Carlo Vive. Génova da per tutto!

As manifestações de Génova contra o G8 em 2001 e o seu trágico desenlace marcaram toda uma geração e todo um momento político. Dez anos depois persistem ainda várias questões relativas ao que realmente se passou naqueles dias de Julho – quem disparou a arma que matou Carlo Giuliani, quem ordenou e orquestrou as cargas da polícia desautorizadas pelo comando central, quais foram as consequências legais para os manifestantes presos e para os polícias que invadiram a escola Diaz. Uma oportunidade de discutir tudo isto e muito mais amanhã no RDA a partir das 20h.

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12 respostas a Carlo Vive. Génova da per tutto!

  1. JPT diz:

    Peço desculpa por, “apesar” de ser de esquerda (e “inequivocamente” de esquerda), não alinhar acefalamente no paradigma polícia=mau; adolescente-reivindicativo=bom e afirmar, mandai tomates podres se-faz-favor, que fosse eu polícia e tivesse uma arma à cintura e um jovem se aproximasse empunhando um extintor em direção ao meu crâneo, como aparentemente se vê nas fotos publicadas na altura, o mesmo jovem teria levado sim-senhor com um balázio nos cornos. Tenho dito, e perdoem-me o francês.

    • Renato Teixeira diz:

      As questões vão vem além do que se vê nas imagens. A polícia comprou uma guerra e fechou ilegalmente uma cidade. Prendeu indiscriminadamente e nas prisões e na escola Diaz são vários os relatos de tortura. A reacção do Carlo não precisava de ser detida com um balázio.

      • nao diz:

        para mim, essa é a questão mais importante: se a polícia não tem treino suficiente (estou a tentar ser compreensivo) para conseguir ajuizar correctamente quando deve ou não servir-se da arma, então deve andar desarmada.
        ou quando dispararam para dentro de um carro que não parou numa operação stop, como foi o caso do snake, o JPT também achou bem porque desrespeitando uma ordem da autoridade, “o mesmo jovem teria levado sim-senhor com um balázio nos cornos”?

        • JPT diz:

          não, não misture coisas. Eu não sofro da raiva atávica e adolescente que parece grassar por aqui contra a polícia. Cada caso é uma caso.

          • Scalzone diz:

            Sim, JPT, não obstante o próprio polícia ter dito que não foi ele a disparar a arma, não obstante a carga que originou esta morte ter sido considerada ilegal pelos tribunais e terem sido absolvidos todos os detidos nela por se encontrarem em legitima defesa, não obstante a policia ter carregado uma manifestação pacifica sobre a qual tinha ordens expressas de NÃO carregar, ainda assim a história é tão simples como você a viu no telejornal há dez anos

        • Rafael Ortega diz:

          “se a polícia não tem treino suficiente (estou a tentar ser compreensivo) para conseguir ajuizar correctamente quando deve ou não servir-se da arma, então deve andar desarmada.”

          Errado. Deve receber o treino.

      • Rafael Ortega diz:

        “A reacção do Carlo não precisava de ser detida com um balázio.”

        Talvez directo na cabeça não.

        Mas avançar para o jipe com o extintor empunhado daquela maneira tinha que ser travado pelos polícias que estavam dentro do jipe. aqueles polícias estavam em risco de vida (e não venha com tretas de que a carga era ilegal e etc., não foram de certeza as pessoas que estavam dentro do jipe a ter a ideia de avançar).

        Esta história lembra-me a outra do gajo em Setúbal que morreu numa intervenção na Bela Vista porque, coitadinho, estava só a avançar para a polícia com uma garrafa partida na mão.

        Não é o polícia que dispara que ordena a intervenção, seja esta legal ou não. E se um polícia dispara sobre alguém que avança para ele com intenção de ferir (ou matar que é o que parece pelas imagens mostradas) eu não o condeno. E sei que quem diz cobras e lagartos da polícia nessa situação é um hipócrita. Se avançassem para vocês com intenção de vos atacar deixavam-se morrer?

  2. JPT diz:

    Não estou a discutir a questão política. Estou apenas a afirmar que, segundo as fotos, a ação do polícia é justificada. O rapaz empunhava um extintor contra a cabeça do polícia.

    • Renato Teixeira diz:

      O jipe não tem razão para estar parado, o extintor não aterra na cabeça de alguém dentro de um jipe e o tiro, a ser necessário, não tinha que ir direito à cabeça. As imagens dizem isso tudo a quem as queira ver com olhos de ver.

      • Rafael Ortega diz:

        “O jipe não tem razão para estar parado”

        com um bloco de cimento à frente é difícil avançar.

        “o extintor não aterra na cabeça de alguém dentro de um jipe”

        não sei. foi atirado? não existe essa imagem, passa do rapaz a aproximar-se empunhando um extintor para ele no chão. Se for atirado pode aterrar, as janelas estão partidas (e mesmo que não estivessem…)

        “o tiro, a ser necessário, não tinha que ir direito à cabeça”

        alguma coisa teria que concordar consigo.

        “As imagens dizem isso tudo a quem as queira ver com olhos de ver.”

        As imagens mostram que a primeira coisa que refere é uma mentira descarada, e que a segunda não pode ser provada por não estar nas imagens.

  3. JPT diz:

    Então vamos à questão mais funda: vocês proconizam o levantamento geral contra a sociedade capitalista, incluíndo por meios violentos, mas querem que a polícia não responda. É isso, não é?

    • nao diz:

      devolvo-lhe a pergunta envenenada: o JPT preconiza (creio que esta é a forma correcta mas cada caso é um caso…) que a luta contra o sistema capitalista se limite ao atirar de tomates às cargas policiais violentas contra manifestações pacíficas. É isso, não é?
      Viva o anarco-tomatismo!

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