Vamo-nos a eles?

No sábado discute-se sindicalismo, contra a escalada neoliberal.
O programa é este:


O manifesto que serviu de ponto de partida a este seminário está disponível aqui.

A gente vê-se por lá?

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40 respostas a Vamo-nos a eles?

  1. António Silva diz:

    O “Manifesto” é a versão pós-moderna da “Carta Aberta”.
    Com os mesmos objectivos, os mesmos promotores, os mesmos patrocínios.
    Acrescentaram-lhe agora uns investigadores em ciências sociais que vêm falar de cátedra sobre “sindicalismo”, sem nunca terem participado na vida sindical. Julgo ser o caso do Paulo Granjo que nunca vi em qualquer iniciativa do SPGL (não é sócio) ou da Fenprof.
    Haja decoro.

    • paulogranjo diz:

      Se olhar para o programa, verá que não vou falar.

      Até talvez pudesse dizer umas coisitas, já que tenho aquele livro razoavelmente pioneiro das Visões do Sindicalismo (a partir de um estudo financiado pela CGTP-IN), seguido de um estudo similar na administração pública (encomendado pela FFP, Fenprof, SNE e STAL) e de quase 20 anos de pesquisa contínua sobre relações laborais. Isto, claro, depois de uns anos de activismo para-sindical, nas fronteiras da legalidade, nas Forças Armadas.
      Mas, de facto, essas coisas já têm uns anos e o que me interessa agora é ouvir os outros, aprender umas coisas e debater, se por acaso tiver alguma coisa de útil a acrescentar.

      Como suponho que será a ideia dos oradores e dos signatários, que pretenderam abrir um debate horizontal e sem cátedras, nem pseudo-académicas nem pseudo-obreiristas.

      Quanto à sua eventual expectativa de me ver assumir uma posição de activismo sindical, lamento desiludi-lo mas, sendo eu um investigador científico que (entre outras coisas) estuda relações laborais, parece-me que o potencial conflito de interesses seria semelhante ao de um jornalista que fosse simultaneamente assessor de imprensa. E acho que essas picuinhices são para levar a sério.

      Quanto a acusar este “Manifesto” de ser um remake da “Carta Aberta”, depreendo que está a brincar.
      Mas, se não estuiver, apareça e argumente por que é que acha isso.

      • Dédé diz:

        Então o “conflito de interesses” só se aplica quando se trata de fazer a unidade com os trabalhadores? Quando se trata de promover o divisionismo já não se aplica?

        • paulogranjo diz:

          Curiosa visão. Diria que de quem está de fora, mesmo quando formalmente esteja dentro.
          Na minha profissão, não preciso de fazer “unidade com os trabalhadores”, entidade externa e abstracta, porque sou um deles. E, segundo ouvi dizer nos últimos 200 anos, os sindicatos são organizações de trabalhadores, agregados segundo um critério profissional (horizontal ou vertical) que, para eles, faz sentido.

          Entretanto, chamar “divisionismo” a este manifesto (ou a oradores como o coordenador da CGTP) roça a indigência, e não apenas mental.
          Os bancos dos países da Sra. Merkel e do Sr. Sarkozi (estão bem escritos?) podem contar consigo.

    • paulogranjo diz:

      Os “Eles” (para além de terem permitido chamar a sua atenção) serão, assim à primeira vista e ao correr do teclado, as forças e entidades económicas, políticas e sociais que provocam, defendem e sustentam os fenómenos negativos que são denunciados no Manifesto, e de que são vítimas os sindicatos e, pelo menos (mas parece-me que não só), as pessoas que vivem do seu trabalho.
      Passe o efeito retórico e manipulador de identidades, parece-me bem que também esse “Eles” precisa de ser pensado de forma mais aprofundada, pois é certamente mais complexo, diversificado e imbrincado do que as quase-caricaturas habituais conseguem retratar – e, por maioria de razão, permitem combater.

      Quanto ao Alegre, fale por si. Eu não votei no homem.
      (Por acaso até votei, mas nas eleições anteriores – mas isso foi para chatear o Sócrates; nunca pensei que viesse a haver quem tivesse a ingenuidade de acreditar que, à conta de votos como o meu, o homem “valesse” 1 milhão de eleitores…)

      • 1+1=2 diz:

        ….. sabe a que é que isto cheira? a Trindades e companhia,
        juntam-se uns PS’s e uns BE’s, somam-se algumas pessoas, certamente muitas delas com as melhores das intenções, e pimba!

        … nas alturas criticas, quando se agudiza a luta sindical o PS sempre soube com quem se podia aliar, o o BE nunca deixou de se por a jeito!

        Como alguém escreve lá mais abaixo, estes movimentos de “novo” não têm nada!

        • Dédé diz:

          Em tempos foi com o MRPP, agora com o BE…

        • paulogranjo diz:

          Em vez de procurar cheiros dos traumas do PREC, talvez valesse a pena dar uma vista de olhos nos conteúdos e nas capacidades de resposta que não temos (porque o ataque é mais forte do que nunca) e que temos que ter.
          Mas isso sou eu, que acho que as guerras são para tentar ganhar, e não para tentar perder devagar.
          Cada um sabe de si.

          • Rocha diz:

            A única guerra aqui é da direita sindical, Chora, Trindade e Garrido, contra a esquerda sindical dos comunistas (que não apoiam nem branqueiam o PS responsável da escalada neoliberal que dizem combater).

            O Paulo bem tenta apagar a realidade, mas a realidade são os apoios fervorosos em campanhas eleitorais e fora delas de Trindade a Sócrates, de Chora a Manuel Pinho e de todos eles mais o Garrido + o Sócrates a Alegre, numa grande caldeirada atrelada à neoliberalismo lusitano.

            Trata-se duma tentativa de arquitectar um golpe de direita na CGTP, obviamente liderada pelo PS e pelas suas moletas (Chora, renovadores comunistas e companhia).

            Qual a nova agenda sindical presente num documento com a habitual demagogia do sindicalismo social-democrata? Transformar a CGTP numa nova UGT.

            O resto é paleio demagógico, lágrimas de crocodilo acerca do neoliberalismo.

          • paulogranjo diz:

            Ó Nuno Ramos de Almeida:

            Este gajo existe mesmo, ou é uma personagem fictícia criada por alguém do blog, para animar as caixas de comentários com caricaturas de sectarismo boçal e contraproducente?

  2. Carlos Fernandes diz:

    Os sindicatos são necessários, e hoje em dia e em tempos de crise ainda mais, agora têm é primeiro, de se despartidirizar para ganharem mais credibilidade, segundo, de disparar para os alvos certos que são os políticos legisladores incompetentes e os empresários corruptos e por outro lado o dumping&escravatura laboral da concorrência desleal das importações, particularmente as chinesas, que está a rebentar com o aparelho produtivo( e o emprego ) de Portugal e doutros países…

    • Dédé diz:

      Então explique lá o que é isso da “despartidarização” dos sindicatos. Não aceitar trabalhadores filiados em partidos? Vetar nomes das listas candidatas par se evitar a presença de subversivos, como se fazia antes do 25A?

      • Carlos Fernandes diz:

        Não, é os sindicatos e as suas cúpulas libertarem.se da fama de serem correias de transmissões do Partido A ou B, por ex. é sabido que a CGPT em Portugal tem fama de ser uma espécie de correia de transmissão do PCP, ora eu condeno que o seja seja do PCP seja do PSD, não interessa, um sindicato não é para estar ao serviço (ou ter fama disso) do Partido A ou B, mas sim, dos trabalhadores, e numa lógica o mais construtiva possível com todos os agentes económicos e políticos da sociedade, só assim, a remar todos no mesmo sentido é que é possível levar o barco a bom porto nestes tempos de borrascas e mar encapelado.

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    Paulo, a mim parece-me que esta ideologia do “novo” (conceito tão pós-moderno!), é cada vez mais um discurso cansativo e aborrecido. Parte-se sempre do princípio que o que foi e está a ser feito é velho e passado.
    Por outro lado, não posso deixar de constatar que o painel não representa toda a diversidade do movimento sindical. Parece que as eleições da CGTP-IN se avizinham, e um painel destes, não me parece um bom presságio para a luta dos trabalhadores.
    Espero estar enganado.

    • C. diz:

      Qual novo, qual quê!!! Isto é velho muito velho.
      Mas, que se lixe dá-se uma cor(zinha) no cartaz e chama-se os mesmos velhos “pensadores” apoiantes da velha política neoliberal.
      “Votei Alegre para chatear o Sócrates”!!! Sincermente o Sócrates ficou danado mas o PS agradeceu. Por esta lógica porque não ter votado PSD para chatear o PS.

    • LAM diz:

      Não há “novo” sem o “velho”. Os sindicatos, como agora existem, como estão organizados, ou as respostas políticas e reivindicativas e de mobilização que têm dado, não têm reforçado os movimentos sociais mais amplos. Alturas há em que, ao contrário de tentativas de unir as lutas e torna-las comuns aos milhares de descontentes, parece antes haver uma disputa de contagem de cabeças quando não de denegrir sob pretextos vários outros sectores não enquadrados.
      Uma atenção às imagens que nos chegam por exemplo de Espanha ou Grécia, dão-nos uma imagem diferente do que assistimos a maior parte das vezes em Portugal, começando logo pelos grupos etários envolvidos. Isto pode ser subjetivo, mas nas manifs. concentrações etc nesses sítios, (que em muitos casos não são manifs e concentrações “à hora certa”), vemos novos e velhos, talvez sindicalizados e desempregados, quarentões “bancários” e jovens de rastas, envolvidos na mesma luta. Que diferença da divisão e do cada um à vez das nossas “acampadas” e manifestações “institucionais”.
      Alguém aqui está a falhar e não é o curriculum, de pouco efeito prático diga-se, que releva esses erros.

    • paulogranjo diz:

      Tiago:
      Os abusos retóricos do “novo” (que aliás inaugurámos e que foram levados ao paroxismo pela concorrência industrial capitalista) também têm tendência a enjoar-me.
      O chato, para quem partilha as nossas sensibilidades linguísticas ou gástricas, é que a situação é de facto nova e sem paralelo na Europa, mesmo nos regimes fascistas. Naquilo que são a agenda e objectivos do adversário, na sua capacidade de tornar estrategicamente irrelevantes as nossas rotinas e formas habituais de resposta, nos próprios constrangimentos impostos às pessoas e às lógicas de organização habitualmente tidas como eficazes, através da precarização galopante dos vínculos laborais.
      Percepcionar, compreender e responder à mudança (a par de mais algumas outras coisas), tida como uma característica fulcral e estrutural de toda a existência material e social, era, antes de ser também apropriado por outras gentes bem diferentes a fim de fazer dinheiro, um apanágio teórico e prático do marxismo.
      Não o fazer (mesmo que mantendo mais algumas outras coisas) é anti-marxista.
      O que, claro, é legítimo. Mas não é, talvez, “notre tasse de thé”.

      • gg diz:

        Sendo paulo granja “um investigador científico que (entre outras coisas) estuda relações laborais” acha mesmo que a precariedade é coisa nova?

        e acha mesmo que os adversários consideram as formas de organização dos trabalhadores irrelevantes? parece que está a ser pouco insento e tomar partido… é que se nos jornais e tv”s (detidos pelo capital) se potencia um 12 de março e se desvaloriza (silencia um 19 de março), se nos actos legislativos se procura cercear a actividade sindical e afastar os sindicatos das empresas, se no plano mediático (o mesmo detido pelo capital) se sobrevaloriza iniciativas como esta e se reduz a fanicos de silencio ou caricatura, outras bem mais abrangentes, é porque há muito temer… eles sabem, nós sabemos e vocês também…

        cada um joga o seu papel… são opções longe de qq tipo de isenção, que como sabe, é uma grande falácia!

  4. Bruno Carvalho diz:

    É o painel dos reformistas. Gente do BE, do PS e independentes reformistas.

    • paulogranjo diz:

      Ah, grande revolucionário, para quem toda esta gente é tão indubitavemente merda!
      Que pena não o conhecer! Certamente que, com um gesto de dedo, seria capaz de nos conduzir à construção do paraíso!

  5. António Silva diz:

    Qual reformismo?
    O sindicalismo pós-moderno designa-se “sindicalismo de acompanhamento”, curioso eufemismo para dizer “conciliação de classes”. Acompanha os interesses do patronato.
    Entre nós, também é conhecido por sindicalismo tipo Chora.

  6. Leo diz:

    (…) “Um trabalhador ilude-se a si próprio se acredita que as mobilizações nas praças são suficientes para o libertar dos velhos e novos problemas que lhe impuseram, sem um movimento que comece e esteja enraizado nas fábricas e indústrias, em todos os locais de trabalho, contra a classe capitalista. Quando o movimento não é forte nas fábricas, quaisquer mobilizações que se façam não têm bases sólidas. O verdadeiro palco da luta de classes é o local de trabalho, a empresa. É aí que os trabalhadores entram numa luta diária e sem quartel contra os grandes empresários – luta que surge das suas particulares relações de classe, as relações de exploração, porque a riqueza e os lucros dos capitalistas são produzidos pelo trabalho dos operários. “ (…)

    http://resistir.info/grecia/indignados_05jun11.html

  7. Paulo, Parece-me uma iniciativa muito interessante. Todas as que discutam o sindicalismo são positivas. A mim não me contenta o silêncio dos outros, como forma de garantia do meu pequeno monopólio. Gostos.

    • Leo diz:

      “Todas as que discutam o sindicalismo são positivas.”???

      Mesmo as que se apresentam pela negativa? Leu ao menos o texto da convocatória desse Seminário?

      Lá está escrito textualmente: “Não se trata nem de uma iniciativa sindical (para  a qual se costumam convidar especialistas académicos), nem de uma iniciativa académica (para a qual se convidariam uns tantos sindicalistas para testemunharem a sua experiência).”

      Afinal do que é que se trata?

      • Nuno Ramos de Almeida diz:

        Leo, qual é o problema da citação que faz? Isso quer apenas dizer que tem uma dimensão teórica e prática. Você vê inimigos em cima das árvores e só admite clones.

        • Leo diz:

          Presumo que a “dimensão teórica” estará a cargo do Elísio Estanque, André Freire, Tiago Gillot e que o Ulisses Garrido tira as conclusões, certo?

          Elucidado.

          • paulogranjo diz:

            Ora aqui está alguém para quem o respeitinho é muito bonito e o mundo só funciona com cada macaco em seu galho.
            Elucidado.

      • paulogranjo diz:

        Assim à primeira vista, parece uma tentativa de uma cena marada que um idealista alemão inventou há maningue tempo, e que um materialista alemão veio a levar a sério umas décadas mais tarde.
        Tenho ideia que o nome é parecido com o daquela coisa que as plantas fazem, mas sem meter fotos.
        Até ouvi dizer que a tal foto-não-sei-quê sem foto de umas tais Teses Sobre Feuernãoseiquê é que um materialismo sem dialética é um idealismo. Mas que raio será a tal de dialética?

        • Leo diz:

          “Assim à primeira vista, parece uma tentativa de uma cena marada” ???

          “Cena marada”? O Bruno Carvalho é mais rigoroso. Há que não ter medo das palavras e dar o nome aos bois.

    • Dédé diz:

      Interessante para quem? Para o movimento sindical? Para a resistência às troikas? Para os seminaristas?

      • Leo diz:

        “Para os seminaristas?” Sim, para os seminaristas e principalmente para quem os apoia e que obviamente são ocultados.

  8. António Silva diz:

    Leitura recomendada para avivar a memória e para que se perceba melhor quem são os “eles” a quem os sindicalistas de “acompanhamento” se querem atirar:

    http://ferrao.org/documentos/Livro_Contos_Proibidos.pdf

  9. miguel neves diz:

    Também eu gostaria de contribuir para esta troca de opiniões procurando debater conteúdos, pelo que me ocorreu recuperar algumas reflexões de António Chora que li. No entanto constatei que todas elas foram (aparentemente) apagadas da página onde se encontravam. Se alguém tiver estes textos gostaria que me informassem onde os poderei voltar a ler:

    O Acordo da Autoeuropa e o PCP
    http://www.esquerda.net/content/view/1058/67/
    Com a Crise Económica que Sindicalismo?
    http://www.esquerda.net/content/view/10686/67/
    As CTS e a independência necessária
    http://www.esquerda.net/content/view/7415/67/
    A oportunidade (perdida) da CGTP?
    http://www.esquerda.net/content/view/5801/67/

    • Leo diz:

      Não o posso ajudar mas achei piada pois com uma amiga minha passou-se algo semelhante aqui há uns anos.

      Passo a contar. Quando o BE se atrelou aqui há uns anos atrás à campanha da JS por um referendo ao aborto essa minha amiga teve a pachorra de fazer uma pesquisa exaustiva sobre todas as notícias/declarações sobre o assunto no site do BE. E quando as analisou constatou, divertida, que cada um dizia o que lhe vinha à cabeça e que havia posições para todos os gostos.

      Passado tempos teve um problema no computador e foi obrigada a refazer a pesquisa. Foi quando descobriu que entretanto quase tudo tinha desaparecido do site do BE…

    • Leo diz:

      Como prémio de consolação deixo-lhe o link para este muito interessante artigo do Américo Nunes:

      http://www.pcp.pt/publica/militant/278/p09.html

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