Lixo

Ontem à noite na SIC Notícias, Luís Delgado, explicou prologada e reiteradamente que a classificação das dívidas soberanas resulta da inserção numa folha de cálculo de um conjunto de dados financeiros que outros, que não os que nos explicam todos os dias as enormes vantagens do capitalismo, não podem compreender. Para Delgado, as agências de rating são, somente, instrumentos de comunicação independentes da situação financeira de um país. Técnicos do Bem.
Mas Delgado sabe que isto é mentira.
Só um louco pode acreditar que é por coincidência que a queda de classificação surja num dia em que Portugal vai ao mercado ou que nada tenha a ver com a gula especulativa sobre o gigantesco património público que vai ser privatizado.
Mas Delgado não é louco.
Delgado sabe que nada do que está a ser feito vai estancar a sanha capitalista. Apenas a luta e o combate frontal contra os seus fundamentos e ditames poderá inverter este processo. É urgente exigir que se distinga a dívida pública da dívida privada e que se parta para uma renegociação da dívida.
Dizer que seria a bancarrota já não pega, dizer que estamos sozinhos é mais uma mentira. Veja-se este gráfico do NYTimes (01.05.2010):

(fonte)

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12 respostas a Lixo

  1. causavossa diz:

    Face ao fim das golden share os ditos mercados, especuladores encapuçados levados pelos criminosos das agências de rating a soldo, lançaram a arma rating para fazer cair os preços das acções, onde empresas com lucros contrários ao rating da nação são apetecíveis e estão agora à mão de uma OPA.

    O governo, com a ingenuidade de um liberal, abriu as portas ao esbulho!

  2. Maria da Fonte diz:

    O que o Sr. Delgado não disse: o tratado de “Maas-triste” proíbe os países soberanos de solicitar empréstimos ao Banco Central Europeu, mas ora vejamos.
    Os países pagam uma “quota” ao BCE por serem seus associados, esse dinheiro serve para pagar os custos da instituição e permite-lhes emitir empréstimos aos bancos privados à taxa euribor, neste caso 1%, esses bancos privados vão emprestar o “nosso” dinheirito aos estados soberanos a taxas de 4/5% ou mesmo 10%. Os estados soberanos têm de comprar o seu próprio dinheiro, que cedem gratuitamente a título de “quotização” a estas taxas.
    Qual foi o trabalho do capital financeiro, ir buscar ao BCE e emprestar aos estados, quanto cobra sem riscos e sem investimentos, a diferença entre a taxa do empréstimo menos a taxa euribor, e ainda dizem que não há negócios da china.
    Biba o neoliberalismo e o capitalismo, ganha-se dinheiro sem fazer nenhum.

  3. NR diz:

    E o senhor Delgado diz isso esquecendo o mais importante, que é saber quais os parâmetros e como são estes quantificados para que essa tal folha de cálculo dê um dado resultado. Se eu quisesse podia fazer os cálculos que quisesse, e poderia muito escolher os parâmetros que bem entendesse e avaliá-los da forma que bem me apetecer, ainda por cima se for totalmente livre para o fazer e dizer com toda a lata que o que faço é “simplesmente emitir uma opinião…”
    Mas de comentadores como Luís Delgado tudo se espera, ele que é claramente dos mais ortodoxos defensores do neoliberalismo e beija-mão do novo governo, sem o menor espírito crítico.

  4. E você acha que há inocencia do sr. nessa “explicação” ou que também esta prática faz parte do tal modo de produção capitalista, que tem tentáculos que nunca mais acabam?

  5. JMJ diz:

    “I wanna be trash!”

    os mercados que se comam uns aos outros!

    http://youtu.be/pquY8j5up1A

  6. e pior, quem é que escolheram para interlocutor do Delgado? o Martim! que nos explicou que governar o estado é como educar um filho, e que não há nada estratégico nisso e daí toca a sair da EDP, Galp, Ren… para quando uma agência que coloque ao nível de lixo os papagaios comentadores da nossa praça?
    contudo, não consigo deixar de esboçar um sorriso ao ver a direita atónita pela falta de consideração da Moody’s perante um Coelho galã, ultra-liberal, bem falante que até tirou da cartola o subsídio de Natal dos trabalhadores e reformados para colocar na bandeja dos senhores. um sorriso, e nojo.
    recuemos então ao dia 5: é o povo, pá! é o povo que temos! e a questão fulcral é como furar o muro mediático da inevitabilidade opressora que lhe enforma e deforma o pensamento. este é o debate que para mim se impõe à esquerda: comunicação, comunicação, comunicação!
    abr

  7. Rui Pires diz:

    Estive a fazer contas de cabeça e a total da dívida Portuguesa facilmente se resumeria a $132,7 biliões.

    Fica a dever aos seus maiores “financiadores”, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido, respectivamente $47, $41,4 $36,9 e $7,4 biliões…

    Bastaria que entre o que Portugal deve e tem a receber, se fizessem as deduções – a dívida à Irlanda, Itália e Grécia ficaria facilmente resolvida – e ainda nos ajudariam a pagar o devemos ao Reino Unido, França, Espanha.

    Obviamente que não pode/deve ser assim tão linear. Mas também me parece claro que tudo isto é uma grande brincadeira especulativa, que valeria a pena pôr um fim…

    Que tal colocar o Min. Negócios Estrangeiros/Paulo Portas a negociar e a fazer estes arranjos todos pela dívida privada e pública, para colocar esta dívida num valor mais são?

    • Daniel Nicola diz:

      não quereria dizer antes, Renegociar? é que não vejo PP a conjugar esse verbo maldito!

      • Rui Pires diz:

        Sim: Renegociar! melhor palavra. Mas por acaso acho que o PP tem dons para negociar este tipo de coisas. Agora talvez poderia estar do lado certo.

  8. Procuro ser sempre muito explicito no que digo, pois já não tenho idade para me esconder seja atrás do que for, e o sr. Delgado também, por muito que tente parecer imparcial. Usa o método de avaliação capitalista até quando vai à SIC, e por maioria de razão, quando lhe dá vontade de “explicar” qualquer coisa a troco de uns cobres. Enfim, coisas!

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