No dia em que as bolsas caíram e os ministros das Finanças da Zona Euro se reuniram à pressa num bunker em Bruxelas, a burrica da tia Margarida ficou sem os dentes que a atormentavam. Em bom rigor, talvez tenha sido na véspera (a notícia da Lusa foi posta a circular logo de manhã), e fossem outros os burros que o veterinário tratou nesse dia, o mesmo em que uma comissária europeia apelou ao desmantelamento das agências de “rating”, o site da Moody’s crashou, e Durão Barroso foi à RTP dizer que a Itália, “sem surpresas”, é a próxima. Certo é que enquanto o mundo estava de olhos postos nas bolsas, o veterinário João Rodrigues andava a tratar da saúde aos burros da raça asinina de Miranda, irmãos dos burros zamorano-leoneses − uma causa meritória mas provavelmente perdida, porque tudo indica que os bichos têm menos hipóteses de sobreviver que a moeda europeia.
Tratando-se de burros, choveram comentários asininos nos sites que publicaram a história. E era fácil gozar com o prato, passar do burro de quatro patas ao de duas ou invocar as taxas moderadoras no acesso aos cuidados de saúde equina, entre outros desvios de antropomorfização. Eu fui criada no planalto mirandês, e estou por isso imunizada contra delírios bucólicos do tipo Cidade & As Serras, mas admito que fiquei aliviada, em primeiro grau e sem qualquer ironia, por saber que alguém, algures entre Sendim e Fermoselle, da ladeira de Trás-os-Montes às arribas de Castela & Leão, se dedica a esta causa perdida, indiferente ao dogma do lucro e à volatilidade dos mercados. Não sei se estas pessoas “estão [mesmo] a salvar o mundo” (ou sequer os burros), como defendia outro transmontano remoto; mas pareceu-me a notícia mais sensata do dia. Também é possível que eu esteja a precisar muito de férias debaixo do sol leonês.




O sol mirandes, caríssima Morgada!! A caminhada sem sombra até montesinho!! O burro morreu!! O sábor, ao longe!! Sombra, finalmente!! Água…vida exuberante e luxuriante!!! Desistamos, então, de procurar o sol leonês, fique-mo-nos por aqui, por ora!!
Tem razão, por ora!!
Porque não tardará a próxima barragem do falido Mexia. (Que rivaliza com o sr. Salgado na abjecção.)
Caríssimo Vidal, nada, mas mesmo nada, rivaliza em miserável abjecção com o homem BES! Nada na memória de portugal se lhe equipara, nesse tocante!!
Então conceda-me que o outro andará próximo do 2º lugar!
Sim, por ora e por enquanto, meu caro Vidal!! Mas veremos…
Quanto ao Mexia, caro Vidal, não sei! Nem sei mesmo se terá “notação”!! Há outros condestáveis ao segundo lugar!! Ultimamente têm saltado aos magotes personagens tão tristes e tão carregadas de ridículo que me fazem esquecer o anterior deslumbrado!! Mas a repugnancia do tal homem BES é de uma enormidade incrível!! De todos os grandes vícios, revelados pela história e pela cultura viva e morta, o homem bes faria o pleno e seria ainda credor de outros ainda não enunciados!!
Aproveitemos, por ora, as margens frescas do sábor!!
O que eu gosto de ver esse “Sábor” acentuado…
Caríssima Morgada,
Existem bichos com menos hipóteses de sobreviver do que a moeda europeia??
A julgar pelas litanias, prantos e outras berrarias carpidas, estou em crer, caro Vidal, que todos os bichos lançariam em sacrifício para salvação do tal Euro!! E outras tantos mais se os houvessem à mão!!
Sacrifício ritual, Bataille, Mauss, candomblé… salvará tudo isto o Euro ? (Entre nós, espero que não – poupem-me os bichos.)
Veja lá. Pobres burros.
Os Burros sempre me inspiraram uma grande admiração,meigos,simpáticos,lindos,não,nada de brincadeira,esses mesmo,os de Miranda, ou Sendim,ou Malhadas.
Não vou compará-los,pelo respeito que me merecem,com as bestas que teimaram em querer matar o Sábor,pois acentue-se.
Cordial abraço,
mário
Bestas, sim.
Estou a ver isto. Talvez lhe interesse, se ainda não viu.
Abraço,
m.
Estimada Morgada, o sexo dos anjos é d’escuso ou d’ambidextro?
Adiante…
na 2ª e 3ª feira, o site da tal ‘agência’ foi bloqueado por uma acção concertada de refilice – notável, au Portugal; mas mais notável é o facto de nem um jornal ou TV ter noticiado a coisa – faz ideia da razão disto, sabido que deve ser grande o inconveniente causado a um ‘escritório’ daqueles?
Exmo. senhor corsário,
Por mais que tente, não consigo perceber a sua primeira pergunta nem a relação da segunda com os burros de Miranda. Quer reformular?
Com os melhores cumprimentos,
m.
Estimada Morgada
a 1ªprender-se-ia com a importância que os burros dão ao que se passa -e vice-versa- ao contrário do pr’aí se diz são bichos úteis e resistentes.
A 2ª é retórica, ilustrativa…
(desculp’a derrapagem)