DA PAZ E DO PÃO AO HTML E AO ABS – O programa de transição tem que ser exigente

Às vezes pergunto-me se o tempo em que alguma esquerda radical lavava os dentes com cinza de cigarro, porque a pasta de dentes era pequeno-burguesa, terá chegado ao fim. Não sendo um adepto incondicional das novas tecnologias, da comunicação à condução, da aviação à culinária, não vejo como é que se pode fazer a defesa do trabalho e dos trabalhadores pregando uma espécie de celibato aos avanços que a ciência permite. Para lá da indústria espacial, que me parece ter uma relação qualidade-utilidade-preço questionável, todas as outras devem ser reivindicadas pela parte maioritária de quem as produz. Associadas à burguesia pela pior das razões, ou seja, face ao precário custo de vida poucos têm acesso aos mais elementares avanços, alimenta-se uma espécie de preconceito esquerdista que rejeita degraus importantes na qualidade e na defesa da dignidade humana. Nunca compreendi o socialismo de bitola curta e ele sempre foi o caminho mais rápido quer para o capitalismo de colarinho branco quer para o estalinismo estratificado. Será que não é possível pensar a revolução de outra maneira?

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12 Responses to DA PAZ E DO PÃO AO HTML E AO ABS – O programa de transição tem que ser exigente

  1. Daniel Nicola diz:

    não iria tanto pelo campo das possibilidades, mas mais pelo das exigências 😉
    senão não há mesmo volta a dar

  2. João Valente Aguiar diz:

    Renato, que é isso de “estalinismo estratificado” caralho? E que é que o estalinismo tem a ver com o que falas no artigo (que concordo com quase tudo)? Desde quando é que as pessoas na URSS não tinham acesso à tecnologia mais avançada da época e nas condições em que o país se encontrava na cena mundial? É preciso mencionar o estalinismo sempre que se fala de qualquer assunto? 🙂

    • Renato Teixeira diz:

      Não. Raramente falo em estalinismo. Desta feita pareceu-me que era justa uma referência àquele que fechou parte da ilha aos seus concidadãos, àquele que mudou de sistema económico ou mesmo ao dos vidros fumados da burocracia de Leste. Nada que o PCP repetisse, claro. 😉

    • Tiago Vasconcelos diz:

      Talvez não seja preciso mencionar o estalinismo sempre que se fala se qualquer assunto. Tal como não seja necessário apelidar de “fascista” qualquer opinião que se desvie uns milímetros para a direita do PCP como amiúde se assiste neste espaço (até, pasme-se, a propósito de uma campanha publicitária de promoção do turismo no Alentejo)…

  3. susana diz:

    oops, era aqui.

    não tem nada a ver, mas está a dar isto: (zizek/assange/amy goodman)
    http://www.democracynow.org/

  4. Sassmine diz:

    o nosso cocktail molotov é o iphone. mais ou menos pensada a transformação, a verdade é que a revolução já é outra. e parece-me que temos de ir aprendendo à medida que se desenrola.
    belo post.

    (falando em novas revoluções… vou precisar da minha pen, ainda és tu que a tens? :))

  5. SdF diz:

    Boa tarde, é só para avisar que a pasta de dentes é pequeno-burguesa.

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