(ou chain letter do António Figueira.)
1 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Existem vários. Alguns já foram, outros são só projectos de releitura. Mas se os da Alice Vieira e os do Artaud contam (saudades daquele tempo em que todo o tempo dava para todos os livros) – ah, e o Siddhartha do Hesse – claro, já reli vários. Isto nem falando na poesia e no teatro, mas isso é por essência para reler e não contar pelos dedos. Agora é mais raro reler. Mas sublinho e anoto, que é para não me perder do que me encontrou (esta correu-me bem, agora…)
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim. Mais do que um. Mas pronto, vá, o calhau mais óbvio é O Homem Sem Qualidades.
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Preferia escrever um livro para o resto da minha vida. Assim enquanto lesse podia ir emendando.
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Tantos! Olha, O Homem Sem Qualidades, por exemplo…
5- Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Frase final lida aos catorze anos para nunca mais me abandonar: “Desprendeu-se a alma de Baltazar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.”
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Tudo. A Bravo (pode chamar-se ler a isso? quer dizer, em alemão? :p), as Mafaldas, o Diário de Lisboa que o meu pai comprava, o Astérix, a Alice Vieira, a Alice Vieira, a Alice Vieira, o Jorge Amado (Os Capitães da Areia mudaram a minha vida e a minha cabeça completamente), os patinhas em brasileiro, os compêndios de história e de arte e de história da arte, de preferência com muitos bonecos. E pronto, confesso, muito neo-realismo, de cá e de lá da cortina de ferro. No oitavo ano tive um professor de português muito preocupado com o facto de eu estar a ler o Cerromaior. Achei melhor não lhe dizer que já tinha lido A Mãe dois anos antes…
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Ui… sei lá. O Ulisses é capaz de se aplicar, mas não era o Joyce que era chato, era eu que estava verde. Mesmo assim fui até ao fim por teimosia e snobeira literária. Aí está um projecto de releitura perdido, por exemplo…
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Não sou capaz. Vou deixar na leveza das literaturas (mal-)consideradas menores: Slaughterhouse 5, do Kurt Vonnegut, e a trilogia Millenium, do Stieg Larsson, só para não defraudar ninguém. E não, não vou postar uma foto do dragão.
9. Que livro estás a ler neste momento?
Estou a acabar as Intermitências da Morte. E o Adoecer, da Hélia Correia. E continuo a dizer que estou a ler O Homem Sem Qualidades, para todos os efeitos tem lá um marcador dentro…
10. Indica dez amigos para o Meme Literário:
Não faças aos outros… enfim, quem quiser que responda.




Ola,
Pessoalmente, a unica coisa que consigo imaginar com ainda menos interesse do que esse tipo de exercicios é o meu desinteresse por eles. Por isso so comento porque não pude deixar de reparar num pormenor : a resposta à pergunta n° 3 sugere que v. anda a precisar de ler, ou de reler, as Memorias postumas de Bras Cubas, leitura ou releitura que se recomenda.
Não li o resto mas estou sossegado, porque tenho a certeza de que a Constituição aparece mencionada na lista dos preferidos que se levam para o caixão de uma ilha deserta como prova de que o leitor de bom gosto é uma espectacular companhia para eles (ou la como é que se costuma fazer a pergunta).
Abraço
por acaso não, apenas por uma simples razão: a Constituição não me faria falta nenhuma numa ilha deserta, se pensarmos bem no assunto.
Pois !
Pensar bem no assunto e responder a esse tipo de questionario são exercicios dificilmente compativeis, pelo menos quanto a mim. Leia, ou releia, as Memorias postumas de Bras Cubas e vai ver que não se arrepende !
eu sei. arrependimento é coisa que não combina com Machado de Assis.
Saudades dos patinhas em brasileiro. Ainda tentei que os meus filhos gostassem deles para eu também desfrutar do regresso à infância mas debalde. Vivi em Cerromaior até aos 18 anos. Grande livro. Já leu Alves Redol? Gaibéus e Barranco de Cegos? Li-os na adolescência e ficam para toda a vida.
do Redol li só o Constantino. também fica.
Esse nunca li. Estamos empatados.
A minha adolescência acabou quando os patos começaram a tratar-se por tu.
a minha tinha acabado de começar. foi quando o mundo começou a ficar esquisito.
You used to read a very weird stuff…
era o que achava o tal professor de português.
É triste, sassmine. E o zé carioca veio viver para massamá com o nestor, que veio a ser primeiro ministro e pronto, porca miséria.
Eu, do Joyce, o Ulisses, li bocadinhos na bertrand. Não é preciso comer o bolo todo, para se saber ao que sabe. Está feito, estou livre para todo o sempre, amen.
Um que eu tentei, mas não consegui ler até ao fim foi o Montanha Mágica, do Thomas Mann. Aqueles tuberculosos são interessantes, mas nunca mais morriam e eu desisti. Devorei o Julio Verne todo, e os cinco e os sete, na infância. E na escola tenho a impressão que tinhamos bocadinhos da Mãe como leitura obrigatória nas colectâneas de português (ah pois) e os poetas franceses da resistência, em francês, quando havia francês.
Nunca mais me esqueci da Lúcialima, da Maria Velho da Costa.