Sérgio Lavos 3.G – Com aplicações

“Qualquer explicação sociológica (que se deve, é claro, procurar) se torna menos importante do que denunciar a verdadeira natureza da violência: o vazio ideológico total, criminalidade pura e dura.” Sérgio Lavos, do Arrastão.

Começou por questionar se “os criminosos que destroem património público e privado” são mais responsáveis pelo “acto policial que espoletou a revolta” ou se seria “o Governo central que descurou na atenção dada a quem está à margem”. De seguida, irado, ataca quem entenda mais ou menos o que ele disse antes, para afirmar, com toda a certeza, que “os motins em Inglaterra deixaram de ter alguma coisa a ver com contestação social” e que quem diga algo parecido com o que ele havia afirmado na primeira ocasião, é um bando de “burgueses revolucionários” aos quais devem ser imputados todos os excessos. Agora, em síntese, deixa clara a sua grelha de análise. Para lá do que explica Darcus Howe (é carregar no play, Sérgio, no VHS acima e os links basta clicar com o rato mesmo em cima deles), podemos perceber como a pressão da propaganda transforma um social-democrata num Francisco Mendes da Silva, para pouco depois fazer sair dali um verdadeiro Rui Rocha, um Meireles Graça ou um Azevedo Alves, que exigem ordem de prisão para quem não grite CRIME! a cada vírgula sobre o assunto, sumaríssimo a quem entenda haver outras razões a questionar do que a mera palavra de ordem da repressão, qual reza templária, que há-de colocar tudo de novo na ordem “natural” das coisas. Perceber que a concretização da revolta em actos, violência, injustiça, saque, roubo, etc, parece ser o único trigo semeado no peito de um exército de gente, está visto que não é com eles.

Ao contrário dessa fé imensa, o que se passa, está visto, é primeiro culpa de quem criou condições e abusou da renda do trabalho do alheio, para logo depois ser dos que não foram capazes de oferecer melhor alternativa.


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15 respostas a Sérgio Lavos 3.G – Com aplicações

  1. Carlos Vidal diz:

    Este Lavos sempre foi um pobre coitado nas mãos do Arrastado do costume, do chefe, ordeiro e limpo.

  2. Ana Paula Fitas diz:

    … e não ouviram o Martim Cabral na Sic Notícias, presumo… escrevi sobre a boçalidade do comentário agora mesmo… a arrogância com que julgam os factos e a complexidade da realidade é, simplesmente!, assustadora!
    Obrigado por este post.

  3. Outro diz:

    Um insólito:

    “When we saw my boyfriend’s bike being stolen by two hooded monsters, we ran out to get in back. I saw the youth in their faces, and shouted ‘stop I’m a youth worker!’ After some reasoning he gave the bike back. My boyfriend walked back to re-chain to our friend’s bike, but I remained. I couldn’t just let them go without asking why? He told me ‘what man, I gave the bike back?’. I replied, ‘I don’t care about the bike. It’s just a bike. I care about you. What about you? What are you good at?’ He looked at me, his smaller friend silent the whole time. ‘What are you good at!’ I yelled. ‘Nothing’. Tears pricked my eyes. Familiar tears. The ones I leave the classroom sometimes to have in the toilet. ‘Don’t say that. Don’t say nothing.’ He had no words for me. ‘You’re better than this. You’re better than being a thief.’ He was silent. What he didn’t do was run away or get angry. He didn’t pull out whatever it was he cut the bike lock with and he didn’t jab it in me. He simply looked at me, without any answers.”
    Sydenham Youth Worker

    Merece alguma reflexão… e não é a “se estiver a ser vítima da pilhagem e disser que sou um trabalhador, será que me devolvem as coisas”.

    • Renato Teixeira diz:

      Bom contributo, apesar da tremideira.

      • Miguel diz:

        nao é a minha posiçao, mas acho que ha alguma tendencia a polirizar demais o debate dos dois lados… da direita era espectavel, mas dentro da esquerda tb temos que ter algum cuidado, pois se é verdade que ha violencia policial, ha exclusão, ha fins de serviços publicos, etc, tb ha no meio destes actos todos, vandalismo e gangs organizados. como activistas e revolucionarios nao podemos desvalorizar o que tb é um ataque a classe operaria, qdo se ataca pequenas lojas locais, habitações etc. Agora tb é a nossa tarefa enquadrar os actos numa estrategia politica mais ampla, onde ha um sistema de desagregaçao, e segregaçao que provoca isto, e que a direita ja esta no terreno para impor mais repressao etc. se puderes tenta ver o briefing de hj do cameron… do mais facho q existe.

        Pena que nao andes por londres, ha uma open meeting mto interessante amanha.
        http://www.coalitionofresistance.org.uk/2011/08/public-meeting-riots-recession-and-resistance-august-11/

        abraços

        • Renato Teixeira diz:

          Tenho pena. Se tenho. Mande novas por uma das minhas caixas de comentários que se tiver relatos que o justifiquem logo os passamos a posta. Abraço

  4. JL diz:

    Renato,
    sabe o q é q safa td isto? é que prá semana começa o campeonato de futebol.
    e aí começam a estalar outro tipo de “revoluções” com bola.
    um abraço

    • Renato Teixeira diz:

      Este ano estou pouco animado nessa luta. A briosa, desta feita, vai ter que fazer antes de convencer. Abraço.

  5. Katulo diz:

    Últimas eleições gerais no Reino Unido em 2010. Votação da extrema-esquerda:

    - Socialist Labour: 7 219
    - Socialist Alternative: 3 298
    - Communist Party: 947
    - Workers Revolutionary: 738

    Com 30 milhões de eleitores a irem às urnas, a votação da extrema-esquerda chega a ser ridícula. Até o POUS em Portugal consegue melhor do que o Communist Party…
    É com uma extrema-esquerda com esta expressão eleitoral que o Renato Teixeira espera grandes transformações? Ou será que ele acalenta esperanças que a revolução se dê nas ruas, levada a cabo por uns adolescentes bandalhos?… É de rir.

    Em contrapartida, vejam a votação da extrema-direita:

    - British National Party: 563 743
    - National Front: 10 784

    Algo me diz que em 2014 estes números vão ser bem superiores. À custa dos bandalhos e dos “Renatos”.

  6. Pingback: Os primeiros detidos julgados são trabalhadores, boa parte está desempregada e muitas das acusações alegam ataques à polícia. Se nada se passou além de vandalismo, o que impedia o crime organizado de tomar as ruas antes do assassinato de Mark Dugga

  7. af diz:

    Não, ainda não é a “Grande Revolução Democrática e Popular”. À primeira vista parecem adeptos da “Grande Sociedade de Consumo”, ansiosos, ávidos, por consumir. É como cá, na estranha aliança entre Belmiro de Azevedo e Jerónimo de Sousa, ambos desejosos de ver os “Operários e Camponeses”, a consumirem, MUITO, nos hipermercados da cadeia Modelo e Continente. A diferença é que em Inglaterra houve quem optasse pelo atalho ao consumo, esgotado o plafond do cartão de crédito, na forma de pilhagem. Eles não querem (é tão difícil assim de entender?) a “Grande Revolução Democrática e Popular”. Querem é consumir, como querem que consumam, mediante um preço justo, os Belmiros do sítio. Querem os plasmas, os smartphones, todos os gizmos da sociedade de consumo. Tenham juízo, e acalmem as hormonas, ou pelo menos esperem um pouco antes de começarem a regozijar-se com isto.

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