O RAP DO MEXIA – Bem estava o BE se tivesse dito que o Rui Tavares é um dos carrascos do povo líbio.

O Tiago e a Helena já escalpelizaram mas não podia deixar de picar o ponto em matéria de carrascos, especialmente tratando-se do Rui Tavares. Deixando a modéstia para temas melhores e se o afastamento do Rui Tavares pudesse ser transformado numa sociedade por acções, eu teria seguramente um lugar de destaque na Assembleia-Geral. Se é verdade que em bolsa, claro está, a sua cotação está mais baixa do que o rating da Grécia, na distribuição de dividendos não deixaria de ser justo que o BE me oferecesse uma golden share capaz de travar a entrada de novos licitadores hostis independentes no Conselho de Administração. Mas adiante.

A primeira coisa que salta à vista do último Governo Sombra é o notável sentido de conhecimento blogosférico do Ricardo Araújo Pereira e do Pedro Mexia, que nas entrelinhas deixam passar a ideia de que o 5dias, que não citam, é um blogue associado ao BE. Segundo, e tratando-se provavelmente das melhores penas e verves que temos à direita e à esquerda, tecnicamente falando, seria bom, especialmente para quem gosta de os ler e ouvir, que não se espetassem de frente com aquilo que pode ser considerado, vá lá, alguma ignorância.

Não se percebe o incómodo. O Rui Tavares, por ter contribuído para a intervenção da NATO na Líbia (como o RAP e o PM admitem) e assim se ter convertido num dos carrasco do povo líbio, não deve embaraçar nem quem gosta de beber cerveja com ele, nem quem lhe reconhece mérito académico, moral e político. Mais. Analisar a transmutação do Rui Tavares, do pacifismo inconsequente que o faz demarcar de toda e qualquer resistência anti-imperialista no apoio à dialéctica da guerra humanitária, nada diz sobre se este é ou não oportunista, vaidoso ou antipático. Eu tenho montes de amigos que de bom grado se orgulham de ser carrascos de todos quantos não adiram à luta, especialmente armada, contra os regimes e os povos que se desviem da ordem mundial e que são óptimos compinchas. Em política, a escolha do campo coloca-nos sempre carrasco de alguém sendo que é precisamente essa escolha que deve ser alvo de debate. Quem conheça a história do século XX sabe que ninguém tem o monopólio da moral face à vida humana e esta há muito que foi consumida pela verdade dos factos.

Por fim há ainda outro problema no RAP do Mexia. Para eles não se vislumbra política na natureza das cisões, do Rui Tavares ao José Sá Fernandes, revelando serem incapazes de perceber a coisa além de uma disputa sobre a dimensão e a orientação da pichota de cada um. Escapa-lhes o essencial. Num caso e no outro tratam-se de duas dissidências que se concretizam não pelo seu conteúdo mas pela sua justificação mediatico-eleitoral, o que não é percebido, é evidente, por dois dos mais valiosos comentadores da praça. No caso do Zé, que fazia falta ao BE para passar a fazer falta ao Costa, rompe-se por causa de um gabinete de apoio ao cidadão, do parque verde e duas ou três virgulas do seu já precário programa eleitoral para o Concelho de Lisboa, escamoteando-se a razão profunda que consistiu o fracasso a toda a linha da unidade entre o BE e o PS. No segundo, releva-se a posição peregrina face à guerra humanitária para sublinhar duas birras no facebook. É pouco, prescinde da melhor piada e deixa de lado a principal ironia. Meo e Público com eles que para pior já basta assim.

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3 respostas a O RAP DO MEXIA – Bem estava o BE se tivesse dito que o Rui Tavares é um dos carrascos do povo líbio.

  1. Leitor Costumeiro diz:

    Também tenho um lugar na AG nessa SA que é a ignorância dos RAP’s do Mexia…por isso não tenho paciência para os ouvir, tal como, os Tugas às alternativas, PQP…

  2. Gentleman diz:

    Para os renatos da nossa delirante esquerda radical, a soberania das ditaduras é um valor sagrado a preservar. O Vietname também foi um “carrasco do povo cambojano” quando, em Novembro de 1978, decidiu invadir a nação soberana do Camboja. Não importa que esse país fosse governado por um bando de loucos maoistas que assassinaram um terço da população do país em apenas 3 anos, e que a invasão vietnamita tenha conduzido à salvação de outros tantos de destino semelhante. Para os renatos o mal maior foi a invasão de uma nação soberana!
    No fundo os renatos são defensores tácitos daquele velho ditado português tão justificativo do fechar de olhos à violência doméstica «Entre marido e mulher não metas a colher» que adaptado à política internacional e já sem rima poderia rezar assim «Entre o ditador e o seu povo não metas a colher».

    • Renato Teixeira diz:

      Pelo seu raciocínio não há ninguém mais delirante na esquerda radical do que o Rui Tavares. Ou a NATO não é a mais acérrima defensora da sua soberania?

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