Então vá, umas leituras

Agradecendo à Helena o seu amor por me querer dar trabalho, confessando ter pouca paciência para estas coisas, e considerando que a Morgada de V. já disse o essencial sobre o assunto, cá vai a coisa.

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
O essencial para mim sempre foi ler e reler várias vezes (perdi a conta) As aventuras de Asterix, o gaulês, particularmente os que contam com a assinatura de René Goscinny. E reli, claro, o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels – sempre candidato a nova leitura quando calhar.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sempre que pego no Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, nunca lhe chego ao fim. Já recomecei várias vezes e nada. O tempo que se tem (e se escolhe) para as coisas levou sempre a melhor.

3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Francamente, acho que tenho mais que fazer do que ler um livro para o resto da minha vida.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Embora não seja inteiramente verdade, tenho acompanhado a leitura pública, comentada, da obra na Casa da Achada, mas ler o livro não, nunca li. O motivo? É grande e como já referi acima, o meu tempo leva sempre a melhor. Mas um dia…

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Para além dos banquetes no fim de cada aventura do Asterix? Bem, enfim, complicado isso. Partir um livro em bocados, como se a «cena final» fosse uma coisa especial, parece-me complicado.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Quando era criança foi quando comecei a ler As aventuras de Asterix, o gaulês, o Lucky Luke e o Timtim. De resto, confesso, lia Uma aventura, e lia todos aqueles livros cheios de erros (e de imagens, pronto) sobre planetas, antiguidade clássica, animais, jardinagem e fantasmas (claro que raptava animais e tentava cuidar de um jardim – não comento como é que isso correu). E li o diário de Anne Frank e o de Christiane F..

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
A falta de tempo e a preguiça nunca permitiram que tal coisa acontecesse.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Realmente, estas perguntas são algo estúpidas. Tudo depende dos momentos, dos tempos e das vidas. A morte é para os outros e O dia cinzento e outros contos de Mário Dionísio são essenciais; Os passos em volta de Herberto Helder (a coisa de serem contos facilita imenso não deixar o livro de lado devido à preguicite); e sempre gostei daquelas tragédias da humanidade (sou um pessimista), como o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e Mil novecentos e oitenta e quatro de George Orwell. Justine do Marquês de Sade, que sempre fui dado a coisas pouco saudáveis depois da Christiane F.. E sim, o Asterix com o Goscinny.

9. Que livro estás a ler neste momento?
Up Against The Wall Motherfuckers!. O Ben Morea convenceu-me, dizendo precisamente o contrário disto, que valia a pena meter a preguiça e outras ocupações mais ou menos de lado.

10. Indica dez amigos para o meme literário.
Repetindo duas indicações aqui já dadas: a Diana Dionísio e o Zé Neves. Acrescentando: Pedro Vieira, Ricardo Noronha, Sérgio Vitorino, Zé Nuno Matos. Ah, e o pessoal do Spectrum em jeito cadáver-esquisito.

Desculpem lá a maçada.

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5 respostas a Então vá, umas leituras

  1. Meu deus, não me lembrava que tb tinha lido “Os Filhos da Droga” (Círculo de Leitores?). E tb sou uma irredutível fã do Astérix.

  2. Youri Paiva diz:

    Então e a Viagem pelo mundo da droga? Já não me lembrava desse também.

  3. Helena Borges diz:

    Os meus antigos preferidos eram os egípcios e, milhares de anos depois, o bardo e o peixeiro!

    • Youri Paiva diz:

      Sim, os egípcios eram adoráveis. Já não criança li A História começa na Suméria e troquei-os (e este livro também é dos favoritos).

      Os livros do Astérix são daquelas coisas que me possibilitam andar de avião. Leio, rio-me, penso e esqueço-me de onde estou.

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