Protesto de intelectuais contra a prisão e entrega de Julián Conrado


A prisão na Venezuela, com a colaboração da inteligência militar colombiana, do comandante Julián Conrado das FARC e a decisão do governo de Hugo Chavez Frias de entregar aquele destacado revolucionário ao governo neofascista de Juan Manuel Santos foi recebida a nível mundial com surpresa e indignação.

Os argumentos citados pelo governo venezuelano para justificar a medida (pedido da Interpol, acordos com Bogotá, etc, são inaceitáveis e mesmo ridículos). É chocante invocar a luta contra o terrorismo no âmbito de uma parceria com um governo narcotraficante como o de JMSantos, que pratica o terrorismo de estado como estratégia de poder. Com uma agravante: durante anos, o Presidente Hugo Chavez apelou para o reconhecimento das FARC como força revolucionária beligerante.

A nossa preocupação e indignação é tanto maior quanto o governo de Bogotá, segundo as agências noticiosas, estaria já estudando a possibilidade de atender a um eventual pedido de extradição do comandante Julián Conrado para os Estados Unidos.

Temos presente que a atitude assumida pela Venezuela se insere na continuidade de uma cooperação espúria com a polícia colombiana que se traduziu recentemente na entrega a Juan Manuel Santos do jornalista sueco Joaquin Perez Becerra, diretor da agencia ANNCOL, e de destacados combatentes das FARC.

Na esperança de que as autoridades venezuelanas libertem imediata e incondicionalmente o comandante Julián Conrado, os abaixo assinados – solidários com a Revolução Bolivariana- sublinham que as opções democráticas e progressistas do governo de Hugo Chavez são incompatíveis com o gesto que motiva o nosso protesto veemente.

Anita Leocádia Prestes – professora universitária, Brasil

Angeles Maestro, médica, dirigente partidária, Espanha

Annie Lacroix Riz, historiadora, França

Carlos Aznarez, jornalista, Argentina

Daniel Antonini, dirigente partidário, França

Domenico Losurdo, filósofo e professor universitário, Itália

Edmilson Costa, professor universitário e dirigente partidário, Brasil

Filipe Diniz, arquiteto, Portugal

Francisco Melo, editor, Portugal

George Gastaud, filósofo e dirigente politico, França

George Hage, ex deputado, França

Henri Alleg, escritor, França

Istvan Meszaros, filósofo e professor universitário, Reino Unido-Hungria

Ivan Pinheiro, advogado e dirigente político, Brasil

James Petras , sociólogo, professor universitário, EUA

Jean Salem, historiador, professor universitário, França

John Catalinotto, escritor e dirigente partidário, EUA

Jorge Figueiredo, economista, editor de resistir.info, Portugal

Jose Paulo Gascao, editor de odiario.info, Portugal

Jose Paulo Netto, professor universitário, Brasil

Leyla Ghanem, antropóloga e dirigente política, Líbano

Luciano Alzaga, jornalista, Argentina

Marina Minicuci, jornalista, Itália

Mauro Iasi, professor universitário e dirigente partidário, Brasil

Miguel Urbano Rodrigues, escritor, Portugal

Pavel Blanco Cabrera, dirigente politico, México

Pierre Pranchere, ex deputado, combatente da Resistência, França

Virginia Fontes, historiadora e professora universitária, Brasil

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16 respostas a Protesto de intelectuais contra a prisão e entrega de Julián Conrado

  1. kissmyassjackass diz:

    esse Hugo Chavez não é de confiar,axo q o gajo está a virar o bico ao prego.falta uma elite dirigente de classe naquele movimento.Até parece o Gadafi e,os americanos e os democratas de mãos limpas da UE lhe acabarão por fazer a folha depois dele aplicar o receituário neoliberal,agora, com uma dama de ferro à maneira depois O Tribunal Especial de Haia q julga todos menos os premios Nobel da Paz(?) e traficantes de orgãos humanos governantes desse estado independente do kosovo e,os dirigentes democratas da sérvia,servis,mesmo!!!!

    • JDC diz:

      “falta uma elite dirigente de classe naquele movimento” Uma espécie de classe dentro da luta de classes? Curioso…

  2. closer diz:

    Fico à espera que o sempre atento Bruno Carvalho, manifeste também a sua solidariedade para com o cubano Guillermo Farinas que começou ontem a sua 24ª greve de fome em 15 anos. Estou certo que ainda não o fez por falta de tempo ou por esquecimento.

    Grato pela atenção

    • Carlos Vidal diz:

      Nenhuma solidariedade com um mitómano.
      (À 30ª greve de fome, terá direito a uma estrela no Passeio da Fama, Hollywood. Falo por mim. Mas não estou sozinho.)

    • Carlos Carapeto diz:

      Fariñas? Dá sempre algum jeito ter um fast food congelado à mão.

      Quais são os objetivos politicos desse fulano? Vender a Ilha? A dignidade do povo Cubano não tem preço. Será que os agentes do imperialismo não têm intelegência para comprender isso?

  3. Pingback: Prevê-se uma escolha fácil por parte dos “intelectuais” « O Insurgente

  4. closer diz:

    Sr. Dr. Vidal

    Gosto das bastonadas socialistas e detesto as bastonadas capitalistas. As bastonadas socialistas como em Kronstadt ou Gdansk não fazem feridas: são bálsamos para o corpo.

    Em contrapartida, as bastonadas capitalistas são uma tremenda repressão para a classe operária. Fora com elas!

    Será que eu sou um ingéuo desinformado, ou um perverso anti-comunista?

    • Carlos Carapeto diz:

      Que moral tem para carpir Kronstadt? Não seja impostor.

      Gdansk; onde é que isso ficava? Enquanto existiu Socialismo, existiram os estaleiros de Gdansk, a instauração do capitalismo fechou a loja e foram todos para o olho da rua.

      Se tivesse um pouco de vergonha não se atrevia a abordar o vexame que os operários passaram. Foram de lá corridos à porrada, fizeram-lhe aquilo que os comunistas nunca se atreveram a fazer.

  5. Pedro Pousada diz:

    O idiota útil e recordista mercenário do Farinas (24 fomitas em 15 anos parece um estilo de vida) que vá fazer greves de fome para as penitenciárias de alta segurança da democrática Colômbia ou aquela que os seus patroões (ou patronos?) possuem ilegalmente em Guantanamo.

  6. Luís Rocha diz:

    Estamos todos revoltados com isto e solidários com o camarada Julián Conrado. Eu também sou fã sou da música dele, da sua alegria e do seu optimismo revolucionário.

    As traições cobardes de Chávez aos revolucionários colombianos são uma punhalada nas costas dos milhares que o apoiaram aqui na Europa e em muitas outras partes do mundo. Além de abjecto é um acto destes é uma agressão ao PCV, a outras organizações revolucionárias e à própria esquerda do PSUV (partido do Chávez), em suma a toda a esquerda venezuelana.

    Já lhe tinha perdoado muitas hesitações reformistas, mas isso não é nada comparado com esta vergonhosa colaboração com o fascismo colombiano.

    Liberdade para Julian Conrado! Liberdade para os 7500 presos políticos colombianos nas masmorras da Colômbia fascista!

  7. Armando Cerqueira diz:

    As FARC não são propriamente um movimento revolucionário mas angtes uma entidade reaccionária. Como explicar os raptos, as detenções de gente inocente durante anos, as liquidações.

    Numa escala maior: Estaline e Mao Tsé Tung eram realmente revolucionários ou criminosos?

    FARC, Estaline, Mao nada têm a ver com revolução ou Socialismo. Os revolucionários, os Socialistas não são criminosos.

    Os revolucionários da minha geração, que conheci, nos anos 60 e 70 do século passado defendiam outros valores que os das FARC e quejandos.

    Cumprimentos

    Armando Cerqueira

    • Carlos Carapeto diz:

      Quais são os valores que o capitalismo está defender na Líbia, no Afeganistão, no Yemem, no Kosovo, nos mares da Somália, no Bharain.++++++?

      Acha que se Estaline e Mao não tivessem sido revolucionários, tinham conseguido levar a cabo empremdimentos com aquela dimensão cercados de inimigos de todos os lados?

      Truman e Bush e os outros que assassinaram cerca de cinco milhões de Vietnamitas o que foram?

      Se as FARC são isso que diz. O que acha que são os rebeldes Líbios apoiados e financiados por a NATO?

  8. José diz:

    “Os argumentos citados pelo governo venezuelano para justificar a medida (pedido da Interpol, acordos com Bogotá, etc, são inaceitáveis e mesmo ridículos).”

    Claro.
    Fazer livremente parte de uma organização internacional e não cumprir os seus estatutos ou celebrar acordos com outros países e mandá-los às malvas é a normalidade da vida política sugerida por este post.

    • Carlos Carapeto diz:

      Mas quando é que Chavez cumpre com os estatutos, os acordos e o direito internacional? É quando faz o jogo do imperialismo? De resto é um ditador.

      Deixe-se de baboseiras. “Normalidade” é mandar os seus argumentos às malvas.

  9. closer diz:

    Este Carlos Carapeto faz-me lembrar a mulher do filme Goodbye Lenine que entrou em coma antes do muro cair. Se um dia a sua visão dogmática e falsa da história ruir, ei-lo em peregrinação a Fátima.

    Sem dogmas é que o homem não pode viver! E como todos os argumentos e evidências são manobras da reacção ao serviço do imperialismo, a discussão com ele é mais estimulante do ponto de vista psicanalítico do que político

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