M19 | dia 11 – Proposta aprovada pela Assembleia Popular do Rossio lança campanha contra o bloqueio a Gaza e saúda as Revoluções Árabes.

A Assembleia Popular do Rossio do dia 28 de Maio:

1ª- Saudamos as Revoluções Árabes e tomamos a sua mensagem como inspiração, no sentido em que elas lembram ao mundo o caminho das ruas, da resistência, da esperança, dando um espectacular impulso para que os povos oprimidos saiam da amnésia da submissão. Somos Rossio, Puerta del Sol, Praça da Catalunha e Tahrir. Lá como cá, ontem como hoje, somos todos a mesma praça.

2ª- Condenamos toda e qualquer intervenção militar da NATO nos territórios em sublevação, uma vez que sabemos que a democracia não se exporta à bomba e que a máquina de guerra não avança por razões humanitárias. O respeito pela autodeterminação dos povos não é, para os reunidos no Rossio, matéria de negociações políticas. As guerras em que Portugal e os países da NATO estão envolvidos está a ser feita com o dinheiro dos nossos impostos mas não está a ser feita em nosso nome.

3ª- Apelamos ao fim do criminoso muro que cerca a Palestina, na Cisjordânia e em Gaza, de onde todos os dias nos chegam histórias tenebrosas que nos transportam aos tempos mais obscuros do século XX, aos quais recusamos recuar. Queremos um mundo livre de guetos, de matanças, de genocídios, e sonhamos com o fim da ocupação da Palestina. Não queremos andar para trás e a resistência internacional, da qual nos reivindicamos, é o passo em frente.

Assim, porque as nossas palavras se traduzem em actos, propomos:

1º Entrar em contacto com o movimento internacional de Solidariedade com a Palestina, procurando pela primeira vez organizar, a partir de Lisboa, um veículo que se junte às caravanas contra o bloqueio que nos últimos anos têm partido da Europa, do Norte de África e do Médio Oriente, rumo à fronteira de Gaza, celebrizados lamentavelmente pelo ataque à Flotilha da Liberdade, no dia 31 de Maio de 2010.

2º O grupo de trabalho constitui-se como comissão coordenadora da proposta, que reunirá logo depois desta assembleia, e que terá como responsabilidade criar a rede necessária de activismo (continuação do debate na acampada, ronda de debates pelo país, angariação de fundos e campanha pública pela iniciativa, concretização), para que um pouco da resistência que se criou nas Assembleias Populares e na Acampada dos reunidos no Rossio, seja também resistência noutro lado.

3º Início da campanha no próximo dia 31, terça-feira, em frente à Embaixada de Israel, onde deixaremos simbolicamente um cravo e uma pedra da calçada do Rossio, em homenagem aos nove activistas assassinados sumariamente a bordo do navio Mavi Marmara (flotilha da liberdade), às mãos das Forças Armadas de Israel (IDF). Viva a Palestina!

[No dia em que as novas autoridades do Cairo abriram parcialmente a fronteira em Rafah, permitindo que centenas de palestinianos a possam atravessar, quatro anos depois do início do Gueto de Gaza. O Muro começou a cair mas há ainda muito betão para dinamitar. Continuemos.]

ASSEMBLEIA POPULAR ÀS 19h | ACAMPADA PERMANENTE

REUNIÃO ABERTA SOBRE A INICIATIVA ÀS 17h

TODOS AO ROSSIO!

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31 respostas a M19 | dia 11 – Proposta aprovada pela Assembleia Popular do Rossio lança campanha contra o bloqueio a Gaza e saúda as Revoluções Árabes.

  1. Diogo diz:

    A Palestina a seu tempo! Nada de poesias…

    Por ora, gostaria de ver processos judiciais em catadupa sobre Sócrates e os seus ministros (matéria processual não falta).

  2. O Exilado diz:

    Não se consegue perceber porque não obteve uma resposta oficial do governo Israelita. Ou do povo português em geral.

  3. Rainha das Bichas do Chiado diz:

    A ver se percebi. São contra a existência do Estado de Israel, certo?

    • Renato Teixeira diz:

      Não foi debatido, embora se percebe, pela moção aprovada e pelo debate produzido, que Israel é claramente contra a existência da Palestina.

    • Não apagar a memória diz:

      a comparação do caso de gaza às épocas mais obscuras do século xx é um abuso que nem a retórica justifica e uma banalização desses mesmos tempo. isso somado a uma resposta ambígua a uma pergunta perfeitamente legítima, se bem que maliciosa e não baseada no texto, deixa-me preocupado. recuso-me a apoiar manifestos desse tipo.

  4. paulo diz:

    eo irão?

    isso é que era……….

  5. pol diz:

    Pq será q estou sempre a levar com o presidente da CIP nos media pluralistas, a dar recados???

  6. Nihda diz:

    Revolução no Egipto ? Aquela que colocou no poder o Carrasco da CIA, que fazia a despistagem se deviam ir para Guantamos quais presos politicos, ou se ficavam logo ali nas carceres egipcias ? O chefe da prisão/tortura ilegal e clandestina pré-guantanamo é o Boss agora no Egipto… prometeu eleições para Maio (de que ano, digo eu ? ) e vocês ainda a referem como vitória e estão solidários com a Cena ?
    Gandas tonys…. miudos inocentes, é o que parece

    • Renato Teixeira diz:

      É possível que a contra-revolução triunfe no Egipto, como triunfou em Portugal, mas isso nem apaga os acontecimentos de Tahrir nem os do Largo do Carmo.

    • Renato Teixeira diz:

      É má de vistas.

    • Luis diz:

      Este é muito mais giro, e tão certeiro como a F.Câncio:

      http://blasfemias.net/2011/05/26/fracasso-do-socialismo-ao-vivo/

      “Estes fulanos estão há menos de uma semana no Rossio. São cerca de 50 ou 100 e já têm 3 níveis hierárquicos (líderes, grupos de trabalho e populaça). Já desenvolveram uma estrutura burocrática (os “grupos de trabalho”). Já têm normas burocráticas de enorme complexidade que garantem que nada será feito. Apesar de já terem uma burocracia avançada, não têm casas de banho. Dependem do mundo capitalista para coisas básicas como papel higiénico, que eles não fazem a mínima ideia como produzir. Como os verdadeiros estados socialistas, este também não consegue viver sem um mundo capitalista que os informe do valor das coisas. A qualidade dos meios de comunicação impressa deixa muito a desejar e faz lembrar o papel higiénico da Roménia de Ceausescu. Fica a sensação que tudo entrará em colapso quando acabar a última lata de tinta que os capitalistas deixaram. Os habitos burgueses (“há pessoas que têm emprego”) continuam a condicionar a revolução pelo que em breve haverá purgas.”

  7. internacionalista diz:

    uma reflexão que me surgiu a propósito duma crítica à assembleia do rossio por parte de erasmus espanhóis.

    uma coisa que devia ser feita é atacar o prestígio dos espanhóis nas assembleias portuguesas, e isto por internacionalismo. tem-se visto que os espanhóis, estudantes erasmus, são uma força conservadora, tentando despolitizar, e o seu prestígio viria de as assembleias terem começado como solidariedade às espanholas. mas lá está, uma posição internacionalista vê que o problema não é espanhol mas mundial, e em alguns aspectos os portugueses estão muito mais à frente que os espanhóis a reconhecer os problemas que já estão aí. deixar de considerar as assembleias como de apoio a um movimento que seria espanhol, e vê-las como a secção portuguesa dum movimento mundial, poria os erasmus moralizadores no seu lugar, e na sua verdadeira dimensão.

  8. Gualter diz:

    O Obama veio dois dias a Varsóvia para participar num encontro com dirigentes dos países do leste da Europa. O tema: como a experiência de transição destes países pode ajudar as novas democracias do Norte de África…

  9. Mario Antunes diz:

    Incentivem grandes artistas portugueses a dirigerem-se às praças!!!
    Dá muita força ao povo!

    http://www.europapress.es/sociedad/noticia-15m-paco-ibanez-actua-acampados-barcelona-20110529214445.html

  10. Pingback: Da malta acampada no Rossio « O Insurgente

  11. Nuno André Patrício diz:

    Caro Renato

    É a segunda vez que comento neste blog. Não conheço pessoalmente, mas dirijo-me especialmente ao Renato porque perdeu a voz.

    Tive o prazer de te ver perder a voz de tanto falares, de tanto intervires na acampada do Rossio. Outras pessoas que lá estiveram foram para casa com a voz pronta para falar, limpinha porque não falaram, bem tentaram.

    É com tristeza portanto ver que nos momentos em que mais precisamos de nos fazer ouvir, nós, eu, tu e muitos mais, que questionamos tudo aquilo que nos impõem à força sejamos calados não por aqueles que nos impõem à força um sistema económico e politico e muito mais, mas por aqueles que impõem a força da sua voz à de todos.

    E fazem-no até perder a voz, até perder quem os oiça, sobrepondo com as palmas arregimentadas à voz dos que falaram, os mais naifs, mais racionais, mais poéticos e sonhadores, mais realistas foram sendo encaminhados pela voz do microfone roubado.

    Lembro a proposta de não se bater palmas na assembleia, feita com ingenuidade certamente, mas chumbada não ingenuamente com mais uma salva que começa por uns e contagia todos.

    A mesa disse então “A propostas de não bater palmas foi chumbada pelas palmas”

    Transpondo para a tua, minha e de muitos mais, querida Palestina, e em situação semelhante seria.
    “A proposta de baixar as armas foi chumbada pelas armas”

    A minha morada não é nenhuma facção, moção ou convenção, não milito nem adiro, apanhei chuva como tu, e o mais alto que gritei foi “Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal / Esta é uma luta internacional”.

    Abrangência não sinónimo de fraqueza, fraqueza, tristeza e ironia é a direita ter neste momento um sentimento colectivo mais forte que a esquerda.

    Até amanhã companheiro.

    Lá estarei para me apresentar.

    • Renato Teixeira diz:

      Até amanhã. Essa foi de facto a melhor frase da manifestação e isso sim me deixou rouco. Nas Assembleias, até ver, todos têm tido a palavra.

  12. Luís diz:

    Então e o morto português em Barcelona?

    Parece que na manifestação de ontem se fez um minuto de silêncio e tudo…

    Mas, desde há, mutismo absoluto… Afinal o que se passou?

    • Renato Teixeira diz:

      Parece que fomos todos enganados. Quanto aos minutos de silêncio não se preocupe que infelizmente têm sido muitos os que morreram em manifestações e o simbolismo justificava-se simplesmente pela repressão na Praça da Catalunha.

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  14. martins dos santos diz:

    então e não há uma palavra pelas vítimas do terrorismo em Israel e no mundo?

    • José diz:

      Ná! Os “maus” são só os israelitas, os americanos e a Nato.
      A Síria, o Irão, etc são bonzinhos.
      Tahrir é incluída, mas Bengazi, Homs ou Deraa não vale a pena…
      A facção dominate conseguiu impor a sua agenda, que é a que, decerto, mais importa neste momento aos acampados do Rossio.

  15. Dr.NormalLove diz:

    Espectáculo!!!!!!!!!!!!
    “Proposta aprovada pela Assembleia Popular do Rossio lança campanha contra o bloqueio a Gaza e saúda as Revoluções Árabes.”???!!!

    Espectáááculo!!!!
    Isto é para mandar já por fax… agora é que aquilo vai ao sítio!!!!
    😀

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