Um taliban que se faz explodir porque acredita que essa é a melhor forma de acabar com a ocupação do seu país, porque quer encontrar alá ou porque odeia a mulher é um resistente, uma besta, um homem de convicções ou um fanático. A culpa é da madrassa.
Um noruguês racista, educado e acarinhado em partidos legais racistas, é louco. A culpa é do cortex frontal.
Um desafio à Mariana, que imagino em final de semestre, sem tempo para nada: o que distingue um louco? Juridicamente muitos tentam passar por malucos quando cometem crimes e, que eu saiba, raramente, tal simpatia é dada pelos juízes.
Nota: pouco depois deste post li o do Miguel Madeira. Não foi plágio, foi telepatia
. Fica aqui o link do post do MM.
http://viasfacto.blogspot.com/2011/07/apenas-um-louco.html




Eu posso tentar explicar.
Quando um comportamento é aceite ou compreendido ou estimulado pelos próximos e/ou pela comunidade em que o sujeito se encontra inserido, é dificil considerar esse comportamento como patológico. Quando assim não é, é recomendável encontrar elementos relacionais ou biológicos de natureza patologica para explicar os comportamentos.
Ver o meu post sobre esse assunto.
Parece-me que era mais produtivo parar um pouco para pensar na impotência radical que, até agora, temos tido para lidar com questões destas ( de todas as cores) do que entrar no fogo de artifício do terrorismo “de direita” vs terrorismo “de esquerda”:
http://lishbuna.blogspot.com/2011/07/impotencia-da-cultura-da-educacao-e-da.html
O chamado “louco” teve a lucidez de nos explanar as suas ideias no seu livro. E 90% dessas ideias encaixam que nem uma luva em diversos partidos europeus com votações muito expressivas e em ascensão – como o próprio Beivik nos fez o favor de listar.
Vou citar só os mais importantes:
O Partido do Progresso norueguês, de que Breivik foi membro até 2006, tem sido há vários anos o segundo maior partido noruguês em votos, teve 22% nas últimas eleições. Tem um discurso que é tal e qual o discurso de Breivik, anti-imigração e anti-islâmico. Declara o islão e os islâmicos residentes na Europa a maior ameaça para a Europa. Gerou polémica com cartazes propagandísticos com homens armados e a legenda a dizer “o criminoso é estrangeiro”.
http://en.wikipedia.org/wiki/Progress_Party_(Norway)
Em 1999 o Partido da Liberdade Austríaco (SPO na sigla austríaca) ficou em segundo lugar com 26% dos votos, formou governo com o Partido Conservador. Ficou famoso pelas declarações do líder Jorg Haider, simpatizante assumido do nazismo. Este partido defende a habitual retórica de extrema-direita anti-imigração com especial ênfase em combater a “islamização da Europa”.
http://en.wikipedia.org/wiki/Freedom_Party_of_Austria
Na Holanda o Partido da Liberdade () tem o mesmo discurso racista anti-imigração e anti-islâmico, continuando aliás o que Pim Fortuyn começou, o fascismo de “face liberal”. Obteve 15% nas últimas eleições e é a terceira força política.
http://en.wikipedia.org/wiki/Party_for_Freedom
O partido húngaro Jobbik – Movimento para uma Hungria Melhor é abertamente fascista, chegou a atingir 16% dos votos nas últimas eleições em 2010 e possui a sua própria milícia armada (apesar de tentativas de ilegalização dos tribunais) bem ao jeito dos famosos “camisas castanhas, negra e azuis” de Hitler, Mussolini e Franco.
http://en.wikipedia.org/wiki/Jobbik
O partido “Verdadeiros Finlandeses” teve 19% nas últimas eleições e é declaradamente um partido anti-imigração.
http://en.wikipedia.org/wiki/True_Finns
Um taliban também é racista. Um norueguês também é um fanático. Ambos são loucos, porque independentemente da motivação, liquidar inocentes por uma causa é negar a própria causa. Determinar o nível clínico de loucura, é coisa para estudiosos da matéria. Socialmente, ambos são a negação da sociedade. Humanamente, ambos são desprezíveis.
‘resistente’, ‘besta’, ‘homem de convicções’, ‘fanático’, quando aplicadas a um tipo que se faz explodir, não passam de variantes de metáforas para a palavra ‘louco’.
São “loucos”, fanáticos, assassinos, racistas, etc… Estão classificados.
E as administrações dos USA o que são?