As empresas de sondagem não têm dúvidas…

Aximage (29.05-01.06)
PSD: 36,3%
PS: 30,1%
CDS-PP: 12,4%
CDU: 8,1%
BE: 6,6%

Intercampus (28.05-01.06)
PSD: 36,5%
PS: 31,1%
CDS-PP: 11,6%
CDU: 7,4%
BE: 6%

Eurosondagem (29.05-01.06)
PSD: 35,9%
PS: 31,1%
CDS-PP: 13,0%
CDU: 7,8%
BE: 5,9%

Resultado das últimas três sondagens:
PSD: entre 35,9% e 36,3% (0,4 p.p.)
PS: entre 30,1% e 31,1% (1,0 p.p.)
CDS-PP: entre 11,6% e 13,0% (1,4 p.p)
CDU: entre 7,4% e 8,1% (0,6 p.p.)
BE: entre 5,9% e 6,6% (0,7 p.p.)

Quer-me parecer que, durante a noite eleitoral, estas três empresas vão declarar vitória, ainda que os resultados não encaixem no estreito intervalo que procuraram determinar.

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2 Responses to As empresas de sondagem não têm dúvidas…

  1. LM r diz:

    Falharam na dimensão da vitória do PSD. De resto… infelizmente foi na mouche.

  2. Ricardo O. diz:

    Tiago,
    O mais importante relativamente às sondagens é o papel de formatação de comportamento que estas assumem de forma descarada.
    Se têm uma base científica? Têm. Rigorosa? sim, dentro dos limites que uma previsão possa ter. São uma base segura para prever resultados? Não!
    E porque é que como economista, com alguns conhecimentos econométricos não posso aceitar a suposta neutralidade previsional das sondagens?
    Em primeiro lugar pela sua utilização. Para mais, nestas eleições, a sua utilização massiva, diária, assume de forma clara uma forte componente de influência comportamental, pelo que as várias sondagens jamais poderão ser consideradas estatisticamente independentes. Tanto as realizadas pelas mesma ou por outra empresa.
    Em segundo lugar, para podermos ter uma base estatisticamente relevante precisamos de construir séries com uma dimensão que permita ganhar consistência. Com alguma dificuldade uma série poderá ter menos 100 observações, vá lá, 50…
    Considerar que os actos eleitorais em Portugal, constituem uma boa série, é demasiado limitado. A regressão faz-se, mas não é estatisitcamente relevante e muito menos consistente!
    Dir-me-ão, mas a técnica do inquérito é diferente da de uma regressão. É verdade, mas a amostra do inquérito é tão insuficiente, é tão dependente de outros inquéritos, que se torna impossível prever um comportamento eleitoral.
    Dir-me-ão, mas as sondagens têm acertado, dentro dos intervalos de erro. Sim e não. Vejamos o caso da abstenção. Vejamos os actuais resultados e comparemos com os das primeiras sondagens. É que não podemos confundir a leitura de comportamentos com a formatação de comportamentos colectivos que a permanente publicação de resultados (que não existem) provoca.
    Quem andou na campanha ouviu: mas vocês não têm hipóteses… – Esta afirmação é a demonstração mais fiel da formatação comportamental da mercantilização dos estudos de opinião eleitorias, vulgo sondagens.
    Isto significa que não se poderão fazer sondagens? Não! Mas a sua «privatização» e respectiva mercantilização servem e reforçam a manipulação comportamental das massas, garantindo, à partida, determinado tipo de resultados, independentemente da vontade e opinião dos eleitores sobre o que está em causa e as diferentes propostas.
    A estatística é algo de necessário e sério. Por exemplo, por muitos defeitos que se possam apontar ao inquérito ao desemprego do INE, este é rigoroso e confiável. Exige uma leitura cuidada, mas oferece confiança. Veja-se como é construido e questione-se a fiabilidade dos inquéritos de opinião eleitorais, as sondagens.
    Abraço e a luta… a luta continua!

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