Honório Novo, Oscar Mascarenhas e Alice Vieira perdem colunas no JN

O novo director do Jornal de Notícias enviou uma carta a vários colunistas. Entre os dispensados, estão Honório Novo, Oscar Mascarenhas e Alice Vieira. Numa prosa tão íntima como ridícula, Manuel Tavares enviou o mesmo texto  – só alterou o nome dos destinatários – para todos: “E porque esta não é uma despedida, gostaria que continuasse a considerar o JN como a sua casa e que sempre que lhe aprouvesse abrisse a porta e me viesse visitar. Sem ter de se anunciar, que é o modo de receber os amigos”.

Manuel Tavares justifica-se com a necessidade “de um jornalismo e de um jornal mais próximo das nossas gentes sem deixar de olhar todos os horizontes”. Fica a dúvida sobre quem serão as “gentes” do director do JN. Porque, na verdade, com a perda destes colunistas, desaparece uma boa parte da opinião dissonante e que estava mais próxima das nossas gentes e não das gentes de Manuel Tavares.

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9 respostas a Honório Novo, Oscar Mascarenhas e Alice Vieira perdem colunas no JN

  1. Pedro Lourenço diz:

    Oscar Mascarenhas tem sido uma das vozes mais corajosas e criticas do liberalismo vigente. é uma vergonha. Ficaremos a aguardar, como refere Honório Novo, para conhecer o novo rol de comentaristas que irão substituir os cessantes.

  2. Miguel Alexandre diz:

    Se já havia poucos motivos para comprar um jornal tão mau como o JN, agora ainda há menos. Lamentável como isso foi comunicado por mail.

  3. Os próximos a escrever para lá devem ser imparciais, independentes e tal e tal, e no fundo, estarem bem amarrados ao pensamento dominante,
    Os tempos que vivemos são desta censura por omissão do pluralismo, tambem.

    Quando abria o JN ia à procura dos textos do Honório(em especial), agora quando abrir o JN já nem essa expectativa tenho.

    Uma lastima para a comunicação social portuguesa.

    Abraco

    • Mike diz:

      A mim também me parece mal que o Honório deixe de lá escrever…

      Mas parece-me muito pior um post destes. Então quais são os novos opinadores do JN???
      Foi o Honório substituído por quem? por gente de direita? ou será que agora serão todos (os convidados) de esquerda? E se a relação direita/esquerda, verdade/mentira, passou a ser melhor? ou será que é pior? ou ficou igual? Será que foi substituído, por exemplo, pelo Jorge Machado? Será que regressou a Ilda?

      Eu sei o resultado, mas além de dar a entender que não sabe como é agora, o autor fez aquilo que NUNCA se deve fazer: opinar em cima do joelho… pelo menos apontava aqui quem o substituiu e qual a nova relação de forças dentro dos opinantes…

  4. Leo diz:

    Para memória futura, o que presumo tenha sido a última crónica da Alice Vieira no JN:

    A fotografia
    2011-06-03
    Para esquecer maleitas e desgraças afins, nada melhor do que enchermo-nos de coragem…e desatar a rasgar papéis. Mas às vezes temos de parar.Porque de repente nos cai nas mãos, vinda sabe-se lá donde, memória de um tempo que julgávamos esquecido, ou em que já não pensávamos há anos. Uma fotografia.
    Olho para ela e lembro-me de tudo.
    E porque os nossos chefes de redacção nos ensinavam que devíamos sempre escrever todos os elementos nas costas das fotografias, esta, que tem o carimbo do DN, diz-me que foi tirada no Teatro da Trindade, a 20 de Setembro de 1978, pelo meu camarada de redacção Luís Saraiva. Os fotografados são Anna Máscolo e Anton Dolin.
    Acho que me lembro deste dia do princípio ao fim. Da entrevista que fiz a ambos, da conversa que se prolongou tarde fora, da verdadeira força da natureza que era (e é…) a Anna, ao lado da aparente fragilidade do Anton Dolin – e eu nas nuvens, porque estava a falar com dois monstros da dança. Fiquei amiga da Anna até hoje.
    Sorrio para a fotografia, e tenho a certeza de que nenhum chefe de redacção me daria hoje uma página inteira do jornal do dia (e o DN tinha ainda aquele formato gigantesco!) para eu encher com uma conversa sobre dança. E porque estas coisas andam todas ligadas, penso no pouco espaço que há hoje para a cultura, na pouca atenção dos governantes – como se ela fosse dispensável, uma espécie de traste que herdámos dos antepassados e estamos mortinhos por deitar fora. Daí que nem me espante a ideia de acabar com o Ministério da Cultura.
    E agora deixem-me terminar esta crónica com uma história do século passado.
    Durante a guerra, a Inglaterra fazia esforços titânicos para se aguentar com as despesas. Um dia, propuseram a Churchill, para ajudar o “esforço de guerra”, como então se dizia, cortes muito substanciais na cultura.
    Churchill recusou. Sem a cultura, “what are we fighting for?” (“por que é que estamos a lutar?”)
    Outro tempo, claro.
    Outra gente, também.

    http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Alice%20Vieira

  5. Mário Reis diz:

    Lembrei-me da escroqueria e dos argumentos que conduziram à privatização do JN e do DN e de outros meios de comunicação: + isenção, + liberdade de imprensa, + pluralismo e mais não sei quantas coisas.
    Vitais, Arons, Barretos, Proenças e mais não sei quantos montes de trampa, vomitavam essas loas, ao mesmo tempo que lambiam o cú desses seres, dessa escumalha, que sonha em pisar quem luta e quem não desiste por um mundo mais digno e justo.´

  6. Francisco diz:

    Na sociedade actual a cultura pouco interessa, só se vive para adorar o bezerro de ouro.
    Nem cultura.
    Nem direitos humanos.
    Nem dignidade.
    Nem liberdade.
    Tudo se resume a uma ditadura.
    A voz da maioria é que conta, como aconteceu nas piores ditaduras do século passado.

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