M19 | dia 7 – Cerrar os dentes e irritar a burguesia: Assembleias Populares todos os dias (19h), Manifestação no Sábado e Acampada Permanente.

Para o falsete do José Manuel Fernandes, a desafinada da Helena Matos e o desentoado  do Pedro Correia, bastava contrapor a temperada Cátia Domingues, as heterodoxas presenças no Rossio do Garcia Pereira à Helena Roseta ou mesmo a ida do Boaventura Sousa Santos à Acampada de Coimbra. Ao contrário do que querem vender, agora que já ninguém consegue esconder a dimensão das sementes que se espalharam ao vento a partir da Puerta del Sol, este não é um protesto sectário. Naquele que é o fenómeno mais estupendo do ponto de vista popular desde os idos tempos do PREC, as reacções da reacção são o melhor indicador de que estamos a ir no bom caminho. A democracia está nas Ruas e a Acampada do Rossio, assim como as suas Assembleias, têm crescido de dia para dia e de noite para noite. O medo destes senhores é o grande motivo da nossa coragem. Continuemos pois!

5º COMUNICADO DE IMPRENSA:

‘Tod@s ao Rossio!’

Foi aprovada com grande ovação a continuidade da vigília no Rossio e a marcação da 6.ª Assembleia Popular aberta a tod@s quant@s queiram dar o seu contributo na discussão por uma democracia verdadeira e participativa. Na última Assembleia Popular, com mais de quinhentas pessoas, estiveram presentes estudantes de Coimbra e elementos da manifestação na Puerta del Sol, em Espanha, solidários com o acampamento.

Depois de mais um debate vivo, e de dezenas de participações de cidadãos que aproveitaram o “microfone aberto” para dar voz à sua indignação e para apresentar as suas propostas, foram aprovadas as seguintes decisões:

– foi criado um espaço de informação permanente que dará a conhecer as intenções da vigília a quem passe pelo Rossio e questione o seu propósito;

– foi aprovado que as Assembleias Populares decorrerão todos os dias pelas 19 horas, sendo decidida a sua marcação em cada véspera;

– o trabalho dos diversos grupos estará em contínuo desenvolvimento – Acção Directa e Cultura, Comunicação e Informação, Manifestação (28 de Maio), Manifesto (em construção) e Debates, Organização Formal das Assembleias Populares, Logística, Assessoria Jurídica e de Segurança;

– A cada dia intensificam-se os apelos a apoio logístico: – água, azeite, geleiras, sacos térmicos, latas de conserva, pratos, copos e talheres reutilizáveis, corda grossa, lonas de tecido e plástico para proteger do sol e da chuva, cavaletes, etc…

‘Isto é só o princípio!’

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28 respostas a M19 | dia 7 – Cerrar os dentes e irritar a burguesia: Assembleias Populares todos os dias (19h), Manifestação no Sábado e Acampada Permanente.

  1. zecarapaudecorrida diz:

    Xim,xim.Já vi iço(sic!) no 12 de março.O Miguel Tavares Rodrigues é q os topa.Por enquanto,incipiente,mas há etapas q ainda não foram descortinadas pelos participantes…

  2. Manel diz:

    “o fenómeno mais estupendo do ponto de vista popular desde os idos tempos do PREC”

    AH, AH, AH, AH, AH! Não sei se chore ou se deva rir… optei por rir. Se seres tu o dono do megafone é o tal critério para definir o ” mais estupendo” fenómeno dos últimos não sei quantos anos, deixa-me saudar o Lénine do Rossio.

    • Renato Teixeira diz:

      Os megafones, não sendo de todos, são de uso colectivo. Lamentavelmente o tempo está mais para frentes do que para partidos revolucionários.

  3. José diz:

    “Cerrar os dentes e irritar a burguesia:”
    Em 2011 quem é a “burguesia”?
    O Renato é o quê? Proletário?
    Ou a Raquel Varela?
    A linguagem de 1974/75 parece um tanto datada em 2011.
    Por outro lado, ter como objectivo “irritar” (e aliená-la) parte da sociedade, não me parece a melhor das finalidades para um movimento popular.
    E, o que é mais irritante, parece que se destina apenas a isso mesmo, um movimento sem consequência, quando deveria/poderia ser bastante mais.

  4. Abilio Rosa diz:

    Essse tipo de manifestação – aproveitada, manipulada, gozada e glosada pela Direita e seus serviçais – não irrita nem a burguesia nem quem nos rouba.

    Irrita sim, quem leva a luta popular a sério.

    É preciso fazer o desenho?

    Não ouvem o camarada Jerónimo, sobre qual é a melhor maneira de derrubar a ladroagem que nos governa?

    • Mike diz:

      Eu não sei quem tu és, e se calhar estou a cometer uma grande injustiça, mas…

      Foda-se pá!!! Para de falar em nome dos comunistas!! Para de falar em meu nome!!!
      Pelos comunistas fala o seu secretário-geral!!! E não precisa de tradutor ou interprete!!!

      Fala em teu nome e já chega…

  5. Luís diz:

    Epá, quando começo a ouvir auto-elogias à sua própria natureza democrática, vêm-me logo à lembrança as repúblicas democráticas de saudosa memória, e o engenhoso conceito do centralismo democrático!

    Isto da democracia não é para laudar, é para pôr em prática!

    Cumprimentos, Luís

    • Renato Teixeira diz:

      É isso que está a acontecer no Rossio. Lá, até as contradições são belas. Confirme pelos seus próprios olhos e passe numa das assembleias, todos os dias às 19h, ou na manifestação de Sábado que vai voltar a encher o Rossio.

  6. Zegna diz:

    Mais barulho para quê? de barulho e de manifestações rascas estamos nós fartos……..
    Guardem a energia para o dia 5 de JUNHO e corram com a corja do PS , PSD , CDS , CDU e BE. A revolução começa é neste dia com a escolha de outros partidos , é preciso é rachar a meio estes cinco. Qualquer outro partido serve!

    • Renato Teixeira diz:

      Guarde toda a energia para o dia 5 e vai ver que vai dormir sem sono.

    • Pedro diz:

      Tem piada equacionares na mesma linha PS, PSD, CDS e CDU, BE… estarás irremediávelmente confundido? Ou ainda valerá a pena passares os olhos pelos ultimos 35 anos de governação?

      Qualquer política serve portanto… ora aí está um óptimo conselho!

      Isso de rachar a meio aqueles cinco deve dar qualquer coisa como meio PS para um lado e a outra metade para o outro. Bem vistas as coisas não deve ser bem isso que tu queres dizer…

      • Zegna diz:

        está preocupado com a essa corja ? se está eu não , eu quero que eles desapareçam da assembleia……

  7. Diogo diz:

    As manifestações e acampamentos, que reputo de extraordinários, com o passar dos dias podem tornar-se mais cansativos para os manifestantes do que para a «burguesia».

    A geração à rasca dispõe de muitos milhares de advogados. Porque não começar por acusar judicialmente os políticos cujas obras inúteis e faraónicas enterraram o país perante os bancos «os mercados»? E ter um exército constantemente nas salas de tribunal para não deixar os juízes colocar o pé em ramo verde?

    A geração à rasca dispõe de muitos milhares de economistas e contabilistas e engenheiros. Porque não colocá-los a examinar a pente fino as contabilidades do Banco de Portugal, dos Bancos e das Câmaras Municipais?

    Não será tempo de agir a sério?

    • Abilio Rosa diz:

      Ora está aqui uma boa sugestão.
      No lugar do pessoal estar ao relento, o melho é os nosasos jovens contratarem advogados ou formar um movimento para processar judicial e criminalmente quem os roubou, quem lhes titou o futuro e quem desviou o dinheiro.
      Dizem que já começou a «entrar» o dinheiro do FMI.
      E vai para quem e para onde?
      Todos nós sabemos identificar os beneficiários.
      É preciso processá-los ou então confiscar e nacionalizar os seus haveres a favor do erário público.
      Isto si, é que é luta eficaz com as armas desta burguesia corrupta, ruim e diabólica.
      Até nos EUA, pátria do capitalismo, se processa quem «passa à esquerda».
      Aqui vai-se para a rua gritar.
      Mas os fdps dos ladrões não vos ouvem nem são incomodados.
      Continuam nos seus resorts a bebericar os seus uisques na maior das calmas…
      Luta, sim! Mas com consequências práticas!!!!!!

    • Renato Teixeira diz:

      É tempo de agir a sério. Confirme no Rossio. Os manifestantes não estão na rua simplesmente para acampar na Praça. Outros horizontes se levantam.

  8. paulo diz:

    renato

    desculpa lá mas se és proletario em que industia trabalhas tu?
    ia jurar que és um burguês…….

  9. Luis Duarte diz:

    O constante incumprimento das promessas eleitorais é uma das maiores feridas da nossa Democracia, que, a não ser debelada, poderá acabar por, mais tarde ou mais cedo, vir a comprometer o próprio regime democrático.

    Em minha opinião, uma das razões por que o universo abstencionista é de tão grande dimensão tem a ver com as famigeradas “promessas eleitorais”, cujo teor, se não é explicitamente económico, acaba, na prática, por quase sempre se reflectir nesse domínio. Promessas essas que têm sido usadas como instrumento de conquista do poder por parte dos diversos partidos políticos, mas que, depois, após este assegurado, muitas delas ficam por cumprir. Esse facto, acto eleitoral após acto eleitoral, tem vindo a gerar uma crescente desilusão e uma grande desconfiança no eleitorado, relativamente ao valor das escolhas feitas, ou seja, quanto ao peso real que essas escolhas têm na nossa vida social e económica, e, sobretudo, a percepção de que é indiferente votar-se neste ou naquele projecto político, ou é mesmo indiferente votar-se ou não, por uma enorme fatia do universo eleitoral – o abstencionismo.
    Uma das medidas que se poderia tentar implementar, como meio de travar a continuidade e o agravamento desta tendência, poderia ser uma medida que incidisse, precisamente, sobre os Programas Eleitorais, de maneira a que o seu cumprimento não dependa apenas da boa ou má vontade (ou honestidade) dos dirigentes políticos, mas sim por se encontrar escorado na própria lei.

    Aqui fica uma proposta para reflexão

    Sem qualquer prejuízo das tradicionais formas de propaganda eleitoral, todos os partidos políticos que concorressem a sufrágio teriam de, por exemplo, preencher uma espécie de formulário, igual para todas as forças políticas concorrentes, no qual constariam expressas as medidas concretas que cada um deles se propunha tomar, para os mais diversos sectores da nossa vida social e económica. Nesse formulário, deveriam ainda ficar esboçados os projectos-lei mais essenciais, a serem propostos, discutidos e votados na futura Assembleia da República, bem como as linhas gerais do Orçamento Geral de Estado, no que diz respeito aos critérios (não os montantes específicos, obviamente) que, em termos percentuais e de forma mais ou menos aproximada, iriam definir a distribuição das diferentes parcelas orçamentais por cada ministério, ou por cada sector de actividade. Ou seja: definir de forma muito clara como se estaria a pensar intervir em cada um dos sectores da nossa vida colectiva; quais as actividades (economia, saúde, ensino, cultura, etc.) que iriam ser mais ou menos privilegiadas no Orçamento de Estado, e como.
    Para as diferentes organizações políticas poderem concorrer a eleições, este tipo de formulário seria de preenchimento obrigatório, e entregue no Tribunal Constitucional, ou numa instância nele criada para o efeito.
    Dessa forma, os Programas Eleitorais passariam a ter, por força de lei, o valor de um contrato. Isto é: os cidadãos eleitores, quando fossem votar, saberiam que, no momento de preencher o boletim de voto, estavam a assinar um contrato político com os candidatos da sua escolha; contrato esse que apenas entraria em vigor, evidentemente, se esse partido ganhasse as eleições. E, como em qualquer contrato, haveriam, forçosamente, deveres para ambas as partes e estariam previstas diversas sanções políticas para os incumpridores.
    Quanto às penalizações, elas teriam de ser, obviamente, de carácter político. Um exemplo apenas: os candidatos eleitos para governar e que não cumprissem as promessas eleitorais firmadas no formulário ficariam impedidos, durante um determinado tempo, de concorrerem a qualquer cargo político, dependendo a dimensão dessa sanção do tipo e da gravidade do incumprimento verificado. Tais penalizações, ainda assim, teriam de ser aplicadas com critérios temporais bem determinados, de maneira a não termos de andar permanentemente em eleições, para se garantir, assim, a máxima eficácia governativa.

    Conclusão

    Tenho plena consciência de que este tipo de legislação corresponde a um processo relativamente complexo, sobretudo no que diz respeito à definição dos deveres do cidadão eleitor e da respectiva fiscalização desses mesmos deveres. Muito provavelmente, também iria implicar a definição e a criação de instâncias jurisdicionais, para se garantir a respectiva fiscalização e aplicação da lei, o que, consequentemente, poderia implicar também algumas alterações à nossa carta constitucional.
    Mas também estou certo de que essa complexidade não é, de modo nenhum, inultrapassável, caso haja vontade política. É sempre nisso que acabamos: a existência ou não de vontade política, quer por parte dos cidadãos eleitos, quer por parte dos cidadãos eleitores.

  10. bg diz:

    apoiado Renato!
    haja ‘cojones’ para mudar radicalmente o que é preciso.

  11. Renato,
    tive só agora conhecimento do teu post, em que me referencias na mesma linha que a Helena Matos, e não consegui não comentar!

    O que eu comentei foi do que vi. Do que senti. Do que me levou lá e que considero que ficou claro o meu texto, não é mais nem menos que aquilo que escrevi. Portanto não percebo o que é que queres insinuar quando me estás a juntas a uma colectividade qualquer que não entendo mas tu lá terás as tuas fundações sectárias.

    E eu não tenho medo nenhum Renato. Nenhum medo da vossa/nossa coragem. Sim Renato, eu também lá tenho estado! Eu não “passei” por lá a caminho da H&M.

    Tenho ido às assembleias praticamente todos os dias e tenho-te a dizer que ultimamente tem sido assustador. Não em dimensão mas em demagogia. A exploração que estão a fazer está cada vez mais a tornar-se evidente..e se isto que está a acontecer no Rossio, que ainda não se percebeu muito bem o que é, sem retirar algum mérito diga-se, for demovido a culpa não é da direita, nem destas pessoas que enumeraste…porém sei que é mais fácil esse discurso.

    Que se f$%&” os rótulos e as querelas mesquinhas! E os discursos odiosos…e os egos inflamados.. e as ironias, e a hipocrisia do politicamente correcto, já ninguém tem paciência para isto, já está gasto. Vamos (sim, porque repito: a direita também lá está, infelizmente menos porque a repelência que se sente é tal que não há espaço nem abertura e isso é uma pena, realmente..porque as agendas ali já estão criadas e as pessoas não são parvas!) apresentar propostas, não deixar morrer esta força e conseguir REALmente mudar alguma coisa! Para isso temos as claques de futebol e vamos à bola!

    Eu vou continuar a passar pelo Rossio, sou pela Auditoria às contas públicas como base do que vem a seguir !

    • Renato Teixeira diz:

      Cátia, citei o teu texto porque, mesmo que não concorde com as tuas soluções, ele responde, como nenhum outro, às críticas da Helena Matos e companhia limitada.

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