Projecto 8!8!8! no Barreiro.

 

Pela primeira vez desde o seu lançamento, o meu projecto 8!8!8! é apresentado no modo para o qual foi concebido: na rua, por um período dilatado de tempo. Nunca tinha estado mais do que umas horas no espaço público: no 1º de Maio da CGTP, em 2009, em Lisboa, e no Dia do Tempo, iniciativa do Teatro Maria Matos, num jardim próximo. Apesar de muitas tentativas e solicitações, ao longo de dois anos, que não representavam quaisquer custos para as várias entidades contactadas e me trouxeram a mim muitas dores de cabeça, só agora este projecto se concretiza. Teve o acolhimento da Câmara Municipal do Barreiro, por iniciativa da associação local, Artesfera.

A inauguração contou com a participação de António Olaio, actor, encenador e arquitecto, na apresentação dos conteúdos da campanha, e de Mário Caeiro, curador, responsável pelo evento Político. Criação.Valor, para o qual este projecto foi inicialmente concebido. Esteve presente o vereador Rui Lopo, da Câmara Municipal do Barreiro. Os painéis estarão expostos até dia 11 de Julho, no Parque Catarina Eufémia.

O projecto dos “três oitos” é uma campanha de apoio à luta pela conquista do tempo, pela redução do horário de trabalho, a mais antiga reivindicação política do movimento operário.

Blogue do projecto, com fotos e artigos, aqui.

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18 respostas a Projecto 8!8!8! no Barreiro.

  1. Scriabin diz:

    “António Olaio, actor e encenador”? Não é o que também é pintor, performer e músico (fundador dos ex-reporter estrábico)?

    • Carlos Vidal diz:

      São duas pessoas com o mesmo nome, o que é engraçado.

      Parabéns ao Pedro.

      Tenho um texto publicado num livro colectivo sobre a chamada “arte pública” (termo armadilhado), onde distingo a arte pública de “situação” (estatuária, rotundas, mobiliário urbano, etc…) e arte pública “crítica” (a que actua com programa determinado e tenta não se deixar diluir no sedutor caos da cidade).
      Claro que este trabalho do Pedro pertence à segunda tipologia, a “crítica”.

      • rg diz:

        Aprecio o conceito da arte pública de(a) “situação”.

        • Carlos Vidal diz:

          Deixo aqui, sobre esse tema da arte pública de «situação» (ou da «situação»), como lhe chamo, um comentário de Krzysztof Wodiczko, notável artista de que aqui gostaria de falar mais detalhadamente (em breve). Preocupa-se o autor com um tipo de arte pública que se deixa sucumbir à inerente esteticização da cidade. Isto é fundamental:

          «quero expressar o meu distanciamento crítico em relação ao que se costuma chamar genericamente “arte em lugares públicos”. Esta forma de burocracia estética de legitimação pública pode induzir a ideia de arte pública como prática social, mas, na realidade, tem muito pouco que ver com ela. Um “movimento” desses pretende proteger, em primeiro lugar, a autonomia da arte (o esteticismo burocrático), isolando a prática artística dos temas públicos críticos, impondo, de imediato, a sua purificada execução no domínio público (exibicionismo burocrático) como prova do seu próprio valor. Uma obra deste género funciona, no melhor dos casos, como decoração urbana liberal.
          (…)
          Crer que a cidade pode ser afectada por essas galerias de arte pública, ao ar livre ou enriquecidas por aventuras tuteladas externamente (através do Estado ou de aquisições, empréstimos ou exibições corporativas), é cometer um definitivo erro filosófico e político. Porque, pelo menos desde o século XVII, a cidade tem operado como um grande projecto estético, uma monstruosa galeria de arte pública para exposições massivas, permanentes e temporais, de “instalações” arquitectónicas de envolvência; “jardins escultóricos” monumentais; murais oficiais e graffitis não oficiais; gigantescos “espectáculos dos meios de comunicação”; “actuações” na rua, marginais ou não; “projectos artísticos” públicos e privados; acontecimentos, acções e eventos económicos (como forma mais recente de expor arte); etc., etc. Intentar “enriquecer” esta poderosa e dinâmica galeria de arte (o domínio público da cidade) com colecções ou encomendas de “arte artística” – tudo em nome do público — é decorar a cidade com uma pseudocriatividade igualmente irrelevante para o espaço e para a experiência urbana; é também contaminar este espaço e experiência com a poluição ambiental de uma estética burocrática pretenciosa e paternalista. Tal embelezamento é empobrecimento; tal humanização provoca alienação; e a nobre ideia de acesso público se receberá, provavelmente, como um excesso privado.»

          Portanto, porque a cidade é já uma «obra de arte», há que não lhe juntar nenhuma mais, mas antes contrariar essa «artisticidade» urbana. A exposição de um problema/tema político (8!8!8!) é uma dessas formas.

    • Olaio diz:

      Não! Este António Olaio (eu), sou actor, encenador e arquitecto, fundador do Colectivo de teatro O Grupo 🙂

  2. Espero que o teu projecto integre um dia as reivindicações da ala Lafarguista do proletariado, que já anda a lutar pela jornada das três horas desde 1880.
    3!3!3!

    • Pedro Penilo diz:

      Cara Morgada:

      sempre integrou. Desde logo a matemática permite-o – o conjunto 3!3!3! está incluído no conjunto 8!8!8!. Politicamente também confere: trata-se da redução do horário de trabalho, da sua limitação máxima, e não da limitação dos outros itens. Aviso desde já que incluo no tempo de trabalho o tempo das deslocações de e para o trabalho. E a hora de almoço. E ainda devia haver um aparelhinho para medir o tempo de cada vez que a palavra trabalho, ou outra correlacionada, nos ocorre durante o tempo destinado a tudo o que não é trabalho.

      A sua fórmula, contudo, levaria a um dia de 9 horas. Não me apetece isso. Quanto muito, deveríamos lutar, uma vez chegados a uma nova etapa da revolução, pela fórmula…. mmmmm…. 1!11!12! (estando a primeira parcela destinada àquilo de que nem no socialismo nos safamos…).

      • Morgada de V. diz:

        “Aviso desde já que incluo no tempo de trabalho o tempo das deslocações de e para o trabalho. E a hora de almoço. E ainda devia haver um aparelhinho para medir o tempo de cada vez que a palavra trabalho, ou outra correlacionada, nos ocorre durante o tempo destinado a tudo o que não é trabalho.”
        Vinde a meus braços!

  3. João Valente Aguiar diz:

    Parabéns meu amigo.

    Um abraço

    p.s. vamos ver se conseguimos fazer isso noutros espaços. A ver vamos.

  4. Helena Borges diz:

    Boa, Pedro! Estive no blogue e gostei, gosto, muito dos cartazes.

  5. rg diz:

    Pedro,

    Agora que a direita e o ps estão contra a desregulação dos mercados, não faltarão câmaras a querer patrocinar a tua exposição:-)
    Abraço

    • Pedro Penilo diz:

      Já estão a chover os telefonemas : )

      Mas o projecto ainda vai para Moura, de 3 a 8 de Agosto, durante o FAC – Festival de Artes Comunicantes.

  6. CausasPerdidas diz:

    Parabéns pela iniciativa. Fui ver o blogue e confirmei o bom gosto dos grafismos.

  7. am diz:

    mas que graça, que “arte”, é que isto tem!?…
    aqui no 5 dias são todos tão amiguinhos que até enjoa

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