3.875.022

Em 9.429.024 eleitores inscritos:
3.875.022 abstiveram-se;
2.145.452 votaram no PSD;
1.557.864 votaram no PS;
652.194 votaram no CDS-PP.

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20 respostas a 3.875.022

  1. xatoo diz:

    1. o facto dos “socialistas” terem sido comidos vivos é uma vitória para os trabalhadores. É indigno que um bando de oportunistas sem escrúpulos ande há 37 anos a usurpar o nome de uma ideia que é sagrada para a Esquerda: a de uma sociedade sem classes. Os pulhas do P”S” nada têm a ver com isso.
    2. No mundo do trabalho, muito por acção do bloco PS/PSD o sindicalismo já era irrelevante – desde a liberalização da lei apenas 19 por cento dos trabalhadores são sindicalizados
    3. Dos 9.429.024 votos possiveis não exerceram esse direito 3.875.022 eleitores (41,1 de abstenção). O povo já ganhou uma carapaça; já sabe que quem votou se finou; vai com deus e volta daqui a 4 anos. Apenas 1.557.864 clientes votaram no P”S”,
    3. Desaparecendo o P”S” de cena, (e repare-se o cuidado nos discursos neocons para que não se afronte a mudança para um novo P”S”) resta um inimigo pela frente, sem barreiras nem disfarces pela primeira vez desde 1974: 1 Governo, 1 maioria parlamentar e 1 presidente da república todos de direita
    4. Nem o BE reduzido a um taxi-limousine de esquerda, nem os irrelevantes 7 por cento de P”C”P são partidos de esquerda radicais. O máximo que pretendem nos seus programas são reformas e renegociações com os autores do crime económico que levou ao endividamento
    5. Sem trabalho não há criação de riqueza. Só a luta é o caminho. Amanhã cá estaremos, organizados de outras formas, para combater as medidas da troika

    • Carlos Carapeto diz:

      Desejo que não estejas enganado camarada. Gostava de puder partilhar esse teu optimismo, não são esses os meus pressentimentos, sei que amanhã pela manhã os abutres já estão pousados nas escarpas esperando o momento para dar inicio ao festim macabro.

      Temos que estar preparados para lutar e resistir. No entanto estou cada vez mais desiludido, deixei de acreditar neste povo, nos trabalhadores que são cada vez mais roubados nos seus salários, espoliados dos seus direitos, submetidos impiedosamente aos interesses do patronato, nem mesmo assim despertam a consciência.

      O exemplo daquilo que aconteceu hoje no local onde resido, deixou-me frustrado. Neste Concelho onde o desemprego mais cresceu, a miséria é visível por toda a parte, familias inteiras têm que recorrer às refeições da Santa Casa da Misericórdia e à Segurança, o CDS conseguiu ter mais votos que a CDU e o BE juntos.

      É desanimador assistir a isto depois de tanto trabalho tantas horas perdidas a informar as pessoas para chegar-mos a estes resultados.

      Cada vez convenço-me mais que este povo prefere humilhar-se a pedir esmola que exigir os seus direitos.

    • RuiB diz:

      8%, xatoo, oito por cento (7,94%), foi a percentagem da CDU. A diferença para o que desonestamente indica («nem os irrelevantes 7 por cento de P”C”P») é praticamente a votação do (irrelevantíssimo) “M””R””P””P”.

  2. Rocha diz:

    BE e PCP não são radicais.
    Mas vamos lá ver então o que é radical (só nos últimos anos):
    – Apoiar o Alegre (é mesmo xato relembrar-lhe isto, não é?).
    – Apoiar a UGT (conhece o Trio Capital? Helena André, aquele senhor da CIP e o João Proença, para uma consertação social 100% amarela, 100% UGT).
    – Renunciar à matriz ideológica original (o maoísmo).

    Radicalismos à parte, os “irrelevantes 7% do PCP” sem sombra de dúvida foram cilindrados pelos avassaladores 1,1% (ao contrário de você eu não omito as décimas). O sindicalismo é irrelevante devido à pouca taxa de sindicalização logo o mais lógico para os radicais de esquerda é defender esse bastião do “radicalismo” (capitalista!) que é a UGT. E mais não digo que não quero maçá-lo demais…

  3. Renato Teixeira diz:

    Uma verdadeira minoria absoluta. A luta continua mas era bom que quem de direito repensasse o caminho.

  4. Gentleman diz:

    Muitos dos abstencionistas já estão mortos mas, por incompetência, da CNE ainda constam dos cadernos.
    Quantos aos abstencionistas vivos, optaram por abdicar de um direito. Com isso, deixaram que outros determinassem o futuro do país. Não se queixem, por isso.

    • Helena Borges diz:

      Que continuem a queixar-se, se isso os ajudar a perceber que são co-responsáveis pelo que aí vem. Difícil.

  5. Malmequer diz:

    Não faltavam opções de esquerda nos boletins de votos. Não sei do que se gabam, tenho a certeza que houve muito menos abstenção à direita do que à esquerda. E se faz favor, tire para aí um milhão de mortos e se calhar meio milhão de emigrantes das suas contas.

    • Helena Borges diz:

      São as contas da CNE, Malmequer. Não gabo os abstencionistas, chamo-lhes eunucos, precisamente por haver opções de esquerda nos boletins.

      • subcarvalho diz:

        Eunuco – é um homem cujos testículos foram removidos por orquidectomia ou são congenitamente não-funcionais.
        Posto isto, parece-me que os eunucos são aqueles que ainda legitimam um sistema caduco, mentiroso e muito pouco democrático.
        Pessoalmente ainda os tenho no sítio e não escolho ninguém para os representar.

        • Helena Borges diz:

          Escolhes tê-los na mão da escolha da maioria, o PSD. O sistema pode ser caduco, mas, enquanto não cai de vez, continua a troikar-te… E tu a deixar, Sub.

          • subcarvalho diz:

            Enganas-te! Estão na minha mão…e não os confio a nenhum dos candidatos a representar as minhas bolas no sistema implantado.
            Ao contrário daqueles que lá foram pôr a cruz para que tratem, outros, das suas bolas, eu, diariamente, procuro mudar radicalmente este sistema, e isso não se consegue, nem se alcança, legitimando-o, mas sim contrariando essa constante retórica de que “é o que temos…”.
            É na rua que a luta se faz! É na rua que se alcançará a mudança!
            Todos os que lá foram pôr a cruz, aguentem-se à bronca até daqui a 4 anos!

          • Helena Borges diz:

            Sub, tento respeitar o teu lirismo, que não é de toalha de praia. Aguentemo-mos à bronca, pois, nós que votamos pela recusa da troika e vocês que não votaram por coisa alguma. Lá nos cruzaremos, nas ruas.

  6. xatoo diz:

    carissimos Rocha e RuiB
    – os 7,94% da CDU começam a ser comparaveis aos 1,13% do MRPP sim senhor. A diferença está em que àquela coligação, durante décadas, não lhes foi nem é negado tempo de antena nos anti-democraticos meios de comunicação detidos pela burguesia capitalista. E a CDU, como se viu convive bem com isso e pactua com a censura, como se viu no caso dos debates em que se propunha enviar uma figura de 15ª categoria (com os mesmos resultados práticos da recusa de comparência de BE,PS,PSD e CDS). Sempre quereriamos ver que resultados teria o MRPP se os debates nas televisões tivessem tido equidade. Mas, pelas razões óbvias, fugiram deles como o diabo foge da cruz
    – o apoio a Alegre explica-se por Alegre não ser comparavel a Cavaco Silva – a Maçonaria não é comparavel à Opus Dei, e muitos eleitores agnósticos não percebem a diferença. Preferem, como forma superior de alienação a Maria Cavaca a benzer tudo o que mexe. A mais desgraçada forma de fazer politica e convertê-la em apolitica. E nestas eleições o facto do P”S” ter sido enterrado vivo foi uma vitória para os trabalhadores. Sem o P”S” temos a Direita nua e crua à nossa frente
    – o pretenso apoio ao sindicalismo terciário da UGT é uma calúnia (É um clássico, inferido da tradicional oposição da Intersindical controlada pelo P”C”P
    – a critica metafisica ao pretenso desvio da teoria maoista é vesga. O retrato de Mao permanece como simbolo no topo da cidade perdida. Porém as condições em que se desenvolve actualmente o capitalismo mudaram, isto é, a análise dialéctica tem de propor outra evolução para as soluções. E nesse aspecto a República Popular da China está a ter um êxito capaz de influenciar a hegemonia imperialista ocidental em poucos anos
    – já alguém leu o programa para um governo democrático e patriótico proposto pelo MRPP? leiam primeiro e depois critiquem
    cumprimentos

  7. José diz:

    “E nesse aspecto a República Popular da China está a ter um êxito capaz de influenciar a hegemonia imperialista ocidental em poucos anos”

    Verdade. Chamar-lhe “popular” ou sociedade comunista é que já é mentira.

  8. subcarvalho diz:

    Helena,
    lirica é aquela que ainda se acredita na “verdade” do sistema.
    E sim, não votei por coisa alguma, porque como dizia uma das frases das acampadas: os meus sonhos não cabem nas vossas urnas!
    Vemo-nos nas ruas!

  9. EM diz:

    ao menos, sei que há eunucos que não foram votar para não darem cuzinho, votando nos “menos maus”. a vergonha da esquerda portuguesa em todo o seu esplendor: nem descola do PS, nem de Cuba. nunca mais convencem o povo de que o PS nem é socialista nem de esquerda, nunca mais esclarecem a parvoíce das ditaduras proletárias. enfim, os partidos de esquerda tiveram o que mereceram.

  10. ricardosantos diz:

    ó xatoo a ultima sociedade sem classes que existiu foi a sociedade estoril.

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