A Noruega não é um exemplo de tolerância, de democracia e de respeito pelos direitos humanos

«Os noruegueses étnicos em breve serão a minoria» - capa do jornal Finans

Anda tudo muito espantado pelo facto de o brutal acto de Anders Breivik ter acontecido na Noruega, um país tão tolerante e onde a democracia funciona de forma tão exemplar.
Não é verdade que a Noruega seja esse exemplo de tolerância e de respeito pelos direitos humanos. Aliás, o regime político norueguês está muito longe da perfeição e, tal como acontece em todos os países onde o capitalismo selvagem assentou arraiais, soçobrou de forma clara face ao poder do dinheiro e dos interesses dos grandes grupos económicos. Já abordei, em tempos, o caso Jan Fredrik Wiborg, um engenheiro civil assassinado, presumivelmente pelo Estado norueguês, em 1994. Na altura da morte, num hotel de Copenhaga onde a queda acidental de uma janela era impossível, Wiborg transportava uma pasta de documentos comprometedores para o Governo norueguês, documentos esses que provavam a falsificação de informações na escolha da localização do novo Aeroporto de Oslo. Uma longa reportagem da imprensa da época demonstra que Wiborg morreu a lutar contra os Ministérios, as Agências Estatais e o Parlamento norueguês.
Nesse mesmo post, dava conta de que o Wikileaks revelou, em 2010, o nebuloso negócio da compra de 48 aviões F-35, em 2008, pelo Estado norueguês a uma empresa americana, em detrimento de um concorrente sueco e de um consórcio europeu. A troca de mensagens diplomáticas é reveladora da teia de interesses que então se formou para condicionar a decisão política que foi tomada. Em ambos os casos, o Partido Trabalhista, social-democrata, estava no Governo. Em 1994, a primeira-ministra era Gro Harlem Brundtland, em 2008 era Jens Soltemberg, o actual primeiro-ministro.
No que diz respeito ao sistema político do país, a actual composição do Parlamento é a melhor prova da falta de tolerância de parte significativa do povo norueguês. O segundo Partido mais votado nas últimas Legislativas, em 2009 (como já o fora em 2005), foi o Partido do Progresso – o FrP – com mais de 600 mil votos, correspondentes a mais de 24%. Elegeu 41 deputados.
Ora, o FrP é um Partido de Extrema-Direita, que contesta a entrada de imigrantes no país e que rejeita em absoluto o auxílio social para refugiados e trabalhadores que chegam de forma ilegal à Noruega. Tem uma posição claramente pró-Israel e pretende um maior controle da ajuda governamental aos países em desenvolvimento. Aliás, é o Partido onde militou durante 7 anos Anders Breivik, que ali ocupou vários cargos de confiança. À beira do FrP, até o CDS parece eivado de valores altamente democráticos.
Quando 25% da população de um país vota neste tipo de ideias racistas e xenófobas, dificilmente poderemos estar a falar de uma sociedade tolerante e atenta aos direitos humanos.
Não é só nas eleições, infelizmente, que a sociedade norueguesa evidencia o seu carácter racista. Nos últimos anos, os episódios de discriminação e violência contra imigrantes, em especial muçulmanos, têm aumentado de forma preocupante. Através de grupos de extrema-direita e, pior ainda, através do próprio Estado.
Essa discriminação começa, frequentemente, na fronteira. Aí, os funcionários do organismo equivalente ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras utilizam técnicas específicas, baseadas na raça, para revistar membros de minorias étnicas. Não porque haja suspeitas acerca de determinada pessoa, mas apenas porque essa pessoa não é caucasiana.
Quanto aos Centros de Acolhimento de Imigrantes, onde são albergados todos aqueles que esperam por uma autorização de residência (que chega a demorar, quando chega, 18 meses), caracterizam-se, sobretudo na área de Oslo, pelas más condições que apresentam. A revolta dos detidos é frequente e até o Centro Norueguês contra o Racismo foi da opinião de que os incidentes que vão surgindo não são uma surpresa.
Porque uma criança nascida na Noruega não se torna automaticamente norueguesa, havia nos inícios de 2010, segundo o ACNUR, quase 3 mil apátridas no país. Desses, 95% eram palestinianos, os restantes essencialmente bálticos. Muitos deles tiveram de renunciar à sua Nacionalidade para obterem a Nacionalidade norueguesa, mas esta, por algum motivo, foi-lhes retirada, daí serem apátridas, bem como os seus descendentes nascidos em solo norueguês.
Hoje em dia, o aumento de obstáculos à entrada de muçulmanos no país, sobretudo palestinianos (no passado, foram afegãos, somalis, iraquianos, chechenos, sérvios do Kosovo e eritreus) levou mesmo Kari Partapuoli Helene, Presidente do Centro Norueguês contra o Racismo, a dizer que «um dos grupos mais vulneráveis da sociedade mundial está agora a começar a ser um dos grupos mais marginalizados da sociedade norueguesa.»
Ainda no que diz respeito ao racismo latente nos serviços públicos do país, originou uma grande controvérsia a morte de uma imigrante sexagenária, por ataque cardíaco, depois de nove chamadas para o 112 que não obtiveram resposta. Em vez de enviarem uma ambulância, os operadores chamaram primeiro a Polícia. Acabaram absolvidos, apesar de fortemente criticados pelo organismo ministerial respectivo e apesar de terem sido acusados de violar a lei.
Em Maio de 2010, a autorização de funcionamento de uma escola primária muçulmana provocou uma forte revolta na cidade de Oslo, cujas autoridades chegaram a recorrer da decisão. Isto num momento em que já existiam quase cem escolas cristãs no país.
Na sequência do caso Ali Farah (muçulmano deixado ao abandono no centro da cidade pelos serviços de Emergência Médica), a LDO – Equality and Anti-Discrimination Ombud –  fez um levantamento geral do trabalho contra a discriminação no sector governamental. Quase um terço das empresas estatais nem sequer respondeu.
Antes ainda de entrar nos grupos de extrema-direita que espalham o terror e a violência junto das comunidades islâmicas, não faltam os exemplos de discriminação racial na sociedade civil norueguesa. Diversos estudos e estatísticas têm-no comprovado.
Um estudo de 2009 mostrava que os noruegueses têm mais medo dos muçulmanos do que do aquecimento global e da crise financeira mundial. Metade dos entrevistados não-muçulmanos acreditava então que os valores do Islão são incompatíveis com os valores fundamentais da sociedade norueguesa. O que é profundamente errado no caso dos muçulmanos noruegueses, que se preocupam menos com a religião (apenas 18% participam em cerimónias religiosas) do que aquilo que os restantes noruegueses pensavam (o estudo revelou que a maior parte da população acreditava que 62% dos muçulmanos frequentava as mesquitas do país).
Aliás, a maior parte dos inquiridos acredita que apenas 37% dos muçulmanos do país querem uma maior integração na sociedade norueguesa, quando na realidade esse número é de 94%; e pensam que 65% dos muçulmanos noruegueses consideram imoral a sociedade do país, quando afinal só 15% dos muçulmanos têm essa opinião.
A maior parte dos entrevistados acredita que 43% dos muçulmanos querem introduzir a Sharia na Noruega e que 64% querem sanções mais severas para a publicação de desenhos e fotografias ofensivas (contra respectivamente 14% e 42% na realidade).
A conclusão do estudo foi evidente: «O povo em geral é profundamente ignorante sobre as atitudes de seus concidadãos muçulmanos. O facto é que a religiosidade forte e aversão à sociedade norueguesa só será expressa por uma minoria muçulmana.»
O medo de que os imigrantes venham a dominar a Noruega é tanto que o jornal Finans (na imagem) fez as contas e chegou à conclusão de que em 2030 o número de imigrantes em Oslo será superior ao número de nativos. No texto da reportagem, diz-se textualmente: «O problema é que há menos cultura norueguesa. Os políticos não vêem os desafios com os quais nossos filhos serão confrontados». E os desafios dos «nossos filhos», para o jornal, são coisas tão caricatas como as crianças norueguesas não conseguirem fazer amizades na creche e os seus amigos imigrantes não comparecerem, apesar de convidados e apesar de não haver porco na mesa, às suas festas de aniversário.
Os próprios políticos não se têm coibido de discutir abertamente as suas preocupações relativamente à diluição da cultura norueguesa através do aumento da imigração vinda de países com valores e religiões diferentes. A maior parte desses políticos pertencem a Partidos de Direita e muitos deles ao FrP, a que já me referi anteriormente.
No campo do emprego, a discriminação contra os imigrantes é evidente e atinge também os seus descendentes nascidos na Noruega.
Um estudo recente demonstra que os filhos de imigrantes, mesmo os nascidos no país, têm mais dificuldade em encontrar emprego (taxa de desemprego de 7,3 %) do que noruegueses «puros» com as mesmas qualificações (2,2%). Uma outra conclusão desse estudo é paradigmática: os candidatos a emprego com primeiro ou último nome que pareça ser muçulmano continuam a ser muito menos propensos a receber respostas aos seus pedidos de emprego.
Segundo um estudo da Universidade de Oslo, de 2008, um imigrante africano com o mestrado de uma universidade da Noruega e notas tão boas como as de um norueguês tem apenas 30% de hipóteses de conseguir um emprego depois de terminar os estudos. As próprias rendas das casas são mais elevadas em cerca de 10% para os grupos minoritários.
A já referida Kari Partapuoli Helene, presidente do Presidente do Centro Norueguês contra o Racismo, tem dedicado parte do seu tempo a avaliar a discriminação contra os palestinianos a residir na Noruega. São dela as palavras que se seguem: «A sociedade em geral olha para as minorias com desconfiança. Especialmente vulneráveis são os de origem muçulmana. Mas quão perigosa é realmente uma menina muçulmana que estuda medicina? Que ameaça aos valores da Noruega constitui um rapaz muçulmano estudando para ser polícia ou carpinteiro? Que isto seja a mensagem de hoje: Como toda a gente, estes jovens têm um direito absoluto a ser considerado, tratados e respeitados como indivíduos e como os noruegueses.»
Já depois do ataque de Anders Breivik, é um dos jornais noruegueses mais importantes, o Aftenposten, que reconhece o peso do racismo na Noruega de hoje e em tudo o que tem vindo a acontecer: «O medo é aumentado pela mistura potencialmente explosiva de recessão económica, aumento do racismo e um sentimento anti-islâmico ainda mais forte.»
O racismo e a discriminação contra os imigrantes são visíveis, como já disse, nas mais diversas áreas da sociedade norueguesa. Aliás, é usual os noruegueses receberem na sua caixa de correio panfletos anónimos de grupos de extrema-direita.
Apenas alguns exemplos. O Centro Norueguês contra o Racismo fez um teste à noite de Oslo através de uma visita a 5 estabelecimentos de diversão. E chegou à conclusão de que, em 3 desses estabelecimentos, grupos de jovens que não pareciam ser de origem norueguesa foram rejeitados, enquanto que os grupos étnicos de jovens noruegueses nos mesmos locais foram imediatamente admitidos. Alguns dos jovens envolvidos começaram por sua própria iniciativa a recolher uma amostra maior. O ministro da Inclusão e Igualdade condenou publicamente o racismo em casas nocturnas e a LDO abriu um inquérito. Em Outubro, a LDO concluiu a sua investigação, que culminou com a conclusão de que 6 bares e discotecas discriminavam os clientes em função da raça. Apesar de recomendarem que fosse retirada a esses estabelecimentos a licença da venda de álcool, como prevê a Lei, a verdade é que não houve relatos de licenças retiradas durante o ano.
No futebol, tornaram-se alvo de grande polémica os actos de racismo contra um jogador norte-americano, o defesa-central Robbie Russel, a jogar no Sogndal. Num jogo contra o Brann, os adeptos desta equipa cuspiram e insultaram-no ao longo de todo o jogo, tendo chegado mesmo a agarrá-lo pela camisola quando ele se aproximou da linha lateral. Todas estas acções foram acompanhadas ao longo do jogo por hinos racistas.
Em Maio de 2010, chegou ao Tribunal para a Igualdade o caso de uma mulher que se recusava a trabalhar com uma agente imobiliária muçulmana e que exigia uma agente cristã ou não-muçulmana para avaliar a sua casa. O Tribunal determinou que foi um acto discriminatório perante a lei.
Alex Falcão, um brasileiro imigrado na Noruega, publicou em 3 de Janeiro de 2011 um texto de opinião no Aftenposte que começa com a frase «Imigrantes ou Seres Humanos». Depois de relatar o preconceito que sente diariamente, apesar de todos os esforços de integração, acusa os noruegueses de dividirem a sociedade entre «eles» e «os outros», ou seja, os noruegueses e os imigrantes. Conta até que uma vez foi intimidado por um grupo de jovens em Oslo que gritavam «morte aos imigrantes».
No que toca ao sistema de ensino, Alex Falcão refere que os livros escolares em que se aprende o norueguês são praticamente uma lavagem cerebral e são concebidos de forma a abafar outras culturas. Conta mesmo o caso de uma aluna norueguesa que se recusou a fazer dupla com uma colega num exame de primeiros socorros só porque ela era estrangeira.
Com este tipo de mentalidade, que se vai generalizando, não admira que a violência contra os imigrantes não tenha parado de aumentar nos últimos anos. E se no caso de Anders Breivik ainda não se esclareceu cabalmente se foi um acto isolado ou de um grupo organizado, a verdade é que na Noruega não faltam exemplos dos dois géneros. Desde as agressões a imigrantes, praticadas por indivíduos racistas, até a um sem-número de assassinatos, perpetrados por organizações de extrema-direita, as ocorrências são quase diárias.
Os Centros de Acolhimento, pela sua natureza, costumam ser alvos preferenciais de indivíduos isolados ou de grupos organizados. Um dos casos mais conhecidos ocorreu em Outubro de 2009, quando alguns jovens atiraram pedras através duma janela num centro em Fossanaasen. Um bilhete com símbolos nazis foi anexado às pedras com a mensagem: «Vão para casa, para o vosso país.» No mês anterior, o Centro de Namsos fora atacado três vezes. Símbolos nazis foram atirados para o interior, notas com mensagens racistas foram deixadas na porta de entrada do centro e três janelas foram partidas. Na mesma altura, um centro de refugiados em Sjoholt foi atacado com armas de fogo. Ninguém ficou ferido, mas as balas entraram pelas janelas.
O caso Ali Farah foi um dos que deu brado na Noruega. Somali de nascença, mas com Nacionalidade norueguesa, estava com a família num piquenique quando foi agredido na cabeça por um homem a quem se dirigiu com o objectivo de solicitar que parasse com o comportamento desordeiro. Sangrava abundantemente quando chegou a Ambulância. Ao ser levantado do chão, urinou involuntariamente, o que fez com que o paramédico lhe chamasse porco e se recusasse a transportá-lo, preferindo chamar a Polícia antes de ir embora. A polémica na imprensa foi enorme e vários políticos verberaram o comportamento racista dos paramédicos. Estes foram suspensos e multados, mas ilibados na Justiça.
Nos últimos anos, vários foram os assassinatos por motivos raciais ou religiosos. Por ordem cronológica, temos em primeiro lugar Arve Beheim Karlsen, morto em 23 de Abril de 1999. Nascido na Noruega, mas de origens índias, afogou-se no rio Songdal ao fugir de dois jovens que corriam atrás dele com ameaças de morte e insultos racistas, entre os quais a frase «vamos matar o nigger». O Tribunal reconheceu as motivações racistas mas recusou-se a relacionar essas motivações com a morte de Arve Karlsen e condenou os dois jovens a 1 e 3 anos de prisão.
Benjamim Hermansen foi morto em 26 de Janeiro de 2001 e foi provavelmente o homicídio que mais agitou a sociedade norueguesa. Filho de pai ganês e mãe norueguesa, mestiço, tinha apenas 15 anos. Foi esfaqueado até à morte, em Oslo, por dois indivíduos do grupo neo-nazi BootBoys, que foram condenados a 17 e 18 anos de prisão. Ficou provado que os assassinos tinham saído de casa com o objectivo de encontrar um estrangeiro e encontraram-no junto a um parque de estacionamento.
Foram organizadas várias marchas de homenagem ao jovem. A 27 de Janeiro de cada ano, é entregue o Prémio Benjamim Hermansen. O álbum «Invicible», de Michael Jackson, foi-lhe especialmente dedicado. Ao invés, Clara Dorothea Weltzin, uma mulher de Oslo de extrema-direita, deixou em testamento 250 000 coroas norueguesas a um dos assassinos.
Mahmed Jamal Shirwac foi morto em 23 de Agosto de 2008. Taxista somali, pai de 6 filhos, foi morto em Trondheim com 13 tiros. O autor do crime, membro de um grupo neo-nazi, espalhava pela internet o seu ódio racial e assumia que iria matar muçulmanos se alguma ocasião se proporcionasse.
«Ambos morreram como vítimas de ódio contra a pele, e contra a religião. Benjamin e as outras vítimas merecem mais de nós do que tochas. A sua memória merece a nossa fidelidade, a sua morte, os nossos esforços incansáveis para proteger o direito de todos a uma vida de paz e segurança em um país que pertence a todos nós», referiu a propósito destes assassinatos a já referida Presidente do Centro Norueguês Anti-Racismo.
No meio disto tudo, a Polícia norueguesa conseguiu notar nos últimos anos apenas um ligeiro aumento da actividade de grupos extremistas de direita e chegou a sugerir que o movimento seria fraco, sem um líder e com pouco potencial de crescimento. Quanto ao líder, parece que já está encontrado.
O mais engraçado de tudo – embora não tenha graça nenhuma – é que a Noruega trata mal os imigrantes, mas não trata melhor determinadas camadas da sua população, como é o caso das mulheres. Um país que se ufana da igualdade concedida às mulheres em todos os sectores da sociedade mas que, na prática, não as protege devidamente.
O crime de violação é o melhor exemplo da afirmação anterior. A situação é de tal forma grave que a Amnistia Internacional já teve de repreender por diversas vezes as autoridades do país. Nos últimos anos, a situação tem-se agravado, com um aumento de 30% das violações consumadas. 45% das vítimas têm menos de 20 anos. No entanto, com mais ou menos provas, só 16% dos casos é que chega a Tribunal e só 12% dos violadores são condenados.
Segundo diversos estudos realizados na Noruega, a violação não é uma prioridade para as autoridades de investigação policial. Os suspeitos raramente são interrogados e, quando o são, o interrogatório é pouco exaustivo e mal planeado. A cena do crime é investigada em apenas metade das denúncias. As provas forenses muitas vezes não são usadas.
Como não podia deixar de ser numa sociedade com as características da norueguesa, a percentagem de mulheres violadas pertencentes a grupos minoritários é anormalmente elevado.
Segundo a Amnistia Internacional, os países nórdicos não lutam o suficiente contra a violência sexual, sendo que na Finlândia a situação ainda é mais grave do que na Noruega. Um dos relatórios produzidos pela AI é elucidativo: «Apesar dos progressos realizados para a igualdade entre os homens e as mulheres em numerosos domínios das sociedades nórdicas, quando se trata de violação, as disposições penais não continuam adequadas para proteger. A violação e as outras formas de violência sexual continuam a ser uma realidade alarmante que afecta as existências de milhares de jovens raparigas e mulheres, a cada ano em todos os países nórdicos».
Curiosamente, ainda há bem pouco tempo acabou por ser condenada a pena de prisão uma mulher norueguesa por ter violado um homem, fazendo-lhe sexo oral enquanto ele estava a dormir. Deve ser a tal igualdade entre homens e mulheres de que os noruegueses se ufanam.
Embora muito mais houvesse para dizer, já não fica dito pouco. Ainda assim, fica dito o suficiente, em minha opinião, para se poder chegar à conclusão de que a Noruega é um país muito pouco recomendável no que diz respeito à tolerância, à democracia e aos direitos humanos.
Perguntar-me-ão se um louco como Breivik não poderia aparecer em qualquer país do mundo. Talvez, não sei. Mas o que sei é que as características políticas e sociais da Noruega tornaram-se o viveiro ideal para o desenvolvimento da sua ideologia. E sei também que o acto de Anders Breivik, apesar das proporções, não foi um acto isolado. Definitivamente, ele não está sozinho.

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39 respostas a A Noruega não é um exemplo de tolerância, de democracia e de respeito pelos direitos humanos

  1. Lembro-me desse post. …
    Subscrevo Y acrescento: a tanga da Alta-Civilidade Nórdica foi a mais bem dada ao mundo nas últimas décadas, especialmente as Tugas que se emperiquitam todos para dar o exemplo Nórdico como não sei o que de não sei lá o quanto de muito civilizado. Please STOP. Deixem-se de figuras lastimáveis.

    Estaria aqui a escrever, nesta página infinita, infinitas barbaridades perpetradas por esses Povos Bárbaros. Especialmente o Povo Sueco, o mais detestável Y também o mais parecido connosco ( não queiram é saber em quê ) … 🙂

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      É verdade, minha cara, os países nórdicos têm muito que se lhes diga.

      • Julio Pais diz:

        Queria ver se fosse o teu país a ser invádio por muçulmanos. A realidade é que os muçulmanos na Noruega são responsaveis pelo aumento da criminalidade, querem impor as suas ideologias aos noruegueses. Quem não está no seu país de origem, tem que calar e comer. Os arabes nunca foram e nunca serão um povo tolerante. Não defendam quem não merece ser defendido. Os noruegueses apenas estão a proteger a sua nação. A tolerancia e os direitos humanos são muito bonitos até alguem chegar ao teu país e começar a fazer merda.

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Pois, até foi um muçulmano que matou quase 100 pessoas neste atentado.

        • Pedro Matias diz:

          A verdade é que na Noruega, e também noutros países europeus, existem um choque de culturas enorme quando envolve o povo árabe. Em relação á tolerancia, qualquer árabe anda considerávelmente á vontade numa Noruega por exemplo. Acham que andam á vontade se forem por exemplo, á Arábia Saudita? Eu nem vou falar de como são tratadas as mulheres nestes países. O problema é que os árabes emigrantes, não todos, mas uma relativa percentagem, quer trazer os custumes do seu país de origem, a lei sharia por exemplo.

          Para o Ricardo Santos Pinto, deves saber que o que motivou o Breivik a fazer o que fez foi devido á invasão que a europa está a sofrer, mais de árabes, mas também de outros povos. Quis ser ouvido, que lhe dessem atenção, como um castigo.

  2. Tiago Resende diz:

    Esta posta de pescada só revela a indelével idiotice do ser. Revela um total desconhecimento da cena política norueguesa e, mais grave ainda, de quem e como são os noruegues. Limita-te a postar lixo sobre outras coisas, mas não enxovales a Noruega!

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Está bem, eu não enxovalo. Nem digo que não sabes escrever e muito menos ler.

      • Tiago Resende diz:

        Vai pá puta que te pariu!

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Ó, outro erro ortográfico. Não se escreve pá puta que te pariu, escreve-se para a puta que te pariu. Não me diga que fez os estudos nas Novas Oportunidades.

          • Fábio diz:

            Não é um erro ortográfico, é um uso diferente de algo vivo, que representa, foneticamente, um modo de falar.

            Mas claro que tamanha arrogância só poderia vir de alguém cujo povo sofre um complexo de inferioridade de dimensões colossais.

            Esses lusitanos…

    • Justiniano diz:

      Caro Tiago Resende,
      Verdadeiramente estou-me borrifando para a Noruega e para a sua cena política, e, especialmente, pouco me interessa quem são e como são os Noruegueses!! Concedo que haja sobre isso algum interesse, tanto sobre a Noruega como sobre outras tantas e mais terras. O ponto, contudo, caro Tiago que aqui se propoe é sobre o pecado que também por ali ocorre, isto crendo na leitura e no relato aqui do caro Ricardo!! Questiono-o, caro Tiago! Haverá, porventura, no conhecimento da cena política norueguesa ou na gnose sobre os noruegueses algo que justifique os pecados daqueles indivíduos que os praticaram!? Poderemos ou não admitir a complacencia dos noruegueses perante os seus pecadores!?? E depois dos noruegueses o mesmo sobre os outros de todas as outras terras, diga-se!!

  3. Rui Campos diz:

    Não sabia desta faceta do povo norueguês nem das suas autoridades. Bom texto e muito informativo.

  4. CausasPerdidas diz:

    Muito bem. Se me permites, vou reproduzir isto num outro lado indicando a origem, claro.

  5. thiago diz:

    Em qual país da europa não impera o racísmo e a xenofobia ? Veja Portugal… Existe clima de tolerância e acolhimento ao imigrante na nação lusa ?! Estamos falando de um país com apenas 10 milhões de habitantes e tradição emigrante. Existe político negro em Portugal ?! Existem negros na TV portuguesa ?! Esse país que tem 1 milhão de nativos negros não tem um negro representado pela democracia e acredita-se homogêneo. Aqui mesmo no aventar, tem quem diga que os imigrantes estão infestando Portugal.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Felizmente, há diferenças. Apesar de tudo, Portugal não tem um Partido de extrema-direita que quase chega ao Governo. E basta ver que o CDS, para chegar aos 13%, teve de guardar na gaveta o seu discurso anti-emigração.

    • observator diz:

      Epa tu estas é doido.. esse milhão de pretos que estas a falar faz 90% da merda que é feita em Portugal. quero é que se fodam os falsos santinhos.. eu tou ma cagar sé é preto e é palhaço eu não curto quero é que se foda.. se é preto e é bacano tass bem.

  6. Ricardo Santos Pinto, que dizer! Os mitos e as lendas, coisas diferentes mas que permitem criar uma relação de afetividae com algo que não conhecemos, são SEMPRE fruto de necessidades dos povos. Se para nós os povos nódicos eram ( ainda são) aqueles que disponham de melhores condições de vida, que tinham acesso a serviços e garantias do Estado que nem podíamos imaginar, é porque temos a tendências, nós e os outros, a fazer comparações e nós, e muito bem, comparávamo-nos com os melhores. E isso porquÊ? porque nós eramos? um povo triste, massacrado, inculto, escravisado, atrasado, esfomeado, etc. Quando nos era dado conhecer alguma coisa sobre os povos nórdicos ficávamos a saber coisa que à luz da nossa realidade pareciam impossíveis. Os mitos e as lendas têm um fim, simplesmente a lenda tem a particularidade de se alimentar dela mesma. Todavia, com é costume em nós, poryugueses, nunca nos demos muito ao trabalho de tentar perceber a razão pela qual a realidade que parecemos ver e a realidade que se esconde por trás das aparencias são quase sempre tão distintas, e têm causas que desconhecemos. Os nórdicos, como todos os povos, têm coisa boas e coisa menos boas, têm gente do melhor e gente do pior quilate, mas os nórdicos têm a moral luterana como princípio base da sua postura cultural e identitária. Não, não é coisa de somenos, pois se daí lhes vem a força necessária para trilhar caminhos e escolhas complicadas, como no caso da Filandia que passou ude um país onde se produzia papel e se destruiu largos espaços de floresta e que importava quase toda a tecnologia industrial para o efeito, em poucos anos passou a ser o pais que domina a produção no exterior e quase toda a tecnoligia de ponta dessa industria. E há outros exemplos. Ms também são povos que tendo obtido, por questões de sorte, Noruega, mas também de muita organização e disciplina perante o trabalho, grandes ganhos económicos, atingiram um nível de vida que a mesma moral em que se sustentam para encarar o trabalho e o esforço como virtudes, os coloca na posição de altamente individualistas e muito senhores dos seus privilégios, que foram fundamentalemnte obra deles mesmos. É por isso que hoje predomina uma visão de seita à parte por muitos, seria muito injusto generalizar, nórdicos, que temem que a chegada de emigrantes com credos e morais diferentes( uma crença é uma moral) lhes vá roubar a unidade moral em que se estribam. Para mim, pior do que o caso deste louco, claro que muito grave, mesmo assim uma raiva solta contra os seus, não contra imigrantes, o que é de todo importante verificar, foi o caso do assassinio do primeiro ministro Sueco, Olof Palme, cujo esclarecimento ficou pelas bordas por ser certo que foi a própria polícia sueca que primeiro participou e depois escondeu as provas da morte de Palme. Todavia, o que torna claro se um povo é assim ou assado, é a repetição de casos, nunca um caso isolado. A escenção da estrema-direita nos paises do norte da Europa tem mais que ver com a defesa, nem que seja à bala, do nível e estilo de vida desses povos, em face da sua identidade cultural, tradições, etc., do que a presença no seu sangue de algo estranho. De uma classe média acagassada, lá como cá, podem sempre surgir alguém ainda mais acagassado, dependerá sempre da componente estritamente pessoal dos actores. Serenidade, pois não estamos perante um movimento que nos leve a uma próxima invasão barbara. Nós por cá a que não vamos grande coisa! Obrigado. José Luis Moreira dos Santos

  7. Não tens comentários no teu post? … Impressionada …. É assim que a ignorância sobre os povos Nórdicos abre espaço a que se propague a mitologia que são os mais civilizados, quando no fundo não passam de ufanos ostentadores de valores desprezíveis.

  8. Estamos a falar do país onde décadas depois do fim da II Guerra Mundial ainda havia pessoas que não tinham nacionalidade por terem nascido de relações de noruegesas com militares alemães.

  9. Anonimo diz:

    “À beira do FrP, até o CDS parece eivado de valores altamente democráticos. ”

    Esta frase compromete o conteudo… só um anormal poderia ter escrito isto… note-se que nada tenho a ver com o CDS mas são inquestionáveis os valores democráticos do CDS, já o mesmo não podendo ser dito de pelo menos um dos partidos “democráticos” da esquerda portuguesa…

    • Rocha diz:

      “são inquestionáveis os valores democráticos do CDS”

      Tão inquestionáveis como o salazarismo, que o CDS desde o seu primeiro dia acolheu. Diz que o salazarismo é democrático, diz que senhores que chefiaram ou serviram a PIDE e as guerras coloniais eram inquestionáveis democratas.

      Admito que disfarçam muito bem, disfarçam mas não enganam.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Vindo de um Anónimo com o mail que o senhor sabe, tomo esse comentário por um elogio.

  10. Anonimo diz:

    Corrijo o excesso da palavra “anormal” e substituo pela palavra “séctario” utilizada na minha opiniao.

    Peço as minhas desculpas pelo excesso

  11. josé diogo diz:

    Bom post Ricardo. Os países escandinavos há já muito tempo que deixaram de ser paraísos
    de bem-estar: estao corroídos pelo puro e duro neoliberalismo e suas patologias sociais – a
    ganancia, o individualismo, o consumismo, a xenofobia e o racismo.
    O escritor e ativista noruegues Aslak Sira Myhre escreveu um texto sobre a terrível carnificina
    fascista que vivamente recomendo: a versao em portugues (do Brasil) está no blogue:
    pelenegra.blogspot.com
    A Islandia, onde vivo, embora em muito menor dimensao, também nao foge a regra em maté-
    ria de desrespeito pelos direitos humanos: sao histórias que um dia vos poderei contar…

  12. Justiniano diz:

    Caro Ricardo, aquilo que aqui nos diz sobre a Noruega pode dizer-se, claramente por verdade, em relação a todas as terras que vão de pólo a pólo e lés a lés!! Dize-lo das terras é dize-lo, evidentemente, das gentes que aí são quem são e que, pelo menos e pelo mais, assim se entendem como gentes dessa terra!! Em diferente grau de afronta, vileza e desprimor por irmãos de outra estirpe, como será de admitir, mas todavia assim o é!! E o que é que devemos retirar disso, meus caros!!??

  13. Mário Abrantes diz:

    Aliás, o regime político norueguês está muito longe da perfeição e, tal como acontece em todos os países onde o capitalismo selvagem assentou arraiais, soçobrou de forma clara face ao poder do dinheiro e dos interesses dos grandes grupos económicos.

    Deixei de ler a parir daqui. É um bocado de texto tendencioso, que não fornece nenhuma informação a quem o lê. No entanto, Ricardo, se conheceres algum regime político que não esteja muito longe da perfeição, talvez devas exigir um pouco mais do teu conceito de ‘perfeição’.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Leste pouco, Mário, e ainda por cima com pouca atenção. Ao dizer que a democracia norueguesa está muito longe da perfeição, quero apenas justificar a primeira frase do post: «Anda tudo muito espantado pelo facto de o brutal acto de Anders Breivik ter acontecido na Noruega, um país tão tolerante e onde a democracia funciona de forma tão exemplar».
      Ou seja, o que quero dizer é que tem tudo a mania que nos países nórdicos é que é, quando na realidade não é bem assim. Claro que não há democracias perfeitas.
      E agora vai ler o resto.

  14. maria monteiro diz:

    há coisas que realmente não sabia. Pensando que há muitos mais como eu partilhei no FB

  15. Mario F diz:

    Caro Ricardo,
    Sou mais um emigrande português que se encontra à mais de quatro anos a viver e a trabalhar na Noruega. Conheço bem na pele o que é ser estrangeiro neste país e por isso aqui deixo já os meus parabéns pelo texto acima escrito. Não podia corresponder mais à realidade. No que toca à descriminação, garanto-vos que existe e muito. Já a senti na pele e tenho aqui muitos amigos portugueses que já passaram também pos experiências nitidamente descriminatórias. Não pensem que os actos de racismo são só contra africanos ou moçulmanos. Desde o primeiro dia que me mudei para este país não tenho feito mais nada que tentar integrar-me, respeitar a cultura e fazer amizades e confesso que já desisti. Passados estes anos todos, para uma pessoa que sempre foi bastante sociável, que sempre teve muitos amigos e que nunca teve problemas em fazer novas amizades é frustrante. Fiz aqui bons amigos sim, mas adivinhem entre que classe? Entre a classe imigrante. Americanos, romenos, polacos… Mas noruegueses nem pensar. Esses fecham-se nos grupinhos deles e ninguém lá entra. Depois em cima disto temos os actos descriminatórios. Vou descrever algumas situações “caricatas” passadas comigo, com a minha esposa e com alguns amigos portugueses aqui. Eu cheguei a este país na condição de engenheiro e para trabalhar como tal. Tenho estado ligado ao offshore este tempo todo e nunca vivi de subsídios, não tenho filhos, nunca estive doente, o estado português teve todas as despesas referentes à minha saúde, educação e não só e quem lucra agora é o estado norueguês… Depois de estar a pagar impostos neste país estes anos todos, de aqui fazer uma vida normal como qualquer norueguês (carro, casa, roupas, etc), tentei abrir uma conta noutro em Maio deste ano e a primeira coisa que me foi perguntada foi “é estrangeiro não é?”. Eu disse que sim mas que tinha número de identificação norueguesa como um norueguês e estava aqui a viver à alguns anos. A resposta foi, “pois, pode abrir a conta mas não lhe podemos dar um cartão visa, porque é estrangeiro, são as regras do banco”. Quer dizer, para pagar impostos sou como qualquer norueguês, mas para ter a porcaria de um visa já sou estrangeiro… Lindo…
    Outro caso pssou-se com a minha esposa. Casei-me no Natal passado com uma portuguesa e ela veio viver para aqui comigo este ano. Está cá legal e foi ao centro de emprego (NAV) para se inscrever como alguém que anda à procura de emprego (direito que lhe é assistido pela lei). O senhor por detrás da secretária perguntou-lhe imediatamente se sabia norueguês (estavam a ter a entrevista em inglês…) e ela claro que disse que não, que tinha vindo recentemente para Noruega mas que iria aprender. O cavalheiro apenas disse “vá aprender a lingua, não a podemos inscrever aqui”. Lindo 2… Curiosidade, se ela fosse casada com um norueguês ou tivesse o estatuto de refugiada teria direito a receber aulas de norueguês de graça, mas como é casada com um português vamos ter de pagar do nosso bolso…. Lindo 3 (a famosa integração norueguesa no seu melhor). Mais uma só para acabar. Um casal amigo, dois engenheiros (portugueses também) que chegou na mesma altura que eu, foi tentar abrir conta num banco (note-se que foi em Setembro, vinham de Portugal bem bronzeados e têm ambos cabelo bem escuro). Entraram, disseram ao que estavam e pura e simplesmente lhes foi dito que não abraim contas naquele banco. Portanto, para quem não sabe a Noruega tem bancos que não têm contas bancárias… Sem comentários. Fazemos parte da nova geração de emigrantes portugueses com “canudo” que se viu forçada a procurar uma vida melhor lá fora, somos gente honesta, trabalhadora, sociável, respeitadora e somos tratados assim. Como podem ver a descriminação é contra todos os não escandinavos (porque suecos e dinamarqueses têm outro tipo de tratamento aqui). Coitado de quem não é louro de olhos azuis neste país… Ah, já agora e a respeito disto, estava à conversa com um senhor norueguês na casa dos seus 60 anos que por acaso até era baixo e não era louro de olhos azuis que me confessou que sabia o que nós passávamos aqui, porque ele passou e passa pelo mesmo até as pessoas se aperceberem que é norueguês. Disse que em criança era muito descriminado na escola porque os miudos pensavam que era estrangeiro. Precisam cá da nossa massa cinzenta porque não têm gente que o faça (engenharias são dificeis, dá trabalho estudar matemáticas e fisicas…) e depois somos tratados assim… Seria interessante ver a evolução da curva de produtividade deste país se só cá ficassem os noruegueses a produzir. Garanto-vos que no sector do petróleo onde trabalho estavam bem cozinhados… Se certos ignorantes estivessem calados ganhavam muito mais. Enfim, realidades bem diferentes do que passa para fora e se vende ai pelo Sul.
    Cumprimentos de um tuga por terras do norte.

    • lol diz:

      deixa la que muitos Portugueses não são diferentes.. eu tambem estou a viver em Portugal a mais de uam decada e ja na escola tinha colegas que so por saber que era estrangeiro e de onde era tinham atitudes racistas e sou da Europa tambem… curioso que com esta crise um dos mais racistas é emigrante na Suiça gostaria de ver a cara dela depois de ser vitima de racismo la tambem ^^

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  17. Marcela diz:

    Sou brasileira, e por estar fazendo um trabalho que fala sobre a Noruega, acabei por interessar-me neste texto. Devo confessar que fiquei surpresa ao ler tudo o que se tem a dizer sobre este país. Depois de haver lido diversos textos falando sobre a vida maravilhosa que se tem na Noruega, além de informações como a indicação da ONU como esse sendo o “Melhor País Para Se Viver” em 2010. Contudo, após ler todos os comentários, houveram alguns que afirmaram que a xenofobia existe em toda a Europa. Concordo, e iria mais longe, pois vivo em um país da América do Sul, e também vejo muito preconceito, inclusive de brasileiros para brasileiros, pois esta é uma nação muito grande e existem muitas divergências culturais. Pode parecer absurdo, porém não acredito que o maior problema seja o fato de existir uma cultura preconceituosa, e sim o fato de que isso nunca é terminado. Livros reforçando essas idéias, a falta de punição para o preconceito e, especialmente, a ignorância, formam um ciclo eterno e absurdo, que acredito que nem mesmo países considerados “subdesenvolvidos” vivem.

    É lamentável saber que um país visto como praticamente perfeito tenha uma sociedade assim. Enfim, acredito que terei de ler muito mais para formar alguma opinião válida, porém espero, com todo o respeito, de que este texto seja um grande equívoco. Deus sabe que não precisamos de mais histórias como essas.

  18. Paula Crestani diz:

    Olá Ricardo,

    Muito bom o seu texto. Sou brasileira, filha de europeus. Vivo na Noruega há 5 anos, pois me casei com um norueguês. Trabalho como professora de criancas estrangeiras em escolas públicas daqui e o que tenho presenciado em forma de racismo é um absurdo e muito triste de se ver. Os noruegueses nativos não tem idéia de como o país deles é racista e com mentalidade estreita com relacão à outras culturas. Os livros didáticos então, são para idiotas. Constroem cidadãos que não enxergam um palmo à frente do nariz.

    Eu sou brasileira, mas até abrir a boca, me confundo com a populacão local. Quando abro a boca e eles percebem meu sotaque, ou seja, que não sou daqui, e o tratamento muda. Não sou muculmana ou negra. Não que o racismo se justifique contra esses setores da sociedade, mas quero que você saiba que mesmo pessoas de outras nacionalidades européias ou descendentes dessas sofrem discriminacão. Tenho alunos portugueses aqui e mesmo eles sofrem um pouco com esse caráter pouco recomendável dos noruegueses.

    Enfim, vindo para cá percebi o quanto fui abencoada em nascer numa terra como o Brasil. Há pessoas boas e que tentam ter a mente aberta aqui, mas meu Deus como elas são minoria.

    Espero que as coisas melhorem. Não pretendo ter filhos por aqui, pelo menos por enquanto. Não gosto do que vejo e não gosto da forma de proceder dos locais entre si e com os demais que são estrangeiros.

    Abracos para você e continue com seu bons textos.

  19. Gonçalo diz:

    Relamente ha muito que discutir, quando falamos em racismo ou ediologia religiosa e politica, mas no meu ver ao ler este testo, tiro as seguintes conclusoes!!! melhor primeiro pregunto Sr. RS Pinto o senhor e muçulim? porque parece da forma como ataca e defende e isso é uma prova obvia de como essa (raça) se comporta.
    E em relaçao á politica Norueguesa faço-lhe de outra forma, suponha voçe que lhe entra os seus vizinhos ou descunhecidos pela casa a dentro e lhe dizem, obrigado por ter aberto a porta, mas agora quem manda somos nós, voçe pensa certamente que isto é um absurdo e tenta o mais rapido possivel regularizar a situaçao.

    Isto para lhe dizer que quem é de fora espera e fica para ultimo se nao chegar tambem noa tem do que reclamar, para reclamar fica no seu canto, lugar ou pais, mas infelizmente para essa raça de gente os muçulmanos é dificil de compreender porque eles só olham para o umbigo deles sera esse o seu caso ? Se nao o é porfavor nao os defenda porque eles nunca o farao por si (nos)

    Lamentavel

  20. Daniel Santos [Madeira] diz:

    Hummmm … onde é que eu já vi exactamente este filme só que onde se lê noruegueses é trocado por portugueses e onde se lê muçulmanos troca-se por brasileiros, angolanos, cabo verdianos e moçanbicanos. Até eu por ser madeirense(PORTUGUÊS das ilhas) já fui descriminado uma vez no centro comercial Colombo em Lisboa, só enquanto pedi um carioca de limão em vez de chá de limão, fui ofendido e alvo de gozo por parte da funcionária do café, que ao perceber que eu era madeirense fez questão de se superiorizar a mim. Aqui na Madeira também existe descriminação racial, nomeadamente contra os venezuelanos, curiosamente não se nota contra os brasileiros nem contra os africanos, mas os venezuelanos são alvo de racismo, “olhares atravessados” e indiferença. A verdade é que se analisarmos cuidadosamente porque estes actos acontecem vemos que na origem estão os próprios venezuelanos (filhos de madeirenses emigrados), onde estes vem para Madeira mostrar que são mais que os outros e fazem questão de criar grupos e não se integrarem com o madeirenses, ora isto só podia dar porcaria. O mesmo se passa na Noruega, são pessoas com ideologias bem vincadas e que preservam a tranquilidade e as suas tradições, quando vêem o seu país invadido (é que não falamos de meia dúzia! eles são centenas de milhar) por emigrantes que trazem consigo a sua cultura e fazem questão de implementá-la num país tão tradicional como a Noruega só podia ocorrer estas situações.
    Se uma mulher ir de bikini para uma praia na Arábia Saudita, ou usar mini saia num país muçulmano irá sofrer coisas muito piores do que as descritas neste artigo.
    Mas verdade seja dita, estavam à espera do quê? Nós europeus somos mesmo assim,estas atitudes são seculares, basta-nos recordar a historia e ver como os cruzados actuavam quando foram até o oriente, quem fosse diferente fisicamente, tivesse mentalidade diferente e não quisesse se converter MORRIA. Logo a burrice foi do governo norueguês que para beneficiar de direitos de exploração de gás e petróleo nos países muçulmanos abriram as suas fronteiras. Hoje em dia os portugueses na Noruega colhem estes frutos.
    Estou a tirar engenharia electrónica com vertente nas telecomunicações e tenho a Noruega (tal como a Alemanha e o Canadá) na lista de países onde tentar a minha sorte e não é este artigo que me assusta nem me irá demover. Porque tal como existe portugueses racistas, existem igualmente portugueses que recebem bem os emigrantes e o mesmo se passa na Noruega. Logo essas situações relatadas no artigo, na minha opinião, não passam de casos esporádicos e que com o tempo e habituação por parte dos noruegueses irá inverter.
    Outra, alguma vez os brasileiros já se questionaram porque são geralmente mal recebidos na Europa inteira, uma vez vi um video de um grupo de brasileiros num metro na Alemanha e estavam a tocar tambores e cantar bem alto dentro da cabine do comboio! Ora os alemãs que estavam a bordo estavam como uma cara mesmo de f*did*s, os alemãs são pessoas que preservam tranquilidade quando um estrangeiro vem para o país deles perturbar aquilo que eles mais apreciam só podia dar porcaria e da grossa. Ainda para mais estavam com a bandeira do Brasil … enfim.
    Uma prova de que os portugueses na Noruega estão bem integrados: http://www.youtube.com/watch?v=HRBovu9pn1E

  21. paolo diz:

    O AUTOR DESTE BLOG DEVE TER UM FETICHE PELA EXTREMA-DIREITA TANTO TEXTO LHE DEDICA. Eu ja vivi na noruega e nao achei os noruegueses racistas. Agora pensam k sao os melhores isso é normal nos nordicos

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