A Scotland Yard não será capaz de impor a ordem a cavalo, como Mubarak não foi capaz de recuperar o trono a camelo. A mubarakização de Cameron só se trava com a tahrirização da resistência.

Há imprensa que tem estado melhor do que a generalidade da blogosfera a compreender o que se passa em Inglaterra. Não no que opinam, eles mesmo, sobre o assunto (que salvo raras excepções têm sido os grandes responsáveis pelo tambor da propaganda), mas nas entrevistas publicadas. O vídeo acima, na televisão brasileira, ou esta entrevista a Suzella Palmer, são exemplos preciosos disso.

O governo inglês pondera chamar o exército, talvez esquecido dos resultados desse mesmo exército em latitudes e tempos tão distantes como o Afeganistão ou o Iraque, a Irlanda ou a Índia. Se a par disso generalizar a prisão por furto de água e a suspensão generalizada dos poucos direitos que sobram à maioria da população, como sejam a dignidade da habitação, o trabalho, a assistência social, a saúde e a escola, de pouco valerá a Cameron dar uma de Mubarak que mesmo off-line não haverá suficientes câmaras de vigilância, balas ou prisões marciais, capazes de calar o pouco crime e a muita revolta que tomou conta das ruas. É que quem lá anda está longe de ser só quem tem aparecido no cartão postal.

Mais do que apontar o dedo, a esquerda devia perguntar-se sobre as razões pelas quais, neste contexto, insiste em esperar que um qualquer Lenine abençoe a revolta e que o povo saiba tomar nas mãos o seu destino sem perder as boas maneiras. Queriam revoluções em Si Bemol mas não foram capazes de ensinar a escala, queriam paradas ao som da orquestra mas vão ter que aprender lidar com o Sustenido.

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23 respostas a A Scotland Yard não será capaz de impor a ordem a cavalo, como Mubarak não foi capaz de recuperar o trono a camelo. A mubarakização de Cameron só se trava com a tahrirização da resistência.

  1. Abilio Rosa diz:

    Sr. Renato:

    Se quiser fazer o obséquio gostaria de saber qual é a sua ideologia política ou qual o seu partido referência em Portugal, se é que ele existe aqui?

    Antecipadamente grato pela sua compreensão e cooperação,
    Com os melhores cumprimentos e saudações comunistas,

    Abílio Rosa*
    (Um comunista do ancien régime, demodé, conservador, trabalhador, militar, e que acha que a Revolução não se faz com essas merdas das redes sociais nem com garrafas de alcóol nas mãos e muito menos com sapatilhas Nike ou Rebooknuma .
    Numa palhavra: um orgulhoso Social-Fascista (só para chatear os gabirús da extrema-esquerda que escangalham esta merda toda!).

    Adenda: Também sou um admirador incondicional do camarada Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa, um camarada que certamente não vai nessas «modernices» e nessa cadonga pseu-revolucionária.

    • Renato Teixeira diz:

      Se fosse pelo Abílio, estou certo, não teria ficado convencido a votar útil. Quanto à ideologia deixe-se de merdas. O Abílio já tem anos que cheguem disto para me detectar a malha ao fim das primeiras três palavras.

      • Abilio Rosa diz:

        Concerteza.

        Quando a Lili Caneças se afirma trotsquista e que teve muitos amigos maoistas, já nada me admira….

        Longa vida ao Camarada Renato e muitas felicidades para a sua «revolução»* na terras dos bifes, na terra da velha, pérfida, depravada, porca e nojenta Albion!

        * Se eu fosse CEO da «Blackberry» criava um nomo modelo: o Redberry…

        • Renato Teixeira diz:

          E criava muito bem. Modelo compacto, e já agora com uma aplicação para localizar trotsquistas. A revolução permanente agradece que continue pouco preocupado com o que se passa no centro do império.

          • Abilio Rosa diz:

            Revolucionário seria cercar os centros nevrálgicos do poder, da corrupção e da criminalidade organizada na Grã-Bretanha: a City, o Westminster, o Palácio de Buckigam, o Lloyds, o Barclays, o HSBC e todos os símbolos do capitalismo selvagem.

            Assaltar crianças indefesas e pilhar estabelecimentos de gente pobre, chamam a isso revolução?

            Estais a gozar com o camarada Abílio ou isso é uma nova tara da pequeno-burguesia?

          • Renato Teixeira diz:

            E muitos dos sítios que fala foram alvo de ataque. Quanto aos devaneios, aos crimes dos oportunistas, eles são mais culpa “sua” por falta de comparência do que dos jovens em si mesmo.

            Não obstante, e mesmo com a mais aprumada e assertiva direcção revolucionária, como nos primeiros tempos da Rússia Soviética, não se livrava de um ou outro operário fazerem crimes, alguns deles hediondos, em nome da classe operária inteira. É um preço que não se pode deixar de pagar independentemente da intensidade do processo.

  2. Tiago Resende diz:

    Passaste-te de vez … Com que então há pouco crime no meio disto tudo? Só há crime!

  3. Outro diz:

    Gozando com o Abílio, que de camarada só tem a impostura e porque só a gozar merece que lhe diga o que já sabe:

    Tem o Abílio o previlégio de acesso à informação, à História, de reconhecer os avanços (e recuos) das sociedades nos processos de lutas de classe… mas aquela inteligência para reconhecer o facto que nem todos são previligiados nesse acesso, como o Abílio é, nem todos conseguem identificar o inimigo, como o Abílio consegue, essa inteligência o Abílio não quer ter.

    Se ao menos mostrasse humildade pela dificuldade demonstrada em dar a compreender os verdadeiros inimigos destas sociedades àqueles que mais precisam desse esclarecimento.

  4. Abilio Rosa diz:

    Vocês não atacam o mal pela raiz.

    Continuam a ter conta aberta nos bancos. Compram telemóveis, ipods, notebooks, cds’, dvd’s, bugigangas, tabacos,roupas de marca, comem fruta importada e toda uma tralha de produtos superfluos e desnecessários.

    Com isto alimentam os tubarões que vos vão comendo aos poucochinhos.

    Claro, com isto, os tubarões vão incutindo nas vossas cabecinhas de alho pôrro, uma insaciável vontade de consumir.

    É como nas drogas….

    Quando não há novos ipods, cds’s, novos métodos de socialização e coisa e tal, e outras merdas, o pessoal começa a ouriçar-se e a ressacar.

    Foi o que aconteceu na pérfida, capitalista e desumana sociedade britânica.

    Outra maneira de ver o mundo e outro modo de produção e distribuição é o que faz falta.

    Mas, primeiro o pessoal tem que desintoxicar-se da sociedade de consumo, como fez – e muito bem! – o camarada Estaline…

    Tão só…

  5. vanessa diz:

    era pô-los a cavalgar porcos pretos alimentados exclusivamente a bolota.

  6. Rui F diz:

    “…Queriam revoluções em Si Bemol mas não foram capazes de ensinar a escala, queriam paradas ao som da orquestra mas vão ter que aprender lidar com o Sustenido…”

    É um Sol e Dó que só visto.
    Mas eu diria mais, com esquerda actual, é “viró disco e tóco mesmo”

    • De diz:

      Um progresso.Vira-se o disco.
      Com a direita actual só toca o mesmo disco.Com mais roubos.Agora a subida ANTECIPADA do iva para o gás e electricidade-de 6 para 23 %.A ladroagem continua.Os adjectivos gastos pela trupe para qualificar os acontecimentos na Inglaterra são bem mais apropriados para designar estes patifes que nos governam.

  7. Lord Voldemort diz:

    Meu, tu até espumas da boca de excitação com o que se passa na Inglaterra. Os putos (e os crescidos) que por lá andam na bandidagem causam-me preocupação e têm de ser travados. Mas não me revolvem as vísceras como as coisas que tu escreves, um badameco comunista que leu uns livros e vive numa concepção do mundo com cem anos, que mistura Londres com Tahrir ou Madrid, quando o que lá se passa está bem mais próximo de Paris 2007. És um ignorante letrado, e pior, um fanático. O que faz de ti um comunista ou um extremista de esquerda é só o contexto em que viveste. Se estivesses no Islão eras um talibã de metralhadora em punho a matar contra as liberdades que tanto achas que defendes.
    E quem és tu para botar sentença sobre as coisas más ou boas que achas que lês na blogosfera e na imprensa?

    • Renato Teixeira diz:

      Desengane-se. Não é preciso ir para o Afeganistão.

    • a anarca diz:

      Assusta e causa preocupação, sim é verdade .
      Se existe vandalismo alguma causa terá, o Baudrillard previa este tipo de revolução há 30 ou 40 anos …

      O Abilio tem razão o consumo desenfreado é uma alienação 🙂

  8. De diz:

    Mas quem é este pedante saído de uma aventura num cinema ao pé de si para vir para aqui insultar uns quantos?Um “meu” que espuma de raiva,um badameco,um ignorante iletrado,um extremista de direita,fanático,que se acha no direito de botar sentença por onde lhe apetecer?
    Esta coisa que ainda por cima tem pretensões a um título de lord,qual cabecinha tonta e tola a sonhar com nobrezas passadiças e a cheirar a sovaco?
    Adivinha-se de metralhadora em punho a repetir o gesto do terrorista norueguês?

  9. Jacquerie diz:

    “em vez da pilhagem da volúpia, a volúpia da pilhagem”.

  10. George Kaplan diz:

    Este De ou lá como se chama não diz nada de jeito… os mesmos lugares comuns da extrema-esquerda que nos anos setenta ansiava por mais um atentado infame das Brigate Rosse ou das RAF. Sempre intolerante com as vozes discordantes, colérico, sentencioso e malcriado no seu português deficiente e macarrónico.
    Tanta raiva contida mete dó.

    • De diz:

      Kaplan não deve saber ler ou tem algum problema com a interpretação do conteúdo.
      Ora o Kaplan que veja que as qualificações que atribuo na minha escrita são as mesmas que foram utilizadas de uma forma primária e boçal pelo Voldemort.Faz favor de verificar.
      A minha tese está ganha.Depende de quem escreve e de quem é o alvo as dores que se tomam e as raivas que crescem
      Por muito que desagrade a Kaplan,o que escreve dirige-se directamente ao Voldemort.
      Tanta raiva contida mete dó.Não só mas também.É que à raiva deve-se adicionar mais outra coisa.Uma boa dose de “papagaio desprevenido”

      • George Kaplan diz:

        O meu comentário era mais abrangente, era sobre quase tudo o que o De escreve nestas caixas, será minha a tresleitura?!
        Se me quisesse referir directamente ao comentário do Voldemort tê-lo-ia feito no “responder” imediatamente abaixo do comentário, como de resto estou agora a fazer com o De.
        “papagaio desprevenido”? Explique lá isso…

        • De diz:

          Pena que tenha logo escolhido uma ocasião para me “acusar”em que eu aproveitava a “linguagem” de Voldemort para demonstrar por absurdo o fanatismo extremista (claramente de direita)e o conteúdo desbragado e inaceitável de uns tantos.
          E é evidente que não se queria referir ao comentário do Voldemort.Tinha-lhe passado, claro.
          Tem graça já me ter apanhado o quase tudo o que escrevo nestas caixas…
          Quanto ao papagaio desprevenido…o meu português “macarrónico e deficiente” não dá para mais.Tente interpretar por favor

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