Como é óbvio, vou deitar o voto na CDU

Como se diz na minha terra, hoje vou deitar o voto na CDU. Não tive grandes dúvidas sobre o Partido em que iria botar o voto (outra expressão deliciosa), mas soube desde o início, de forma muito clara, em quem não votaria.
Nunca poderia votar num Partido, o PS, que deixou Portugal na bancarrota ao fim de 6 anos de governação. Misturando a mentira com a propaganda e com a tentativa (bem sucedida) de silenciar os críticos, o PS usou a máquina do Estado, durante longos anos, em benefício do Partido e dos seus dirigentes. O PS é muito pior do que o PSD ou o CDS. Porque estes, aspesar de tudo, assumem-se de Direita. O PS não, tem vergonha de ser de Direita e anda ali pelo meio, dando umas côdeas à Esquerda, mas nada mais faz senão governar completamente à Direita. Em termos económicos e sociais, os Governos de Sócrates sempre estiveram mais à Direita do que alguma vez o PSD esteve.
Nunca poderia votar num Partido, o PSD, que governou como governou sempre que esteve no poder. No PSD, os grandes interesses dos grandes grupos económicos têm lugar marcado, ainda para mais agora que o Partido se prepara para virar (ainda mais) à Direita.
Nunca poderia votar num Partido, o CDS, que ainda há pouco tempo tinha como principal bandeira eleitoral a luta contra os emigrantes e que hoje em dia, ignorando os grandes privilégios que os Governos de Sócrates deram à Banca, enche a boca diariamente para falar do Rendimento Mínimo. Da última vez que esteve no Governo, o CDS mostrou bem por que razão precisa de estar no poder: o caso Portucale, os financiamentos do BES (Jacinto Leite Capelo Rego, lembram-se?), os submarinos e por aí fora. Isto tudo em apenas 2 anos. Foi mesmo à descarada.
Decidi também desde cedo que não ia votar no Bloco de Esquerda, apesar de me identificar com muitas das suas ideias e de, ideologicamente, estar muito perto. A questão, em relação ao Bloco, é outra. Durante mais de um ano, Louçã andou de braço dado com Sócrates no apoio ao candidato presidencial do Governo. E à medida que se aproximavam essas eleições, os PEC’s sucessivos de José Sócratres contrastavam de forma crescente com um silêncio cada vez mais ensurdecedor de Francisco Louçã. Para cúmulo, logo que acabaram as Presidenciais apresentou uma moção de censura atabalhoada, como forma de se demarcar do PS e de se antecipar ao PCP. Mas deixou bem claro que aquela moção não era para aprovar – porque se os Partidos da Direita a votassem seriam ridículos.
Assim sendo, nada mais me resta a não ser votar na CDU. O Partido que mais defende os trabalhadores e as camadas sociais mais carenciadas. O Partido que mais defende o tecido económico português e o emprego. O Partido que mais defende o Estado Social. Mesmo que nem sempre concorde com algumas das posições do Partido, sobretudo na forma como encara os regimes comunistas do resto do mundo, parece-me que votar CDU (já que não se pode votar apenas PCP) é o voto correcto.

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7 respostas a Como é óbvio, vou deitar o voto na CDU

  1. Augusto diz:

    Pois eu vou votar no Bloco de Esquerda.

    E sem qualquer malicia, quero lembrar-lhe uma famosa entrevista de Jeronimo de Sousa a Maria Flôr Pedroso na Antena 1 , em que o secretário geral do PCP, não enjeitava aprovar uma moção de censura do PSD.

    Mais recentemente as posições do PCP sobre uma saida, essa sim atabalhoada do euro, cheiram demasiado a populismo barato.

    Mais hoje há decisões que os homens e mulheres de esquerda devem ponderar.

    Em distritos como Coimbra, Aveiro ou Leiria, querem mais deputados do CDS, ou que a esquerda continue representada.

    Em distritos como Portalegre, Evora e Beja, querem que a esquerda possa sair reforçada no caso de Portalegre possa até eleger 1 deputado, e em Beja 2 ou prefere o reforço do PSD?

    • Vasco diz:

      Ah o PCP é que é atabalhoado? Votar a intervenção do FMI na Grécia não é atabalhoado; apoiar o candidato do Governo às presidenciais não é atabalhoado; dizer que não quer uma moção de censura e apresentá-la dois dias depois não é atabaolhado. Mas não afastar a saída do Euro, propondo uma discussão pública sobre o assunto, sim é atabalhoado. Devido ao euro, Portugal não pode usar a moeda para defender a sua economia, ficando à mercê dos interesses das grandes empresas alemãs. E isso não é atabalhoado?

  2. joaninha diz:

    Como é óbvio vou votar no seenhor professor doutror passos coelho.Quem melhor do que ele,com procesos em tribunal criminal,julgado e com sentença lida,por falcatruas de diversos géneros,pARA COMBATER A CORRUPÇÃO?DXias Loureiro,tem cuidado com o justiceiro coelho.

    http://verdadeirolapisazul.blogspot.com/

  3. carlos fonseca diz:

    Eu votei BE, mas CDU, se aceitas uma opinião, é igualmente um voto de esquerda. Todavia, prepara-te, meu caro, levar com o duo PSD+CDS não vai ser fácil. Mais a mais, com o programa da troika. Hoje já os “boys” laranja andam a afiar as facas para a matança dos concorrentes rosa.
    É a velha história “a m….. é a mesma, as moscas é que mudam”

  4. Gentleman diz:

    Hmmm… Apelo ao voto em dia de eleições?

  5. Vasco diz:

    Irrita-me um pouco a ideia de que o PCP é isto e aquilo mas o APOIO aos «regimes comunistas» é que estraga tudo. Eis o que o PCP definiu no seu congresso acerca desse assunto:

    «Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia. Com percursos diversos, experiências históricas próprias, evoluções distintas, problemas e contradições inerentes ao processo de transformação social num quadro de relações capitalistas dominantes, estes países estão sujeitos pelo imperialismo a uma intensa campanha de pressões económicas, ameaças militares e operações de desestabilização e intoxicação mediática que encerram graves perigos para a segurança internacional e que, a vingarem, significariam um grave retrocesso na luta libertadora. Independentemente das avaliações diferenciadas em relação ao caminho e às características destes processos – a exigir uma permanente e cuidada observação e análise – e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido, o PCP considera que não há vias únicas de transformação social e reafirma o inalienável direito destes países e dos seus povos, como de todos os povos do mundo, a decidir livremente sobre o seu próprio caminho. É esse o interesse da causa do progresso social e da paz em todo o mundo.

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