Mário Nogueira, António Chora e Nuno Crato, eat this!

Não me lembro de melhor intervenção no âmbito da educação. Para mim, a Amanda Gurgel toma hoje posse como Ministra da Educação do Brasil, de Portugal e do resto do mundo, como Secretária-Geral da FENPROF, da CUT ou até da Comissão de Trabalhadores da Auto Europa. Lá como cá acabou o tempo de ter “paciência” e de tolerar sucessivas “faltas de respeito” da parte de quem nos governa a vida e a luta. Porque a escola como a fábrica ficam melhor entregues a quem as trabalha e o sindicalismo a quem não negoceia os amanhãs que nunca cantam para quem precisa de música “imediatamente”.

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18 respostas a Mário Nogueira, António Chora e Nuno Crato, eat this!

  1. João Valente Aguiar diz:

    A Fenprof não se resume ao Mário Nogueira nem a camaradas realmente de esquerda que intervêm nos vários sindicatos de professores. Houve erros na condução da luta dos professores? Sim, e até bastantes. Mas culpabilizar uma figura – que nem é do ponto de vista político mais representativo na Fenprof (ao contrário do que mtas noções externas possam achar) – é um erro crasso, meu caro. Ao mesmo tempo, colocar o Mário Nogueira ao lado do Chora ou do Nuno Crato é de mau-gosto. O Mário Nogueira luta pelos direitos dos trabalhadores. Bate-se como mto poucos neste país em prol da mobilização dos professores e em defesa da escola pública. O Chora anda por aí a estender a mão aos administradores da Autoeuropa e afins. O Nuno Crato faz parte de um governo de direita. Bravo meu caro Renato. Conseguiste fazer a quadratura do círculo! 🙂

    • Renato Teixeira diz:

      João, um dirigente sindical que tenta expulsar estudantes de manifestações de professores e negoceia memorandos inqualificáveis (para ficar por aqui), desculpar-me-ás, mas é ele, e não eu, a inserir-se na quadratura do circulo.

      • João Valente Aguiar diz:

        Renato, qual memorando inqualificável? O acordo que foi assinado em 2009 (se não estou em erro) previa que qualquer professor poderia chegar ao topo da carreira desde que tivesse “Bom” na avaliação de desempenho (de passagem, diga-se que só um idiota chapado é que tira menos do que isso)? Nesse acordo, que a Alçada rasgou a mando do Sócrates e do Teixeira dos Santos, todos os professores poderiam continuar a progredir normalmente na carreira como em quase mais nenhum sector profissional existe em Portugal. Claro que quem tivesse Muito Bom e Excelente na avaliação ascenderia mais rapidamente, mas nada impedia a progressão na carreira dos docentes. Bem como haveria actualizações salariais dos índices, algo que, infelizmente, não ocorria em quase mais nenhum sector profissional, tanto da função pública como do sector privado. Se há acordo mto bom do ponto de vista laboral (para os professores do quadro) era esse. Que depois o governo o rasgou e faltou à palavra. Se há luta sindical bem sucedida no plano da luta e dos objectivos alcançados em torno de uma reivindicação específica é esta. Atenção, a reinvindicação específica que seria bem-sucedida aplica-se aqui unicamente à questão da progressão na carreira, não ao restante das questões (avaliação propriamente dita, efectivação de contratados, currículos, reorganização da rede de escolas, etc. etc. etc.).

        Sobre os estudantes. Não conheço os episódios que relatas pelo que não seria correcto pronunciar-me.

        A quadratura do círculo referia-se à questão de literalmente amalgamares o Mário Nogueira, o Chora e o Crato.

        • Renato Teixeira diz:

          Cada um no seu lugar, a tomar conta da luta e da vida. Respeito muitos militantes e dirigentes do PCP, Mário Nogueira não está entre os que me mereça o mínimo de respeito. É ir ler o Délio mais à frente ou o que já escrevi atrás.
          E a camarada do vídeo, heim?
          Abraço.

  2. Augusto diz:

    Apesar de tudo, o Chora tem a CONFIANÇA DA MAIORIA dos trabalhadores da Auto-Europa.

    Afinal há uma grande diferença, entre opinar sentado num computador, possivelmrente com o seu copo de uisque bem perto….

    E dar o litro diariamente, numa linha de montagem da Auto-Europa.

  3. Orlando diz:

    É por títulos, como o que dá ao seu post, onde coloca todos no mesmo saco, que ao Renato não lhe dou credibilidade nem maturidade política. Ainda gostava de saber, e depois de ler muitos dos seus posts, para o tentar entender minimamente, qual será o tipo de sociedade onde o Renato gostaria de viver ?

  4. O Acordo que o Chora negociou é apenas para efectivos. Esse acordo foi rejeitado em referendo. O Chora dá o litro na linha de montagem? e como tem tempo para ser o representantes dos trabalhadores na VW internacional, designado e escolhido pela própria VW?

    O Mário Nogueira já fez, por diversas vezes, discursos semelhantes a este e eu próprio já o ouvi. Não sei é se alguém os pôs no Youtube.

    Renato, verdade que poderás dizer que o memorando assinado é mau. Mas a questão que se coloca não é essa. É esta: perante aquela situação, que fazer? Como contornar? Como explicar aos 150 mil professores que não assinas um documento que coloca em primeiro lugar a tua principal reivindicação. É verdade que muitos ficaram insatisfeitos, tal como é verdade que muitos profs (de direita e meus conhecidos) já queriam ir pôr bombas no ministério e “isto só vai lá com sangue e revolução” e coisas que tais se fizeram muito ouvir. A questão porém, parece-me, é: como trazer os outros (os que não diziam essas parvoíces) para a luta depois de o governo dizer que os sindicatos não assinaram o fim da divisão das carreiras.

    Eu não digo que se devesse assinar, mas sou compreensivo quanto aos constrangimentos e quanto à necessidade de manter a unidade entre os profes. Não entre os radicais (de esquerda ou direita) que sempre esperaram pela sua oportunidade de espetar as farpas na FENPROF, mas entre os professores todos.

    Quanto ao apelo que a professora no vídeo faz aos deputados brasileiros: não sei que deputados lá têm, mas aqui posso assegurar-te que tens vários que vão efectivamente aos plenários, que vão Às manifestações, que vão às portas das escolas nas greves e que em cada momento entregam o seu tempo e intervenção como contributo para o fortalecimento das lutas.

    Abraço,

    Miguel Tiago

    • Renato Teixeira diz:

      Se o acordo é mau não é para assinar, mesmo que nem houvesse o que fazer depois. A ausência de uma saída, a ser verdade, não nos deve levar para um mau acordo. Desmoraliza a classe e derrota a luta que se poderia continuar a fazer. Havia dois terços dos trabalhadores na rua, manifestações com mais de 100 mil pessoas, pelo que estou certo que valorizas mais o que daí poderia continuar a acontecer do que aquela tralha que da Ministra Rodrigues lavrou para calar os trabalhadores mais indignados com Sócrates.

  5. Carlos Sousa diz:

    E já agora, o Carvalho da Silva e o Louçã. Também não perdiam nada em ouvir.

  6. Délio diz:

    Nunca os 150 mil professores estiveram tão unidos e tantas vezes se mobilizaram (e com tanta força) como no último ciclo de lutas contra a Avaliação de Desempenho Docente versão Sócrates/Milú.
    No momento em que TODOS os professores estavam dispostos a lutar e a grande maioria deles na rua sempre que necessário, trocou-se essa mobilização, essa vontade avassaladora de lutar (e capacidade de pelo menos derrubar a ministra, sabendo-se lá o que aconteceria se se tivesse seguido outro rumo), por memorandos e acordos que permitiram leis que sendo hoje em dia, cadáveres políticos, continuam nas Escolas, a transformar a vida dos professores num inferno, para além de garantirem que a massa salarial dos professores – logo, o orçamento destinado ao ME – se reduz em ?? % (afinal sempre foi esse o objectivo, não é verdade?).
    Queres que se faça o quê? Que se agradeça? Obrigado senhor Mário Nogueira???

    A “Dificuldade de Governar” o estado, o ministério ou um sindicato, parece cada vez mais a mesma…

    ass.: um professor contratado.

    Todos os dias os ministros dizem ao povo
    Como é difícil governar. Sem os ministros
    O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
    Nem um pedaço de carvão sairia das minas
    Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
    Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
    Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
    Sem a autorização do Führer?
    Não é nada provável e se o fosse
    Ele nasceria por certo fora do lugar.

    E também difícil, ao que nos é dito,
    Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
    As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
    Se algures fizessem um arado
    Ele nunca chegaria ao campo sem
    As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
    De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
    Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
    Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

    Se governar fosse fácil
    Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
    Se o operário soubesse usar a sua máquina
    E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
    Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
    E só porque toda a gente é tão estúpida
    Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

    Ou será que
    Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
    São coisas que custam a aprender?

    Bertolt Brecht

  7. Manuel Monteiro diz:

    Depois desta intervenção eu seguia esta professora-proletária em todas as lutas do mundo.
    Quanto ao Chora gostar ou não gostar de uisque: gosta, mas com uma condição: nada de beber com os trabalhadores; só em jantaradas de homenagem a ministros onde gosta de se deslocar…

    Manuel Monteiro

  8. Samuel diz:

    Caro Renato,
    Se uma divergência com Mário Nogueira é o suficiente para o equiparar ao Chora e ao Crato… temo bem que a tal sociedade “sem amos” em que “assim resumidamente” gostaria de viver, será sem amos… e sem mais ninguém. É capaz de ser uma coisa um bocado solitária, não? 🙂

  9. É só dar-lhe tempo até ela se converter às práticas “mensalistas”…

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