Negri afinal tem programa, direcção, cognitariado e líder.

“Um quarto grupo se formou nas várias assembléias e coletivos do cognitariado urbano. Esses não possuem militantes orgânicos. Trata-se essencialmente de uma esquerda intelectual, que protesta e coopera em rede, assumindo posições radicalíssimas contra a precariedade e a incerteza do trabalho, além de contestar os baixos salários. São grupos do trabalho imaterial crescidos na crise, “dentro e contra”.”

“Quem é a gente que se reuniu no 15 de maio nas praças da Espanha? Existem dois componentes de peso. O primeiro é essencialmente a classe média empobrecida, desempregados, pequenos empresários em crise, profissionais que não conseguiram sucesso, ou foram rejeitados pelas empresas, trabalhadores autônomos recentemente golpeados pela crise, ou assediados pelo fisco, — a quem se juntam os cidadãos sem casa própria e sem condições de adquiri-la, os que vivem como inquilinos. Um segundo componente, fortemente majoritário nos acampamentos, é o cognitariado metropolitano: trabalhadores digitais e cognitivos, precários do setor dos serviços e de todos os gêneros de atividade imaterial, estudantes e jovens sem futuro.”

Ler o programa de transição resto e acreditar que o Toni fará melhores feijoadas do que o Ricardo Noronha e que inflama mais que o amigo Miguel Cardoso.

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5 respostas a Negri afinal tem programa, direcção, cognitariado e líder.

  1. Tiago Silva diz:

    “Cognitariado”? Opá, haja paciência…

  2. João Martins diz:

    Renato, enquanto a gente se vai entretendo com estas discussões (as quais têm o seu interesse, sem dúvida), os pulhas que nos governam comem-nos as papas na cabeça (e não só)!

  3. zé neves diz:

    renato, a questão não está em ter programa ou ter direcção; mas como ele e ela são determinados. direcção quer dizer andar daqui para ali e não necessariamente ter quem dirigia outrem. quanto à questão de existir um sujeito político colectivo identificado nas propostas de negri, em parte sim, em parte não; sim quando se fala de cognitariado, não quando se fala de multidão.

  4. Manuel Monteiro diz:

    Não sei porquê, mas a discussão parece-me passar ao lado dessa grande massa de proletários – os novos proletários saidos das universidades e que têm que encontrar um programa anti-capitalista radical e coerente e formas de organização eficazes, preparadas para a luta violenta contra a violência policial.
    Agora essa dos cognitivos não lembra nem ao careca…
    Vejo muita gente, sobretudo de fora do movimento, gritar contra a organização rígida, contra as vanguardas, contra tudo o que seja o passado histórico do antigo proletariado. Esquecem-se que estamos em guerra, que somos um exército da fraternidade contra um exército sanguinário do capital.
    Depois, aqueles que bradam contra a vanguarda querem ser eles mesmo a vanguarda. Tenho muito respeito pelos jovens, mas às vezes irrita-me uma certa petulância de alguns que não querem saber do nosso passado, daquilo que podem aprender com as nossas lutas e até com as nossas derrotas. As vanguardas não se decretam nem se impedem com proclamações académicas. Elas surgem naturalmente das lutas, como surgem nas artes e em todos os sectores da vida. As formas de organização disciplinadas não podem ser diabolizadas nem combatidas porque elas são as trincheiras da liberdade onde os combatentes proletários se resguardam para acumular forças e passar ao ataque contra os seus inimigos de classe.
    Isto aprendi e pratiquei há mais de quarenta anos. Está tudo desactualizado? Não me parece…

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