DEUS, CARAVAGGIO e EU

(Capa)

Sim, de facto, está (por agora, a curto prazo – continuarei, emendando erros graves e menos graves) terminado o meu estudo sobre o pintor Michelangelo Merisi da Caravaggio, cujo resultado dá conta este livro, disponível (em princípio) na próxima semana. Estudo (não confundir com um trabalho académico concluído em que Caravaggio também toma protagonismo) de que fui dando conta, neste blogue, de alguns tópicos, temas, ideias, nos posts que destacaria; primeiro post:

http://5dias.net/2009/05/07/o-essencial-sobre-caravaggio-o-inventor-da-arte-moderna/

Procurei, neste post, iniciando uma série de outros que acompanhou pesquisas e especulações teóricas variadas, minhas e de acompanhamento de outros autores (por mim seleccionados, desviando-me sempre de mitificações e mistificações nunca confirmadas), perceber como é que a obra de Caravaggio, sobretudo desde os trabalhos realizados para a Igreja de S. Luís dos Franceses em Roma (1599-1602, aproximadamente), ou desde a Sta Catarina de Alexandria (1597, ver aqui perto, Madrid, no Thyssen), se foi tornando próxima do grande e central tópico de toda a arte moderna, não apenas da pintura, tópico que repensa Kant e que se sistematiza numa reivindicação de autonomia, ou seja (ainda que com claridade excessiva) sob a forma de uma “proposição analítica” (no dizer recente de Kosuth), no sentido em que a modernidade tende para uma auto-justificação, ou como também se diz, auto-reflexividade. Que diz que a obra se legitima através dos elementos que a compõem, quer dizer, a obra está ligada a um vocabulário (há um vocabulário da dança, do teatro, da poesia, da pintura…), e é nesse vocabulário (e não na filosofia, na estética, por exemplo) que ela adquire os dados para a sua legitimação.

Explico no post como o Impressionismo, na pintura, foi cimentando esta realidade, conferindo à cor o elemento desencadeante do trabalho da retina (seja: o tempo da câmara escura, da retinopassividade desaparece com o Impressionismo, e ainda com os dados da filosofia de um Bergson).

Sublinhei, neste contexto, que a luz de Caravaggio era exclusivamente pictórica e não simbólica. Como elemento pictórico, EXCLUSIVAMENTE, ela só terá nome através de um termo pictórico. Até à “fabricação” desse nome ela, a luz caravaggesca, será sempre “luz sem nome”. Repare-se n’ A Vocação de Mateus (em baixo): a luz nem provém de Deus, nem ilumina a divindade, a qual precisamente por efeito da luz se apaga e esconde.

Mas, paradoxalmente, esta luz para Deus é reenviada (a tal procede o pensamento do pintor). Deste modo: o autor tem perante si uma realidade extrema: crendo ou não (e eu estou convencido de que Caravaggio era um seguidor de ensinamentos como os de Filipe Neri), a sua pergunta é a seguinte: como representar o irrepresentável? (ou, no Eclesiastes, I, 12: “Que é o homem para poder seguir as obras do Criador?”) Questão que também se aplicaria à morte ou à alma. Como representar pictoricamente o inominável (palavra querida a Beckett)? Apenas de uma maneira, julgo – através de uma invenção artística, poética, pictórica (isto é, no medium) inédita e sem explicação. Quando no post citado comento Rudolph Wittkower percebe-se esta questão. Passemos ao segundo post:

http://5dias.net/2009/12/30/uma-licao-de-pintura-e-uma-licao-de-politica-de-caravaggio-a-lenine/

Aqui, o problema era diferente: Caravaggio surgia como precursor de Lenine, como eu titulava. Lendo o que escrevi acima com atenção percebe-se um ou outro sinal desta relação Caravaggio-Lenine. O inédito, o não-existente, o novo sem nome é o risco inerente ao acto revolucionário. Escrevia então neste post: advogo, “três tópicos de abordagem fundamentais em torno de Caravaggio: 1) o carácter inédito do seu trabalho lumínico [analisado nos parágrafos anteriores]; 2) a sua recusa em mostrar a “mão oficinal” [Caravaggio desprezava qualquer tipo de gestualidade, marca do “fazer”, algo que mais tarde caracterizaria Velázquez]; e, por fim 3) a sua recusa total em elaborar para as suas obras estudos prévios, uns atrás dos outros (nunca desenhou, não se lhe conhece um único desenho); e vamos então chamar a este puro pragmatismo e predisposição para acertar no alvo, um ‘leninismo pictórico’ “.

Este era um ponto determinante: como nunca de Caravaggio se conheceu um desenho, então residiria aí o sinal do risco. No livro actual esta posição é um pouco matizada: não desenhar não significa não pensar (apenas Poussin acreditaria nisto), não reflectir obsessivamente – na composição, na forma, na cor, nas massas figurais, etc. Mas, a ausência de estudos prévios contribuíam para a descrita realidade (evidência) de uma “pintura sem precedentes”. Terceiro post:

http://5dias.net/2010/04/03/400-anos-depois-exactamente-400-anos-depois-pouco-se-sabe-acerca-de-caravaggio-e-o-pouco-que-se-sabe-do-homem-e-da-obra-esta-quase-sempre-errado-ate-que%e2%80%a6/

Este foi o mais extenso e mais detalhado dos meus posts caravaggescos. Falava-se do facto de nem sempre, e quase nunca, Caravaggio ter sido reconhecido como autor relevante, e do facto não de todo estranho de ter sido apenas (!!) redescoberto cerca de 1950/51, aquando de uma grande exposição em Milão, comissariada por Longhi, o seu estudioso por excelência. Cito o post: “Caravaggio vem forçar a entrada em cena do vocábulo ‘inovação’, na medida em que os anteriores classificativos existentes, imitatio e inventio não são suficientes para descrever o que está em causa (…). E desde cedo se procurou negar a ligação do pintor à novidade ou inovação, precisamente pela dificuldade em entender o que tal pode sinalizar.” Quarto post:

http://5dias.net/2011/01/21/um-homem-profundamente-devoto/

File:Michelangelo Caravaggio 021.jpg

Este post foi mais etreito de objectivos que os três anteriores: aqui, procurava questionar a tradicional imagem do Caravaggio assassino e lutador de rua (o homicídio de Ranuccio Tomassoni está documentado, bem como a fuga do pintor para Nápoles, Malta, onde foi armado cavaleiro da Ubidienza, estranhamente, ou talvez não, com autorização do Papa, depois Sicília e a morte em Port’Ercole, 1610). Mas este não é o retrato do artista. Ao invés, é credível que Caravaggio tenha tido marcas da espiritualidade de S. Filipe Neri, fundador da Congregação do Oratório, influente pensador da época (que se reclamava herdeiro de Savonarola e de Santo Agostinho), e deixou alguns textos dispersos, dos quais um conjunto de pensamentos destinados um para cada dia do ano.

Com data de 13 de Março, recomendava: “O melhor remédio para a secura do espírito, é representarmo-nos sempre, perante Deus e os santos, como mendigos”; explico ainda que esta aceitação dos excluídos fora determinante no pintor. Passe-se pois ao post, onde comento o sentido de “vida angélica”, conceito de Neri, que perpassa pela maioria das pinturas do artista, na medida em que a sua obra tudo tende a aceitar sem repugnância. (Aceitar a existência = combater, nada ocultar.)

E poucos como Caravaggio se abeiraram tanto desse encontro com a carne quotidiana. Talvez banal. Mas resgatada pela pintura (e pela vontade).

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CONCLUSÃO: Emancipação pictórica = emancipação política.

Por isso e de imediato, mudando de tema (ou não, claro que não), passando ao outro nosso assunto, depois desta digressão, registar:

HOJE, COMÍCIO DE ENCERRAMENTO DA CAMPANHA DA CDU, Lg. de CAMÕES, LISBOA, 22h. Com a participação do secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa.

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24 respostas a DEUS, CARAVAGGIO e EU

  1. marlboro man diz:

    carlos vidal quero ter um filho consigo

  2. António diz:

    Carlos acho bem que te dediques a temas que conheces mas que ninguém lê, ao invés de falares de temas que desconheces profundamente e que ninguém liga como economia ou política….

    • Carlos Vidal diz:

      Quanto a desconhecer profundamente o que quer que seja, é um absurdo.
      Nada do que é humano nos é estranho – refiro-me a todos os escribas desta casa.
      Quanto ao “ninguém lê”. Aqui o erro é muitíssimo grave.
      Insondáveis são os mistérios das estatísticas deste blogue.
      Não se meta nisto – fique-se pelo post. Se apreciou, aprecie a arte.

  3. nf diz:

    Caro Carlos,

    Não será paradoxal este título para um livro que visa tratar a obra do artista à luz da autonomia da arte?

    Dentro da história da arte, a ausência da pata do artista (ao invés de Velásquez ou Franz Hals, por exemplo) não será um trato estético de heteronomia e não de autonomia? Não está a pincelada a inaugurar a pintura como sujeito da pintura? (claro que mais tarde a ausência do toque do artista será operado também para afirmar a autonomia da arte. Já se falou aqui do Kosuth. Haverão outros, bastantes, exemplos dentro da pintura)

    Só duas questões, singelas. De qualquer modo, boa sorte para o livro.

    • Carlos Vidal diz:

      A ausência do “toque” é um dos paradigmas das vanguardas, desde pelo menos o readymade, desde o nominalismo, ou, como diriam De Duve e Welchman after Duchamp, desde que o título é (tornou-se) a “cor invisível” da obra.
      Kosuth, depois de Duchamp, é um sucedâneo – limita-se a trazer (e bem, consistentemente) para este território a filosofia analítica (Ayer, Wittgenstein, a proposição: algo que Buchloh chama – negativamente – “estética legislativa”, contra Kosuth, mas não contra a filosofia, claro, até porque Buchloh é um “descendente” da Escola de Frankfurt, e sempre fez crítica e história a partir da filosofia).

      Quanto a Caravaggio, quanto a qualquer artista que se coloque o problema do irrepresentável (não forçosamente o tema do “sublime”), ele só o pode responder se for obreiro de uma invenção pictórica sem precedentes. E o que eu queria dizer era que essa invenção, precisamente porque não tem precedentes (a estética e a crítica não a entenderão), apenas se explica e entende no corpus dos “elementos” da obra (ou da disciplina em causa: pintura, música, poesia…). A luz caravaggesca é uma violação da luz de modelação do sfumato de da Vinci (este, opticamente muito fiel à realidade: deste modo, a realidade de Caravaggio, porque não naturalista, apenas é fiel à pintura).
      O gesto como heteronomia, sobretudo em Velazquez, parece-me uma leitura correcta. Mas o gesto (intensíssimo no espanhol!) mostra o pictórico da pintura, e a luz não natural nem simbólica de Caravaggio mostra que ainda não sabemos os limites do “pictórico da pintura”. Daí o seu caracter revolucionário (precursor de Lenine, como eu disse meio a brincar meio a sério).

      • nf diz:

        Reportando-me obviamente ao post, que o livro ainda está para sair, perguntava somente como se relaciona a leitura do Caravaggio, e o seu ‘inexpressionismo’, com uma narrativa histórica, prevalecente, que vê na manifestação do fazer artístico a pedra de toque da autonomia da arte que veio aí. É que posteriormente todas as estratégias de evacuar a arte desta manifestação só fazem sentido em relação a este primeiro movimento. À boleia do de Duve, poder-se-á dizer que o Seurat opera este esvaziar só na medida em é precedido e justaposto por obras de arte que se mostram em si e para nós. À partida, não faz sentido comparar Seurat, segundo o critério da manifestação estética do fazer artístico, com a pintura pré-moderna.

        ps- bela capa. A capa que se impõe.

        • Carlos Vidal diz:

          Percebo o seu argumento, meu caro nf.
          Mas o ponto em que me baseio, em que me fundo, faz-me defender que a radicalização da autonomia está antes na evidência do não-fazer, ou seja, no “nomear”, substituindo a manualidade e a sua correlativa “aptidão”. Quer dizer, só uma radicalização da autonomia pode permitir uma substituição do “antigo” fazer pelo “actual” nomear.
          Só deste modo se instalou uma genealogia ou evolução da arte do não-fazer, ou do fazer industrial (de que o minimalismo é o retrato). Quer dizer, parece-me ser possível defender que o não-fazer (ou a não exibição das marcas do fazer) é uma condição sine qua non das vanguardas, da vanguarda e da sua utopia mais propriamente linguística.
          Basta pensar que esta, a vanguarda, muito deve à figura legislativa do Manifesto!

          Quanto ao livro, está publicado (tenho-o aqui à minha frente), falta a distribuição apenas. A capa, pois, parece-me excelente; não é de minha autoria; quem a fez e escolheu teve o olho no lugar. Ainda bem que a sua depuração é apreciada.

  4. de vez em quando vinha lembrando-me desta promessa anunciada do Carlos, ora chegou! acontece que esta temática do “invisível” fui, noutros textos de outros contextos, encontrar ou penso eu isso. por exp: no livro agora publicado do Ramos Rosa ” Prosas seguidas de Diálogos” no texto “A primazia da livre imaginação originária” – “É esta cisão radical e a unidade entre o corpo e a visão que constituem o vácuo da imaginação livre e, por conseguinte, capaz de inaugurar uma relação produtiva, não representativa nem simbólica com o real”; também o José Gil no livro “A imagem -nua…” “Três etapas assinalam o nascimento da pintura: a visibilidade do percebido, a visibilidade secreta do invisível, a visibilidade segunda da imagem artística”, etc.
    Tenho guardados os postes do Carlos que fui apanhando sobre arte(para ler com atenção mais tarde?), respiguei-os, a ideia que me tinha ficado parecia-me ser o da “visibilidade do invisível” Malevich etç, em arte, parece-me agora que a investigação do Carlos é mais abrangente (ou mais restritivo), o significado da luz em Caravaggio? e o seu precursorismo.

    outras notas:
    com que então para Piódão , já lá estive “aldeias históricas” tirei umas imagens já lá vão uns tempos;
    Jerónimo em Faro lá estive, na tele(in)visão registei ” as classes dominantes ao longo dos 800 anos de história de Portugal sempre estiveram ao lado dos invasores ou ocuoantes, Jerónimo disse, verdade nua!

    abraço

    • Carlos Vidal diz:

      Outro abraço, caro amigo.
      Num outro trabalho, que espero publicar a seu tempo (prometido está, portanto), tento a minha própria leitura destas relações entre visível e invisível, na pintura.
      Que desdobro em 4 pontos: visível, invisível, visual e invisual.
      Mais ou menos assim: o visível está diante de mim em bruto; o invisível é mais complexo, aproxima-se do puramente inexistente (ou inimaginável); o visual, é o que está diante de mim – mas com significação; o invisual é a parte mais interessante: é aqui que eu nunca vejo, mas determina o mais importante daquilo que é visível – por exemplo, o medium da pintura: determina a pintura, mas esta, realizada, “apaga” o medium, que desaparece (pois não desaparecendo, não teríamos pintura)

  5. mesquita alves diz:

    Caro Vidal,
    Sob uma prespectiva revolucionária, pode-se considerar também, o seu seu livro, como precursor da Madre Tereza de Calcuta.
    Bom fim de semana

  6. Carlos Fernandes diz:

    De facto um livro que parece muito interessante caro Professor Carlos Vidal, este ano já gastei um balúrdio na feira do livro mas vou ver se o compro.

    • Carlos Vidal diz:

      Naturalmente, mais interessante é o objecto de estudo.
      Nem sei se neste domínio há algo tão interessante (sendo que o livro pode não o ser).

      • Carlos Vidal diz:

        Objecto de estudo – refiro-me à pintura de Caravaggio, a qual, por sua vez, é mais interessante que a personagem Caravaggio (ao contrário do que chegou a estar na moda considerar/apreciar).

  7. xatoo diz:

    esses gajos, de acordo com a prática, deviam mudar o nome para Partido Reformista Português; seria o minimo exigivel para não enganarem as bases, embora de uma (e da mesma forma) assim também o façam o P”S” com as sua clientela em redor dos tachos (porque a lei e as televisões assim o determinam) ; a CDU é mais para panelinhas camarárias, mas com a próxima mingua do tecido municipal, por via da legislação da troika, até essa sopa dos pobres tem tendência para ser cortada…
    Os tempos que vêm não trazem ares de reforma, trazem o agoiro de falência de capelinhas e o vazio de uma revolta sem liderança revolucionária. É um massacre aquilo que se anuncia
    Boa sorte camarada Vidal

    • Carlos Vidal diz:

      [ Caro xatoo, por engano este comentário foi parar a uma pasta diferente desta.
      Não sei como, mas não o censuro, como noutro lugar o meu caro se queixa.
      Apesar de estar a puxar uma conversa sem qualquer relação com o post. ]

  8. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal, parabéns por mais este seu livro!!
    Uma pequena questão. Não será o esclarecimento da essencia das invariantes humanas verdadeiramente revolucionário!!? Não será esse devir uma pura repetição!? Ou seja, não inédito, sem novidade ou inovação. Ontem como hoje!! Que poderemos, então, profetizar!?

    • Carlos Vidal diz:

      Justiniano, coloca-me a questão das questões, logo a mim, que não saberei responder-lhe, como ainda nada vi de respostas para este “problema” em Hegel (a história é o progresso da liberdade), Marx, Derrida, Badiou………
      Coloca-me entre o grande tema filosófico e/ou antropológico do “eterno retorno” e a ideia de um crítico de arte norte-americano expressa na frase “a tradição do novo” (enquanto crítica da modernidade e das vanguardas).
      Vamos lá a ver o que é que eu posso dizer sobre isto.
      Algo como isto. Quando Jean Wahl (em “Le soustractif”) prefaciou o “Conditions” de Badiou, disse que Deleuze resgatou Bergson a partir de Nietzsche e Badiou terá resgatado Platão a partir de Cantor. Esta última definição ou ideia é plena de consequências. Porque se refere a Cantor, o criador do infinito enquanto construção possível, autoconsistente, consciente.
      Não se trata aqui de refutar Aristóteles (para quem o infinito não existe) nem Aquino (para quem o infinito é o “finito do ente infinito”), mas de dizer que o infinito é um contínuo (Aleph 0, Aleph 1, Aleph 2, etc).
      O que Cantor descobre é que se eu achar a potência de infinito do conjunto dos Naturais (N), eu posso colocá-la em correspondência com a potência de infinito dos Racionais. Mas a potência de infinito dos Reais (Irracionais U Racionais) é superior à dos Racionais e à dos Naturais, potência esta (dos Naturais) que constitui o primeiro número transfinito. A potência de infinito dos Reais é igual à do conjunto dos subconjuntos de N (o segundo número transfinito).

      Ora, não haverá aqui uma possibilidade de admissão do inédito? Vejamos, a admissão de que o infinto existe (!!), ou melhor, a comprovação de que o infinito existe, não será uma admissão da possibilidade de uma revolução nunca experimentada?, uma vez que a abertura ao infinito acarreta o indizível, indecidível e imprevisível.
      Ou o infinito traduzido pelo contínuo de Cantor é, de novo, a pura repetição?
      Creio que Badiou socorreu-se de Cantor para seguir a primeira possibilidade/resposta: a de que o inédito existe, e é ele que faz mover a humanidade (desde a capacidade para nos levantarmos de manhã até à capacidade de mudar o mundo).
      Como sair pois daqui de outro modo, meu caro??

      • Com Franqueza Carlos.
        Isso é resposta que se dê a alguém?
        Um rôr de ideias implicitas numa ” bricolage ” de conceitos embrulhados em nomes-autor, atados no argumento de autoridade.
        Autêntico, Verdadeiro relógio de corda.
        Na en la nevera.
        Única Atenuante_Uma pergunta de catequese prosélita. Não Achas?

  9. domedioorienteeafins.blogspot.com diz:

    Vi em Roma, o ano passado, a exposição Caravaggio e sobre ela publiquei um sintético post:

    http://domedioorienteeafins.blogspot.com/2010/04/caravaggio-em-roma.html

    Possuo várias obras sobre o Mestre, que venero, e adquirirei o seu livro logo que publicado.

    Cumprimentos.

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