“The signature of his rule was, if anything, demobilisation.”

Lula, a esquerda anti-populista, sob o escalpelo, aqui. Lembrei-me disto por causa deste quiz: na Europa, ninguém conhece o Brasil como Portugal (perguntem a uma Helena Borges de Lund, Nápoles ou Aberdeeen se conhece “Os Sertões”, let alone se consegue lê-lo, seja em que língua for) – mas, ainda assim, Portugal conhece muito mal o Brasil (o vice-versa também é verdade, mas não me incomoda tanto). Pretensiosos de todo o país, ouvi-me: o genial livro de Euclides da Cunha precedeu seis-décadas-seis o In Cold Blood; deixem cair o Capote and get the real thing!

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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32 respostas a “The signature of his rule was, if anything, demobilisation.”

  1. a anarca diz:

    🙂 🙂 🙂
    anotado !

  2. joão viegas diz:

    Aplauso total !

    Quantos Portugueses terão lido e cantado loas à Guerra do fim do Mundo sem ter esta curiosidade quase higiénica de ir ver o Euclides ? Também eu me estou borrifando para saber se a atitude é reciproca ou não. Apenas defendo que o desconhecimento que existe em Portugal acerca da literatura brasileira é uma das regiões mais tristemente pitorescas do nosso unico império verdadeiramente eterno : o desprezo que temos por nos proprios.

    Boas

  3. Pedro Penilo diz:

    Já o disse à Alexandra Lucas Coelho: há um Brasil que só certos portugueses conhecem (nem mesmo os brasileiros sabem desse brasil). O Brasil da nossa paixão pelo Brasil.

    • António Figueira diz:

      🙂

      • Pedro Penilo diz:

        In Cold Blood (Chladokrevnê) !!!!! Esqueci-me desse! Esse é um dos meus favoritos. Em checo foi uma ganda moca.

        (Dado o conteúdo do post, não me é permitido manifestar o meu regozijo, pois não…?)

        • Helena Borges diz:

          Que nada, claro que é! Mas esta coisa dos blogues é tramada, parece que só congela o scroll com umas picadelas.

          (E em checo e tudo…)

    • Helena Borges diz:

      Seria um abuso muito grande pedir-te para atirares a batata quente à Alexandra Lucas Coelho? Quis incluí-la na última resposta, mas tive vergonha. Se nem sequer tive lata para adicioná-la no fuças…

  4. Helena Borges diz:

    Convidamos o Gilberto Freyre para a suruba? Casa Grande & Senzala, num brasileiro mais técnico, mas já que estamos numa de conhecer melhor o Brasil…

    Os Sertões estão em stock e a preço de pechincha na livraria mencionada na outra caixa de comentários. Não quero trazer a publicidade para aqui, até porque a coisa passou a ter “books & living” – ridículo – colado ao nome. Dez euros é dinheiro, mas se os dividirmos pelas centenas de páginas… E o Grande Sertão custa o triplo!

    É isso, leiam o In Cold Blood na praia e façam do sono insónia para ler o livro do Euclides da Cunha.

    (Simpatizo contigo desde que não importa o quê te lembrou a tonga da mironga do kabuletê!)

  5. José diz:

    O problema não é necessariamente dos leitores.
    Vão às livrarias e tentem procurar alguns dos grandes livros da literatura brasileira e depois digam qualquer coisa…
    Ando há anos a tentar acabar de ler “O tempo e o vento”, mas para isso preciso de comprar os dois últimos volumes e… não há existem no mercado nacional.
    Na última feira do livro de Lisboa, num stand de uma editora brasileira, após dizer-me que não tinham, o funcionário deu-me um cartão seu e pediu para o contactar se eu tivesse sorte na minha busca: também ele anda há anos para terminar a aquisição d’ O tempo e o vento.
    Para conseguir ler “Grande sertão-Veredas” tive que aproveitar uma viagem ao Brasil para o comprar.
    Mesmo pela Amazon ou Fnac, é mais fácil adquirir literatura europeia ou norte-americana do que brasileira.

    • António Figueira diz:

      Totalmente de acordo, já tive uma experiência igual.
      A CPLP, que não serve para nadinha de nada, não poderia servir para ao menos para isso? – um acordo sobre o livro, a invocação de uma excepção cultural, a criação de uma biblioteca básica da língua (discutível, como todas) mas que tornasse ao menos os clássicos disponíveis?…

    • Helena Borges diz:

      É isso tudo, José e António. Dizem-me: há pouquíssimas – quase nenhuma, uma? – distribuidoras a trazer livros do Brasil; e se não os têm em stock, não serve de muito encomendá-los, porque o mais certo é não chegarem cá. Se é verdade, não sei. Só sei que sou mais uma do clube dos gatos escaldados.

      Vai valendo a Colecção Livros do Brasil da editora com o mesmo nome, mas mesmo essa já é difícil de arranjar, e aquelas iniciativas pontuais como o Curso Breve da Literatura Brasileira da Cotovia, mas a oferta é limitada. E nós somos uns alarves, queremos tudo, tudo, tudo, mesmo que não arranjemos tempo para lê-lo!

      • Helena Borges diz:

        (“Curso Breve de Literatura Brasileira”, “de”!)

      • José diz:

        A Livros do Brasil há muito que não edita nem reedita livros brasileiros, nomeadamente os clássicos.
        A Ambar começou e logo findou a publicação da obra de Érico Veríssimo.
        Uma miséria!

        • Helena Borges diz:

          À conta disso, os livros aparecem em saldo nas feiras. Meia dúzia, com as folhas já castanhas e com as capas carcomidas.

          Isso, uma miséria!

    • scriabin diz:

      José, pode ir à Livraria Cultura on line encomendar.

      Do Erico Veríssimo
      http://www.livrariacultura.com.br/scripts/busca/busca.asp?palavra=O+Tempo+e+o+Vento&tipo_pesq=&tipo_pesq_new_value=false

      Para o Grande Sertão Veredas
      http://www.livrariacultura.com.br/scripts/busca/busca.asp?palavra=Grande+Sert%C3%A3o+Veredas&tipo_pesq=1&tipo_pesq_new_value=false.

      Já encomendei aqui mesmo dois livros, há meia dúzia de anos: o Noites Tropicais do Nelson Mota e o Doze Césares, do Suetónio, este impossível de se encontrar cá, mesmo vasculhando os alfarrabistas todos, por mais incrível que possa parecer. Já nessa altura foi rápido e relativamente barato. Podem é não ter em catálogo no momento o que se pretende.

      • Helena Borges diz:

        Acho que o José anda à cata dos dois primeiros volumes do O Tempo e o Vento. O Grande Sertão arranja-se por cá, carito.

        Comprei o do Nelson Motta na Fnac, havia um de alguém que o encomendou e não o levantou! As crónicas são fofoquice da boa.

        Tiveste chatices na alfândega, Scriabin? Tenho medo disso.

        • scriabin diz:

          No link que coloquei está, pelo menos, o Arquipélago e o Continente, mas não vi mais. E o Clarissa, claro, uma das minhas primeiras paixões, das primeiras coisas que li em brasilês, para além das revistas cruzeiro e manchete que um senhor trazia do Brasil.
          Comprei o Noites Tropicais antes de sair cá (se calhar, já foi há mais que uma dúzia de anos, não me lembro). e depois comprei cá o disco, na Fnac, uma maravilha. Não tive chatices nenhumas com a alfândega. Que é a alfândega? O livro veio, paguei (ou paguei e veio, já não me lembro) e pronto, cá está.

          • Helena Borges diz:

            É o paraíso dos impostos alfandegários, das taxas aduaneiras. Passam por lá todas as encomendas que vêm de fora da UE. Creio que, desde há coisa de dois anos, passou a haver isenção para encomendas de valor inferior a €150, mas não sei se isto funciona bem. Ainda assim, convém teres uma factura para poderes fazer prova do preço. Depois, há um truque que nunca experimentei: pedir para enviar como oferta, por aí.

            Já é muito bom a Livraria Cultura, que eu desconhecia, dispor-se a enviar livros para fora do Brasil. Algumas não enviam. E com livros não deve haver problema, espero. Boa dica, Scriabin, boa dica!

          • José diz:

            Obrigado, Scriabin.
            Já conhecia.
            O problema é que cada livro, com os portes, fica a 40 e tal euros, se for na opção mais barata, de 30 dias úteis, o que é um absurdo!
            Já comprei livros bem mais caros na Amazon, mas livros técnicos, agora, dar 45 euros por um livro que aqui custava 15 ou menos, é algo que me irrita!

          • António Figueira diz:

            Apoiado.
            Livros da Cultura super-caros e ultra-demorados.
            Quando quiserem livros lá de baixo, do pedaço, juntem-se todos e paguem-me as passagens, que eu vou buscá-los ao Rio e faço o carrego, por amor a todos vós.

  6. Oscar diz:

    O artigo do Pacheco Pereira no Público contra o Nobre d a acampada trazia erros que a errata já corrigiu.
    http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/pacheco-pereira-errata-e-duvidas.html

  7. Pingback: Já que queremos ir ao lado de baixo do equador | cinco dias

  8. scriabin diz:

    Então, mas um gajo quando quer muito uma coisa, até dá mais uns tostões e espera um bocadinho. Um dos que mandei vir, o Suetónio, nem havia cá, estava esgotadíssimo, e é muito bonito e com letras que dá para ler sem óculos. uma edição de luxo. E o outro, pronto, até poderia ter esperado um bocadinho, mas não sabia que seria cá editado. Estava à espera de ser o único português a ter.
    Helena, espero não ter nenhum cadastro na alfândega, não tinha pensado nisso. Agora vou começar a ver gajos de fato preto e óculos escuros à porta, raios. Que é factura?

    • Helena Borges diz:

      Factura é ler na diagonal. Ou isso ou um primata asiático.

      😉

    • José diz:

      “Então, mas um gajo quando quer muito uma coisa, até dá mais uns tostões e espera um bocadinho.”
      Isso é verdade. E mais verdadeiro ainda porque estou a meio da saga dos Terra Cambará e quero chegar ao fim…

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