“A minha sorte sou eu que a faço”

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Em diferentes períodos da minha vida li e reli vários livros. Sem grande critério, destaco o Sem tréguas do Giovanni Pesce, o Assim foi temperado o aço do Nikolai Ostrovsky e o Confesso que vivi do Neruda.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Geralmente, se não consigo ponho-os de lado. Mas tenho vários livros que já comecei e que estão a ir aos bochechos. É o caso, por exemplo, do Me llaman El Solitario, auto-biografia do Jaime Gimenéz Arbe, preso em Monsanto. É também o caso, por motivos óbvios, do Cocina Tradicional Vasca. Também ando a tentar arrancar com o La Comuna de Paris de H. Prosper-Olivier Lissagaray.

3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Havendo escolha, nunca ficaria apenas com um. Se fosse obrigado, escolheria algo útil e prático como o Manual do Guerrilheiro Urbano do Carlos Marighella. Melhor do que me dedicar ao bricolage.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Olhando para as estantes, ainda não li, por exemplo, Os Miseráveis do Victor Hugo, o J’accuse do Zola e os Condenados da Terra e Pele negra, Máscaras brancas do Frantz Fanon. Uma porrada de coisas do Alfonso Sastre e, inevitavelmente, toda a obra do Joseba Sarrionandia.

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?

Talvez a do Caminho das Aves do José Casanova. Mas só depois de ter percebido que o capítulo final era o primeiro do livro. Normalmente, lembro-me mais de pequenas situações no meio dos livros. Como a história verdadeira do herói italiano Dante di Nanni contada por Giovanni Pesce. Ou a do Neruda enrolado com uma mulher enquanto o Lorca estava de atalaia. Mas tanto serviu de vigilante que tropeçou sozinho e partiu uma perna. Ou os múltiplos orgasmos nas dunas da Ilha Negra, descritos no Carteiro de Pablo Neruda, enquanto se anunciava o Nobel para o poeta chileno.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Bem, comecei por ler toda a colecção de Os Cinco da Enid Blyton. Depois devorei todos os livros do Júlio Verne. Li As Aventuras de Huckleberry Finn do Mark Twain, A Ilha do Tesouro do Robert Louis Stevenson, a colecção do Sandokan do Emilio Salgari, também tudo do Sherlock Holmes do Conan Doyle e, muito importante, o Corto Maltese do Hugo Pratt.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Há muito que não faço disso.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Só alguns. Capitães da Areia e Subterrâneos da Liberdade do Jorge Amado, Sem Tréguas do Giovanni Pesce, Assim Foi Temperado o Aço do Nikolai Ostrovsky, A Mãe do Gorki, Por Quem os Sinos Dobram do Hemingway, Até amanhã, camaradas! do Manuel Tiago, Esteiros do Soeiro Pereira Gomes, Dez dias que abalaram o mundo e México Insurrecto do John Reed, Ultimas notícias de la guerra do Jorge Enrique Botero, o Germinal do Zola, Afirma Pereira do Antonio Tabucchi, Canto General do Neruda.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Acabei há pouco de ler o Nenhum homem é estrangeiro do Joseph North e o AvóDezanove e o Segredo do Soviético do Ondjaki. Agora ando a ler Un Siglo de Terror en América Latina do Luis Suárez e um livro de estudo de euskara (língua basca).

10. Indica dez amigos para o meme literário.

O Filipe Guerra, o João, a Ana Martins e o LowProfiler16.

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2 respostas a “A minha sorte sou eu que a faço”

  1. Helena Borges diz:

    O manual do guerrilheiro há-de ser a resposta mais hábil para essa pergunta! Até porque, para apenas podermos ter um livro, devíamos estar a passar por um racionamento maluco, imposto pelo Armagedão.

  2. Filipe G. diz:

    Desafio aceite e respondido,

    abraço!

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