partido para trabalhar na função pública.

  2. José diz:

    Bom, não duvido do profissionalismo – e, em última instância, é o que verdadeiramente interessa – mas, tendo-te conhecido na FDL, confesso-me surpreendido por te encontrares a dar apoio a um membro deste governo.
    Seja como for, que te corra bem.

    • António Figueira diz:

      Obrigado – não consigo ligar o nome à cara, sinceramente, mas um ex-colega é um ex-colega! 🙂
      Permito-me, a propósito de concursos e motivações, remeter para a resposta ao comentário do Pedro a seguir.
      E por aqui me fico, pela minha parte é o fim da discussão. Abraço, AF

  3. Pedro diz:

    António Figueira, todos os cargos de livre nomeação são cargos políticos, isto é, de confiança politica. A questão do cartão é irrelevante. Não tem que se justificar, porque é esse o sistema consagrado e é assim que as coisas funcionam, e como homem livre pode também filiar-se no partido que bem entender. Se tem um bom curriculum é certamente bom profissional e fará um bom trabalho. Mas normalmente o melhor método para se aferir do profissionalismo é o concurso público, como toda a gente sabe. Conclusão: grave, grave mesmo, é entrar na função pública através de “concurso público” com o cartão.

    • António Figueira diz:

      Pedro,
      o meu percurso profissional foi feito por concurso: para os serviços de imprensa da Comissão Europeia, onde trabalhei dez anos, em 1986, e para a carreira diplomática, onde estive sete anos, em 1998. Pelo meio fiz uma pós-graduação, um mestrado e um doutoramento; estudei, ensinei e publiquei. Estive no privado entretanto e fui convidado agora para um lugar que se preenche por convite e não por concurso, com base na apreciação do meu currículo e não por favor político, que não possuo; vou servir a função pública e perco dinheiro em relação ao meu emprego anterior; deveria recusar em nome de quê?

  4. a anarca diz:

    ah ah ah !
    Ob-la-di Ob-la-da
    Fortnum & Relvas !

  5. Renato Teixeira diz:

    Até os gabinetes dos ministros vão estar sujeitos à precariedade, prepara-te. A coisa vai ser mais penosa do que o Sporting e não haverá nada a durar mais que seis meses. O natal, este ano, vai ser duplamente dramático.

Os comentários estão fechados.