O Bloco no final da “Belle Époque”

Este é o meu texto de contributo para o “Debate Aberto” em curso no Bloco e arredores…

Finalmente uma discussão

Antes de mais é de saudar a iniciativa de incentivar este debate aberto. Após uma estrondosa derrota ainda existe massa crítica no Bloco, o número de contribuições para esta discussão é disso sinal. Assim como a participação na última distrital de Lisboa, de tal forma participada que se teve de prolongar para a próxima sexta-feira. Mas atenção! Agora ainda há força para recuperar o Bloco, se deste debate não se tirarem conclusões e se adoptarem decisões importantes, da próxima vez a desmoralização superará a vontade de apostar numa regeneração. Não tenhamos dúvidas este é um momento de vida ou morte para o BE.

É bom que este debate tenha uma componente pública, na verdade é fundamental neste momento não nos alhearmos do que se está a passar, a primavera Árabe, a revolta Grega, os Indignados Espanhóis, as lutas que aquecem na Inglaterra, o crescer da extrema-direita na Europa do Norte e do Leste, o novo governo de talibãs nacional. É sobre este pano de fundo que o debate sobre os rumos do Bloco tem de ser tido.

Começo então com um breve enquadramento, depois faço um prelúdio, porque isto era previsível e poderia se ter tentado, pelo menos, evitar chegarmos aqui (tanto o Bloco, como mais importante, o país). Em seguida faço algumas constatações sobre o momento presente e ao que julgo terem sido dos erros mais graves cometidos pelo Bloco. Acabo com aquilo que penso serem as nossas tarefas fundamentais a curto prazo.

No final da “Belle Époque”

Há que perceber o contexto Histórico em que se dá este debate, estamos no final de uma “Belle Époque” a caminho de uma nova era, estas fases de transição são e sempre foram períodos duros, de posições extremadas, em que barbáries que muitos julgariam pertencer aos livros de História reemergem em todo o seu esplendor. Se há coisa que caracteriza os tempos em que vivemos é que tudo é possível. As Revoluções mais libertadoras, a reacção mais tenebrosa, a Guerra…

O grande desígnio do actual regime, a integração europeia, está em desagregação acelerada. A própria União Europeia deixa cair a máscara, muitos foram aqueles que acreditaram numa União que fizesse jus ao seu Hino, agora é claro, são fantasias. A União será o Império Alemão e dos seus aliados, ou não será. Várias vozes mais lúcidas, ou descomprometidas, tanto à esquerda, ou até nem tanto, já perceberem que um cenário provável será o da desintegração desta Europa. E Portugal é dos mais próximos do centro da tempestade, o nosso regime fundado sobre a esperança nesta CEE/UE, provavelmente irá colapsar com o desabar deste horizonte… Neste contexto a questão do Euro é um paradigma da cegueira Bloquista, a questão não é se somos em abstracto a favor do Euro ou não, a questão é que, sobretudo para um estado periférico como Portugal, a saída do Euro é uma questão de tempo. Face a isto o problema não é se queremos sair ou não. O problema é: já que vamos sair, qual a melhor estratégia a seguir face a isso! Uma Europa solidária, democrática e livre só se irá erguer sobre as cinzas da actual União Europeia. Há dúvidas?

Prelúdio

Bloco: Um Balanço com História, excerto de texto publicado a 20 de Outubro de 2009 (após as autárquicas)

Em Conclusão

No seu décimo ano, em 2009, o perigo é duplo:

Primeiro é o da asfixia da organização do Bloco protagonizado pelas correntes que detêm a direcção do Bloco à 10 anos… Nomeadamente se as correntes da “Hegemonia Partilhada” não derem espaço de manobra à recentemente chegada militância que apareceu no decorrer deste cíclo eleitoral. Neste momento um salto quantitativo e qualitativo é urgente em termos organizativos, esta tem de ser uma prioridade política e de recursos (que nem são poucos) da Direcção do Bloco.

O segundo é o de virar costas à realidade envolvente. O Bloco em 1999 nasceu num contexto bastante diferente do actual. Em termos mundiais vivia-se ainda o consulado Clintoniano pré-11 de Setembro e pré emergência das novas potências (Brasil, Rússia, Índia e China); no plano interno estávamos no auge da década de ouro portuguesa, acabadinhos de sair da expo; organicamente existiam dois partidos cada qual com estruturas e alguma militância , um movimento difuso e muitos independentes. Desde esses anos que não se faz uma profunda reflexão estratégica e uma análise rigorosa ao que é o Bloco, onde quer chegar e como. Sem isso o Bloco caminhará para derrotas bem piores que as autárquicas, que originarão um período de guerra civil interna, provavelmente seguido da desintegração a prazo do Bloco.

Tempos Extraordinários requerem Convenções Extraordinárias, excerto de texto publicado a 14 de Abril de 2010 (antes do PS apoiar Alegre)

Entretanto a Direcção foge de qualquer discussão mais profunda como Maomé do toucinho, isto com o receio que a coesão do Bloco se estilhace assim que se discutam as grandes opções a tomar pelo Bloco de uma forma consequente (ou seja, que das discussões de facto se retirem decisões práticas a implementar no terreno) ou assuntos que vão para lá da banalidade. O problema é que a realidade é impiedosa e adiar as discussões significa apenas que serão tidas sob muito maior pressão e num ambiente bem mais agreste no futuro…

«O marxismo busca o seu caminho através das brechas da crise desta sociedade, mas parte de uma posição muito minoritária. Rejeita a estratégia das alianças antifascistas para defender uma democracia novembrista, síndroma da Bela Adormecida que continua a imperar em alguma esquerda portuguesa e que paralisa o seu pensamento estratégico» Herança Tricolor, Francisco Louça

É exactamente porque o Bloco começa a demonstrar fortes sintomas do “síndroma da Bela Adormecida” que uma convenção neste momento faz todo o sentido.

Quando o Bloco surgiu, há mais de dez anos, tinha um grande objectivo a atingir, refazer o mapa da esquerda portuguesa.

O objectivo de refazer o mapa da Esquerda Portuguesa já foi em grande medida atingido, a progredir e não definhar o Bloco precisa de definir novos horizontes.

Ter apenas uma colecção de causas, algumas propostas e uns quantos discursos irados “do contra” é pouco para apresentar ao Povo, é insuficiente e, de facto, não responde aos problemas do país. É preciso mais. É necessária uma nova República, este regime e a classe dirigente que nos governa e se governa (sobretudo) têm de ser removidos. Isso implica ter uma proposta alternativa, qual é a que temos?

A crise veio para ficar e com ela as tensões sociais não podem se não aumentar, os tempos que se avizinham serão duros. Sem uma organização com o mínimo de enraizamento popular e estrutura o Bloco será facilmente cooptado ou aniquilado.

É que não me parece fazer sentido algum apoiar fulano ou sicrano sem antes percebermos bem o que queremos para o País. Vejo a candidatura e a eleição Presidencial como parte de um processo de luta mais vasto, é sobre esse pano de fundo que se deveria tomar a decisão de qual o candidato a apoiar.

Tenho dúvidas que Alegre seja a melhor escolha se o que desejamos é construir um movimento e um programa (que necessariamente terão de ir para lá do Bloco) capaz de derrubar o regime e substituir a “democracia novembrista” por uma nova República que responda aos problemas da Crise de forma Democrática. A certeza que tenho é que os actuais equilíbrios sociais e políticos são cada vez mais precários e a parte de Abril que ainda há na tal “democracia novembrista” será varrida se não construirmos nós a tal nova República.

Tenho a certeza também que, neste momento, há uma falta imensa de criatividade e imaginação para encontrar novas soluções e caminhos. É que é exactamente quando as actuais instituições de poder estão mais desacreditadas perante as massas populares, que mais o Bloco, no seu funcionamento e atitude, está “institucionalizado”.

Em cerca de 4 a 5 milhões de Portugueses elegíveis só quem está muito fossilizado é que acha que o BE só tem duas escolhas a fazer…

Reflexões sobre o Presente

A crise que se vive no Bloco vai para além dos resultados eleitorais catastróficos, a militância e activismo estão em retrocesso, o número de eleitores para a VII convenção de há um mês (menos que para a VI em 2009) são disso um indicador. E o Bloco já não conta com o efeito novidade, após 12 anos é mais um dos 5 partidos do sistema.

Esta crise mais do que fruto de uma conjuntura adversa, é resultado das decisões tomadas pela direcção do Bloco no plano Político e Organizativo.

Na última convenção houve intervenções que me pareciam de outro planeta… Louçã disse que o “Bloco” está maior, vários e várias disseram que éramos grandes e estávamos a crescer… O que lá se deu não foi um debate com base no real e orientado para a resolução dos desafios com que nos confrontamos. O que lá se passou foi um comício recheado de ilusões auto-elogiosos completamente desfasadas do mundo real. O argumento de que foi há apenas um mês não faz qualquer sentido, podia ter sido há uma semana, ou há um dia. O que lá se debateu e decidiu não nos equipa para os duros combates do momento.

Deve neste momento proceder-se a um intenso debate que deverá desaguar numa Convenção (Extraordinária, Ordinária adiantada, chamem-lhe o que quiserem…) onde se possam tomar decisões.

A crise do país só se agravou, estamos perante um governo de talibãs neo-liberais dispostos a rupturas radicais, benzidos pelo Presidente da República, apoiados pela Troika e a chantagem da dívida. Olhando para a Grécia torna-se claro que a estratégia Alemã e da União Europeia é espoliar o povo grego até ao tutano e quando já nada restar senão os ossos esses serão atirados para o lixo. A não ser que algo de extraordinário aconteça a curto prazo a Grécia será expulsa do Euro. Portugal será o próximo, e o Bloco que diz a isto? Deve Portugal continuar a fazer o papel do criado escorraçado do palácio que se ajoelha perante o senhor e implora para não ser expulso sujeitando-se a todo o tipo de trabalhos e favores que lhe são impostos? Será difícil e duro sair do Euro? Com certeza, mas neste momento não há soluções fáceis. Não há solução para a crise que não implique custos, a questão não é se vai haver ou não sacrifícios. A questão é saber para que é que irão servir os sacrifícios.

A isto junta-se a questão do regime. As instituições políticas, sociais e económicas actuais não estão à altura do momento e das necessidades do Povo Português. A direita propõe um programa de ruptura, mas reaccionário (moderno? é mas é um regresso ao século XIX…) vai no sentido completamente contraditório ao dos interesses da maioria da população e a prazo põe em risco até a Democracia formal. Mas defender o regime é suicidário, ele é insustentável, a única alternativa se queremos derrotar o projecto das direitas é propor uma nova Revolução que abane a sociedade portuguesa, reestruture o estado e ponha na linda os grandes interesses (a começar pelas empresas que vivem à custa das PPP´s).

No Balanço publicado pela mesa nacional é referido o seguinte: “Sem um terceiro pilar, um campo que reúna socialistas de esquerda, independentes, activistas e meios académicos que se situem para lá do BE e do PCP não há atalho que transforme a ideia de um “governo de esquerda” numa força propulsora capaz de mobilizar a sociedade portuguesa.” Então porque é que, como assumido em Louçã em plenário de adererentes, quando Alegre antes das legislativas de 2009 sugeriu a Louçã sair do PS, Louçã aconselhou-o a ficar no PS. Sobre isto a recente entrevista de Miguel Portas ao jornal i é também elucidativa não é tão categórica, mas vai no mesmo sentido: A aproximação com Manuel Alegre é feita no parlamento, sobre políticas concretas, tendo-se depois concretizado numa convergência que podia ter vários desenvolvimentos. Não se compreendem os 11% que o BE tem nas europeias e os 10% nas legislativas de 2009 sem essa convergência. Há um problema político quando o Manuel Alegre decide que vai ser candidato à presidência da República. O BE discutiu com ele vários caminhos, mas a decisão foi dele. Parece que a Direcção do Bloco não quis ser consequente com a tal “Esquerda Grande”, em vez de fazer tudo para que Alegre saí-se do PS preferiu que ele aí fica-se. Esta decisão foi um dos maiores erros de avaliação já alguma vez cometidos pelo Bloco. Porquê? Para quê? Para depois o apoiar nas presidenciais em conjunto com o PS e o Governo Sócrates odiado pelo Povo? Numa estratégia suicidária para o Bloco que assim se amarrou a um navio que se afundava, numa estratégia perdedora à partida. Que hipóteses teria o candidato apoiado pelo governo? Como poderia ele alguma vez derrotar Cavaco? O que se passou era previsível, o resultado obtido foi metade do que Alegre e as forças que o apoaram obtiveram em 2005. O Bloco descredibilizou-se como alternativa ao PS e a um dos Governos mais odiados pelo Povo, queimou terreno para a construção do tal terceiro pilar e com isso só ajudou a direita a assumir o manto da alternativa ao governo existente.

O futuro mais imediato

Face a 2005, a única vantagem que o Bloco tem é a da experiência acumulada, mas isso só será vantagem se estivermos dispostos a fazer um sério balanço dessa experiência. A partir daí estaremos melhor equipados para as seguintes tarefas cruciais, por ordem de importância:

- Luta Social e dinamização do movimento popular contra a troika, os talibãs no governo e por uma nova República. Algumas propostas da mesa nacional não parecem más, referendo a exigir uma auditoria é uma excelente ideia. Este tem de ser a preocupação número um para o Bloco de Esquerda, é na Rua que se vai jogar o futuro do país;

- Contrução da alternativa política que responda a essa luta social. O referido “terceiro pilar” é, de facto, uma necessidade. Aí deveremos (mais até que no passado recente) estar muito atentos à dinâmica das lutas e aos novos actores que irão surgir. Mais, é necessário construir uma frente institucional, mas a frente social será a mais determinante, devemos desde já estar conscientes que uma nova República deverá ser legitimada pelo voto popular, mas a forma como isso decorrerá dependerá da dinâmica de luta e das massas mais do que os calendários eleitorais do actual regime;

- Reforço da organização e militância bloquista. È preciso dar mais importância e margem de manobra à militância, o “centro” a Direcção, não pode querer abafar ou marginalizar tudo o que não controla a 100%. Não pode haver medo do confronto e discussão aberta.

Neste momento há três qualidades que não podemos dispensar: Coragem, Inteligência e respeito pela Verdade. Mesmo que a Verdade seja dura e tenha preços no curto prazo, é sempre mais rentável a longo prazo.

Um apontamento final para a questão da renovação/decapitação da direcção do Bloco. Neste momento não vejo quem mais, se não os lideres Históricos, poderá liderar o Bloco. A sua remoção neste momento seria destruir um dos maiores obstáculos a que se transforme o Bloco numa espécie de “Verdes” à moda do Rui Tavares… Dito isto é também verdade que a actual direcção está esgotada, depois das eleições o melhor que tinham a fazer era demitir-se, seriam certamente reeleitos e re-legitimados em convenção extraordinária, que melhor maneira de calar adversários internos e externos? Que melhor forma de começar este novo ciclo de cara lavada? Há uma falta de “rasgo” imensa nesta direcção… A forma como se lidou com Alegre é também evidência disto.

Este é um quebra cabeças de muito difícil resolução.

Francisco Furtado, aderente nº 391

PS – Para os textos completos do prelúdio consultar http://mundoemguerra.blogspot.com/

 

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10 Responses to O Bloco no final da “Belle Époque”

  1. Renato Teixeira says:

    Parece-me um belíssimo contributo, ao qual espero ter tempo para regressar mais tarde, mas debate aberto quer dizer precisamente o quê?

  2. Pedro Pinto says:

    Desculpem a falta de pertinência da questão, mas é importante saber conjugar o verbo haver.
    Já vou a meio e já é a 3ª falha destas:
    “Quando o Bloco surgiu, à mais de dez anos (…)”

    Tirando isso, estou a ler com bastante entusiasmo.

    Se for possível corrigir isso, agradeço que seja apagado o meu comentário.

  3. Vasco says:

    «Finalmente uma dicussão». Um título que diz tudo e mais não digo.

  4. Délio says:

    Francisco, maltratas a gramática e todos os acordos ortográficos… de resto… é um bom texto (ou melhor, bons textos). Abraço

  5. Chalana says:

    Deixando a gramática de lado – passatempo dos espertinhos lânguidos da blogosfera – este texto coloca em cima da mesa a identidade e respectivo futuro do Bloco de esquerda.

    Pois… aí é mais complicado, mas ajudava se o Bloco deixasse de priveligar as alianças com o PS tal como aconteceu, nos últimos anos, nestas situações:

    a) CML – com o Zé que fazia falta
    b) Fenprof – para derrotar o Mário Nogueira quando se desenvolvia a maior luta dos porfs desde sempre…
    c) Presidenciais – com o Manel que cobria o Zé Sócrates pla esquerda…

    Até abjurar a puta da social-democracia, o Bloco nunca será + do que um cavalo de Tróia da Social-democracia – agora um cavalo coxo, como se viu nos últimos resultados eleitorais…

  6. Rocha says:

    Essa do “terceiro pilar” dá pano para mangas. Mas a inexistente “esquerda do PS” não o é de certeza. Não chegou o Alegre e todos os anteriores “novos PS”/”esquerda do PS” para prová-lo?

    O “terceiro pilar” não vem das instituições deste regime e não há instituição tão alicerçada na “democracia novembrista” como o PS, porque o “terceiro pilar” só pode ser um pilar muito distante e em total ruptura com o regime.

    O “terceiro pilar” não vem de recrutar intelectuais “vaidosos da treta” como o Rui Tavares e o Boaventura Sousa Santos. Os intelectuais revolucionários ou estão já nas esquerdas ou andam quase na sarjeta – ou mesmo na sarjeta – completamente apagados pelos que andam com os bolsos cheios à custa do regime, seja pelo governo, pelo Estado, pelas empresas, pelos Bancos, pelas reitorias e pelos Media.

    O “terceiro” só virá de sítios totalmente fora do regime ou nunca virá – nunca virá das “instituições” que evidentemente são do regime. A esquerda extra-parlamentar e os movimentos de protesto recentes (essa juventude a despertar), a malta que está na rua, o pessoal dos bairros (e muitos imigrantes tb), esses trabalhadores e camponeses isolados no interior (por quem agora choram lágrimas de crocodilo, os do regime) e os católicos de esquerda, será alegures por aí que estará o “terceiro pilar”.

    Daqui concluo que esse pilar não é uma “grande organização” visível e palpável mas sim uma massa dispersa de movimentos, associações, pequenos partidos e capelinhas que andam habitualmente em escaramuças entre si. Mas são esses que valem a pena unir grão a grão e nãos os sempre reciclados PS de “promessas de esquerda” (sempre a mesma cantiga mentirosa), barão a barão.

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