the dark side of the moon.

A resistência pacífica é fundamental, cada vez mais. Isto — a violência — é o que os poderes desejam, para poderem à vontade justificar a repressão. Por isso não tenciono perder um segundo a acusar os amotinados quando os nossos dedos devem estar voltados para quem cria as condições para esta realidade. Fizeram-nos e deformaram-nos assim e agora apontam-lhes o dedo? Cameron, que devia estar em tribunal com toda a sua família Murdoch, vem dizer que os vai fazer sentir a força da lei. Cameron, representante dos que, de colarinho branco e sempre com comida na mesa, roubam, expoliam, exploram e enganam como modo de vida, vem dizer que isto é pura e simples criminalidade. Não, pura e simples criminalidade é a de Cameron. É a de Cavaco. Isto não é puro nem simples. The riots are the dark side of the moon, not a different planet.

Há quem tenha direito de os interpelar, sim. Mas não é o Cameron. É, por exemplo, esta mulher.

“If you’re fighting for a cause, then fight for a fucking cause.”

Sobre Sassmine

evil fingering.
Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , , , . Bookmark the permalink.

22 respostas a the dark side of the moon.

  1. |Y| diz:

    Oh dear, oh dear. Sassmine is livid!

  2. Miguel Lopes diz:

    “a violência — é o que os poderes desejam, para poderem à vontade justificar a repressão.”

    Pois é. É melhor não chatear, comer e calar, ser mansinho e submisso, e não dar uma justificação ao rufia para nos bater. Ou seja, abdicar de combater o poder e deixá-lo na ante-câmara da pax romana. Faz lembrar outro arrazoado: “não façam greve neste momento, pelo direito à greve”.
    O flower-power é um cancro..

    • Sassmine diz:

      O Miguel leu o post todo ou só a parte que lhe interessava para fazer a biópsia?

      (a leitura selectiva é pior que o alzheimer…)

  3. Pingback: Sérgio Lavos 3.G | cinco dias

  4. Diogo diz:

    «A resistência pacífica é fundamental, cada vez mais. Isto — a violência — é o que os poderes desejam, para poderem à vontade justificar a repressão. Por isso não tenciono perder um segundo a acusar os amotinados quando os nossos dedos devem estar voltados para quem cria as condições para esta realidade»

    Que absurdo é este? É necessário distinguir a violência contra uma loja e a violência cirurgicamente dirigida contra um político assassino. Estes têm de sofrer as consequências que a “justiça”, a soldo dos mesmos donos, não a justicia!

  5. A.Silva diz:

    “Por isso não tenciono perder um segundo a acusar os amotinados quando os nossos dedos devem estar voltados para quem cria as condições para esta realidade. ”
    Nem mais!

    • Sassmine diz:

      (suspiro) isto parece o anúncio do suchard express. obrigada, A.Silva, por estar no cimo da montanha. afinal o que eu escrevo não é assim tão difícil de perceber.

  6. Bill diz:

    eu sou militante do pcp desde os dezassete anos. defendo as acções e os métodos do IRA, da ETA, do Hezbollah, defendo o método “golpe de estado”, acções militares concertadas com o apoio popular. mas, honestamente, o título de um dos melhores álbuns do séc. XX seguindo de um texto a desculpabilizar o que se tem passado em Londres, entristece-me, principalmente neste excelente blog.
    evidentemente que o problema de raiz são obviamente as condições em que os amotinados cresceram, na sequência do pensamento de Sartre, de que o homem primeiro existe e só depois se define (a existência precede a essência), inspirado no materialismo que advoga que o homem é definido pelas condições materiais e pelo meio envolvente que assiste o seu desenvolvimento. mas quando vejo miúdos de fato de treino, e ténis da multinacional nike, a atacar montras de pequenos negócios, de pequeno comércio, de pessoas empreendedoras e muitas vezes, arrisco dizer, com algum sentido social, com algum sentido de “bairro”, não posso deixar de censurar o que tenho visto e lido. os distúrbios a que se tem assistido não consubstanciam qualquer acção politica ou de protesto, mas sim jovens embebidos numa cultura consumista de bling-bling e MTV absolutamente deliciados por entrar na athlets foot a seu bel prazer. por acaso não os viram a arrastar plasmas? a fugir com consolas? a roubar roupa de marca?. não, não posso concordar com o que escreveram. não vou discutir o sistema legal e a ideia de Direito, porque obviamente está fabricada para beneficiar uma classe dominante, não o ponho em causa. mas dizer que estes actos de vandalismo em Londres não são crimes, mas sim pobreza, é demagógico, superficial e fácil. de certo modo, o vosso texto lembra-me as conversas e os argumentos de Merry Levov, uma personagem central de Roth no “pastoral americana”. tenham calma. por mais que se censure o poder politico e os estados policiais dissimulados, não se pode descurar que os prejuízos para as famílias que vivem das lojas arrasadas, nem os postos de trabalho que, possivelmente, se perderão. e olhem que eu sou bem “radical”. e digo-vos, na minha opinião, o que se passa pelas ilhas, nada tem que se compare com o que se passou nos arredores de Paris há meia dúzia de anos, nem com o que se passa na Grécia hoje.
    querem desmascarar e combater a ditadura do capital?, comecem pelas cadeias de fast food, por exemplo.

    • JDC diz:

      Você não percebe que, se as ditas acções tiverem o apoio popular (e com apoio popular compreendo o proletariado que corresponde à maior fatia da população), então não é preciso golpe de Estado, nem bombas, nem acções militares nenhumas? Basta irem todos votar no PCP?

      • Bill diz:

        não, não basta votar em quem quer que seja. basta apenas que as insurrectos nas acções imprimam um sentido politico, uma causa, uma ideia de poder e de correlação de forças, o que não se passa de todo em Inglaterra.

  7. Luis diz:

    Luís,
    Qual foi a parte do comentário do Diogo que não percebeste?

  8. Luis diz:

    Correcção: queria-me dirigir a Sassmine e não a mim mesmo.

  9. Luis diz:

    Bill,
    Quem disse que tais actos eram de p0breza?

    • Bill diz:

      “os nossos dedos devem estar voltados para quem cria as condições para esta realidade.”
      é a desculpabilização dos insubordinados pelas condições em que vivem, e somente por isso. condições essas, social e economicamente frágeis, de pobreza, num sentido amplo.

  10. xana diz:

    não é?

Os comentários estão fechados.