Ao Zé Neves e ao Toni Negri em particular, aos unipoppers de facto e restantes pós-modernos de um modo geral: cognitários de todos os países, uni-vos!

Palavra de ordem da responsabilidade do camarada proletário Tiago Silva.

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14 respostas a Ao Zé Neves e ao Toni Negri em particular, aos unipoppers de facto e restantes pós-modernos de um modo geral: cognitários de todos os países, uni-vos!

  1. Tiago Silva diz:

    Opá, eu nem sei se sou proletário ou cognitário. O que eu sei é que há gente que se perde em divagações conceptuais e académicas que acabam por passar ao lado do movimento real. Enfim…

  2. zé neves diz:

    tiago silva,
    ao lado do movimento real é o quê? na rua paralela? mas então é capaz de ser território tão real como o da rua real, não? deixem-se de merdas. fazer, pensar, teorizar, musicar, são tudo coisas que se fazem ao mesmo tempo e que não se excluem.

    renato,
    num debate político ser moderno, pré-moderno ou pós-moderno não quer dizer muita coisa. há românticos revolucionários e há românticos restauracionistas. modernos de direita e modernos de esquerda. pós-modernos de resistência e de celebração. por certo que há coisas que unem um romântico revolucionário a um romântico restauracionista mas politicamente é discutível que essa união seja critério fundamental. desculpa lá recomendar-te uma leitura de um trotsquista, mas pega no livro do Lowy, REVOLTA E MELANCOLIA, que vais gostar.

    ps – o toni negri pediu para dizer que a música é uma granda merda. (estou a brincar; estou numa biblioteca e não tenho phones, de modo que não posso ouvir a coisa). o rapaz não é feio, porém.

    • Renato Teixeira diz:

      É sempre sexy debater contigo, e enriquecedor, especialmente porque levamos sempre para casa um conselho literário, algo um bocado maradoniano, mas que na tua boca fica muito mais lindo que na dele. Vai ouvir a música, pá, que o debate só pode continuar quando tiveres a gentileza de explicar aos anti-intelectuais o que quer dizer cognitariado. Quando houver um encontro de scrabble no ISCTE avisa que quero elevar a minha consciência de classe. 😉 Isso ou um debate subordinado (sempre subordinado) ao tema no RDA. Já desafiei o Noronha para o efeito. A ver…

      • zé neves diz:

        dou conselhos literários para provar que não sou pós-moderno. iluminar o povo, não é?

        cognitariado é uma expressão inventada por uns economistas franceses/italianos, creio, no âmbito das teorizações acerca do capitalismo cognitivo. boutang, carlo vercellone, por aí. entre outras coisas, tem a vantagem de fazer ver que a diferença entre intelectuais e não-intelectuais foi de algum modo (não de todos) superada pelas transformações do mundo do trabalho.

        já essa merda do scrabble não sei o que seja. mas não tenhas dúvidas que a revolução se fará tanto com os estudantes de antropologia do iscte como com os de gestão. pode é não se fazer.

        • Carlos Carapeto diz:

          Zé Neves faz favor.

          A mim como operário qual o caminho que me aconselha seguir? Digo isto face à confusão e ao descredito que verifico naqueles que me estão próximo, deixaram simplesmente de acreditar nos partidos e nas instituições que os representam ( e o resultado do ultimo ato eleitoral atesta bem esse facto) . Todos os Zé Neves são responsáveis por esta situação. No próximo comentário explico-lhe tudo.

          Além de constatar com enorme desilusão que as fontes de inspiração de uma certa esquerda se vão abastecer na mina dos inteletuais “intriguistas, divisionistas” de turno, tais como; Negri, Zizek, Todorov, Nolt, Passet, Giraud e outros que têm servido apenas como instrumento de fragmentação e não de unificação do movimento operário depois do estragalhaço sofrido após a queda da URSS. Comportam-se tal como os generais de Alexandre.

          São os classicos Marxistas que ainda continuam a servir de cartilha ao movimento operário. Gramsi diz mais que esta gente toda junta.

          Zigler e Tom Thomas que não pertencem a nenhuma das destas correntes ideo/filosóficas do momento ” que estão na berra” são mais corajosos em denunciar as causas da pobreza e da exclusão social que estes burguesóides todos juntos.

        • Renato Teixeira diz:

          Será, talvez. Mas dificilmente estarão presentes ou acontecerá enquanto se continuar a brincar à merda do scrable.

  3. Tiago Silva diz:

    O movimento real é todo aquele movimento que luta há décadas para alterar a sua situação concreta e para quem estes conceitos muito bonitos são completamente alheios, porque não os conseguem aplicar à sua realidade pessoal. O movimento real é daqueles que trabalham e não usufruem do que produzem. O que queres que te diga, sou um ortodoxo. Seja como for, força aí com as conceptualizações, espero é que as consigas aplicar na transformação revolucionária da sociedade. Ou será isso também demasiado ortodoxo?

    De qualquer forma, gostava muito de continuar aqui a exercitar os neurónios mas sou trabalhador (se calhar, para o Zé, sou um cognitário) e não tenho tempo para isto…

    Força aí!

  4. Queria apenas informar-vos que o conceito de “cognitariado” foi cunhado por um dos colectivos que deu vida ao primeiro Mayday, em Milão, no longínquo ano de 2001. O Negri não o inventou, tomou-o de um grupo de trabalhadores que sentiram a necessidade de criar uma categoria que descrevesse com maior rigor a sua própria condição laboral. Movimento mais movimento e realidade mais real não há. Bom seria que tivéssemos mais “académicos” a confrontar a sua teoria com este tipo de realidades.
    Já o postulado de que a crise da humanidade é a crise de direcção revolucionária parece-me um tema de conversa que só interessa aos militantes de uma ou duas 4ªas internacionais…

  5. zé neves diz:

    carlos carapeto, o caminho que o aconselho a seguir é o de pensar pela sua própria cabeça.

    • Carlos Carapeto diz:

      Não ía a lado nenhum. Não foi o Sagan que disse? “Se vivesse do que descobri não saía do lugar onde estou”.

  6. Miguel Cardoso diz:

    Foda-se. Não chega desta comédia de enganos? Vejam-me só o título deste post, e o de tantos outros: ao Zé Neves isto, ao Noronha aquilo, o Negri chichi, os unipoppers cócó. Acho a discussão de ideias essencial, e não sou de todo avesso a que se discutam termos específicos, práticas militantes, derrotas e sucessos, dúvidas e a ocasional certeza entranhada. Que se ataque os pressupostos da ideia de cognitariado, ou outra qualquer. Que se discuta como é que nos ajuda ou não a perceber o mundo. Mas outra vez sicrano e beltrano, zezinho e manel? Foda-se! O Renato se calhar acorda de manhã, olha-se ao espelho e lembra-se da passagem de Hegel em que este, a propósito de ter visto Napoleão passar, se congratula por ter testemunhado em primeira mão o “Espírito do Mundo a cavalo”. Eu cá, com sorte, de quando em quando tenho uma coisa que eu acho relativamente interessante para dizer sobre uma coisa que li ou vi, ou quero chamar a atenção para um acontecimento, ou passar uma informação trivial. Posso também, com todo o gosto e até com virulência, discutir as ideias de outros, o que inclui usar de vez em quando golpes abaixo da cintura, ou piadas menos subtis. Mas é preciso ter consciência que entre esse jogo e o jogo de mudar o mundo vai uma grande distância. Não porque as ideias não importem, mas porque elas vão dar umas grandes voltas. As minhas , porbrezinhas, juntar-se-ão (ou não) a uma imensidão de outras, de coisas mais ou menos interessantes que as pessoas que nos lêm leram por aí (num romance do século XVII ou na porta de uma casa de banho pública) ou viram na televisão ou ouviram da mãe numa noite em que ela bebeu um bocadinho mais do que devia, e com isso fazem o seu caminho. Há muito ruído de fundo, sim senhor, a abafar as coisas que eu tenho como verdades, mas tanto melhor: nunca se sabe quando vai alguém vai ouvir nesse ruído algo que eu próprio não consigo, e transformá-lo em música. O princípio é parecido com o daqueles tipos que anunciam que vão dizer algo de muito controverso, ou tocam tambores e trombetas para avisar o pessoal em volta que vão mudar um paradigma. Silêncio, que a Verdade vem a caminho. e vem de cavalo. Eu penso sempre: a sério? e és tu que decides isso? Ou a alternativa, que muitos – e o Renato por vezes – gostam de usar: não sou eu que digo que tenho razão, a História é que está do meu lado. For fuck’s sake. Deixa lá isso.
    E dizer “Eles é que são o movimento verdadeiro”: o que é isto? Uma piada? Mas qual é o conteúdo? Eu cá nunca fui “o verdadeiro” nada, e não me lembro de ouvir os que me são próximos dizê-lo. Para repetir a lengalenga: apenas podemos dizer: olha, li isto e acho que devo partilhar. O que é que acham? O meu lema é mais ou menos este: que os outros nos usem (as nossas palavras, os nossos gestos, e daqui a uns tempos os nossos ossos). E quer eu queira quer não, não sou eu a determinar qual vai ser esse uso – ou se ele vai existir. Temos que aceitar essa coisa chata de que podemos muito bem estar a pregar no deserto. Por isso o melhor é não pregar. Isto pode parecer muita comichão por causa de um postezito, uma piada amena, um piscar de olhos. Mas esse piscar de olhos, essa piada cúmplice, é piscar de olhos de Vencedor. Podem ser injustiçados pelo mundo e pela gente que nele vive, que feitos estúpidos se põem a fazer a sua vida independentemente do que eu lhes digo, mas vencem no que toca à Teoria. Mesmo nesta versão “tu é um chichi e o negri um cócó”, e a piadinha fácil, não é mais do que pregar. Não há pior do que piadas para dar sermões (Tive um patrão daqueles impáticos que me costumava perguntar de manhã, quando eu chegava: então, a máquina de barbear, avariou? E ria-se , e piscava o olho para mim e para os circundantes. Não conheci maior mete-nojo)
    Para terminar por agora, com uma nota em relação ao que diz o Carlos Carapeto: que raio de materialista é que acha que a revolução não acontece por causa de uns tipos que se resolveram a escrever umas coisas sobre Hitchcock, ou falar de multitudes ou o que seja. Outra vez: a sério? É mesmo por isso que as coisas estão como estão. Não tenho nada contra ler Gramsci, pelo contrário, mas se andássemos todos se anda a lê-lo, estaríamos todos para lá do reino da necessidade? É pá: for fuck’s sake. Pelo menos comigo acho que não tem que se preocupar: não devo alterar o curso do mundo.

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