O nó do ambiente não está na gravata

A norma interna que inibe os funcionários do Ministério do Ambiente de usarem gravata terá sido prejudicial para o ambiente pela quantidade de papel que fez gastar. Contudo, graçolas à parte, a medida é bem vinda.
O que vestimos é, cada vez mais, condicionado por questões culturais afastando-se da necessidade de protecção e adaptação do corpo ao meio. A decisão sobre o que se veste é feita em função de como se vai ser visto e não em função do tempo que vai estar.
O desenvolvimento tecnológico levou a que se tentasse uniformizar as estações e as temperaturas dentro do espaço construído. Ora, se esta uniformização é fundamental em países de clima com temperaturas extremas, Portugal tem a sorte de ter temperaturas suportáveis na maior parte do ano. O que sucede é que a vontade de parecer se sobrepõe à necessidade. Quantas vezes, no pingo do Verão, as agências bancárias parecem arcas frigoríficas para permitir que os seus funcionários estejam fardados a rigor?
Se esta medida não tem qualquer efeito prático, pode gerar uma reflexão sobre o tema ainda que seja esmagada por decisões políticas opostas como o novo-riquismo da Parque Escolar que decreta ar condicionado em todas as escolas (como se o país fosse uno e sem pensar nos consumos) ou pelo aumento das tarifas dos transportes públicos e progressivo encerramento de linhas (que dificultam ou impossibilitam mais cidadãos de utilizar os transportes públicos).
De qualquer forma, simbolismo por simbolismo na área do ambiente, preferia que este aborto urbano fosse demolido:

imagem retirada daqui

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