M19 | dia 9 – Alargar as fronteiras do protesto ou ceder ao sectarismo?

A Helena Roseta, o Daniel Oliveira, o Garcia Pereira e, daqui a poucas horas, o Boaventura Sousa Santos, são algumas das figuras públicas que já marcaram presença no Rossio. Cidadãos em nome individual, militantes do BE e de todas as suas correntes, do PCP, do MRPP, do POUS e do MIC, sindicalistas de diferentes áreas laborais, activistas dos mais variados grupos de intervenção e proveniência ideológica, têm tornado as Assembleias Populares e a Acampada do Rossio um facto político incontornável. Essa convergência, de grupos organizados e de pessoas sem organização, é o garante de que é possível fazer política 24horas por dia e de resgatar ao museu de antiguidades a figura da Assembleia Popular que andava algures perdida na derrota da Revolução de Abril. Ceder à tentação de transformar este manancial num acampamento sectário é o grande desafio dos próximos dias. A manifestação de Sábado, que pode voltar a encher o Rossio e a dar corpo à maior Assembleia Popular desde Novembro de 1975, será a prova do que se foi capaz de fazer.

Foto de Luis Galrão

ACAMPADA PERMANENTE | ASSEMBLEIAS POPULARES ÀS 19h

Comunicado de Imprensa do Movimento Democracia Verdadeira Já! – 26.05.2011

Vai decorrer hoje, às 19h, a 7ª Assembleia Popular depois de, mais uma vez, ter sido aprovada por esmagadora maioria a decisão de manter a vigília no Rossio. Como todas as anteriores, vai estar aberta a todos os que queiram contribuir para, em termos práticos, devolver à palavra “democracia” o seu verdadeiro significado.

A Assembleia de ontem – após um período de “microfone aberto” em que todos os que o desejaram puderam dar largas à sua indignação e apresentar e debater propostas -, aprovou as seguintes decisões:

– Reunião de um grupo contra o pagamento da dívida que terá lugar sexta-feira, dia 27, às 22h;

– Criação de um “grupo incubador”, responsável pelo aparecimento de novos grupos de debate que tragam uma maior diversidade aos temas que são diariamente discutidos;

– Criação de um grupo de cinema que, todos os dias, projectará um filme escolhido pelos participantes;

– Reunião de um grupo com a responsabilidade de estudar uma possível reelaboração e enriquecimento do 1º Manifesto do Rossio;

Com o aproximar da manifestação – que terá já lugar sábado, dia 28, a partir das 15h, na Avenida da Liberdade (frente ao cinema S. Jorge) -, o principal objectivo do Movimento é, cada vez mais, o de unir forças, de modo a aumentar a concentração no Rossio. Na acção de sábado, contamos com uma participação, ainda mais alargada, de todas as cidadãs e cidadãos que, independentemente da sua idade, estrato social, ou situação profissional, não se sintam representados pelo actual sistema e anseiem por uma verdadeira democracia, em que tenham uma palavra a dizer em assuntos que lhes dizem directamente respeito.

A cada dia intensificam-se os apelos de apoio logístico: água, azeite, geleiras, sacos térmicos, latas de conserva, pratos, copos e talheres reutilizáveis, corda grossa, lonas e plásticos para proteger do sol e da chuva, cavaletes, carregadores solares de baterias, etc…

“Isto é só o princípio!”

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4 respostas a M19 | dia 9 – Alargar as fronteiras do protesto ou ceder ao sectarismo?

  1. Augusto diz:

    Em contrapartida, um dirigente de um importante partido de esquerda, disse ontem que desconhecia , que havia um protesto de jovens no Rossio, apesar de haver uma sede desse partido muito perto desse local.

  2. xatoo diz:

    é preciso ter realmente falta de horizontes para considerar relevante a presença da minhoca politica Oliveira num pretenso “evento emancipatório”.
    Onde está o Oliveira tem de estar um não-acontecimento; que embarca em operações ocultas de designios Sionistas, o apelo ao grito “Indignai-vos” do velho judeu Stéphane Hessel (que já vendeu 1 milhão e meio de exemplares) filósofo de 93 anos, que tem no curriculo o facto de ser “um antigo resistente sobrevivente dos campos de concentração nazis”. A invocação do “holocausto” como base de um programa politica é um sistema que serve à universalização do poder de Israel – uma democracia de escravos liofilizados por uma liberdade abstarcta mais psicológica que outra coisa. Sem democracia económica não existem direitos humanos (cartilha da qual o sr. Stéphane Hessel foi precisamente um dos redactores). Sabem-na toda, estes spinners
    “Isto é só o principio” diz-se aos ingénuos que se dizem apartidários porque o fim, tal como já está a acontecer na plaza da Catalunya hoje, é a policia municipal a remover a tarecada dali para fora…
    Acontece a movimentos sem programa nem ideologia nem uma estratégia definida por organização politica

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