A nova biblioteca de Babel – I

“A atitude desleixada da morte” (John DaSilva, 1939) – Nos anos negros da grande depressão, as estradas que cruzavam a América despejavam no Oeste virgem as vítimas humanas de uma crise sem rosto. Sem emprego, sem dinheiro, quase sem esperança, arrastavam-se por esses longos caminhos brancos e negros, novos e velhos, homens, mulheres e crianças, em viagens que duravam semanas, até à terra prometida. O acaso e a natureza escolhiam então aqueles que se salvavam: aqueles que tinham a sorte do seu lado e força para resistir à adversidade. Os fracos, os azarados, ficavam para trás, tombavam exaustos, e juncavam a América profunda com os seus cadáveres; desistindo de lutar, desistiam de viver, e as suas faces vencidas ficavam a marcar a paisagem com a atitude desleixada da morte.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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5 respostas a A nova biblioteca de Babel – I

  1. Pedro Penilo diz:

    Isto está a aquecer, aqui no 5 Dias… Anda qualquer coisa no ar. Ou é dos meus ouvidos?

  2. Diogo diz:

    http://citadino.blogspot.com/2011/03/crise-financeira-explicada-armandos_23.html

    No princípio dos anos 1930, os banqueiros, a única fonte de dinheiro e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, lojas e quintas. Contudo, os pagamentos dos empréstimos existentes foram exigidos, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. Existiam bens para serem vendidos, empregos para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.

    Por este esquema simples a América foi colocada em “depressão” e os banqueiros apropriaram-se de centenas de milhar de quintas, casas e empresas. Às pessoas era dito que “os tempos estão difíceis” e “o dinheiro era pouco”. Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus pertences, das suas poupanças e da sua propriedade.

    Dado que hoje voltamos a entrar em «recessão», que nada mais é que uma repetição dos anos 1930, em que os banqueiros retiram dinheiro de circulação para paralisar a economia e apoderarem-se a preços de saldo dos bens dos cidadãos e empresas, e sabendo que jornalistas e políticos são meros funcionários bancários, talvez não fosse pior trocar a inofensiva arma do voto por algo mais assertivo.

  3. Helena Borges diz:

    Mais, mais, mais! II, III, IV…

  4. iskra diz:

    Vai aquecer sim. Preparem-se!

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