Habemus Independentum

Afinal há política na saída do Rui Tavares do GUE/NGL.
Em resposta ao Zé Neves, o Rui num registo auto-jornalístico, enuncia de uma forma mais clara os motivos políticos que o levaram a sair da bancada onde se sentam os dois eleitos do BE e do PCP.
“O GUE/NGL, grupo em que estava, tem menos europeístas de esquerda do que, por exemplo, comunistas ortodoxos; tem menos europeístas de esquerda do que eurocéticos; para cada federalista há dois ou três soberanistas” ao invés, os verdes europeus, “são o grupo que tem revelado maior convicção e consistência no actual momento europeu, unindo boas políticas na área da solidariedade, sustentabilidade e defesa das liberdades” – escreve o Rui. Afinal, a culpa é dos comunistas ortodoxos e eurocépticos. Mas o Rui também invoca o interesse nacional para a sua decisão, escrevendo que “para Portugal é mais útil ter alguém no Grupo dos Verdes Europeus do que ficarem três delegações portuguesas no GUE/NGL”, e termina em tom patriótico, que o Zé Neves, certamente, valorizará: “Mas a esquerda portuguesa, o seu povo e a sua história, são maiores do que isto — e é a essa história e esse povo que eu pertenço desde o tutano”.
Que fique claro, antes de mais, que eu não acho que o Rui seja um oportunista e demais adjectivação moralista com que tem vindo a ser brindado, e por isso perco tempo a questionar as suas decisões e a sua acção política.
Quanto a mim, o Rui corporiza uma ideia que a sociedade do espectáculo procura impor e que a esquerda deve combater. Confunde-se independente com inteligente, militante com representante, disciplinado com submisso. E esta ideia é repetida sem contraditório. Até tipos inteligentes como o Ricardo Araújo Pereira ou o Pedro Mexia, devolvendo a simpática referência que não fazem ao 5dias, repetem banalidades sobre como o Rui gosta de ser eurodeputado ou como é bom vê-lo em Bruxelas.
Por outro lado, sendo que o Rui tem tantas ideias sobre o que deve ser a esquerda e o BE, é com perplexidade que constato que ninguém se interroga por que carga de água nunca foi seu aderente. Aí seria o espaço certo para expressar as suas posições e, ganhar ou perder, conforme o que se decidisse colectivamente, ou não?
Por fim, em diferentes partes do texto, declara que continuará a trabalhar para a convergência de esquerda, lançando a confusão com o seu desejo de ver no PE um grupo GREEN/LEFT, juntando o grupo para onde vai com aquele em que não suporta estar. Ou seja, o Rui, às 2ªs escreve que não há esquerda em Portugal, às 3ªs desentende-se no facebook com o coordenador do BE, às 4ªs vota a favor de uma intervenção da NATO num país soberano, às 5ªs reúne com Ana Gomes na sua tendência, às 6ªs combate os comunistas ortodoxos e, ao fim de semana, trabalha para a convergência de esquerda.
Sinceramente parece-me que o Rui precisa de descansar.

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18 respostas a Habemus Independentum

  1. Pedro Penilo diz:

    Cabe ainda perguntar se, antes de ser eleito, não sabia já Rui Tavares das circunstâncias políticas que agora lhe servem de pretexto para sair. Porque não se candidatou por um partido “Verde” que correspondesse à área política que de repente passou a interessá-lo?

    Claro que há maneira habilidosa de responder a isto. Mas o que não se safa, é de que cada um tire as suas próprias conclusões. E a boa educação não pode censurar as respostas pouco abonatórias.

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    joão viegas, o seu comentário não me parece tolerável.

    • joão viegas diz:

      O meu comentario ? A sério ? Onde ? Ou sera antes a contradição sobre a qual ironizava ?

      Não vou polemizar mas gostaria que registasse a minha supresa… tão espontânea e genuina como o seu incomodo.

      PS : Se houver algo que escapa, não hesite em explicar.

  3. Leo diz:

    “Afinal, a culpa é dos comunistas ortodoxos e eurocépticos”. E não só, a culpa é também dos soberanistas, Tiago. E ele quer afastamento dessa gente toda, dos comunistas, dos eurocépticos e dos soberanistas.

    E coitado, só depois de lá estar é que descobriu que havia espécimes destes no GUE/NGL – o que em nada abona a sua condição de historiador e jornalista – um simples mortal como eu que nunca pus os pés em Bruxelas sabia disso.

    Mas ao que não resisto é gozar com a sua tremenda vaidade. Diz o artista: “para Portugal é mais útil ter alguém no Grupo dos Verdes Europeus do que ficarem três delegações portuguesas no GUE/NGL”! O artista mero deputado eleito do BE? Qual quê? O artista é uma “delegação portuguesa”

    O rei vai nu, o artista é um idiota pomposo.

  4. !!! diz:

    Esse senhorito alardeia que é anarquista, mas agarra-se ao cargo (tacho) parlamentar como uma lapa. Um ínfimo de decência obrigaria à demissão imediata do lugar de eurodeputado (aliás, só um anarquista da treta lá poria os pés). Oportunista. Que grande oportunista. Não votei, nem votarei no BE: a força política em que voto não candidata ruis tavares. Mas não suporto oportunistas destes.

  5. Pisca diz:

    Mas essa peça que ser o Neo-Educador do Povo ???? Já bastou o Arnaldo Matos

    Vá dar lustro ao cágado

  6. Omega-3 diz:

    Kem é o rui tavares?

  7. miguel cunha diz:

    As afirmações do ex-deputado bloquista aqui reproduzidas são más de mais. São úteis na medida que ajudam a perceber melhor a personagem e talvez abram os olhos a alguma gente. Mas parece-me que não é só o RT que fica muito mal em tudo isto. É que alguém no bloco o propôs e só o fez porque o conhecia bem. Ora, este tipo de comportamento não surge do nada. Ele não era bestial e de repente passou-se para besta. O que me põe a questionar: porque razão a direcção do BE escolheu um tipo destes?

    • Leo diz:

      “porque razão a direcção do BE escolheu um tipo destes?”

      Pela mesma razão que convidou o Nobre para mandatário?

  8. João Pais diz:

    Rui Tavares a próximo presidente da AR proposto pelo PSD, já (ou logo que possivel, daqui a uns anitos…)!!!!

  9. Abilio Rosa diz:

    Esse Rui precisava era dum bom puxão de orelhas.
    Se ele saisse dessa forma gaiteira do grupo comunista europeu não se livrava disso!

  10. Gentleman diz:

    Só por curiosidade, qual foi a sua posição aquando da invasão russa da Geórgia? Escreveu publicamente sobre o assunto?

  11. Pingback: O RAP DO MEXIA – Bem estava o BE se tivesse dito que o Rui Tavares é um dos carrascos do povo líbio. | cinco dias

  12. Vasco diz:

    Não sou tão simpático nem ponho tantos paninhos quentes no que Rui Tavares é e representa. É um caso típico de «estrela» criada nos jornais e nas televisões (a quem pertencem?) a quem o BE se suportou para ganhar mais uns votitos. Agora, revelou-se a todos o que sempre foi – um arrivista e um direitinhas, ainda por cima arrogante. Pode dizer umas piadas giras e escrever umas coisas bem construídas e tal. Mais nada!

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