Se isto não é censura, nem autocensura, então já cá temos o exame prévio.


“O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional.”

Estatuto editorial do Expresso publicado ontem (Ponto 7)

Via Ciberjornalismo

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19 respostas a Se isto não é censura, nem autocensura, então já cá temos o exame prévio.

  1. Sassmine diz:

    vim aqui precisamente postar isto. é inacreditável a clareza… talvez seja melhor assim.

  2. Sassmine diz:

    tudo isto se pode resumir grosseiramente numa qualquer expressão parecida com “a bem da nação”. olhos abertos, minha gente, olhos abertos. o tio Friedman nunca foi tão feliz como quando partilhou quarto com o Pinochet…

  3. Helena Borges diz:

    É obsceno, mas já não era assim? A diferença é que agora está escrito.

    • Pedro Penilo diz:

      O que é novo numa série de acontecimentos que vemos, ouvimos e lemos, nos últimos tempos, não é a sua novidade de facto. É o facto de se traduzirem em expressão verbal e escrita. A direita perdeu a vergonha do que a ligava e liga ao fascismo português. Como dizia ao Álvaro: “…confessa-se.”

      Isso não é motivo de tranquilidade. É sinal de algo que aí está a crescer. E isso, sim, já é novo.

      • Helena Borges diz:

        Concordo, a direita está mais descarada do que nunca! E, sim, claro, mais intranquilidade para a esquerda ainda.

        • D. Nicola diz:

          é um combate em que a esquerda se encontra quase fora do baralho, apesar de ser dos mais importantes a nível da percepção. só um louco hoje pode afirmar o chavão de que o jornalismo em Portugal está à esquerda como se foi sugerindo durante anos. Há muito que o deixou de ser. A propriedade e a precariedade que caracterizam os actuais mass-media leva irremediavelmente ao síndrome da “voz do dono”.
          e assim se vai filtrando o real, desde o subliminar ao descarado. desde o p. portas de esquerda contra os recibos verdes e pelos agricultores, ao Coelho em económica e sem empregada doméstica, passando pelo Cavaco amigo da ferrovia, à inevitabilidade da troika e outras aberrações que as novas gerações e os mais distraídos (muitos, aliás) vão engolindo como se fosse a sua própria cabeça que o pensasse. Não interessa ser, basta parecer.
          enquanto isso, a esquerda continua o seu caminho de auto-fagia, a única modalidade para a qual se tem mostrado competente. competente demais.
          A questão é: Como raio dar a volta a esta merda?

  4. Gentleman diz:

    Esse incómodo pelo critério editorial do Expresso num blogue onde regularmente são tecidas loas ao regime cubano é irónico no mínimo…

    • Pedro Penilo diz:

      Gentleman, antes de o senhor andar de fraldas, andavam comunistas neste país a lutar contra a censura que o Expresso anda a recuperar. E foram marrar com os cornos em campos de concentração, que é uma coisa que o senhor só conhece dos filmes do Schwarznegger. A mim incomodam-me, sim: a censura e os fascistas, sempre com o regime cubano na boca. Também assinou a declaraçãozinha da boa integração?

      • Gentleman diz:

        Meu caro, os comunistas lutaram pelo derrube do Estado Novo, não pela liberdade e pela democracia. Se a liberdade de expressão, de associação e de emigração prevaleceram neste país após 1974 foi somente porque os comunistas não assumiram o poder. Pode embarcar nas ilusões que entender, porém todos, repito todos os regimes comunistas que a dado momento na História apoiaram e/ou foram apoiados pelo PCP atentaram contra as liberdades de expressão, associação e emigração em graus não inferiores a qualquer ditadura de Direita/fascista. Cunhal em tempos denominou o “partido com paredes de vidro”. Diria antes: o partido com telhados de vidro…

        • Pedro Penilo diz:

          Já vi que sim, que assinou a declaraçãozinha… O que aqui escreve, senhor anónimo e sem coragem de dar a cara pelo que diz, são calúnias dignas de um fascista. Está a falar de gente que morreu nas prisões contra um regime que condenou o povo português à miséria mais profunda e à tirania. Esses que lutaram, fizeram-no em nome de objectivos que estão escritos e proclamados, entre os quais a liberdade de expressão. Isto são factos e não os disparates e crendices da sua cassete. Os governos revolucionários em Portugal tinham comunistas. Não houve em Portugal período de maior liberdade, do que nesses meses depois do 25 de Abril. A contra-revolução fez-se para acabar com essa liberdade de decisão, de participação, de associação e de expressão

          • Gentleman diz:

            Casos de cárcere privado, com tortura e violenta agressão física; centenas de prisões arbitrárias; detenções sem invocação de razões e sem processo ao longo de meses e meses; interrogatórios à noite e não reduzidos a escrito; recusa de assistência de advogado; casos de tortura sistemática, de agressão violenta e de maus tratos físicos, por vezes com espancamento dos presos por vários agressores simultâneos; «sevícias sistemáticas sobre presos, com o fim de os humilhar e lhes infligir castigos corporais, traduzidos em agressões, rastejamento no solo, corridas forçadas, banhos frios com mangueira e imposição de beijarem as insígnias de uma unidade militar, incrustadas no pavimento»; tortura moral por insultos, intimidação e ameaças com armas de fogo; coacção psicológica por ameaça de prisão de familiares; vexames e enxovalhos públicos; subtracção de valores ou objectos na efectivação das prisões ou nas buscas às celas; incomunicabilidades, isolamentos, privação de correspondência, de artigos de higiene e de recepção de encomendas, até cinco meses; privação de exercício físico ao ar livre; desrespeito pelo natural pudor das pessoas na admissão dos detidos; graves deficiências de assistência médica, chegando a registar-se a morte de presos; impedimento de assistência a actos de culto… E ainda queixas de simulações de execução; de agressão à dentada, espancamento e tentativa de violação de uma presa; de choques eléctricos nos ouvidos, sexo e nariz de um preso; de sevícias e torturas ao filho de outro preso, na frente deste, para extorsão de uma confissão. Tão extremosas manifestações de humanidade não se devem à PIDE, nem aos franceses na Argélia, nem à guerra do Vietname, nem ao regime de Saddam, nem aos guardas de Guantánamo, nem às práticas sinistras de alguns militares americanos no Iraque. Devem-se a militares e civis alinhados com o PCP e a UDP no rutilante Portugal dos cravos de 1974-75. Esta é só uma pálida ideia de algumas das 56 conclusões do documento de 143 páginas publicado em 1976 pela Presidência da República, sob o título de «Relatório da comissão de averiguação de violências sobre presos sujeitos às autoridades militares».

            Meu caro, mergulhe no estudo a sério da História. Verá como o movimento comunista está manchado pela repressão, pela tortura, pela matança, pela escravatura em massa, pelos julgamentos sumários sem hipótese de defesa para os réus, pela ignomínia. E o PCP apoiou (e continua a apoiar) esse tipo de regimes. E durante grande parte da sua história recebeu também apoio deles. Se você quiser acreditar que o PCP seria um caso à parte e não embarcaria no mesmo tipo de repressão caso assumisse sozinho o poder, faça o favor. As ilusões são gratuitas.

          • Pedro Penilo diz:

            Relatório da Presidência da República, em 1976? História? Não brinque com coisas sérias, nem recorra à mentira. Quer-me fazer crer que aqueles que com Carlucci e a Igreja conspiraram para incendiar sedes do PCP e assassinar trabalhadores e militantes comunistas têm credibilidade para produzir relatórios? Nada do que venha da boca de um defensor do fascismo em Portugal pode valer a pena discutir.

      • Gentleman diz:

        Já agora, e já que estamos a falar de História, o Pedro tem noção que foram escravizadas mais pessoas no Gulag do que em 4 séculos de colonização europeia de África e da América?
        Tem noção que, em comparação, a repressão salazarista é uma brincadeira de meninos?
        E tem noção que o PCP recebia apoio directo do regime responsável por essa monstruosidade?

        • Pedro Penilo diz:

          Disparate.

          • Pedro Penilo diz:

            Gentleman

            Eu tolero quase tudo no que toca a comentários. Não tolero ofensas gratuitas. E não sou democrata num ponto, seguindo rigorosamente o preceito constitucional: não darei espaço à propaganda e apologia explícitas do fascismo. É o que faz neste comentário que censurei.

  5. susana diz:

    bom, pelo menos a censura é assumida. gostava que fosse explicitado, no entanto, quem decide o que é contrário aos interesses nacionais.

  6. Ze de Fare diz:

    Depois de alguns militantes do PCP terem sido desconvidados a escrever nos jornais do Joaquim Oliveira (que deve andar atarefado no beija-mão ao novo poder para que lhe ampare as enormes dívidas) surge agora um Expresso claro como a água…

    Bem me diziam, bem me avisavam…
    Como era a lei…
    Na minha terra,
    quem trepa no coqueiro é o rei!

    A bucha é dura…
    mais dura é a razão que a sustem…
    só nesta rusga…
    Não há lugar prós filhos da mãe…

  7. Não, a censura não é assumida. Esse parágrafo mínimo é apenas a ressalva legal que mantém as aparências. No tempo do Marcelo Caetano e do seu antecessor é que a censura estava escrita e instituída e não deixava margem para dúvidas. Hoje, a censura é oculta e pratica-se em todos os jornais. Basta a ausência de notícias sobre a actual situação na Grécia para o provar. (Mas há muito mais.) Existe um completo bloqueio informativo sobre o que não interessa ao(s) governo(s) e outros poderes. Felizmente há a internet, mas não tem a força dos meios de propaganda de massas e peca por ser dispersa. Fazem falta meios de comunicação independentes. Sobre censura ver: http://offxore.blogspot.com/search/label/censura

  8. Pedro Penilo diz:

    O comentatário de pseudónimo “Gentleman” afirma que (cito):

    “Debater com um crente comunista é tão inútil como debater com um fundamentalista religioso.”

    Entretanto, depois desta afirmação, o comentatário já redigiu três – comentários – três abordando os mais variados temas, exceptuando aquele que é o tema do post presente. A argumentação numa discussão pode levar ao recurso de temas aparentemente alheios ao tema central. E uma conversa pode derivar noutra. Contudo parece claro que o objectivo de Gentleman é o de substituir-me no 5 Dias, designando ele nos comentários, pela exaustão, o tema a abordar.

    Vou agradar a Gentleman com dois expedientes de livre arbítrio, que um espaço de opinião (não de informação, como é o caso do Expresso) me dá: 1. Garantir que, apesar da sua pulsão doente em comentar, deixa de ter de “debater” comigo; 2. Recentrar a conversa no tema da censura, não permitindo mais comentários de “Gentleman” que não se dediquem ao tema proposto. Assim poderá Gentleman afirmar que o censurei (entre dezenas de outras coisas, por afirmar que a ditadura fascista em Portugal foi “uma brincadeira de meninos”). E eu poderei afirmar que, num espaço de opinião como é este, me limito a cortar todos aqueles comentários que não pretendem discutir o tema mas afirmar a sua própria agenda.

    Desejo muita sorte a Gentleman no blogue que certamente não deixará de criar, para poder propagar as suas ideias próprias.

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