O BE, o PCP e a Renegociação da Dívida

“O objetivo é o crescimento”, disse, (Durão Barroso a Passos Coelho) alertando que cada euro pago para sustentar a dívida pública “é um euro que não pode ir para a saúde pública ou escolas, para o bem estar dos portugueses”.

Quem quer renegociar a dívida, continue a pensar…

A dívida, legítima, ilegítima, foi contraída por um Estado que não é o nosso e é única e exclusivamente uma correia de transmissão de capitais públicos para o privado.

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5 respostas a O BE, o PCP e a Renegociação da Dívida

  1. João Pais diz:

    Talvez lhe fizesse bem observar que tanto como outro se referem à dívida antes da entrada do FMI em Portugal, não a do FMI (que aliás ainda só pôs em Portugal [leia-se nos bancos que cá têm sede] uma pequena maquia). Mais a mais, pelo menos o PCP fala de renegociar prazos e MONTANTES. Tire as suas próprias conclusões ou continue na piscina do preconceito a achar que é a melhor do mundo e que a razão é sua propriedade exclusiva nessa febre anti-partidos e, mais do que tudo, anti-comunista

  2. Ilídio PG diz:

    A Raquel, quanto a mim, ganharia em perceber um bocadinho melhor em que consiste o endividamento público.

    Eu acompanho-a fundamentalmente na denúncia do carácter de classe do Estado, mas a questão não pode ser posta de forma tão simplificadamente redutora. Nas sociedades capitalistas desenvolvidas, modernas, o Estado, sem deixar de ser um Estado que favorece os grandes monopólios, que defende os interesses e os lucros dos grande patronato, que financia a acumulação do grande capital e que se encarrega de assegurar a sua dominação sobre os trabalhadores, proporciona, em maior ou menor grau, um conjunto de bens e serviços (e não só de educação e saúde) de que os trabalhadores e as populações também beneficiam, e que aliás lutam para conservar e desenvolver.

    Afirmar ou insinuar que toda a dívida do Estado é em benefício exclusivo do grande capital é da mesma ordem de ideias que afirmar que toda a despesa pública se faz em benefício exclusivo do grande capital e não aproveita em nada aos trabalhadores e suas famílias. Só se pode afirmar isto num grau de abstracção, ou de simplificação, muito grande. Em concreto, é evidentemente um enorme exagero e revela uma grande desconhecimento da intervenção dos poderes e instituições públicas e uma incompreensão da forma como o poder de Estado, enquanto instrumento de dominação de classe e de garantia de manutenção da ordem exploradora, se tem que articular, em medida variável no tempo, com a satisfação de necessidades e reivindicações sociais, em benefício das populações.

    Já há uns tempos alguém chamava a atenção da Raquel, e se bem recordo ficou sem resposta, que não reconhecer ao Estado a capacidade de contrair dívidas equivalia na prática à defesa de défices orçamentais nulos ou excedentários. Ora isto é, acrescento eu, a muito reaccionária política que a Alemanha pretende constitucionalizar ao nível da União Europeia. Exemplo típico de como o esquerdismo mal informado e inconsequente se pode ver, de repente, a levar a água ao moinho das forças políticas do grande capital monopolista.

    Há despesa pública e despesa pública, há dívida pública e dívida pública. Há despesa e dívida públicas, utilizadas na melhoria das condições sociais dos trabalhadores e dos padrões de bem-estar das populações, no investimento produtivo, especialmente público, no combate à recessão e estagnação económicas, que são, não apenas necessários, como verdadeiramente imprescindíveis para qualquer política de esquerda minimamente digna desse nome.

    Nem toda a dívida pública se deveu a estádios de futebol, aos submarinos do Portas, à garantia dos lucros das parcerias público privadas ou à canalização de verbas para as multinacionais que levantam a tenda quando a aragem lhes afecta os rendimentos.

    E depois há também o outro lado da questão. Que significa a palavra de ordem do não pagamento, avançada em pretensa alternativa à renegociação de prazos, juros, condições de pagamento e MONTANTES? Que significa, simplesmente, não pagar, entenda-se não pagar de todo, a dívida do Estado, com o pretexto de que “não é nossa”?

    Que não se paga a parte da dívida que está na posse do sector público administrativo e do sector empresarial do Estado, contribuindo decisivamente para lhes dar a machadada final?

    Que não se paga a parte da dívida corporificada nos certificados de aforro (ou nos certificados do tesouro) adquiridos pelos pequenos investidores, queimando poupanças de vida de centenas de milhares de trabalhadores e reformados?

    A Raquel Varela e o seu rubro colectivo que meçam melhor as suas palavras de ordem e sobretudo que ganhem um pouco mais de juízo.

  3. Ilídio PG diz:

    No quarto parágrafo acima leia-se, correctamente, “… equivalia na prática à defesa de SALDOS orçamentais nulos ou excedentários”, com “saldos orçamentais” em vez de “défices orçamentais” (ou então, em alternativa, “… equivalia na prática à defesa de défices orçamentais nulos ou de orçamentos excedentários”).

    Para que não haja quem se baralhe com a referência ao sector público administrativo e para que se aperceba melhor da barbaridade que é defender o não pagamento, sem mais, da dívida pública, pense-se no seu sub-sector da segurança social e recorde-se que mais de metade (actualmente mais de 60%) do património do fundo de estabilização financeira da segurança social é aplicado em dívida pública portuguesa. Não, Raquel, a dívida pública não “é única e exclusivamente uma correia de transmissão de capitais públicos para o privado” (como nos casos emblemáticos do BPN ou do BPP). Há que saber separar o trigo do joio. Há que saber medir e evitar o sentido e o alcance perverso das reivindicações e das palavras de ordem lançadas irreflectidamente.

  4. Leo diz:

    “A dívida, legítima, ilegítima, foi contraída por um Estado que não é o nosso” ???

    Depois de tanta discussão a Raquel nem ainda descobriu que a maior parte da dívida é dos bancos+privados? Chiça que além de má-fé é incompetente.

    Pudera, se é das que acham que desde o 25 de Abril tem sido uma roubalheira pegada…

  5. Anónimo diz:

    Sugestão: abandonar a estupidez e começar a pensar um bocadinho melhor. Comece por ler um ou dois livros de introdução à economia. Se mesmo assim não perceber qual é o busílis, assuma que não tem intelecto capaz de contribuir conscientemente, e pela via da reflexão, para a construção de um mundo melhor. Posto isto, compreenda que o seu intelecto está para a sociedade como um material radioactivo está para o organismo humano.

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