Questionário

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Almas Mortas do Gogol, O Velho e o Mar do Hemingway, O Vagabundo Filósofo do Gorki, Crónica de uma Morte Anunciada do Garcia Márquez, Black Boy do Richard Wright.
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Não. Quando me chateio desisto. Tipo Lobo Antunes, nunca passei da 4ª página.
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
História da Revolução Russa do Trotsky
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Guerra e Paz
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
O Monte dos Vendavais
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim, quilos de Tio Patinhas, Anita vai às compras, Patrícia vai de férias, Hansel e Gretel, Uma Aventura na…. Não sou como a ministra da justiça, Paula Teixeira da Cruz, que disse que lia Marx com 12 anos. Estive a rir durante uma semana!
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
A triologia dos Caminhos da Liberdade do Sartre. Eu achava que um intelectual de esquerda em formação tinha que ler aquilo. A evitar! É um exercício de auto complacência de alguém deprimido. O Sartre recuperou o papel do sujeito aos estalinistas que viam estruturas em todo o lado, mas trouxe o existencialismo com ele.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Os da resposta 1. Mais A Trégua do Primo Levi, O Velho que Lia Romances de Amor do Sepúlveda, Zero e o Infinito do Artur Koestler, Madame  Bovary do G. Flaubert, O Retrato de Dorian Gray do Oscar Wilde, Homenagem à Catalunha do Orwell, Geopolítica da Fome do Josué de Castro, A Mãe, do Gorki, Um Homem Só, do Roger Vailland, todos os da Agatha Christie (grande crónica dos costumes do império britânico em decadência), do Vásquez Montalbán, do Andrea Camilleri.
9. Que livro estás a ler neste momento?
O Tacão de Ferro do Jack London. Porque o fascismo não é uma reacção feudal atrasada como dizia a Terceira Internacional na era de Estaline, mas a guerra civil, como escreveu o Trotsky. O Fascismo é a alternativa à revolução. Há momentos na história em que a democracia burguesa é o fascismo. (Alemanha anos 30, Espanha anos 30). Crise de 29…
10. Indica dez amigos para o meme literário.
O António Paço, o João Delgado, o Rui Viana,  o Bruno Peixe, não me lembro de mais.

 

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13 respostas a Questionário

  1. Miguel Lopes diz:

    “Não sou como a ministra da justiça, Paula Teixeira da Cruz, que disse que lia Marx com 12 anos”

    Muito melhor que o nosso Ministro das Finanças, que diz ter lido o Capital com 17 aninhos.

    • Raquel Varela diz:

      Miguel,
      Imagino que ele esteja então a preparar-se para a hecatombe de 2013, pondo o seu dinheirinho em francos suíços. É que as crises cíclicas existem.
      A presunção de ler um livro complexo com pouca idade é de facto ridícula.
      Abç

  2. Helena Borges diz:

    O do Trotsky para o resto da vida! Ainda não o sabes de trás para a frente?

    (Nem um título para o post, só um? Para ficar mais bonito.)

    😉

    • Raquel Varela diz:

      Tinha-me esquecido. Já coloquei um sóbrio à pressa. A História da Revolução Russa é para ler, reler, ler, reler. Raramente se vai tão longe na compreensão da história como o Trotsky foi neste livro. E o Trotsky foi mais longe neste do que em qualquer outro.
      Obrigada pelo desafio. É bom fazermos propaganda da boa literatura.
      Abç

      • Helena Borges diz:

        Não li o Trotsky. Era capaz de ajudar-me a picar – !!! – os rubros!

        Não te imaginava a trazer para aqui a Emily Brontë. Num dos seus ensaios sobre a literatura (e o mal), o Bataille diz que O Monte dos Vendavais é um dos melhores livros de todos os tempos. Não o li, acho que vou pô-lo no monte da mesinha de cabeceira. Afinal, não há-de ser só um dramalhão!

        Li dois ou três do Vailland e gostei muito, mas não li Um Homem Só.

        Já a Agatha Christie… Consta que os livros dela são os mais traduzidos, depois da Bíblia e do Shakespeare. Sempre gostei mais da Patricia Highsmith, mais nova, mas mais desbragada.

        Que-obrigada-que-nada, estava curiosa!

        Abraço.

  3. Carlos Vidal diz:

    Essa do chato do Lobo Antunes, e de não passares da 4ª página, fez-me lembrar aquele tipo o Soares (mário) que dizia não conseguir passar da 5ª página, sem sono imediato, de qualquer livro de Marx.
    Mas acho isso possível (apesar de gostar do Lobo Antunes, o António).

  4. João Pimenta diz:

    Montalbam e Camilleri são brutais, gosto também de Ken Follet

    • Raquel Varela diz:

      Eu li um livro do Ken Follet, sobre a construção de uma catedral na Idade Média e gostei. Não é grande literatura mas é uma história bem contada. Tentei ler outro dele mas já achei light, ou seja, mau. Os Montalban, o escritor e o comissário, são imperdíveis.

  5. Carlos Vidal diz:

    Bom, a Raquel posta, mas depois não entra mais nas suas próprias caixas.

    Não dialoga e eu também não quero entrar em diálogos infindos (nem sequer gosto de diálogos – nunca gostei, nunca fui democrata).
    Mas sobre uma observação no post gostaria de ser clarificado, uma frase que não me parece fazer sentido: a dos “estalinistas que em tudo viam estruturas”. Quem é esse ou esses??
    O Althusser?
    É só esta pergunta.

    Se não obtiver resposta, nunca mais ponho o pé numa caixa da Raquel (o que não é problemático para a autora, estou certo).

    • Raquel Varela diz:

      Sim, o Athusser, um grande intelectual sem dúvida, é um bom exemplo das estruturas, da falta da análise da subjectividade. Desde o Imperialismo…de Lenine que a chave da explicação do século XX está no papel dos partidos e não na força das massas. O capitalismo não morre por si – por si faz duas guerras mas não morre.

    • Raquel Varela diz:

      Carlos,
      É que é mais fácil postar do que responder a tudo. Eu sou da geração precária, ou seja, trabalho 10 horas por dia, 6 dias por semana para conseguir chegar ao fim do mês. Os blogs têm um ritmo avassalador.
      Abç

      • Carlos Vidal diz:

        Compreendo, mas parece-me que o critério para se ser estalinista é ser-se militante de um PC (cá ou lá fora). É um critério que deixa de fora muitos verdadeiros simpatizantes do homem (Estaline). (E há tantos militantes PCs, cá ou lá fora, que não são admiradores.)

        O Althusser, não tinha pensado em chamar-lhe estalinista, mas se calhar era. O Prado Coelho definia-o bem: dizia dele que era um dogmático que estava sempre a apontar-nos a escada por onde subir para superar aquilo que ele pensava… O grande Althusser.
        Mas não te esqueças que estruturalistas, a seu modo, também foram Piaget, Barthes ou Foucault, etc.
        Não lhes chamarias estalinistas, pois não?
        (Adiante.)

  6. António Paço diz:

    O António Paço agradece o convite, mas não está de férias e por isso não responde a inquéritos sobre o que já leu ou vai ler. Só digo que estou a ler O Homem que Gostava de Cães, do Leonardo Padura, que até agora me parece merecer ser lido. Isto e mais uma carrada de livros de trabalho (eu gosto do meu trabalho, mas não vou fazer a lista).

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