Há uns anos Francisco Louçã escrevia sobre o sectarismo como um flagelo que obstaculizava o crescimento de uma organização. Escrevia ele:
«Os sectários não se levam a sério, porque podem aceitar no dia seguinte o que na véspera era a prova provada da capitulação perante a contra-revolução. Esta é a pior deformação de uma organização de propaganda, a inconstância das ideias, o utilitarismo dos argumentos, o fingimento das razões. Nada vale porque vale tudo».
Hoje, o BE tem a Joana Amaral Dias a apoiar Soares, o Miguel Vale de Almeida na bancada do PS, o Rui Tavares com os Verdes e o Zé Sá Fernandes a fazer banquetes, perdão, piqueniques, ao Belmiro de Azevedo. Porque para os sectários vale tudo, incluindo escolher candidatos em função da exposição pública na televisão, logo, da consciência atrasada das massas.
O sectarismo e o oportunismo (sistematicamente descer à consciência atrasada das massas) são duas faces da mesma moeda. Quanto mais oportunista é um partido mais sectário se torna, mais dá a cara por um sector, a um sector, seja ele o PS ou a burocracia que o alimenta. Uma seita pode ter 50 000 militantes com cartão ou 3000 aderentes, que mesmo assim não deixa de ser uma seita.




Bem que ressabiamento!
Partilho de algumas críticas, mas as conclusões retiradas em relação ao BE parecem-me exageradas.
Onde?
Renato,
Afirmar isto “…incluindo escolher candidatos em função da exposição pública na televisão, logo, da consciência atrasada das massas.” não me parece correcto.
Que relevância tinha a Joana Amaral Dias antes de ser projectada no BE? Era alguma figura mediática?
O Rui Tavares e o Sá Fernandes foram os únicos independentes eleitos em listas do BE e que eu saiba não eram nenhumas popstars em termos mediáticos.
O percurso político das pessoas pode ser criticável, no entanto é sempre pessoal e da sua responsabilidade.
Desculpa Raquel mas pedia-te uma pequena correcção, o Rui Tavares agora está na bancada dos Verdes “Europeus”, a palavra “Europeus” fará toda a diferença para não confundir com o PEV – o Partido Ecologista “Os Verdes” – que importa não associar a esta personagem oportunista/carreirista. Sinto que cabe defender aqui a honra do PEV.
Parece que o que caracteriza um epifenómeno é não acrescentar nada, mesmo com relação a outro epifenómeno. Já um erro tem como consequência, para quem quiser, a exigência de se não repetir. Mas há quem não perca tempo a pensar nisso. Ou será que perdem simplesmente tempo!
Desculpe, Raquel, mas o seu post não é sério. Miguel vale de Almeida esteve no PS depois de se ter desvinculado do BE e quer Rui Tavares quer José Sá Fernandes nunca foram membros do BE.
Mas isto vindo de uma trotsquista é engraçado. Aqueles que sempre defenderam o direito de tendência e combateram o monolitismo estalinista, parecem agora ser guardiães de uma qualquer pureza interna que não admite diferenças internas. Nem todos os casos de independentes são de «traição» ao BE, como é o caso de Diana Andringa.
Closer
Desculpe, mas uma coisa são diferenças internas, outra coisa são oportunismos carreiristas, como é o caso…
Manuel Monteiro