SlutWalk


(hoje as 17:30 na praça Luís Camões… apareçam galdérias e galdérios!)

SlutWalk* Lisboa

Pela autodeterminação sexual em todas as circunstâncias

* SLUT, galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil

Em Janeiro de 2011 um polícia afirmou em Toronto que as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas. A SLUTwalk Lisboa junta-se à vaga de indignação que esta afirmação causou um pouco por todo o mundo.

Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Recusamos a cumplicidade com a agressão e com quem agride, seja pelo silêncio ou pela benevolência. Recusamos a objectificação e mercantilização dos corpos das mulheres. Mude-se as leis, mude-se quem agride. Mude-se a cultura patriarcal que diz às mulheres para não serem violadas, em vez de dizer aos homens para não violarem.

Mude-se a moral dominante, segundo a qual SLUTs somos todas nós, mulheres casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, heterossexuais ou lésbicas, bissexuais, assexuais, com ou sem companheirxs, monogâmicas ou não, com ou sem filhxs. SLUTs são todas as mulheres que não inibem gestos, emoções, desejos ou vontades, que vestem, falam e vivem de acordo com os seus próprios padrões, que se não vergam à moral dominante.

Se SLUT – galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil – é uma mulher que decide sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, e que procura prazer, então, somos SLUTs, sim!

Não queremos piropos sexistas, não queremos paternalismo, não queremos violência sexual. Dizemos não, por mais cidadania. Dizemos não, por mais democracia. Dizemos não, por mais liberdade.

Se ponho um decote… Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas… Não é Não!
Se uso burqa… Não é Não!
Se durmo com quem me apetece… Não é Não!
Se sou virgem… Não é Não!
Se passo naquela rua… Não é Não!
Se vamos para os copos… Não é Não!
Se me sinto vulnerável… Não é Não!
Se sou deficiente… Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs…Não é Não!
Se ontem dormi contigo… Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual… Não é Não!
Se és meu chefe… Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs… Não é Não!
Se sou tua paciente… Não é Não!
Se sou tua parente… Não é Não!
Se sou imigrante ilegal… Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas… Não é Não!
Se sou empregada de hotel… Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então… Não é Não!
Se és padre, imã, rabi ou pujari… Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua… Não é Não!
Se sou brasileira, cabo-verdiana, angolana ou de outro país que sofreu colonização… Não é Não!
Se tenho mamas e pila… Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece… Não é Não!
Se sou empregada doméstica… Não é Não!
Se adoro ver pornografia… Não é Não!
Se ando à boleia… Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM… Não é Não!
Se já abrimos o preservativo… Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras.

(também aqui)

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3 respostas a SlutWalk

  1. Renato diz:

    Viva a auto-determinação individual!
    Abaixo o estabelecimento de classe!
    Abaixo a vanguarda do povo!

  2. anon diz:

    Que nome mais ridiculo para a iniciativa.

  3. NUK diz:

    Por um lado até percebo o que ele disse, mas foi de uma maneira simples e vaga e, logo, caiu muito mal às pessoas.
    Há uma publicidade, que tem vindo a crescer já há muitos anos, feita pelos Media e pela Sociedade de que as mulheres devem atingir um certo corpo perfeito. Como resultado flagrante, é muito fácil hoje irmos ao 7º e 8º ano e vermos raparigas cheias de maquilhagem, de mini-saia e outros trajes pequenos… No entanto, quando eu estive nesses anos lectivos, isso não era assim e “só” tenho 20 anos. Portanto, aqui o que se passa é mesmo um problema de educação, de valores e de atitudes. Também se repara que há um número crescente de raparigas com 15, 14 ou até mesmo de 12/13 que entram em discotecas com roupas menores e não me venham dizer que não andam à “pesca” de algum rapaz ou rapariga (se forem lésbicas ou bissexuais). A culpa não é totalmente delas, pois isto é incutido no cérebro delas desde muito cedo.
    Os rapazes também não se safam, sendo influenciados por aquelas “cenas todas cool” de serem “muita mauzões” e “todos gangsters” e depois dá de andarem com as calças pelos joelhos (esta figura parva eu ainda apanhei no básico e no secundário), de atormentarem outros rapazes ou até mesmo raparigas e etc…
    Tem que haver uma reformulação no que deve haver ou não ao alcance dos menores nos Media. Uma coisa é liberdade de expressão e de acesso à informação, outra coisa é liberdade para tornar a juventude num monte de superficialistas e/ou pessoas destrutivas.

  4. Abilio Rosa diz:

    Que se foda todo esse putedo!

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