A “ajuda” que afunda

Uma coisa que parece que muitos se esqueceram é que não se dá uma ajuda à espera de a receber de volta com juros. Dá-se uma ajuda para que o ajudado recupere, e não para que se veja aflito na hora de pagar. Aparentemente estas noções foram afastadas do senso comum, e tem de vir um “grupo de economistas” declará-lo.
A intervenção externa do Fundo Monetário Europeu (FMI), Comissão Europeia e do BCE, ainda tem outra interessante conclusão, que se torna clara na Grécia. Apesar de ter uma taxa de juro abaixo do empréstimo a Portugal, é impossível de ser paga. Ou seja, a intervenção externa não só não ajuda a resolver os problemas financeiros, como os agrava.
Portugal está a seguir exactamente o mesmo caminho da Grécia e da Irlanda, com a agravante de se poder constatar previamente que é o caminho errado.
A 5 de Junho vamos continuar a eleger os deputados que nos afundam? A 5 de Junho vamos perder a oportunidade de pregar um susto à troika?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

2 respostas a A “ajuda” que afunda

  1. henrique pereira dos santos diz:

    Tem razão. Se eu precisar de pagar amanhã uma prestação da casa sem a qual a casa é penhorada, apesar de depois de amanhã eu receber um pagamento que me resolve o problema, encontrar um amigo que aceita pagar-me a prestação a um juro razoável (é curioso como se fala de juros especulativos do FMI que estão abaixo dos juros pagos por vários bancos, incluindo a caixa geral de depósitos, pelos depósitos dos seus clientes) não me ajuda em nada, claro. Ajuda, ajuda era se o amigo me pagasse a prestação, isso sim, é que era ter um amigo porreiro. Um pormenor quase irrelevante: a dita petição foi dinamizada por estudantes de economia, e mais tarde assinada por alguns economistas, mas para quê diminuir uma boa história com a realidade se se pode torná-la mais interessante ficando por aquela meia verdade que é mais eficaz que a mentira.
    henrique pereira dos santos

    • subcarvalho diz:

      Amigo, amigo é aquele que me empresta o dinheiro para a prestação sem exigir juros por isso. Não é preciso pagra-me a prestação.
      Bem sei que vem com o paleio do dinheiro que o amigo perdeu ao retirar do banco o dinheiro que me emprestou para a prestação. Mas quanto a isso, nada a argumentar. Quando alguém pensa em tudo, mesmo na amizade, com a ideia constante do lucro, da especulaçao, do mercado, da finança não há argumentação nenhuma capaz de o curar da tonteria…talvez no dia em que precise que um amigo lhe empreste dinheiro para a prestação da casa!

Os comentários estão fechados.